-se Você Fosse?...então Seria... Adeus?

4 - Só ir? – Ele ainda não conseguia entender.


Notas iniciais
Lá vai o quarto!!!

Eu me levantei mais cedo do que Yuu naquela manhã. Apesar de ser Sábado, o deixei sozinho e nem sequer fiz o seu café da manhã, como fazia todos os fins de semana. Eu não tinha me esquecido. Eu nunca me esquecia, nem mesmo se tivesse que sair.

Naquele dia eu não tinha que ir a lugar nenhum, mas mesmo assim estava ali naquela praça matando o tempo ao invés de estar lá, ao lado dele.

“Kou... não...vá.” As palavras de Yuu ecoavam na minha cabeça. Havia sido uma noite confusa aquela. Me martirizei por não ter feito aquela ligação uma outra hora, quando Yuu não estivesse por perto.

A verdade é que eu não conversara com ele desde então. No dia posterior aquele, fiquei na cama até mais tarde, pois não iria à faculdade, enquanto ele saiu cedo para trabalhar. Eu o ouvi saindo, mas não fui até ele lhe dar “bom dia”. Eu também fazia o jantar ou comprava alguma coisa quando Yuu chegava tarde do trabalho. Mas não fizera e nem comprara nada e fui mais cedo para a cama. Yuu chegou, e mesmo estando acordado, fingi dormir. Senti seu beijo em minha bochecha e seus braços me segurando em um abraço, mexi meu corpo me afastando um pouco como se estivesse sonhando. Ele não tentou me abraçar de novo.

O frio estava mesmo cortante. Havia nevado na noite anterior. Mesmo com várias camadas de roupa eu ainda tremia. Pensei em ligar para Ruki, mas tinha certeza de que ele devia ter saído, voltado altas horas da noite e estaria roncando na cama naquele momento. Ou talvez nem tivesse voltado para casa ainda.

Decidi andar um pouco para me esquentar. O comércio ainda não tinha aberto as portas. Não havia ninguém nas ruas. Quem seria louco de sair na rua tão cedo nesse frio? Bom, eu era o único.

Andei distraidamente e percebi de repente que havia chegado àquela rua. A rua em que conheci Yuu. Senti vontade de chorar. Tudo era tão diferente naquela época. Era um dia quente e o chão não estava coberto de neve. E eu era só um garoto de colégio sem preocupações.

Virei-me rapidamente para sair dali. Peguei meu celular e disquei o número de Ruki, não me importava mais em acordá-lo, precisava falar com alguém.

-Alô? – uma voz sonolenta atendeu.

-Ruki eu preciso falar com você.

-Uruha? Você só me liga em horas estranhas! – ele era o único que me chamava por esse apelido de escola, porque eu também o chamava pelo apelido.

-Posso ir aí?

-Pô cara, tá muito frio lá fora! Você vai sair assim? E eu só dormi duas horas! – ele reclamou.

-Ruki eu preciso falar com você. Por favor. – senti as lágrimas deslizarem por meu rosto.

-Vem logo pra cá Uruha. — Ele percebeu que eu estava mal. Senti a preocupação em sua voz. Ele era um cara meio irresponsável ás vezes, principalmente com os estudos, e aparentava não ligar muito para nada. Mas ele era prestativo e se importava com quem ele gostava.

Quando alguns minutos depois Ruki abriu a porta, mal consegui ver seu rosto ansioso e fui puxado para um abraço. Eu ainda chorava.

-Eu pensei que me dispensou de ser sua dupla no projeto final porque eu sempre deixo tudo nas suas costas. – Ele tentou rir, mas sua voz falhou e ele só desviou os olhos para o chão.

Havia contado tudo á ele. O que estava acontecendo. O que eu iria fazer. O que eu já estava fazendo.

-Tem certeza que é isso o que quer?- Ruki voltou a me encarar – Quero dizer em relação à Yuu?

-O que mais eu poderia fazer?

-Porque não conta pra ele?

-Ele iria sofrer mais.

-Mas um dia ele vai acabar entendendo tudo. E não é você quem vai explicar. Ele vai ficar acabado.

Eu não respondi. Ruki chegou mais perto de mim no sofá e passou uma mão em meu rosto.

-Você parece estar acabado. – ele riu.

Eu também ri. Se Ruki aprovava ou não o meu comportamento não importava, ele não me julgaria. Éramos mais do que amigos ou irmãos e eu estava feliz por ter tido alguém assim na minha vida.

-Eu te amo Ruki. – eu disse sério – E quero que seja feliz.

-Eu também te amo Uruha- ele encostou sua testa na minha – E também quero que seja feliz não importando onde esteja.

Ruki me deixou ficar na casa dele até bem tarde. Conversamos como fazíamos antigamente, parecia que estávamos no ensino médio de novo e que não tínhamos problemas.

Yuu ligou várias vezes no meu celular, mas eu não atendi e acabei desligando o aparelho. Quando sai da casa de Ruki ele ainda me perguntava se eu não queria passar a noite ali. Havia dito a ele que não iria estragar sua noitada de sábado. Ele me disse que não estava a fim de sair mesmo. Desconfiava que fosse por minha causa. Eu o deixei mal.

Quando cheguei em casa tinha esperanças de que Yuu já estivesse dormindo. Eu poderia ter ficado na casa de Ruki, seria tudo mais fácil, mas não deixaria nada claro.

Tirei os sapatos e fui em direção ao banheiro, mas parei ao perceber a sombra sentada no sofá. Liguei a luz e me sentei na poltrona sem olhar para Yuu.

-Me diz por quê? – Yuu disse e me lembrei que já fazia quase dois dias que não ouvia aquela voz. -Você está me evitando não é? Por quê?

Eu ainda não havia olhado para ele. Yuu percebia que eu estava diferente.

Mas o porquê ele não conseguia entender.

Notas finais
eeeh voltei!!Quem sentiu saudades...? *silêncio* Então tá... :( Reviews?