P.O.V Sarah.

Passei os últimos dois dias aprendendo tudo que poderia sobre a terra, meu amigo me ajudou claro. Tudo na terra era muito melhor que eu imaginava, o mundo era lindo e tinha um jeito engraçado, as pessoas não prestavam atenção uma nas outras, todo mundo parecia tão ocupado andando de um lado pro outro, não se ouvia muitos pedidos de desculpas quando alguém esbarrava em alguém, as pessoas pareciam presas em um mundo próprio. Meus pais estavam muito felizes e preocupados com o fato de finalmente eu ir a terra, claro que sabia que o real motivo da preocupação era que eu fizesse alguma besteira, por que o tom que eles usaram comigo pra não me meter em encrenca foi o mesmo de quando colei as asas de um anjo amigo meu.

—_ A criança nasce hoje.__ Rodrigo disse se sentado ao meu lado em uma ponte da cidade. __ Já sabe o sexo?

—_ Ainda não, vou até ao hospital agora, só estava olhando um pouco mais, esse lugar é incrível. __ Não estava só me referido a ponte enorme que estava sentada, e sim, a terra em si.

—_ Vou levá-la, venha. __ Ele me estendeu a mão e no mesmo estante já estávamos em um grande hospital, era a primeira vez que eu entrava em um hospital, tudo era novidade pra mim, mas estava adorando cada pequena coisa.

Rodrigo me acompanhou até um canto do hospital e consegui ver um homem andando de um lado para o outro, ele parecia bem nervoso, poderia resolver isso com um toque, ver ele andando daquele jeito me fazia querer ajudar, mas sabia perfeitamente que não podia usar meus dons em outras pessoas que não fosse minha escolhida, no meu caso a pessoa que me escolheu.

—_ Ele é o pai da sua criança. __ Rodrigo me disse quando percebeu meu olhar para o homem.

—_ Por que ele parece tão agitado?__ Perguntei sem desviar o olhar do homem, que agora sentava com as mãos na cabeça. __Alguma coisa errada com a criança?

—_ Aqui é normal eles agirem assim, ele diferente de nós não sabe que a criança vai nascer bem, sempre tem uma grande preocupação... Sei que pode se sentir tentada a ajudar, mas você sabe que é proibido ajudar pessoas que não sejam nossa responsabilidade.

—_ Eu sei, não vou fazer nada que possa me fazer ser excluída do meu posto. __ Sorri para ele, mas ainda não tirava os olhos do homem impaciente.

—_ Tudo bem, agora eu tenho que ir, Isabel vai ao médico novamente hoje, quero tentar saber o que está acontecendo com ela. __ Rodrigo tinha uma expressão séria agora, antes que eu pudesse responder ou perguntar qualquer outra coisa ele já tinha desaparecido.

Aproximei-me do homem e sentei na cadeira ao lado dele, ele realmente estava uma pilha de nervo, não sabia exatamente aonde a mulher que traria minha criança estava, segui até uma grande bancada e me debrucei perto de uma mulher que mexia no seu computador, dei a volta e me coloquei ao lado dela, pelo menos o nome da mãe eu sabia, olhei pra tela em busca do nome, não demorou muito e ele praticamente piscou pra mim, Thamara.

Segui para o quarto que estava indicado no monitor do computador e vi uma mulher em uma maca, ela estava calma e tinha uma expressão tranquila, totalmente diferente do marido, pelo que eu consegui entender com oque os médicos diziam era que ainda não estava na hora do parto. Não demorou muito e me assustei com um grande grito que ela deu, enquanto tentava se sentar na cama, me senti paralisar com o grito dela, vi quando o mesmo homem nervoso passou por mim e se colocou ao lado da esposa, apertando sua mão.

—_ Vamos ter nossa bebê amor, respira e tente ficar calma, deixa que eu fique nervoso e desesperado por nós dois. __ Ele disse beijando a testa da esposa que tentava sorrir entre as dores.

Andei até o outro lado dela e coloquei minha mão na dela, não era um toque que ela sentisse, também não estava tentando curar ou ajudar em nada, era só um gesto automático, não sabia por que estava fazendo exatamente, só sentia a necessidade de fazer aquilo. Ela se inclinou mais uma vez e mais um grito foi ouvido.

Olhei para o lado e vi um médico e sua equipe chegando, finalmente minha escolhida chegaria, minhas ordens eram claras, tinha que ajudar quando ela precisasse de ajuda, proteger quando deveria proteger, acalmar quando a situação pedisse calma, tudo dentro das regras.

Depois de muita dor e gritaria finalmente Thamara deu a luz a Roberta, uma criança linda na opinião de Sarah, as enfermeiras a levaram e eu já tinha uma expressão fechada, por que estavam tirando ela do quarto? Segui as mulheres enquanto olhava pra menina. Logo vi que a levaram para limpá-la, depois de limpa foi posta em um vidro grande, não entendia por que o vidro, mas infelizmente não tinha ninguém ali que pudesse me dar essa explicação. Aproximei-me do vidro e coloquei a mão no mesmo, ela era realmente uma criança linda, tinha os cabelinhos pretos e a pele era bem clarinha.

—_ Acho que deveria me apresentar. __ Claro que eu sabia que ela não estava me ouvindo e que nunca me ouviria, mas simplesmente me sentia bem falando com ela. __ Sou Sarah, sou seu anjo da guarda, vou cuidar e proteger você, sei que não entende, mas quero pedir agradecer, você me ajudou em uma coisa que a anos eu queria.

Tomei um susto quando ouvi uma voz chamar meu nome, me virei em um pulo e sorri ao ver que era apenas Rodrigo.

—_ Sabe que ela não pode te ouvir né? __ Ele perguntou com um sorriso irônico no rosto.

—_ Claro que sim, só achei que seria bom agradecer. __ Sorri pra ele e voltei meu olhar pro vidro. __ Ela é perfeita né?

—_ Realmente é sim. __ Ele se aproximou e olhou pra criança que dormia. __ E tem a mesma marca que você, assim como o arcanjo disse.

—_ Verdade. __ Olhei pro pequeno braço dela e vi a mesma marca que a minha, era como uma mancha, quando levantei o olhar pra falar outra coisa, Rodrigo não estava mas lá, ele realmente tinha que parar com essa mania de sumir sem avisar.

—_ Você não faz ideia de como é difícil lidar com esse cara. __ Falei pra Roberta, era divertido conversar com alguém que não te respondia, parecia que ela sempre estava concordando com aquilo que você estava falando.

Não demorou muito e a mesma enfermeira veio pegar Roberta, estava começando a me estressar com a mulher, ficava arrastando ela para um lado e para o outro, mas logo me acalmei quando vi que Roberta estava sendo levada pra sua mãe, sorri vendo a alegria que os dois estavam sentido, o homem finalmente tinha se acalmado e agora não conseguia parar de sorrir e a mãe tinha lágrimas nos olhos enquanto amamentava.

—_ Ela é perfeita amor. __ Eric disse enquanto passava a mão no bracinho de Roberta.

—_ Com dois pais como a gente ela tinha que nascer perfeita. __ Thamara disse dando uma risada.

—_ Vocês são um pouco convencidos. __ Sorri me sentando na cama ao lado de Thamara.

Não sabia como explicar, mas sentia, sentia a ligação que os outros anjos da guarda disseram que sentem, me sentia ligada a pequena menina que estava nos braços da mãe, sabia que cuidaria e protegeria ela de qualquer coisa.

Os dias se passaram perfeitamente, cada dia Roberta parecia mais linda, estava ansiosa pra vê-la abrir os olhos, ouvi as enfermeiras dizer que demorava um pouco pra isso. Eric saia do hospital a noite e voltava pela manhã, ficava até certa hora e pelo que eu tinha entendido saia para trabalhar, voltando só mais tarde.

Tinha um tempo que eu não ia visitar meus pais, sinceramente não queria sair de perto da Roberta, logo Thamara e Eric a levariam para casa e eu iria junto, seria parcialmente minha nova casa.

Aproveitei que Roberta estava dormindo e fui até a minha casa, tinha que ver minha mãe e estava com saudade de tudo, as coisas na terra eram bem corrida e confusas. Assim que cheguei em casa minha mãe estava sentada com meu pai conversando, não demorou muito e eles notaram minha presença, minha mãe logo veio correndo me abraçar.

—_ Minha menina! __ O abraço da minha mãe estava quase me matando, mas não podia reclamar, adorava os abraços dela.

—_ Oi mãe, oi papai. __ Me soltei da minha mãe e fui abraçar meu pai, que igualmente me deu um abraço muito forte.

—_ Como vão as coisas filha? __ Meu pai perguntou me fazendo sentar ao lado deles.

—_Tudo certo pai, ela nasceu, é uma menininha linda. __ Respondi sorrindo. __ Não posso demorar muito, hoje ela vai ser levada pra casa.

—_ Filha sabe que não precisa ficar com ela vinte e quatro horas por dia né? __ Minha mãe falou rindo.

—_ Eu sei mãe. Agora eu realmente tenho que ir, quero ir no carro com elas. __ Me despedi dos dois e logo estava novamente no hospital.

Quando cheguei no hospital Thamara já estava com tudo pronto e com Roberta no colo, naquele momento eu senti uma vontade enorme de sentir ela em meu colo, claro que sabia que nunca ia poder tocá-la e mesmo que pudesse não conseguiria senti-la.

Eric chegou com o mesmo sorriso de sempre nos lábios, cada vez mais gostava deles e de conviver.

A casa era bonita, não conhecia muito as outras casas, mas aquela era realmente enorme. Logo uma mulher baixinha e com nome de Maria apareceu pra ver a nova moradora, pelo que eu entendi ela era uma espécie de babá, cuidaria de Roberta quando eles não estivessem em casa, claro que eu gostaria de cuidar dela quando eles não pudessem, e de algum modo isso aconteceria, era realmente eu que cuidaria sempre dela.

—_ Não esquenta, eu vou ficar de olho em você. __ Pisquei pra ela que estava deitada no colo da mãe, sabia que isso era impossível, mas parecia que ela estava olhando diretamente pra mim naquele momento.

Daquele momento em diante minha escolhida estava em casa e eu estaria com ela por toda a sua vida.