- Estranha Obsessão -
73 A verdade crua e nua
A verdade crua e nua
Sua vontade era de soca-los, como podiam brincar com ela desse modo? Ela estava cansada de ambos a usarem, de brincarem com o seu sentimentos.
Olhando a ambos os homens não sabia o que fazer, suas emoções estavam sem freio.
Era visível que ambos estavam nervosos, ainda mais por estarem juntos, ambos sabiam agora que mexiam cada um a sua maneira com ela, não havia mais mentiras e isso de certa forma era um grande alivio, mas ao mesmo tempo tinha medo de perder Victor e Paulo.
Estava no apartamento de Paulo, Victor estava sentado olhando ao local, mas sentia-se incomodado.
Olhando para ambos disse, sem nunca demostrar seu medo.
- Vocês não me trouxeram aqui para ficar me olhando, por isso melhor começar a falar! Disse alterada e ao mesmo tempo nervosa.
Paulo se levantando foi até o bar e trouxe a ela uma bebida ao mesmo tempo em que se servia, em nenhum momento serviu algo a Victor.
Irritada com isso falou agora mais alterada
- Acha que o que fizeram é correto?
- Afinal de conta eu sou o que para vocês? Um quebra galho?! Acham que podem me usar desse modo? Ao falar demostrava sua dor, sua forma indignada...
- Eu possuo sentimentos, droga! Gritou fazendo dessa vez com que ambos os homens quase pulassem do sofá.
Dessa vez foi à vez de Victor se levantar e pegar uma bebida para ele, ao notar que ela já tinha bebida a sua, pegou outro copo e entregou a ela.
Ele tinha tantas coisas para falar, mas estava difícil iniciar, queria falar com ela sozinha, mas nada era como antes.
Ele sabia que não desistiria dela, nunca...
Mas ele não era cego, Paulo mexia de alguma forma com ela também.
Ele não gostava disso, ele tinha feito o que achou melhor, ajudou Paulo porque no fundo ele se sentia culpado pelo que fez no passado.
Por causa dele, seu irmão nunca teve seu filho em suas mãos, isso doía, era difícil admitir, mas pela primeira vez em sua vida, a verdade estava sendo crua e nua.
Não havia mais para onde fugir, ele foi também o culpado, se existia aqui uma pessoa inocente essa era Aline.
Ele tinha medo de perde-la, mas ele pela primeira vez notou que não era o único, ele não era o único com medo, não era o único que a amava, e por todos os Santos ele não aceitaria dividi-la, ele a queria só para ele, ele lutaria até a morte por isso.
Olhando para ela a encontrou olhando a Paulo, e isso o incomodou assustadoramente.
Antes que pudesse falar algo a viu se levantar e ir até ele, e segurar seu rosto em sua direção.
- Olhe para mim, por que esta agora me evitando? Disse Aline tocando Paulo que parecia em outro mundo.
Quando ele percebeu ela o tocando, pela primeira vez Victor viu dor em seus olhos.
- Eu jamais quis usa-la princesa, falou Paulo.
- Mas eu tenho que admitir que eu usei, eu joguei sujo, eu me arrependo, por que você se tornou a minha vida.
- Eu estava tão cego pelo homem que um dia eu fui, e pelas novas sensações que você me transmite, foi difícil admitir a mim mesmo, que não quero mas viver do passado, eu quero uma nova chance, uma nova vida, mas isso só ocorreu quando você entrou em minha vida e me fez ver que eu estou vivo, eu mereço ser feliz, disse ao mesmo tempo em que pegava sua mão.
Victor nada podia fazer a não ser beber e se segurar para não ir lá e socar Paulo.
- Eu acreditei que fazendo Victor sofrer, me sentiria livre, me faria me sentir em paz, pela morte do meu filho.
- Mas isso não ocorreu, se tem alguém que conseguiu me fazer sentir-me livre esse alguém foi você, você princesa, só você, disse ao mesmo tempo em que secava a lagrima que caia dos olhos de Aline.
Aline não conseguia entender, como ela tinha conseguido faze-lo se sentir livre? Pensando nisso falou confusa.
- Eu não entendo, não entendo Paulo.
- Você sempre foi um mistério para mim, eu nunca consigo te entender racionalmente, mas emocionalmente, é como se eu te conhecesse a minha vida toda.
- Por que brinca com meu coração?
Ao mesmo tempo em que falava isso se afastou irritada, olhando agora para Victor.
- O mesmo você! Disse apontando energicamente em seu peito.
- Olhe o que fez? Cadê o homem que disse que nunca deixaria outro homem me tocar? Como pôde o deixar fazer isso? Como pôde?
Victor respirou profundamente, ele estava cansado de tudo, olhando para Paulo e para ela admitiu.
- Eu não quero cometer o mesmo erro do passado, Aline.
- Eu não quero mais dor, mais mortes.
- Eu amo você e sabe disso, se eu não te amasse acha que estaria aqui? Acha que aguentaria ver o que estou vendo? Sabe o quanto isso é difícil para mim?
- Eu não quero força-la apesar da minha natureza sem ser essa.
- Meu primeiro instinto foi força-la, mas eu não quero isso, eu quero que você venha livremente, que você me ame do mesmo modo que eu a amo, sem limites.
- Eu estou em suas mãos Aline, disse beijando seus lábios delicadamente.
- Se disser sim, eu agarrarei elas e nunca mais me afastarei, mas eu não sou cego, nenhum de nós somos.
- Você também gosta dele, disse apontando a Paulo, que olhava a ambos com atenção.
Ambos homens se olharam, não havia mais inimigos, em realidade o sentimento ali era de pesar.
Porque um ia perder, mas quem?
Aline cansada caiu sentada no sofá, e com tudo que aconteceu, com o tempo separada, com essa carga, caiu em pranto, chorando na frente de ambos e falando roucamente.
- Eu não quero ser como ela, não quero ferrar com a vida de ambos, eu amo os dois.
- Eu prefiro deixa-los ir do que causar a vocês mas dores e dessabores.
- Eu me sinto pior que ela, uma vadia, como isso foi acontecer comigo? Eu amo os dois! Disse chorando e olhando ambos homens perdidos mas agoniados de vê-la assim.
Irritado de ouvir isso, Paulo foi até ela e a agarrou, sacudindo-a para que essa voltasse a ser a Aline que conhecia, uma mulher forte, cheia de energia e honesta.
- Nunca, esta me ouvindo Aline?
- Você pode parecer-se com ela, mas assim que as pessoas a conhecem melhor, logo percebe que você é mil vezes melhor que ela, você nunca traiu Victor, nunca o usou, nunca me prometeu nada, foi sincera.
- Sabrina usou, manipulou, mesmo esperando um filho meu!
- Diga-me faria você isso? Trairia a pessoa que ama? Colocaria seu filho em risco?
Ainda com lagrimas ela disse.
- Claro que não! Eu jamais trairia, eu jamais me deitaria com outro homem como ela fez!
Paulo ao ouvir isso continuou.
- Então não deve se sentir suja, ou como se tivesse nos traindo! Ambos entendemos que você esta confusa, precisa de um tempo para se decidir...
Mesmo ao ouvir isso falou, tão baixinho, mas o suficiente para ambos ouvirem.
- Mas eu sou, por que assim como ela, meu coração esta dividido, eu não preciso de tempo para saber que ambos mexem comigo, que ambos são fundamentais, eu me odeio por isto...
Agora olhando para Victor, procurando seu olhos perguntou.
- Diga-me sabendo disso, ainda pode me querer? Não sente por mim ódio? Nojo?
Segurando a respiração, esperou que ele falasse, ela sabia que se ele falasse qualquer coisa que não fosse agradável, seu mundo cairia.
Para ele era difícil, ouvir isso o estava matando.
- Eu jamais sentirei nojo de você pequena, eu não sinto ódio de você.
- Eu sinto amor, eu sinto necessidade, eu sinto medo, disse admitindo pela primeira vez em sua vida.
Agora foi a vez de Aline olhar para ele e perguntar o que sempre teve curiosidade, ela precisava saber.
- Você a amou? Amou Sabrina?
Por um momento todos ali ficaram calados, no fundo Paulo também sempre quis saber, se de fato Victor a amou, ou só foi uma paixão.
Mas para Aline, Victor não precisava responder, seu olhar disse tudo, mesmo assim ela ouviu.
- Sim, respondeu de forma doída.
- Eu a amei, amei tanto que não me importei em machucar aqueles que me eram próximos, eu a amei que estava disposto a fugir com ela, mesmo estando gravida de Paulo, mas eu só soube disso depois do acidente.
Aquilo doeu, ouvir isso doeu, mas ela precisava saber.
- Então por que nunca a procurou? Quando ela esteve em coma?
Victor não gostava de falar disso, mas mesmo assim Aline merecia saber, se ele queria o amor dessa mulher ele precisava ser sincero, precisava pela primeira vez em sua vida confiar totalmente em uma pessoa, mesmo correndo risco ele precisava se entregar.
- Por que eu me sentia culpado, machucado, eu estava desesperado em saber que meu ódio, desejo de vingança quase a matou, além de seu filho.
- Eu não me sentia digno de chegar novamente perto dela, eu me sentia um desgraçado, miserável.
- A traição dela foi errada, mas eu matei uma vida Aline, como isso pode justificar?
Aline ao ver a dor nele, foi até ele e o abraçou sentindo que ele necessitava disso, esse era seu problema, bastava ela sentir que ambos a necessitava e ela ia atrás, ela não conseguia se segurar, ela estava perdida, ela estava com tanto medo.
Como isso poderia dar certo, como isso ia ter um final feliz?
Tudo era desesperador, ela nunca teve tanto medo em sua vida, pensando nisso olhou para Paulo e chocado notou ali amor, mesmo ele vendo ela assim com Victor seus olhos por ela eram de amor, de desejo e necessidade.
Pela primeira vez em sua vida ela desejou não ter conhecido eles, desejou não ter trabalhado na boate, desejou nunca fazer parte da vida de ambos homens.
Por que ela sabia que isso não ia terminar bem, ela sabia que um deles ia sofrer, e ela jamais seria feliz vendo que sua felicidade era a infelicidade para eles.
Se afastando de Victor falou.
- Eu preciso ver Mara, preciso de um tempo para pensar, eu estou ficando doente.
- Eu não sei o que fazer, eu não sei...
- Pela primeira vez tenho que admitir que talvez não tenha sido uma boa ideia, eu fazer parte da vida de vocês...
- Eu preciso pensar, vocês me entendem? Perguntou olhando para ambos desesperada para que entendessem.
Mas para seu horror, Ambos homens ficaram desesperados, com medo de perde-la, e surpresa ouviu Victor falar.
- Continue a trabalhar na empresa princesa, pode morar com Mara por um tempo e ai tomaremos a decisão melhor para todos, só não se afaste, não me deixe, olhando para Paulo disse.
- Não nos deixe...
Aline olhou para Paulo e quando viu ali a mesma mensagem, ficou perdida.
O que eles queriam afinal dela? Ela não foi sincera o suficiente em dizer que ela era pior que Sabrina? Que ela queria ambos? Que seu coração estava sangrando em não poder escolher?
Apenas balançou a cabeça, mas ela sabia que o correto era ir embora, desaparecer e deixar que ambos encontrassem uma mulher que pudesse dar a cada um o que realmente mereciam.
Respirando fundo, sentiu o toque de Paulo e realmente ela se sentiu no paraiso, ela estava com um grande problema, ela tinha dois homens que a amavam loucamente, mas que nunca aceitariam esse tipo de relacionamento, mas o que ela estava a pensar?
Continua...
Notas finais
Esses dois não tem sorte mesmo :*
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