- Segredos de um passado obscuro -
1 O trem das seis horas
Notas iniciais
–Adália... –indagou Steve. –O trem ainda vai demorar muito?
–Não sei Steve — Respondeu Adália olhando para a escuridão do túnel. -já são seis da tarde e ele chega a essa hora...
–está bem... –Ele voltou a deitar com a cabeça para o outro lado, a euforia de antes dava lugar a um cansaço idiota, mas também, depois de ficar duas horas sentados sem fazer nada até Adália já estava sendo vencida pelo tédio.
Para felicidade dos dois, uma pequena luz branca surgiu do interior do túnel...
–Steve... –Disse Adália tocando em seu ombro. — ele já chegou.
Ele esfregou os olhos e sorriu. –Que bom, agora podemos ir para Summer Land...
–É sim Steve.
O trem parou bem na frente dos dois, na verdade estava mais para um carrinho de mina, os dois colocaram as mochila nas costas e ambos entraram nele, lentamente eles foram ganhando velocidade...
O sol já estava entre as montanhas e o laranja primordial preparava o dia para o inicio do crepúsculo, o vento batendo no rosto dos dois, o sorriso singelo de Steve ao saírem do túnel e se depararem com a passagem linda pelos campos silícios... o colorido dava a sensação de alegria e pela primeira vez em tempos, Adália esqueceu suas preocupações que tanto a afligiram durante a missão para conseguir a estrela do nether...
Steve a todo momento olhava para Adália com seu sorriso malicioso mas ainda assim inocente, ela fazia questão de manter a expressão séria que ela a todo momento tinha. Mas era impossível negar que ela estava feliz, feliz por estar com o garoto que ela gostava e indo ao encontro das outras duas pessoas que ela mais amava no mundo, seus pais.
–Aqui é o fim dos campos Silicios... daqui pra frente é só deserto até chegarmos na próxima cidade!
–Poxa... – Disse Steve olhando para os campos ao longe. –Espero que a carruagem não demore tanto quanto o trem...
–Acho que não, vai ser rápido, e se eu não me engano vai me custar duas barras de ouro.
–Vamos chegar lá de noite... não é Adália? –o trem ia subindo lentamente cada vez mais alto...
–Sim... de noite... –Respondeu Adália secamente.
Os dois estavam viajando rapidamente, quando se deram conta estavam a uma altura absurda, era possível ver o sol se pondo no oceano e centenas de nuvens... estavam passando no alto de uma cadeia de montanhas interligadas...
Tanto Steve como Adália pararam de conversar para apreciar aquela visão e se deliciar com a sensação que aquilo lhes proporcionava... e a viagem se seguiu calma, a coisa que os nossos dois aventureiros mais precisavam depois de tudo o que haviam passado.
***
Era por volta das seis da noite quando o carrinho cruzou as muralhas recém construídas da Cidade de Angra e parou no terminal, estava tudo deserto, nenhuma pessoa andando de um lado para o outro como em Théfires, o ar gélido daquela cidade era totalmente o oposto da cidade em que eles embarcaram no Trem. Era como se eles fossem os únicos sobreviventes em um mundo pós-apocalíptico.
Eles desceram do carrinho...
–E agora Adália? –perguntou Steve olhando de um lado para o outro.
–E agora nós vamos caminhar um pouco...
Adália começou a seguir a passos largos e Steve a acompanhou logo em seguida, saíram do terminal e chegaram na rua, a cidade era muito obscura, da vez em que Steve estivera em Angra tinha passado muito rapidamente e nem reparou como ela era, as casas eram totalmente fechadas e uma neblina baixa e pouco densa cobria a estrada, poucos glowstones iluminavam as ruas mas o seu brilho era ofuscado e embasado devido à neblina, à medida que Adália ia dobrando de rua em rua a sensação de medo ia aumentando na mente conturbada de Steve, Adália não olhava para trás em nenhum momento para ver se Steve ainda a acompanhava e sua velocidade aumentava... Casas e mais casas todas fechadas, a escuridão, o frio, a neblina ficando cada vez mais densa... Adália em questão de um piscar de olhos foi se distanciando de Steve, em um dado momento a neblina se tornou tão densa que Steve perdeu Adália de vista! Seu coração disparou, ele começou a correr desesperado sem rumo e direção, tudo branco ao seu redor... o medo aumentando, ele correndo desesperado pela ruas e...
–Steve!
Ele escutou a voz de sua companheira e abriu os olhos que estavam fechados, Adália apareceu bem na frente dele, a neblina se dissipou em questão de segundos, ela estava em frente a uma janelinha em uma parede iluminada por uma tocha, do seu lado tinha dois cavalos presos a uma carruagem e nela tinha um homem que o olhava também... a rua vazia somente eles três ali.
–Desculpa... –Steve abaixou a cabeça e foi andando em direção à Adália que olhava para ele com seu olhar sério, não entendia por que ele estava correndo igual um louco.
–Pois bem moça, são três barras de ouro! –disse o homem.
–Três barras de ouro?! Você tá maluco?!
–esse é o meu preço! Você sabe como é perigoso esse tipo de viagem.
–Ora... –Adália bufou. –Duas barras e quatro pepitas de ouro! Pegar ou largar! –Respondeu ela segurando o pagamento na mão.
O homem fez cara feia mas depois de pensar um pouco aceitou...
Adália sorriu vitoriosa e sorriu para Steve.
–consegui a carruagem Steve! –Ela subiu e se sentou, Steve entrou logo em seguida e colocou sua mochila no banco da frente junto à dela e sentou com Adália...
–Agora só faltam três dias... –Steve tinha um olhar perdido e expressões neutras.
–Sim... Ham... Steve o que deu em você?
–O que foi? –Perguntou ele voltando as atenções para ela.
–Sei lá... você estava andando igual um maluco pela rua, tinha se perdido de mim?
–Você anda muito rápido sabia Adália?
–Desculpa... –Adália sorriu graciosamente. –É que eu estou ansiosa para chegar em SommerLand...
–Sim... eu sei... –Disse Steve aproximando o rosto da janela, olhou para fora e sentiu seu corpo ir para trás, a carruagem começava a se mover...
–Pois bem, acho que vamos ficar três dias juntos aqui, então nem pense em ficar com essa cara de bobo que o senhor tem muitas coisas pra me dizer! –Adália pegou a espada e tirou da cintura e desamarrou os cabelos vermelhos...
–Tipo o que Adália? – Steve só respondeu sem nem tirar os olhos da janela.
–Tipo... –Adália se aproximou dele e segurou no ombro dele virando Steve em sua direção. –Tipo, o que o senhor fazia antes de me conhecer?!
Nosso pequeno herói apenas ouviu o som de gotas de chuva batendo no vidro da janela, ele olhou e percebeu que um sereno se iniciava, era noite e estava frio além de nublado, e se não bastasse aquela bendita chuva começou a cair, lá estava Steve sentado do lado de Adália...
–Você não vai querer saber do meu passado Adália... Acredite, nem eu mesmo gosto de lembrar dele.
–Nossa... Falando assim parece que aconteceu uma coisa horrível Steve... –Adália se levantou e deitou no banco macio bem na frente de Steve, ele por sua vez nem sequer olhou para aquela mulher linda pois continuava com as atenções voltadas para a janela...
– Se perder as pessoas que você ama duas vezes é isso, sim, meu passado é horrível.
Adália foi surpreendida por aquela resposta...
–Como assim Steve?
Ele suspirou... pareceu tomar uma decisão. -Acho que você tem o direito de saber Adália... até por que, você fez tanta coisa por mim que seria injusto eu não dizer... –Steve serrou os lábios em uma linha reta e continuou encarando Adália.
–Então... Por onde você quer começar?
–Não sei... –Steve se sentou também ficando face a face com ela e apoiando os braços sobre as coxas. -por onde você quer saber Adália?
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