Notas iniciais
-Iron Golem é um mob que foi criado por humanos, há dezessete anos atrás junto com o Creeper, foi pra nos defender dos outros mobs que eram do mal. -Espera, o creeper foi criado por humanos?! –Steve levou um susto quando ouviu aquelas palavras.

–Hum...

–Eai? Dormiu bem? –Adália estava sentada em uma cadeira do lado da cama de Steve, olhava para ele com seu velho olhar desafiador.

–dormi sim Adália. –respondeu ele.

–gostou do que leu? –Adália descruzou os braços e se aproximou do nosso pequeno herói fitando ele com seus belos olhos verde esmeralda, indo direto ao ponto.

–Hum... Do que eu li? –Steve bocejou e coçou a cabeça.

–sim, achei esse livrinho ontem a noite com você quando vim no quarto pra dormir. –Ela balançou o caderninho de capa preta na mão. –Você leu meu diário não foi Steve? –Sua fala era calma e compassada, não parecia estar com raiva dele, e sim triste e sem graça.

“Droga, devo ter dormido enquanto lia...”

Steve abaixou a cabeça e deixou uma expressão de arrependimento tomar conta de seu rosto.

–Foi o que eu pensei. –Adália se levantou da cadeira e virou-se de costas parando na porta prestes a sair. –O café da manha já está servido. –Disse Adália saindo de uma vez.

Steve balbuciou um pouco na cama, se deitou e fitou a janela do quarto, estava um dia claro lá fora indicando a previsão falha de dona Lia para um dia de neve... Estava pensando no que havia feito, Adália devia estar triste com ele... O que estava escrito naquele caderno era um tanto quanto esclarecedor, falava sobre o passado de Adália e principalmente do que ela viveu com Aiden. Não esperou muito, apenas se levantou e desceu as escadas rumo ao primeiro andar.

Chegando lá encontrou os pais de Adália sentados no chão em volta de uma mesa, sobre ela estavam dispostos alguns pratos como batatas, cenouras, pães, ensopados, carnes, tudo muito simples se comparada à mesa real de Théfires, Adália já estava se deliciando enquanto seus pais aguardavam Steve.

–Olha lá quem acaba de chegar, bom dia! –Disse dona Lia sorrindo para Steve.

–Bom dia. –respondeu.

Steve se sentou em volta da mesa e começou a comer alguns pães, estava faminto, o pai de Adália começou a contar suas aventuras para Steve, como quando foi perseguido na mina por alguns monstros, ou quando deu de cara com lava logo após quebrar uma pedra cheia de minério de diamantes, foi muito animada aquela manha, dona Lia a todo o momento trazia mais a mais pratos de comida, Adam comia e falava sem parar enquanto Steve sorria das suas piadas e se maravilhava com as aventuras e como ele conseguiu escapar das enrascadas em que se metera, ao final do café da manha Adam e Steve já eram como pai e filho, e dona Lia era como se fosse uma velha conhecida para Steve, enquanto isso, Adália ia se distanciando cada vez mais, tanto que, quando Steve terminou de comer não encontrou mais ela na mesa, nem percebera o momento em que ela saiu, mas sabia, que mais do que nunca precisava falar com ela.

–Dona Lia você viu pra onde a Adália foi? –Perguntou Steve no meio da conversa.

–Vi sim querido, eu vi ela saindo agora pouco para o quintal dos fundos, por que?

–Por nada não. –Steve se levantou da mesa e foi caminhando em direção à porta dos fundos, ao chegar lá encontrou um campo totalmente aberto repleto de árvores cobertas de neve assim como o solo e um caminho também coberto de neve que passava bem no meio do campo de pinheiros, tudo o que viu foram algumas pegadas na neve e do lado das pegadas uma espécie de formação como se alguma coisa tivesse sido arrastada.

Steve começou a caminhar por aquele caminho acreditando ser a Adália quem tivesse seguido por ele, o dia estava claro e bem iluminado apesar de ainda ser sete horas e o sol ainda não aparecer na cidade de SummerLand devido às montanhas, após caminhar por cerca de cinco minutos encontrou o que tanto procurava.

Adália estava segurando um arco na mão e atirava algumas flechas em uma árvore, mas ela errava praticamente todos os tiros que tentava, seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo, usava um short jeans curto e um casaco de capuz vermelho e sem mangas, era aquela sua roupa casual? Pensava Steve consigo mesmo, seja ou não estava linda ainda sim... um pouco afastado de Adália estava um boneco de neve.

–Oi Adália.

–Steve? –Adália levou um susto quando olhou para trás e encontrou Steve bem ali, diante dela. –como me achou?!

–Eu segui os seus passos na neve... –Adália não falou absolutamente nada e Steve continuou. — Só queria ver o que estava fazendo.

Adália olhou para Steve e depois para o arco em sua mão.

–Só estava tentando usar esse arco... mas eu sou péssima com ele!

–Por que você quer aprender a usar arco agora?

–Esse era o arco do Diego... –Adália respondeu triste. Mas ainda assim continuou, já era tempo de deixar aquelas mágoas de lado. –Acredite ou não ele é encantado.

–encantado? Eu lembro que o vendedor de espadas me disse que a minha espada era encantada também...

–uma arma quando ela é encantada sua capacidade de combate aumenta. Mas tem níveis de encantamentos também... –Adália olhou para os lados. –Mas eu também não entendo muito disso.

–Ah... Sim. –Respondeu Steve.

Adália se virou de costas e voltou a atirar na árvore, e como antes errando todas as flechas... Ela fitava Steve de canto de olho, não estava nem focada no que fazia talvez fosse esse o motivo do seu fracasso.

–Eu posso tentar? –Perguntou Steve.

–Toma. –Adália entregou o arco para ele e foi se sentar no chão próximo ao boneco de neve.

Steve com uma agilidade incrível tomou o arco em mãos, retesou-o e disparou contra a árvore de madeira escura, a flecha atravessou o tronco! E se não bastasse ainda ficou presa em outra árvore que estava logo atrás.

–Uau... –Suspirou Steve admirado com o que armas encantadas eram capazes de fazer.

Adália continuava olhando tudo de longe, seu olhar perspicaz escondia suas intenções...

–Posso ficar com esse arco pra mim? –perguntou Steve acenando para ela.

Adália apenas balançou a cabeça afirmamente, estava sentada abraçando os próprios joelhos nesse momento.

Steve disparou mais algumas vezes e acertou todas, não errou absolutamente nenhuma flecha, quando as flechas acabaram ele olhou para onde Adália estava sentada a alguns momentos e por incrível que pareça ela já não estava mais lá! Ela estava evitando a sua companhia? Ele olhou para o chão e mais uma vez viu marcas de pegada e o tal buraco de algo sendo arrastado pela neve e de novo, seguiu-o, estava cada vez mais indo floresta adentro, já era por volta das nove horas da manha.

Após caminhar alguns minutos, encontrou Adália sentada em frente a uma casa totalmente destruída, mas não como se tivesse sido incendiada ou coisa do tipo, mas sim bastante velha, alguns musgos cresciam pelas paredes e o interior da casa era muito escuro...

Adália viu Steve se aproximando, e olhou como se esperasse que ele viesse atrás dela até ali.

–Eu gostava de passar um tempo aqui, quando eu era pequena. –Adália olhou para Steve e foi entrando dentro da casa, lá dentro encontrou dezenas de coisas inúteis, desde espadas quebradas, fornalhas destruídas e empoeiradas, até livros rasgados, nas paredes estavam algumas teias de aranha.

–Por que você veio até aqui? –Steve não estava entendo absolutamente nada daquilo.

–Se lembra do diário?! Você deve ter lido sobre esse lugar. –Disse Adália se sentando em uma cadeira toda velha e rasgada próxima a uma janela.

–Essa deve ser a casa escura da floresta... foi aqui que você deu seu primeiro beijo. Se eu não me engano. –Respondeu Steve se recordando da página 05 do diário.

–Sim, ela mesma! –Adália se levantou da cadeira e saiu pela porta dos fundos, o boneco de neve estava aguardando-a do lado de fora.

–Pra onde você está indo Adália? –Steve acompanhava sua guia naquela excursão pelas lembranças de sua infância.

–Eu quero te levar a um lugar que acho que você conhece. –Adália falou de uma forma diferente.

“Como?!!”

–Adália, me desculpa, mas acho que eu nunca estive aqui. –respondeu Steve se aproximando dela.

–É isso que eu quero descobrir! –Adália respondeu apressando o passo, o boneco de neve seguia os nossos heróis de longe através dos campos nevados.

A viagem foi em silêncio total, era por volta do meio dia quando Adália se sentou debaixo de uma árvore, bem próximo de um precipício, ela tirou a mochila das costas e de lá puxou duas maçãs bem vermelhas e dois frascos de água, entregou uma delas e um frasco na mão de Steve e ficou com uma maçã e um outro frasco. O céu estava nublado anunciado que iria cair neve, como sempre cai em todos os dias na cidade de SummerLand.

–Adália você pode me dizer pelo menos o por que do boneco de neve? –Perguntou Steve, ele nem tinha tocado na maçã e nem tomado a água.

–É só pra nos proteger. –Respondeu Adália enquanto tomava um gole de água.

–Proteger? Você disse que não tinha monstros aqui em SummerLand, por causa das montanhas.

–Eu disse que não tinha, mas ainda assim tem Endermans. As montanhas não são suficientes pra impedir que eles entrem, e os bonecos de neve são a principal e a única defesa contra monstros que temos por aqui!

–Adália quem foi que criou esse boneco? Foram seus pais?

–Foram, mas a receita é antiga. -Adália tomou um gole de água e se deitou no tronco da árvore, olhava para o escuro infinito daquele abismo.

–Receita é antiga? –Perguntou Steve se sentando do lado de Adália, aquela tarde estava tão melancólica...

–É, os Endermans sempre existiram. Por isso os bonecos de neve existem desde muito tempo. A receita para cria-los é antiga, diferente do Iron Golem.

–o que é Iron Golem, Adália? –perguntou Steve, nunca ouvira falar dos monstros de ferro maciço de quase quatro metros de altura do mundo de minecraft.

Adália suspirou e voltou a se sentar em posição de defesa, abraçando os joelhos.

–Iron Golem são as criaturas que criamos pra nos defender dos monstros. Eles surgiram logo depois da invasão mob.

Steve continuou encarando Adália, como se esperasse por mais.

–Iron Golem é um mob que foi criado por humanos, há dezessete anos atrás junto com o Creeper, foi pra nos defender dos outros mobs que eram do mal.

–Espera, o creeper foi criado por humanos?! –Steve levou um susto quando ouviu aquelas palavras.

–Foi. –Respondeu Adália afundando a cabeça entre os braços, ela estava tão estranha.

–No inicio de tudo o nosso principal problema foram os zumbis, ele surgiram igual larvas em carne podre, simplesmente do nada, se alastraram por todo lugar e passaram a fazer suas primeiras vitimas, as pessoas não podiam tocar nos zumbis pois a pele deles era feita de uma espécie de fluido que queimava... Pensando nisso foi criado o Golem, para nos defender dos zumbis, mas tem muito mistério na criação dele, assim como o boneco de neve e o EnderBoss...

–Adália desculpa, mas eu não estou entendo nada, o que eles tem em comum?

Adália suspirou mais uma vez e olhou de relance para Steve, viu sua maçã jogada no chão semi comida... “que desperdício...”

–É que esses três mobs não são criados ou craftado como espadas e armaduras, eles são invocados. Só que nunca me disseram como conseguiram isso.

Steve encarou Adália, estático.

Adália voltou a se deitar encostada no tronco da árvore, ignorando o olhar de Steve.

O pequeno garoto de olhos azuis começou a pensar.

“e os creepers? Por que ela não explicou sobre os creepers?”

Apesar disso achou melhor não perguntar, até por que Adália parecia não estar muito afim de conversar sobre eles...

***

–Hum... –Steve abriu os olhos.

“eu dormi?”

Steve olhou ao redor e encontrou Adália do seu lado, Adália sorriu de canto de boca e suas feições mudaram completamente, já era noite o dia tinha se passado tão rapidamente, não caía mais neve, e tudo, como sempre foi e há de ser estava escuro, sem a lua para iluminar aquela vastidão de terra entre montanhas...

–Você dormiu também? –perguntou Steve se levantado do chão.

–Sim, eu acordei agora pouco...

–hum...

–Eaí, você quer continuar caminhando ou vai ficar por aqui mesmo?! –a velha Adália retorna. –Estamos quase chegando.

–Sim, estamos, mas chegando onde afinal?