Fuck Normality
10 Giz de Cera
Notas iniciais
Me desculpem pela demora na postagem, espero que aproveitem a leitura e sigam comentando!
A loira estava sentada assistindo a aula, mas na verdade todas aquelas lições que o professor ensinava não entravam na sua cabeça de uma forma tão simples. Matemática parecia tão linda quando tudo o que ela precisava era mentalizar isso em notas musicais. Mas ali na sua frente, naquela lousa, tudo parecia uma grande bagunça e uma completa confusão.
Dianna a cutucou e sorriu, e a loira fechou um pouco os olhos, tentando entender o que a amiga queria.
-Então, quem dominou seu coração? – perguntou Dianna, com risadas baixas insinuando com a infantilidade de quem jamais havia namorado ou tido qualquer dor que ela pudesse identificar, como de um coração quebrado.
-Por quê? – perguntou inicialmente a loira, logo se dando conta da insinuação, tratou de se explicar. –Que? Não, ninguém...
Dianna revirou os olhos e voltou a se concentrar nos seus cadernos, mais tarde elas se encontraram no intervalo e mas a menina continuava mantendo o mesmo olhar insinuante no rosto, a loira começava a se perguntar do que se tratava aquilo.
-Tá, pode falar, o que tem de errado? — perguntou, finalmente se rendendo as investidas da amiga.
-Por onde eu começo? – provocou e riu em seguida – Primeiro e único ponto, você passou a aula toda, distraída e com um sorriso bobo no rosto. Ela jogou os cachinhos que estavam em seu cabelo de forma pícara e sorridente, e a loira riu diante do gesto.
- Eu só... Acordei feliz! – respondeu rindo.
A morena passou pelas duas amigas que continuavam rindo, e se provocando, com as suas amigas que pararam ao lado das duas e reviraram os olhos.
- Eu adorava quando tinha saído dos 14 e era bobinha assim. – disse uma delas, de cabelos avermelhados provocando um sorriso nas outras, a morena revirou os olhos e sorriu para a loira.
Tudo o que Bear parecia detestar, desde que havia entrado na adolescência, era o fato de que as garotas sempre faziam parecer que entendiam mais sobre as coisas do que realmente entendiam. Ou que a idade fazia toda a diferença naquela época, quando na verdade, quase nunca fazia, todos no final do dia eram crianças que corriam para baixo de seu cobertor assustados como crianças de cinco anos de idade. Coração na boca, sussurros pelos pais.
E as suas amigas talvez não sentissem falta disso, mas ela sentia.
Dianna vigiou os dois rostos por um segundo, observando a troca de olhar, e aquilo bastou para que ela entendesse, e saber de onde todos os sorrisos bobos sempre vieram.
O grupo de garotas mais velhas se aproximou, trotando com o barulho de seus saltos altos batendo pelo chão, conforme tentavam fazer com que todos as temessem enquanto andavam como acontecia nos filmes americanos.
Clara e Bianca, ou Bear, voltavam juntas da escola, caminhando lado a lado e olhando como o céu estava cheio de nuvens que pareciam rabiscadas com giz de cera, aquilo era engraçado, parecia que Deus estava brincando com o céu como só na infância faria.
A loira buscou sem pressa a mão da morena no ar e sorriu para ela, quando seus dedos se entrelaçaram.
-Não é engraçado a forma como o céu está hoje? – disse Bear, observando fascinada o céu.
Clara não olhou pro céu, ela virou seu olhar para a morena e observou como um sorriso bobo flutuava em seus lábios, ela queria mais daquilo naquele momento, mais daquele fascínio por viver que a morena tinha.
-Vem comigo! — disse, enquanto puxava a morena pelo braço, a levando para correr pela grama que havia abaixo da trilha em que elas faziam.
A morena gargalhou atrás da loira e quando a alcançou o suficiente para poder segurar em sua cintura, a agarrando e girando no ar, as duas gargalhavam juntas e quando finalmente pararam, olharam para o céu abraçadas.
-Eu queria que isso nunca acabasse. — balbuciou a loira, enquanto a morena aferrava seu pescoço junto do seu ombro.
-Hum... Você cheira a rosas sabia? — Sussurrou a morena em seu ouvido, e a loira sorriu encantada. –Eu nunca tinha reparado, e agora eu posso jurar que eu sinto como se tivesse cercada por rosas.
-Você cheira a ursinhos de goma. — Concluiu a loira, se virando rindo para a morena e a segurando em um abraço. –Acho que eu quero te morder, e não te largar, até acabar, ou até você não cheirar mais como um ursinho de goma.
A morena segurou seu rosto, os olhares trocando faíscas suaves, enquanto o vento impregnava o ar com o cheiro de rosas e balinhas de goma, a morena sorriu e se perdeu no olhar verde mar que a loira tinha, esta se aproximou, e aquela permitiu que o gosto, de balinha de gomas nela, fosse experimentado.
Elas se separaram e a loira continuou alguns segundos de olhos fechados, contemplando de forma brincalhona o gosto doce e suave, que a morena realmente tinha.
-Bear, — falou depois que a morena se permitiu rir da sua face. -Você acha que um dia nossa amizade vai acabar?
Ela vinha com aquilo guardado, palpitando em seu peito, por tanto tempo que dessa vez se permitiu perguntar, ela nunca sabia o porquê, mas a loira sempre sentia que a morena ia escorregar de suas mãos sempre que partia.
Não... –A morena se sentou na grama e a loira se juntou a ela. –Tá vendo aquelas nuvens? Eu as amo, eu vou soar muito clichê talvez, mas eu sei que mesmo que se um dia eu me perder, Clara, sei que vou pra algum lugar e se existe um lugar melhor do que aqui, eu vou continuar sempre te olhando de lá, nossa amizade nunca vai acabar e eu sempre vou ficar com você. Esse céu, eu vou desenhar o céu de giz de cera pra você, todas as vezes que ele estiver assim, vai ser eu querendo te fazer sorrir.
A morena apertou a mão da loira e continuou mantendo o olhar fixo no céu, os olhos marejados, não se permitindo chorar.
A loira permaneceu ali, sentada no chão, olhando as nuvens e vez ou outra gargalhando sozinha, com as lembranças dela e da morena que vinham. E ela segurou seus joelhos, então brincou com a grama e só pensou no quanto a mão dela na sua fazia falta.
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