-se Você Fosse?...então Seria... Adeus?
3 -Não. Não é ir embora da sua casa. É tipo...só ir.
Notas iniciais
— Eu quero viver com você até o fim Yuu.
Sem soltá-lo de meus braços, afastei um pouco meu rosto para olhá-lo. Seu sorriso estava lá, como sempre esteve. Percebi que chorava também.
-Eu quero viver com você até o fim Yuu. – ele repetiu.
De repente me senti um idiota. Havia tirado conclusões precipitadas de uma conversa de telefone. E nem sequer a ouvira inteira. Talvez a sensação que tive de ficar longe de Kou naquele pesadelo tenha distorcido meu entendimento.
-Eu te amo – eu disse – eu te amo... eu te amo...
Repeti isso várias vezes olhando em seus olhos. Ele ainda sorria e chorava. Beijei seu rosto várias vezes, nos olhos e bochechas, para secar suas lágrimas.
-Você é tão bobo Yuu. – ele disse enquanto eu o beijava.
-Me desculpe...
-Você...é...tão...bobo! – ele disse agora entre soluços que sacudiam o seu corpo. Colocou os braços em volta do meu pescoço e me abraçou com força chorando descontroladamente.
Estava me sentindo culpado por tê-lo feito ficar daquela maneira. Não devia ter sido tão precipitado. Pensei se ele não estaria achando que eu não acreditava em seu amor por mim.
-Kou-chan, me perdoa eu sou um idiota. – eu o apertava com força também, acariciando seus cabelos.
-Eu não quero... sair daqui! – falava alto, ainda abraçado a mim. Parecia desesperado. — Eu... não quero ficar longe de você!
-Kou está tudo bem! – eu não sabia quando a situação tinha ficado daquele jeito, mas parecia que eu o estava mandando embora.
Soltei-me de seus baços para segurar seu rosto entre minhas mãos e encará-lo. Ele olhava de um lado para o outro, a respiração ofegante, a cabeça se movendo lentamente em um gesto de negação. Parecia estar divagando em outro lugar.
-Eu não quero, não quero... – ele repetia agora em sussurros.
-Kou-chan. – o chamei, mas ele continuou do mesmo jeito. – Kou! Kou!
-Não... não...não...
-Kouyou, olha para mim! – sacudi um pouco o rosto em minhas mãos e ele finalmente me olhou. Parecia ter me notado ali pela primeira vez.
-Hum? – sua respiração ainda era intensa, mas ele havia parado de chorar.
-Kou? – eu estava assustado com aquela reação de Kouyou. Nunca havia o visto daquela forma e comecei a achar que não era pelo o que eu tinha lhe falado, mas que algo ruim estava acontecendo.
-Kou?- repeti.
Ele só ficou me olhando por um tempo a respiração se normalizando. Abaixou o rosto.
-Eu... – ele começou a dizer, mas não saiu mais nada dos seus lábios.
-Kou, tem alguma coisa acontecendo?
Ele respirou fundo e sorriu levantando a cabeça.
-Está tudo bem Yuu. – disse voltando-se para o sofá e sentando – É só que você fica dizendo essas coisas. Parece que eu estou traindo você ou sei lá. – riu sem emoção.
“Será que é só isso mesmo?” Pensei. É verdade que cheguei a quase acusá-lo de ter outra pessoa. Havia sido muito injusto naquele momento.
-Né Yuu, eu saí do emprego porque já estava me tornando um estorvo para a loja. Eu não estou conseguindo ter muito tempo para estudar e vivo pedindo pra sair mais cedo. – ele dizia olhando para o chão — Eu fechei a conta enquanto não encontro outro emprego e achei que não haveria problema se transferisse o dinheiro, para a sua poupança. – ele olhou para mim – Tudo o que é meu é seu Yuu.
Me sentei ao seu lado no sofá.
-Não se preocupe Yuu.- ele continuou — Eu já paguei minha faculdade e a minha parte das contas deste mês. – fez uma pausa e suspirou – Mês que vem vai tudo voltar ao normal, né?
Sorriu parecendo cansado. E eu imediatamente encostei meus lábios nos dele o beijando com calma.
-Kou, — disse após separar nossas bocas – não quero que se preocupe com isso. Eu posso muito bem pagar a sua faculdade e as despesas sozinho. – ele ia protestar, mas eu não o deixei falar aumentando minha voz. – Não Kou, assim parece que você não é nada meu. Que é só um estranho com quem eu divido o apartamento.
Aproximei-me de novo de sua boca.
-Por favor, me deixe fazer o que eu puder por você. Desse jeito eu fico mais feliz. –sussurrei. – E se houver qualquer coisa te preocupando fala comigo tudo bem?
Eu disse isso porque mesmo querendo acreditar que o nervosismo de Kou tenha sido causado pela minha desconfiança sobre ele, tinha a sensação de que ele escondia algo.
Kou apenas fez que sim com a cabeça e se inclinou procurando meus lábios. Eu o beijei com mais urgência dessa vez, abrindo minha boca e envolvendo sua língua com a minha.
Fiquei aliviado ao saber que Kou não iria embora de nossa casa. Porém uma angústia, como aquela que havia sentido no meu pesadelo, começava a se apoderar de mim.
Notas finais
Bjos pra quem está acompanhando e não me abandonem! *_*
Volto domingo!
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