Notas iniciais
O Akaya tá sim diferente, tá sim OOC, admitimos. Mas isso é porque ele tá in love ♥

Boa leitura!

Naquele dia, Ayanami acordara mais cedo do que de costume. Tivera um sonho engraçado: Sanada Genichirou, ou como era chamado por ela, Bonezinho, estava tentando escrever algo com muita dificuldade. E Yukari e Marui, como dois demoniozinhos, infernavam o subcapitão da Rikkaidai. Acordou rindo, mesmo não conseguindo se lembrar direito do final do sonho.

Pegou sua bicicleta e foi para a Seigaku.

Logo que chegou ao seu armário, tirou os sapatos com os quais estava para trocá-los. Abriu o armário, pegou o outro par de sapatos que lá dentro estava, e colocou no lugar o par que usava há pouco. Mas notou algo diferente ali. “Uma carta?”, ela pensou. Um envelope preto, sem remetente. Olhou para os lados para certificar-se de que não havia nenhum curioso por perto, e abriu o invólucro.

Teve uma grande surpresa quando leu o que estava escrito:

Para Ayanami-san,

Estou bem, sim. Obrigado. E você? Os treinos estão ótimos. Akaya se esforça todos os dias para superar a mim e ao Yukimura, mas ele ainda tem um longo caminho a percorrer. Espero que você o ajude nos momentos difíceis. E, bem... Tentarei não gritar muito com ele de agora em diante. Quanto a abraçá-lo... Vou pensar no assunto, está bem? Desculpe não conseguir escrever muito mais do que isso, eu não levo jeito para essas coisas. Mas me esforcei. Desculpe também pela demora. E sim... Sua cartinha é fofa.

Ass: Sanada-fuku-chan Genichirou.

Sinceramente, ela já nem esperava mais que Sanada respondesse a sua carta. Tinha lá suas esperanças, mas aquilo realmente a pegou de surpresa. Uma surpresa agradável.

Muitas vezes Sanada agia como um pai coruja que tentava cuidar da garota e protegê-la, mas que acabava sempre ficando muito sem graça perto dela. Por mais irônico e contraditório que isso pareça, era verdade. E por mais que ele fosse durão, sério e autoritário, para Ayanami ele era um jogador de tênis extraordinário que usava um boné engraçado e que era meio atrapalhado. Mas acima de tudo, era um amigo.

E sem que ela notasse, era também um pai.

Pois bem, ela leu aquele parágrafo repetidamente, com um sorriso e uma alegria imensuráveis no rosto. E a primeira coisa que fez foi mandar uma mensagem para o Akaya:

Akaya, bom dia! Nunca vai adivinhar o que acaba de acontecer! Eu recebi uma cartinha do Bonezinho!!

Mas o garoto não respondeu rapidamente. Ayanami imaginou que ele tivesse esquecido o celular em casa ou algo do gênero, então esperaria para mostrar a carta a ele quando se encontrassem depois dos treinos de seus respectivos clubes de tênis.

Pouco antes de começar seu treino, Akaya nota que há uma mensagem recebida na tela do celular. Com certeza era da namorada, então mais do que depressa ele lê o que ela havia lhe enviado.

“Uma carta?”, ele pensava enquanto encarava o aparelho com indignação. Como uma simples carta conseguiu desencadear tamanha dor e frustração? Por que estava a se remoer tanto por dentro perante a inocência das palavras daquela que ama? Porque no fundo queria que a carta fosse dele e não de Sanada. Porque queria que sua namorada falasse dele e não de outro. Akaya definitivamente estava com ciúmes.

***

Como de costume, encontraram-se no final da tarde. Akaya foi para a casa da namorada, e os dois ficaram na sala conversando. Ayanami tinha até se esquecido da mensagem que mandara ao garoto mais cedo.

– Akaya? – ela indaga.

– Hmm...?

– Você tá muuuito quieto. O que foi?

– Nada, não... – dá um sorriso amarelo. – Só estou com sono...

– Hmm... Eu fiz alguma coisa que você não gostou?

– Não, não... Eu só estou com sono mesmo. Minha irmã ficou fazendo barulho a noite inteira.

– A Akane-san!? – a garota demonstra surpresa.

– É, é... Sabe quando por alguma razão temos vontade de ouvir musica pesada por revolta? Então, foi mais ou menos isso. – logo disfarçou.

– Akaya, para de mentir... – abraça carinhosamente – você tá muito triste...

– Não estou triste, só cansaaaado! – boceja – pode ficar tranquila.

– Quer ir pra casa?...

– Não, não... Será que seu pai me mata se eu dormir aqui?

– É bem provável! – ela brinca

– Poxa... Sabia que um dia gostaria de dormir aqui? – confessa.

– É?... – Ayanami fica sem jeito e levemente corada.

– É... Dormir com o seu cheirinho de bolo de morango... – sorri.

– Akaya... – acaba corando mais ainda.

– Sim?

– Seu bobo! – aproxima-se do garoto e beija-lhe os lábios, sorrindo logo depois.

Um meigo e satisfeito sorriso estampou a face do rapaz, agora corada como um morango. Mas Ayanami acaba se lembrando de uma coisa.

– Ah! Você recebeu a mensagem que te mandei hoje de manhã?

E amargamente lembrando-se do que lera antes, ele afirma:

– Sim...

– Vou buscar a carta pra você ver, espera só um pouquinho!

O moreno assentiu com a cabeça, mas na verdade gostaria de enterrá-la. A garota sobe as escadas correndo e vai em direção ao quarto. Pega o envelope que estava na bolsa e volta para a sala.

– Aqui! Leia, leia, leia! – ela diz, cheia de empolgação.

Com desgosto, apenas olha de relance para a carta, voltando com um sorriso fingido e entregando a carta pra ela.

Então seu celular tocou. Era uma SMS.

– Nossa... A Yuka tá puta... – Akaya afirma, logo depois de ler a mensagem da prima.

– Ahn? Por quê? O que aconteceu?

Akaya mostra a SMS para a menina:

VEM PRA CASA AGORA, FDP.

– Nossa... Se você precisa ir então, tudo bem... – sorri de leve.

– É... Bom, até amanhã. – beijou a bochecha da namorada, despedindo-se.

Ayanami ficou triste e confusa. Percebeu que o namorado estava agindo com indiferença agora há pouco, mas não quis ficar indagando-o. Ficou se remoendo e tentando entender o que ela tinha feito de errado. Pensou, pensou, pensou, e olhou para o papel que tinha em mãos. Sabia que aquela poderia ser a causa do comportamento estranho do namorado, mas Akaya nunca tinha ficado daquele jeito por meros ciúmes.

Aflita, ela liga para a melhor amiga: Yukari.

A amiga atende o telefonema rapidamente:

– Maaaaaaah-chan! – saudou Yukari.

– Yuka-chan... – Ayanami fala num tom triste.

– O que houve?

– Eu que ia te perguntar... O que aconteceu? Você mandou uma mensagem pro Akaya pra que ele voltasse logo pra casa! Aconteceu alguma coisa com a Akane-san? – a garota pergunta, preocupada.

– Ah! Foi mal, eu achava que ele tava vadiando e jogando em algum lugar! Não aconteceu nada, eu só queria encher o saco dele mesmo. – Confessou Yukari, meio sem graça.

– Ah, que susto, Yuka-chan! Mas... Ele tá bem?

– Me xingou até a terceira geração e foi pra casa, ele parecia mais irritado que o normal. Mas fora isso, ele deve estar bem.

– Mais irritado que o normal?

– É... Mas talvez tenha sido pela brincadeirinha de mau gosto que fiz, né? – riu. – Acho que qualquer um ficaria louco se eu o fizesse sair da casa da namorada às pressas.

– Na verdade... Desde que ele estava aqui percebi que ele tá meio triste, irritado, não sei. Ele disse que só estava cansado, mas tenho certeza que ele mentiu!

– Uuh.... Será que nosso bebê (aka-chan) fez alguma besteeeira?

– Que besteira?

– Não sei... Ele pode ter escondido algo importante de algum colega de classe, pode ter ido parar na diretoria, pode ter levado advertência. É o Akaya, ele tá sempre metido em encrenca. Mas não deve ter sido nada de mais! – diz ela despreocupada.

– Hmm, é... Mas se tá tudo bem, então fico mais tranquila!

– Que bom! Mas você sabe se ele fez alguma besteirinha? – perguntou Yukari, só por curiosidade.

– Que eu saiba, não. Mas hoje ele disse que queria dormir aqui um dia. – disse inocentemente.

– Ah é...? Espere um minuto!

Yukari manda uma SMS para o primo: SAFADO, SEM VERGONHA. SAQUEI A TUA!

Akaya logo vê a mensagem e se assusta: “MALUCA!”, ele pensa, jogando o celular na cama.

– Já! Nossa, ele tá apaixonado mesmo, hein. Cuidado... – diz, brincando.

– Ué, cuidado com o quê? – Ayanami a questiona.

– Ah, nada... Você vai saber um dia.

– Tá bom. – sorri, não fazendo a menor ideia do que a amiga poderia estar falando. – Ah, Yuka-chan... Quer vir dormir aqui hoje? Amanhã é sábado e meus pais viajaram... Estou sem companhia!

– Queeeeeeero!

Yukari desliga o telefone e sai correndo para a casa da amiga.

Chegando lá, as duas se cumprimentam na maior e mais comum euforia:

– Yuuuuuukaaaaaaaaa-chaaaaaaaaann! – Ayanami a abraça.

– Maa-chaaaaan! – devolve um abraço de urso.

– Que bom que veio! O Akaya saiu daqui tão depressa...

– Desculpa, só queria encher o saco dele... – sente-se culpada.

– Nãão, não foi culpa sua! Tá tudo bem! Ah, Yuka, Yuka, Yuka!!

– AAAH EU, EU, EU!

Kawaii! Olha o que eu ganhei hoje!! – mostra a cartinha do Sanada.

– AAH! Finalmente!

– É, é! Eu fiquei tããão feliz!! Preciso agradecer!! Eu até mostrei pro Akaya! – diz sorrindo.

– Hmm... – Yukari ficou pensando, enquanto olhava para a carta.

– Que foi?

– Ah, nada, nada! Só é engraçado ver o Sanada escrevendo uma carta pra alguém – ri.

– É mesmo, né? – ri junto. – Mas ele tem uma letra muuuuito bonita! Não acha?

– Sim, tem... – concorda com a amiga, mas na verdade achava aquela letra o maior garrancho.

– Teeem siiim!

As duas riem, comem montes de doces, riem mais ainda. Quando vão dormir, Ayanami adormece, mas Yukari não. Ela entendeu a raiva do Akaya. Não era raiva, era ciúme. E dos fortes. Mas trataria de falar logo com o primo, antes que ele fizesse alguma besteira e resolvesse brigar com Ayanami.