-se Você Fosse?...então Seria... Adeus?
1 -E se eu fosse embora? Fosse embora agora?
Notas iniciais
Já fazia um tempo que estávamos juntos, mas nenhum tempo seria o suficiente para mostrá-lo o quanto eu o amava e fazer tudo o que eu queria com ele e para ele.
Ficava feliz em saber que tínhamos um bom tempo pela frente, Kouyou no auge dos seus vinte anos e eu, mesmo sendo dez anos mais velho, me sentia apenas um garoto começando a vida.
Ouvi o barulho da chave abrindo a porta do apartamento e me deitei no chão do banheiro fingindo estar desmaiado. Kou estava voltando da faculdade e hoje era meu dia de folga.
Escutei-o me chamando e depois me procurando nos cômodos. Finalmente ele estava chegando perto de onde eu estava. Reprimi um sorriso quando ouvi a maçaneta da porta girar.
-Yuu! – seu grito me fez dar um salto. Acabei deixando o fingimento de lado e me sentei encarando-o.
Ajoelhado ao meu lado, ele estava realmente muito assustado. Não entendi o porquê daquilo. Nos conhecemos num dia quente de verão quando eu, negligentemente, havia desmaiado na rua por não ter me alimentado direito. Acordei nos braços de Kou que me fazia uma respiração boca-boca. Naquela hora eu só conseguia rir e dizer “Acho que eu não estava morrendo afogado!” e ele todo atrapalhado me pedia desculpas e dizia que a rua estava vazia, não havia ninguém por perto e ele não sabia o que fazer. Ele era um lindo colegial e eu não conseguia parar de olhá-lo e sorrir. Por isso eu sempre fazia aquela brincadeira quando ele chegava em casa depois de mim. Ele sempre soube que eu estava fingindo e me beijava como fez na primeira vez.
Não estava entendo o porquê daquele medo todo.
-O que deu em você? – perguntei.
Seu rosto passou de preocupado para irritado e ele bateu no meu braço.
-Nunca mais me assusta desse jeito.
-Hã? – disse sem entender – Mas eu sempre faço isso. Você nunca ligou.
Ele se levantou e agora parecia um pouco ansioso e constrangido.
-E eu não ligo. É só que parecia real dessa vez. – ele saiu do banheiro. Eu me levantei e o acompanhei.
Chegamos ao quarto Kou trocava de roupa sem dizer coisa alguma. Havia algo estranho com ele. Tirou as calças enquanto eu apenas o observava. Antes que ele pudesse tirar a camiseta eu me aproximei por trás e fiz isso por ele jogando-a de lado e beijando seus ombros despidos. Ele gemeu e colocou uma mão para trás alisando meus cabelos, a outra fazia riscos de leve no meu braço que segurava sua cintura.
-Está tudo bem com você? – perguntei deslizando meus lábios por seu pescoço.
-Aham. – foi tudo o que ele conseguiu dizer. Ou foi tudo o que ele quis dizer.
-“Aham” é? – perguntei em uma voz maliciosa enquanto minhas mãos desciam para a sua roupa intima e Kou soltava um gemido – O que quer dizer com “Aham”?
Ele se virou de frente para mim e me beijou sensualmente antes de responder.
-Significa... – me beijou de novo –... que eu tenho o namorado mais perfeito do mundo e sou a pessoa mais feliz do universo por isso.
Ele sorriu para mim. Era aquele sorriso que ele deu naquele dia em que nos conhecemos e que fez eu me apaixonar por ele. Aquele sorriso que ele sempre tinha para mim todos os dias fazendo eu me apaixonar por ele cada vez mais. E eu só pude sorrir de volta e amá-lo intensamente para que ele soubesse o quanto eu era feliz também.
Eu estava no chão da sala fingindo estar desmaiado para que quando Kou chegasse me beijasse. Mas quando ele entrou estava assustado e gritava meu nome. Eu ia me levantar para dizer que era uma brincadeira e ele sabia disso, porém não consegui. Kou me abraçava e chorava e eu não conseguia me mexer. Queria apertá-lo em meus braços e dizer que estava tudo bem. Mas era impossível. Entrei em desespero e de repente não estávamos mais em casa. Eu estava em um caixão e Kou chorava. Podia sentir suas lágrimas caindo sobre meu rosto. “Ele vai ficar sozinho, ele vai ficar sozinho.” Ouvia Kou dizer. Quis gritar para ele que parasse de se importar comigo. “É você quem vai ficar sozinho.” tentei dizer, mas ele não me ouvia, não tinha como me ouvir. “Não me diga adeus Kou, por favor, não me deixe longe de você!”. Alguém cobriu o caixão e eu não pude mais ver seu rosto. Ouvi sua voz ao longe como em um eco triste e perdido: “Adeus, Yuu” .
Acordei suando frio, minha respiração estava descontrolada, aquela sensação horrível no meu peito. Quis imediatamente abraçar Kou com força e sentir sua pele contra a minha, me acalmar em seus braços, mas ele não estava na cama. A angústia em meu peito piorou. Levantei-me para procurá-lo.
Encontrei-o na sala, falava ao telefone à luz do abajur. Fiquei observando-o por alguns momentos enquanto tentava me acalmar para não assustá-lo. Só naquela hora percebi que estava chorando. Respirei fundo sem fazer barulho. Conseguindo então ouvir o que Kou dizia ao telefone.
-É eu tirei um pouco e fechei a conta corrente hoje. Já transferi o dinheiro da minha poupança.
Conta? Poupança? Não sabia do que Kou estava falando. Ele não havia comentado nada daquilo comigo. Kou havia perdido os pais quando era criança e eles deixaram uma boa herança para ele. Um amigo da família era o seu tutor, eles não eram muito próximos. Quando o conheci, Kou morava sozinho. O seu tutor o emancipou a seu pedido e ele veio para Tóquio se virar. Apesar do dinheiro da família, Kou pagava a faculdade e ajudava com as despesas da casa apenas com o seu trabalho. Guardava a herança em uma poupança para emergências. Eu não gostava de vê-lo se esforçar tanto, mas ele preferia assim e eu o achava mais lindo por isso.
Fiquei pensando por que ele estava mexendo no dinheiro agora.
-Eu não vou mais precisar da conta corrente. Não vou mais trabalhar lá.
Pensei que talvez ele tivesse sido demitido e por isso iria usar o dinheiro da herança. Eu não ia deixar é claro. Com o que ganho posso muito bem sustentar a nós dois. Se eu sempre dividi as contas era por insistência dele.
-Não Ruki, eu não fui demitido. Eu saí. Olha não dá para explicar agora. Só te liguei para que você arranje outro parceiro para o projeto final da faculdade.
Toda aquela conversa estava estranha demais, não conseguia processá-la. O Ruki, com quem ele falava, era o melhor amigo de Kou desde quando ele chegou a Tóquio. Eu o conhecia era um bom garoto.
De repente Kou riu com alguma coisa que foi falada do outro lado da linha.
-Eu ligaria mais cedo se você não saísse quase todo dia e voltasse a essa hora! – ele disse ainda rindo – Não dava para esperar até amanhã porque eu não vou pra faculdade. – o sorriso morreu. – Bom Ruki, era isso é melhor eu desligar. Até depois. Ele desligou o telefone, suspirou e ficou olhando para o chão.
Aproximei-me dele no escuro parando ao seu lado fora do alcance da luz do abajur, ele não parecia ter notado a minha presença. Com tudo aquilo que havia ouvido só consegui chegar a uma conclusão.
-Você vai embora?
Notas finais
Quem gostou? hein? hein?
Quem não gostou?... alguém???
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