- Estranha Obsessão -

28 O confronto e algumas verdades


O confronto e algumas verdades

Estava agora mais calma e se arrependia do modo que tinha falado com ele, provavelmente tinha acabado com as férias de ambos pensou triste, já fazia um bom tempo que ele tinha saído.

Estava agora esgotada e decepcionada por suas palavras viperinas.

Respirou fundo, se levantando e indo em direção ao espelho, quando se viu sentiu que aquela não poderia ser ela, estava vermelha de chorar e sua maquiagem estava toda borrada, estava um lixo, ela tinha raiva de ter descontado nele todo seu medo, receio e também mostrado o quanto ele a afetava.

Ainda no espelho se olhando viu a porta do quarto abrir, e pode ver pelo espelho ele a observando, sentia que estava indeciso no que fazer.

Ele parecia cansado assim como ela, percebeu. Estava agora desarrumado e parecia irritado com a situação.

Foi quando viu que ele estava com uma bebia em sua mão, e sem falar Victor foi até ela e colocou em suas mãos, se sentando próximo a ela, sempre a olhando.

- Beba, vai te fazer bem, você está precisando disso.

Pegou a bebida e cheirou sentindo um leve aroma de maracujá e camomila, realmente quando bebeu sentiu um leve calor, uma sensação de conforto e isso a fez se sentir pior do que estava.

Antes de se desculpar percebeu que Victor estava agora estendendo suas mãos a ela.

Seu coração por um momento começou a bater aceleradamente, teve vontade de correr a essas mãos estendida, abraça-lo e pedir para que nunca a deixasse, mas tinha que se desculpar primeiro e não poderia pedir algo que nunca iria ocorrer.

- Desculpe-me Victor, falou tão baixo que pensou, ser impossível de se ouvir.

- Eu, eu não deveria ter falado daquele modo, me sinto tão mal, você não merecia isso.

- Está sendo gentil comigo, e eu não tenho do que reclamar, você me faz feliz, disse e realmente era o que acontecia.

- Se não quiser mais manter o acordo eu entenderei, falei agora com os olhos fechados, para não ver ali a resposta que tanto temia.

Victor apenas se levantou e a pegou delicadamente, colocando ela em seu colo, ele estava cansado, ouvir da boca dela o que ele tinha em sua mente o tinha deixado sem reação, com todas as anteriores ele sempre usava uma máscara e todas acreditavam de alguma forma que poderiam fisgar ele, mas ele sempre deixou claro a essa mulher que nunca seria nada além desse tempo que restavam juntos.

Ainda se recordava o que ela tinha dito a ele.

“A quem quer enganar Victor? A mim ou a você?”

Ela tinha razão esse era o plano, quando se cansasse ele sairia como se nunca nada tivesse ocorrido, mas por que isso o incomodava?

Ele odiava que ela o comparasse com outros homens, o deixava fora de si, ouvir ela dizer que ele era igual o tinha irritado, mas quando ouvi ela dizer para não a tratar de modo especial ficou realmente magoado, era a primeira vez em sua vida que tratava uma mulher de um modo diferente e como resultado dava nisso.

Saiu do quarto decidido terminar tudo, mas depois que se acalmou percebeu que não era tão fácil, ele não tinha coragem para terminar.

Ele no fundo sabia que mesmo que terminassem ainda iria atrás dela.

Isso estava se tornando uma obsessão pensou tocando agora em seus cabelos e a apertando mais junto ao seu corpo, porém tinha que admitir obsessão ou não ele não conseguia achar uma solução para isso.

Sentiu que ela estava mais calma e isso o acalmou.

- Eu sempre precisei estar no controle. Falou agora pensando em sua vida, em tudo que já tinha feito e passado.

- Sempre achei que esse era o melhor caminho Aline, e é assim que tenho vivido e acho que vou morrer, comandando, controlando e impondo tudo o que quero ver acontecer.

- Eu nunca quis alguém para me fazer companhia, viajar, sair ou coisas mais intimas, mas com você eu quero conhecer tantos lugares, eu quero passar horas, dias, meses em qualquer local contanto que seja com você.

- Eu acho que de alguma forma você é igual a mim, e por isso que eu gosto tanto de você.

- Você não quer amar, ser amada ou relações duradoras.

- Eu não sei o que você passou para ser assim, mas eu sei que eu aceito esse fato em você e estou disposto a te dar tudo que tiver ao meu alcance.

- E eu sei que está com medo, mas olhe para mim, disse virando seu rosto até que ambos ficassem se olhando.

- Somos iguais, queremos as mesmas coisas, pare de se preocupar e viva o momento, viva o agora.

- Eu juro que eu sempre te protegerei, eu nunca deixarei você perdendo e quando isso um dia acabar, será uma mulher mais rica do que imaginou.

- Você tem me dado mais do que eu esperei ser possível receber, me deixa dar a você tudo o que merece?

- Você pode não gostar ou querer entender, mas de algum modo você é especial.

- Se você não fosse especial, acha que eu estaria aqui depois de tudo?

- Eu não estou disposto a deixar você ir embora.

- Mas eu também não estou disposto a ficar com você sem te tratar como me sinto.

- Por isso Aline, eu falarei apenas uma única vez e não repetirei.

- Você é especial, é tão especial que faz meu orgulho ir para o ralo, disse a beijando e apertando seu corpo ao seu.

- Você está se tornando meu vício.

-

Não pode deixar de ouvir cada palavra que ele falou, onde estava o homem orgulhoso? Como ele podia a desarmar tanto? Ela podia sentir sua dor, sua raiva em ter que se expor tanto assim, mas estava agradecida por ele ser sincero e não a deixar ir, quando deu conta estava saindo, estava se abrindo pela primeira vez.

- Quando eu era criança disse agora se lembrando novamente de tudo que já tinha passado em sua vida.

- Eu fui abusada sexualmente, sentiu a tensão de Victor, ele estava agora atento e ao mesmo tempo agitado.

Ela mesma estava se segurando para não desabar ao contar a ele, era a primeira pessoa que contava além de Pamella e Mara, ao contar isso a ele se sentia suja de alguma maneira.

- Eu fui abusada por anos Victor, disse chorando sem poder se segurar, o homem que eu tinha como pai, meu padrasto.

- O filha da puta fez da minha vida um inferno e eu ao invés de lutar, contar a minha mãe calei-me, eu não queria que ela sofresse, que ela corresse perigo ou descobrir através dela que ele era mais importante do que eu. Um dia quando eu cheguei em casa tarde pois sai escondida para ir à casa de alguns amigos, minha mãe com raiva e estressada da situação começou a bater em mim dizendo que eu era uma vagabunda, uma filha sem consideração, ele a tudo assistia mas nada fazia, revoltada eu pela primeira vez tive coragem de contar a ela.

Calei-me lembrando de tudo.

Victor manteve calado, estava tão puto da vida, que não sabia o que fazer, queria matar o homem que tinha judiado dela, se ele estivesse vivo ele mataria de uma forma que nunca se esqueceria.

Ele estava surpreso dela estar contando isso a ele, mas sentia que isso era importante, conheceria um pouco mais dessa mulher e entenderia o porquê dela ser assim.

- Victor falou Aline tocando seu rosto, eu jamais o quis, eu nunca o amei dessa forma, mas ele nunca me deixava em paz.

- Quando contei a verdade naquele dia, minha mãe revoltada matou ele e logo depois se matou.

- Depois daquele dia, eu estava também morta.

Victor ao ouvir isso, sentiu que estava para desabar, ela não estava morta, estava viva, era perfeita, trazia a sua vida paz, alegria, prazer, pensando nisso a tocou e ficou o mais perto que pode.

- Eu vivia mas por dentro não existia mais, e é assim que eu aprendi a viver, controlar. Estar no controle.

- Mas com você eu não consigo muito isso, disse sorrindo e olhando ele para ver sua reação.

Victor agora entendia, ela jamais aceitaria ser controlada, não adiantava o quanto tentasse, respirou aliviado em saber que seu padrasto estava morto, uma coisa a menos para se preocupar.

- Tudo bem Aline, a gente vai encontrar um modo de trabalhar isso.

- Você não deve mais viver com medo, porque não está mais sozinha.

- Eu estou aqui com você e nunca a machucarei e eu farei quem tentar pagar, muito caro.

- É uma promessa que eu faço a você.

Pensando que a conversa tinha terminado. Ambos agora mais tranquilos. Victor se levantou preparando a cama para ambos deitar um pouco, e tentar relaxarem era muita informação para poucas horas, antes que conseguisse foi impedido.

- Uma vez eu por medo deixei uma pessoa me destruir, me ameaçar. Mas eu não deixarei isso ocorrer de novo, eu não quero mais fingir ou fugir, eu não sou mais uma menininha.

- Eu fui fraca mas não sou mais, por isso eu vou te contar o que me incomodou ao ponto deu ficar nesse estado hoje.

Victor sabia que algo tinha ocorrido, estava curioso mas não queria força-la, ficou a olhando atentamente esperando que contasse.

- Alguém nos viu hoje fazendo sexo perto ao mar.

- E ...

Victor agora fulo em saber que alguém viu, estava já em pé, pronto para acabar com o miserável.

- Ele veio até falar-me, ameaçando colocar o vídeo que gravou de nós dois juntos na mídia, mas que nada contaria se eu transasse com ele, tudo voltaria ao normal e eu teria em minhas mãos o vídeo.

Para o horror de Aline, Victor começou a rir!

- Victor se controle! Disse alterada e tentando fazer ele voltar a razão.

- Isso é sério, eu estou preocupada. O que vai ocorrer se essas fotos, nosso video for à tona? Perguntou na expectativa de não ser algo tão importante e pudessem esquecer.

Victor a olhando disse, O filha da puta está definitivamente destruído pois o que sobrar dele eu ainda vou pisar, eu te garanto que isso não vai ficar assim. Perguntando quem era o homem e apenas balançando a cabeça como dizendo eu já imaginava quando descrevi o homem da festa.

- Victor disse preocupada, não é tão fácil, ele parecia ser alguém também de posição.

- E você não pode sair matando as pessoas!

- Pelos Deuses me ouve.

Victor saiu do quarto me deixando sozinha, antes disse sério e com um olhar profundo falou.

- Porra Aline, eu sou tão gentil com você, que tu acaba se esquecendo ou não notando que eu quando quero algo, eu consigo.

- Acredite eu tenho tantos contatos e tantas pessoas me devem nessa vida, que não importa a posição eu ainda daria um jeitinho, de uma forma ou de outra.

- Eu não preciso matar o imbecil, mas eu vou fazer ele se arrepender a ameaçar a nós dois.

- Porque o que fazem com você está fazendo comigo!

- Quando vai entender isso?

Feche a porta e não saia daqui! Eu vou descobrir quem é esse idiota e começar a colocar a casa em ordem.

Notas finais
Queria agradecer pelo carinho e dizer que estou muito feliz por estar aqui com vcs.