Fuck Normality

5 Vento no litoral


Notas iniciais
Infelizmente, as postagens vão ser mais lentas agora que todos os 14 capítulos que eu tinha escritos, se perderam graças a um defeito no meu celular. Peço desculpas para quem acompanha a história por esse imprevisto.
Eu não queria nomear essa fic como músicas, como faço com a outra, mas acho que essa música e só ela em especial, define bastante coisas na história...

Bianca, a morena, pegou uma das chaves da casa de Ana e Márcia que ficava escondida para que em especial, as duas pudessem entrar sem terem que tocar a campainha e entrou olhando para as paredes brancas com detalhes da arte barroca, eles estavam espalhados em cada traço daquela casa e aquilo era realmente fascinante para ela, a mistura de um ambiente familiar e meigo, com aqueles detalhes antigos. Ela foi andando passando a mão pela parede até chegar em uma espécie de lounge, havia um piano em um dos cantos, branco e delicado, ela se encaminhou até o piano e se sentou. Colocou a mão em uma das teclas e tocou uma melodia suave, lenta, mas parou rapidamente, deixando suas mãos descansarem por sob as teclas.

A música, era o que havia desde o início, unido Clarice e Bianca, Clarice participava de um coral e tinha aulas de canto desde muito nova e Bianca, aulas de piano. Quando ainda na infância se conheceram, trocaram as experiências musicais que tinham e descobriram que inclusive faziam aulas de música na mesma escola. É sutil e engraçado, a forma como o destino prega suas peças, mas só anos depois quando elas tinham respectivamente 11 anos e 9 anos, que Bianca começou a dar aulas de piano para Clarice e vice-versa. Elas viraram suas professoras e tinham respeito uma pela outra neste campo e isso que era lisonjeiro, a maneira como sabiam perfeitamente separar as situações que lhes ocorria, a incrível delicadeza e sutileza com que o faziam.

Talvez agora, seja mais fácil de compreender de onde vinha toda sensibilidade que as duas tinham, a morena arqueou seu pescoço para trás tentando trazer relaxamento para o seu corpo e algumas lágrimas começaram a descer pelo seu rosto, ela abaixou a cabeça e começou a chorar. Nem eu sei dizer quanto tempo a loira estava ali no outro canto da sala com um caderno e uma caneta em mãos, observando a morena totalmente em transe, se ela havia entrado durante aquele tempo ou se já estava ali quando Bianca chegou, só que quando percebeu as lágrimas ruidosas escorrerem pelo rosto da morena, ela se sentou e a abraçou, sem dizer nada e sem perguntas. Talvez, as duas soubessem muito bem o motivo pelo qual a morena chorava, só não cabia a nós sabermos ainda qual era a razão da dor que transcendia o ambiente.

–Eu só queria fazer você se sentir bem... Sussurou a loira, mais para si própria, do que para a morena.

Bianca se virou para Clarice, ainda com os olhos marejados e lágrimas descendo involuntariamente pela sua face, tocou suavemente o rosto da loira que deitou seu rosto sob a sua mão, deixando uma lágrima escorrer pelo seu olho em seguida.

–Eu só não queria te perder... Eu não posso. A morena fez com que sua testa entrasse em contato suavemente com a da loira, que também tinha lágrimas descendo por toda sua face agora, a loira moveu sua cabeça e tirou alguns cabelos grudados no rosto da morena, elas estavam juntas em um abraço agora com os rostos colados e as lágrimas quase se fundiam na angústia compartilhada pelas duas.

As duas moveram o rosto em direção uma da outra, não havia precipitação ou desespero, era somente um anseio que aquela dor passasse, a morena sentindo que se perdia a cada novo dia que passava em seu calendário e a loira sentindo ela ir embora, uma e outra vez, todos os dias, e assim enquanto suas mãos acariciavam o rosto da outra ao mesmo tempo buscando limpar as lágrimas que rolavam em suas faces, os seus lábios se encontraram, de forma suave e delicada. Clarice se afastou buscando ar, diante das lágrimas que escorriam e tendo sido tirado o acesso de sua boca por alguns instantes, a morena se afastou ainda de olhos fechados ficando de frente para a loira, Clarice colocou suas mãos no rosto da morena limpando as lágrimas que haviam ali e a segunda se aproximou a tomando pela cintura, num segundo beijo, mais urgente e mais necessário. Foi a língua da morena que pediu passagem pela boca da loira, a qual lhe foi cedida sem muita dificuldade, elas permaneceram por algum tempo ali, só explorando a boca uma da outra, aproveitando aquela proximidade que era desejada mesmo que inconscientemente pelas duas, já a tanto tempo.

Notas finais
Espero que tenham gostado desse capítulo, me forcei a escrever ele para poder dar uma nova continuidade na história apesar da minha decepção! Vamos em frente...
Exponham sua opinião! Deixem comentários para uma autora que precisa de um pouco de apoio para continuar escrevendo, HAHAHA