Notas iniciais
Já se passaram dois anos afastado de Ellena

Se passaram dois anos, já estava no oitava série e havia mudado muito, fiz muitos amigos que me mostraram um novo conceito para diversão, através desses ''amigos'' experimentei coisas que mudaram a minha vida. Mesmo com amigos novos continuei sendo um pouco individualista e bem na minha mas com um talento nato para atrair atenção, isso me trouxe muitos inimigos também.

– Yang ?! Xiao Yang ?! Onde você está querido? -masempre atendia minhas chamadas noturnas com uma voz carinhosamente preocupada. – Tô aqui... vem me buscar, tô descalço. – Aqui onde? Descalço por que ? Não precisei responder,majá sabia a resposta. Aquela noite, saí disprevinido e, para não deixar os caras na mão, vendi meu tênis e rendeu uma quantia considerável! Sorte que tudo o que visto é importado. Eles já haviam ido embora, não fazia ideia de que horas era, mas com certeza muito tarde. O efeito principal ja tinha passado, me restou apenas tontura, náuseas e uma terrivel queimação pelas vias respiratórias. Sentei-me no meio-fio daquela rua quase deserta e escura, iluminada apenas por uma luz fraca emanada do poste onde poiei minhas costas, olhando meus pés sujos e amortecidos pelo frio, á espera dema.Me concentrei ao máximo para não pensar em nada e anular todos os sentidos, mas naquele momento fui interrompido. Uma criança estava chorando no colo de sua provável mãe, no ponto em frente a onde eu me encontrava. A mulher nervosa tentando acalmar a criança, dirigiu-se impaciente à menina que lhe acompanhava, seus olhos assustados examinavam a rua escura enquanto procurava algo na bolsa, não dei muita atenção mas os olhos da menina era grandes e familiares. – E esse ônibus que não vem ...?! — A voz da mulher saiu alta e trêmula, querendo me intimidar, sem sucesso algum — Já pegou o cartão , Ellena ? Ellena? Que Ellena, aquela Ellena ?Forcei a vista para ter certeza de quem era a ''menina Ellena'' . – Já peguei. Ah, olha o ônibus! Pus-me de pé em um salto ao ouvir aquela voz que ignorei por dois anos; meu coração acelerou como nunca quando aqueles assustados olhos grandes encontraram os meus, ainda pequenos mesmo estando arregalados. Levei outro susto e desespero quando o ônibus parou rompendo nosso contato visual. Elas embarcaram no ônibus vazio que em segundos se mesclou com o breu. Senti uma pressão em minha cabeça e a sensação de algo perfurando a carne dos meus pés descalços, só então percebi que havia trancado a respiração e estava pisado em um caco de vidro. Naquele mesmo instante faróis se aproximaram com uma buzina. – Xiao Yang !!! — Ma veio em minha direção, apalpando-me para ver se eu estava inteiro,me colocou no carro falando algumas coisas, mas não prestei atenção, na verdade nem ouvi. No caminho para casa, senti-me entorpecido, lembro só de acordar no dia seguinte trocado e com curativo nos pés, como sempre. Levantei e apenas coloquei uma jaqueta e o tênis que estava no hall de entrada, ma já estava no carro, passei pelo Mestre que estava na sala e entrei no carro para o colégio. Na escola foi como sempre, não olhei para Ellena, não havia os primos Ganawa para me perturbar e eu dormi nas primeiras aulas. – E ela te reconheceu? – Perguntou aquele que sempre me ouvia pacientemente, Lucas. – Não sei, ela parecia assustada, estava com medo de estar àquela hora numa rua escura e, com certeza, pensou que eu fosse algum marginal... – Que é quase verdade, né ?! – Completou Lucas me dando palmadas no rosto, irônico. – Ela estava com medo... de mim...

Notas finais
Será que ficou claro o que Yang por o que Yang está passando ?