Por um momento


Devo ter dormido por um longo tempo, mas isso era normal pensei comigo ao notar que tudo estava muito silencioso, calmo demais, nem parecia que hoje as cosias foram tão dificieis. Ainda com preguiça de me levantar, pensei em tudo que aconteceu, realmente esse dia foi complicado, esperava nunca ter que passar por isso de novo, estava cansada de tantas coisas ruins acontecerem em sua vida, precisava de férias dos problemas.

Foi quando percebeu que Victor estava sentado próximo a ela, em uma poltrona que ficava na frente da cama, antes de falar qualquer coisa, olhei para ver as horas e realmente estava tarde por volta de 01:15 da manhã, surpresa por Victor ainda estar acordado comecei a observar melhor ele e qual não foi minha surpresa ao perceber que estava ainda olhando para mim, em uma mão segurava uma taça e na outra um garrafa de bebida que estava quase no fim, esperava que ele não tivesse bebido tudo aquilo pensei.



Victor estava lindo, não pude deixar de reparar, mesmo com o semblante cansado, seu blazer desarrumado e com a barba por fazer era para mim o homem mais lindo que eu já vi em minha vida, eu amava como ele era bonito, se não fosse um empresario, poderia ser um ator pensei agora rindo como boba das minhas ideias, quem sabe um cantor? Se bem que nunca o vi cantar, aquele homem conseguia que eu risse mesmo numa hora dessas, ele conseguia fazer milagre em mim, mesmo sendo tão seco e calado.

Victor em nenhum momento tirava seus olhos dos meus, parecia que estava gravando cada detalhe do meu rosto, ficamos um longo tempo só nos olhando, preocupada que ele não estivesse bem ou tivesse exagerado na bebida, fui em sua direção e o toquei.



Assim que eu o toquei ouvi que a garrafa caiu ao chão fazendo um barulho alto demais, pelo horário, esperava que ninguém acordasse.



Tirei de seus mãos a taça e sem resisti levei aos meus lábios sentindo agora minha garganta e olhos arder seja o que fosse era forte, não consegui identificar.

Victor ainda me olhava cada passo meu, sem que eu pudesse me segurar, me agachei ficando ajoelhada e peguei seu rosto em minhas mãos.

Comecei levemente beijá-lo, nossos olhos por nenhum momento se separavam, queria mais que beijos mas pelo estado que ele se encontrava achava difícil que fosse conseguir. Como se entendendo o que pensava Victor pela primeira vez falou.


– Eu não estou bêbado, não ainda...

– Mas eu poderia jurar que você me deixa mais quente que qualquer bebida que eu coloque em minha boca.


– Eu estou ardendo por você Aline.

– Mas eu estou também chateado com você, disse agora segurando com força meu rosto.

Ao mesmo tempo que Victor falava começou aos poucos desabotoando uma das suas blusa que coloquei as pressas para dormir, mesmo tendo varias pijamas e camisolas eu amava usar uma das suas roupas, me fazia me sentir calma, perto dele, sentir seu cheiro quando não estava comigo.

Já fazia uns dias que quando ia dormir e ele não estava comigo procurava uma das suas roupas e vestia, como magia o sono vinha mais rápido e eu me sentia perto dele.

– Eu sinto muito Victor, falei agora olhando para ele e sentindo que realmente eu sentia por tudo, eu queria que ele me perdoasse.

Victor balançou a cabeça, mas antes que eu entendesse que isso era um sim falou.


– Sentir não basta Aline, e se algo tivesse ocorrido a você?

– E se você agora estivesse em algum hospital por causa daquele desgraçado?



– Eu não quero que você sinta Porra!

– Eu quero que você nunca mais faça algo assim.

– Eu preciso saber que você esta protegida.

– Eu não consigo imaginar você em perigo ou sofrendo.

Seus olhos estavam agora mais abertos, sua respiração agitada, ele estava ficando mais alterado, estava também machucando de tão forte que estava me agarrando, mas eu não ligava eu podia entender ele, eu não queria jamais que ele estivesse em perigo ou sofrendo, percebendo o quanto isso esta além do esperado tentei me afastar mais foi agarrada e mais forte era suas mãos em sua pele, ela amava sentir que ele tinha o controle de sei corpo.

Foi o suficiente para sentir-se feliz, em paz.

Por que era tão bom? O que existia nesse homem que a fazia se sentir completa? Por que não o encontrou mais cedo? Não teria talvez se tornado tão cética em sua vida pensou tentando agora beijá-lo.

Mesmo com o cheiro do álcool, mesmo ele estando a apertando tanto, valia a pena sentir seu calor.



– Eu tive medo Victor, falei agora mais baixinho.

– Tive medo de me sentir presa.

– Eu posso entender que você quer me proteger, mas eu não quero viver como uma escrava, presa sem poder viver minha vida, eu preciso sentir-me livre.

– Eu preciso que você cuide de mim, mas me deixe respirar por favor, por favor repetia agora chorando.

Somente senti sendo erguida e Victor me colocando na cama, em cada lagrima que eu soltava Victor lambia e beijava sem parar de olhar meu rosto.

Estávamos em nosso limite, mas precisávamos sentir um dentro do outro, precisava sentir que ele era meu.

Comecei a tentar soltar sua calça e a puxá-lo mais próximo de mim, mas ainda assim Victor soltou minhas mãos e começou a tirar sua roupa diante de meus olhos.

Não conseguia respirar direito, por um momento queria gravar aquele homem assim, nu desejoso por mim, quando foi que me tornei assim?

Quando foi que passei a sentir por ele tanta necessidade? Quando ? Quando por Deus!

Quando foi que eu passei a gostar dele como pessoa e não só como homem?



Ainda pensando em tudo isso senti Victor me beijando o ombro e me cheirando, ele parecia que queria marcar meu cheiro, sentia-me excitada e uma leve sensação de cosquinha.

Tantas sensações, fui deitada e foi quando ele falou aquelas palavras que eu senti um frio na barriga.

– Eu nunca deixarei você sair da minha vida, eu eu eu.

– Merda eu não sei nem o que estou falando mas eu preciso de você!



Quando o senti dentro de mim dessa vez foi diferente, foi suave, lento.

Senti que pela primeira vez fazia algo além de apenas sexo em minha vida, era tão suave, tão leve, tão perfeito.

Senti medo e a mesma vontade de fugir, eu não ia me apaixonar, eu não ia amar esse homem, eu não podia, eu não quero, eu eu eu, eu estou vindo...

Essas foram as ultimas coisas que pensei antes de vir e sentir ele desabando sobre mim.

Antes que eu pudesse falar algo ainda ouvi ele dizer.


– Você é boa, tão boa, tão deliciosa, com você é diferente nunca foi assim.

– Nunca tenha medo de mim Aline, não você, todos podem ter menos você.

Quando tentei falar ele já estava dormindo, sorri e me agarrei a ele, queria dormir em seus braços, depois pensaria, depois, agora queria apenas estar com ele, aproveitar.

Queria sentir por um momento que eu e ele eramos mais do que apenas sexo.

Notas finais
Eu queria um Victor assim para mim :(

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