Vidas cruzadas

Aline foi correndo ao apartamento de Mara, assim que chegou ao andar encontrou ela a esperando, seu rosto estava pálido o que era raro, nunca a tinha visto assim, preocupada pegou sua mão, mas essa a soltou e disse.

- Entre e veja o que pode fazer, mas precisamos falar isso não pode continuar assim, esta ficando sem volta...

- Você não sabe do que ambos são capazes, eu te avisei que eram perigosos, eu falei para manter afastada dele.

- O que quer Aline? Quer ambos? Quer acabar com a vida dos três?

- Anos atrás quase três pessoas morreram pelo mesmo motivo, quer ser a próxima vitima?!

- Não me faça ter que decidir por vocês!

Aline nunca a viu tão fria, sofrida e magoada.

Assim que entrou entendeu o que se passava...

Paulo estava na sala sentado reclamando e falando alto que queria me ver, precisava saber que estava bem.

Aquilo doeu tanto em meu coração, fui automaticamente por ele, Pamella e Mara nada falavam apenas observavam.

Assim que ele me viu, me agarrou abraçando-me fortemente e cheirando meu cabelo.

Sem graça tentei me afastar, mas fui impedida.

- Só um abraço eu sei que nada quer, mas me deixe te abraçar, só assim ficarei mais calmo.

Olhei para ambas pedindo ajuda, quando Pamella vinha até mim, foi agarrada por Mara que falou.

- Vamos dormir e deixar os dois, amanha eu e ela falaremos.

- Apenas de a ele o medicamento e saia da minha casa.

Quando ouvi isso quase chorei, de novo o ódio no coração dela, a raiva.

Balancei concordando a cabeça, mas ainda falei antes dela sair.

- Não me veja como uma inimiga Mara, eu nunca trai a Victor, eu o amo.

Mara se virando disse cansada.

- Sim você o ama, mas nem todos terão um final feliz, não sabe você o quanto sou controladora? Ver Paulo assim para mim é como uma facada, ele não merece passar por mais dor.

- E eu nunca te perdoarei caso isso aconteça!

Saiu me deixando ali olhando ao homem que eu amava, que eu respeitava e desejava o melhor.

Por que não conseguia me afastar dele? Por que meu Deus? Sou tão egoísta assim? Eu jamais o vi como um homem, mas ele era importante, era importante a mim de algum modo...

Não pude pensar muito sobre isso, pois bem nessa hora Paulo sentiu ânsia e com dificuldade fomos ambos ao quarto de hospede, ele parecia um garoto rebelde, todo despenteado, sorrindo feliz ao estar acompanhado.

Assim que chegamos ao quarto ele caiu sobre a cama me levando junto, devido seu peso.

Quando tentei me afastar fui impedida e sorrindo ele disse.

- Fique essa noite comigo anjo, prometo que não serei malvado ou farei nada que não queira.

- Apenas fique comigo.

Olhando para ele, com raiva da situação, me soltei e fui ao banheiro, pegando o remédio e a agua.

- Beba, só assim vai ficar melhor.

Paulo obedientemente bebeu, sempre olhando para ela e na expectativa para a resposta.

Aline olhou ao relógio e viu as horas, eram por volta das 23 horas.

Sentando-se na cama ao seu lado ficou, Paulo mais tranquilo deitou-se e ficou a olhando, deixando Aline sem graça.

- O que vê quando me olha? Perguntou ela curiosa.

Paulo achando engraçada sua pergunta respondeu.

- Vejo o que tive no passado, você voltou para me fazer feliz, disse sorrindo e ao mesmo tempo pegando sua mão.

Aline se soltou e com raiva, deu-lhe um sonoro tapa.

- Acorde Paulo, eu não sei o que ocorreu no passado mas eu estou aqui! Seja quem foi essa mulher não sou eu!

- Pare de ficar atormentando sua irmã e me deixe ser feliz!

Paulo magoado, se sentou o mais rápido que pode e agarrando as mãos de Aline ao ponto de machuca-la falou.

- Esta dizendo que eu te faço infeliz? É isso Aline?

Sua vontade era gritar, não nunca! Mas eu estou te fazendo infeliz! Eu!!!

- Sim! Por favor me deixe apartir de agora em paz! Disse se levantando, mas antes que conseguisse foi novamente agarrada e ele falou.

- Acha mesmo que estou tão bêbado para não perceber que esta mentindo?

- Mentirosa, só não quer ser sincera.

- Pois Aline eu não vou me afastar, me aceite como bem quiser mas eu faço parte da sua vida, assim como você faz parte da minha.

Paulo passando a mão em seu rosto, secou uma lagrima que caia e dessa vez foi sua vez de perguntar.

- Por que? Perguntava ao mesmo tempo em que a abraçava.

Aline nada fez para impedir isso,aceitou seu abraço e ainda assim abriu seu coração.

- Eu não quero ser sua vingança Paulo, não quero ser sua infelicidade, eu não quero ter que escolher e ve-lo no fundo do poço.

- Você sabe que não a escolha, a escolha já esta feita há tempos.

- Pare de fazer isso com você, seja feliz.

- Lute pelo que quer, mas aceite que certas coisas nunca poderemos ter.

- Não me faça ter que me afastar de você, não faça isso com a gente.

Paulo mesmo em seu estado, ficou chateado, tocando seu rosto disse.

- Entendi, pode ir embora Aline, obrigada pela sua atenção.

Por que doía tanto? Se soltando foi até a porta, mas antes que conseguisse sair voltou e o abraçou por traz o mais forte que pode.

- O que há em você Paulo? Para me fazer querer tirar toda a sua dor, para acolhe-lo e querer te fazer um novo homem?

- Eu estou ficando louca, eu.

Paulo se afastou e a jogando longe disse.

- Não quero sua pena! Se não quer meu contato assim será mas não me venha com piedade.

- Saia e não volte a ficar na minha frente novamente.

Saindo deu de cara com Mara que olhando para ela disse.

- Venha, preciso falar com você, ouvi a conversa, pelo menos boa parte dela.

Assim que ambas entraram no escritório, Aline sentou-se desajeitadamente na poltrona, sua mão tremia. Mara vendo isso saiu e foi pegar um copo de agua com açúcar.

- Beba, vai te fazer bem, eu sei que foi difícil, mas esse éo melhor caminho.

- Você fez o melhor para ele, acredite.

Nenhuma das duas percebeu que Paulo estava ouvindo a conversa, Mara preocupada com ela acabou deixando a porta meia aberta.

- Eu odeio ve-lo assim, só quero que seja feliz Mara, só isso.

- Mentir desse modo doeu tanto, mas se para ele ser feliz tem que acreditar nisso, então que assim seja.

Mara bebendo um licor que tinha acabado de pegar falou.

- Eu nunca te contei isso, mas acho que esta na hora de saber ao menos o básico.

- Há alguns anos atrás, Paulo esteve loucamente apaixonado por uma mulher.

- Sabrina era muito parecida a você, não apenas fisicamente mas modo de ser, sua garra, sua vontade de viver e crescer, ou seja ambiciosa.

- Paulo ficou obcecado por ela, ao ponto de ficarem noivos.

- Nossa família ficou muito feliz com o ocorrido, mas nem tudo saiu como deveria.

- Victor que nessa época estava viajando voltou, e a conheceu.

- Ele não sabia quando a conheceu que era noiva de Paulo, pois estava em um dos hotéis de meu pai, na época Paulo foi resolver por alguns dias problemas com greve de funcionários.

- Bem o caso é que eles se conheceram e Victor também se encantou por ela.

- Ambos quase se destruíram por causa disso, nenhum dos dois foi o mesmo depois dos ocorridos, acredite vivemos épocas de grande turbulência.

- Acho que Paulo queria vingar-se através de você, mas algo mudou.

- Como no passado, ambos de novo caíram na mesma armadilha.

Aline prestava atenção em tudo, e perguntou.

- O que aconteceu?

Antes que pudesse falar, Paulo entrou na e disse.

- Mara, saia e nunca mas volte a contar a ela sobre Sabrina, estamos entendidos?

- Faça isso novalmente e nunca mais eu me dirigirei a você.

Mara estava pálida, apenas balançou a cabeça e saiu me deixando com ele.

A agarrando Paulo disse.

- Minta novamente para mim, e eu farei você pagar caro.

- Eu não vou embora, e eu não vou deixa-la.

- Viva com isso ou morra com isso!

Foram suas ultimas palavras antes de sair e a deixar ali, sozinha quieta e passada com tudo que tinha ocorrido, por que tudo tinha que ser tão difícil quando se tratava dessa família?

Notas finais
Faça uma escritora feliz comente ^^