Paulo e Victor

Por mais que tentasse não pensar na conversa entre ela e Mara, não conseguia evitar, assim que chegou em sua nova casa, percebeu que estava sozinha, pelo jeito o homem de negócios, tinha voltado a si.

Por um lado ficou triste, mas por outro o que mais poderia esperar?

Liguei o som e iniciei um processo de olhar tudo, cada detalhe, cada cômodo e imaginando o que poderia fazer para modificar, não estava tão animada para decorar como estava anteriormente, resolvi que um decorador seria o ideal, depois falaria melhor com Victor sobre isso, aproveitando que estava sozinha e desanimada de não ter muito o que fazer resolvi que era tempo deu começar a colocar as coisas em dia.

E foi assim que peguei minha bolsa e sai, estava cansada de depender das pessoas.

E foi com esse pensamento que cheguei a concessionaria, ela estava cansada de ficar pegando taxi ou esperar por motorista, amava dirigir e não ia aceitar um não como resposta, ela sempre foi independente e continuaria assim, gostasse ou não.

Assim que entrou logo foi recebida por um rapaz, deveria ter seus trinta a quarenta anos, era muito simpático e atraente não pode deixar de notar, ficou sabendo que seu nome era Danilo e logo a fez se sentir a vontade, olhou vários modelos, mas sempre gostou de carros pequenos, talvez por ser sempre ela e não ter uma família grande, estava animada de poder comprar um carro novo, sempre usou um seminovo ,nem sabia qual era a sensação, pensando nisso quantas coisas ela não sabia a sensação?

Pediu para fazer um test-drive em um carro e quando o sentiu, não pode deixar de ficar sorrindo a toa, era bom demais, no final optou por um Buick Encore, apesar de não ser um carro de luxo, para ela era mais o que o suficiente e não se sentiria mal ao dirigir.

Assim que foi pagar, não pode deixar de sorrir, afinal tinha coisa melhor que não precisar se preocupar com isso? Victor que arcaria com tudo.

Olha que ela poderia se acostumar com isso, quando recebeu as chaves não sabia se pulava, ria ou apenas dançava ali mesmo, agora que tinha seu próprio carro novinho, poderia ir a onde bem entendesse e sair mais com Pamella.

Tinham ambas muito o que falar e fazer, precisava ver a sua casa, queria ver como estava o andamento de tudo e terminar a decoração, talvez alugaria, ainda estava na duvida.

Quando saiu dali dirigindo, sentiu que era outra mulher, ainda assim seu celular tocou.

- Sim? Perguntou distraída.

— Onde você está? Perguntou Victor agitado.

Não pode deixar de achar graça de seu modo de falar, ela o conhecia o suficiente para saber que estava chateado por ela ter saído e ele nãos ter avisado.

- Oi lindo, disse animada.

- Hum estou resolvendo vários assuntos pendentes, já esta em casa?

- Eu ainda vou demorar um pouco, pretendo ir ao meu apartamento, ver como ficou e estou pensando em colocar para alugar, ainda não sei ao certo.

Victor estava cansado e estressado, como poderia tudo estar dando tão errado? Estava revoltado não gostava e não estava acostumado a se sentir com as mãos atadas, por mais que odiasse a presença de Paulo, sabia que muito pouco poderia fazer, estava agora à espera para falar com seu pai, mas sabia que não teria solução, ele mais que ninguém foi ensinado a não relacionar negócios com vida pessoal.

Mesmo assim estava difícil, estar com Paulo fazia-o lembrar do passado, ele não queria lembrar-se de nada, para ele tudo foi muito difícil e complicado, se pudesse preferia apagar tudo.

Ele odiava o que Paulo representou a sua mãe, mas não ele em si, se tivesse alguém a quem odiar era seu pai, que fez da vida de sua mãe um verdadeiro inferno quando essa do nada teve que aceitar em sua casa uma criança de outra mulher, ainda lembrava como ela ficou ao receber Paulo, era jovem demais, porém lembrava que ela foi dura, sempre o tratou de modo diferente, o interessante é que ela nunca pediu ou incentivou que seus filhos o tratassem do mesmo modo, ela apenas não conseguia, apesar de que tentou muito aceita-lo como seu filho e não um bastardo.

Por outro lado seu pai, se encantou pelo homem que Paulo se transformou, era uma pessoa feliz e cheia de energia, nunca estava preocupado com nada e de alguma forma sempre conseguia surpreender a todos.

Fazia exatamente uns três anos que não o via, sabia que esteve competindo em vários esportes desde motociclismo, surf e para o horror de todos até boxe.

Ele era o oposto de tudo que chegou a conhecer em sua vida, nunca quis que seu relacionamento chegasse a esse ponto, sabia que não deveria ter feito o que fez, mas não se arrependia, ele não era o culpado de tudo.

- Victor?

- Eiii estou falando com você, falou Aline agora estressada de estar falando sozinha.

Como se Victor tivesse voltado em si falou.

- Desculpe amor, estou ainda tentando me adaptar ao ritmo das coisas, que tal hoje sairmos para dançar?

Ao ouvir isso, seu coração foi a mil, até se esqueceu de perguntar como ele sabia que ela não estava em casa.

- Mesmo?

- Nossa eu adoraria! Quero dizer, você pode?

Victor achou engraçado da animação de Aline, era sempre assim quando ele a convidava para algo, parecia uma criança ganhando um doce ou brinquedo.

- Hum eu não só posso como quero, só de imaginar sentir seu corpo sobre o meu.

- Baby acredite eu faria qualquer coisa só para sentir essas suas coxas grossas sobre mim, tocar essa sua bunda macia e sentir seus seios fartos encostando em meu peito, ainda mais sabendo que vai usar um vestido curtinho e nada mais, disse agora rouco imaginando a cena.

Aline não pode deixar de se excitar, só de imaginar a cena, ficava quente, ela gostava de provoca-lo e ele a ela, seria interessante.

- E o que vai acontecer depois que dançarmos?

- Vamos parar só nisso é? Disse provocando, pois já sabia o que tudo isso ia dar.

Victor estava excitado e agora não era momento para isso, não quando esta esperando seu pai no escritório para atendê-lo.

Mesmo assim não resistiu e falou.

- Depois eu vou fazer você trabalhar muito para merecer a vida de rainha que estou te dando.

- Vai ter que satisfazer seu rei, disse zombando e ao mesmo tempo começando a tocar discretamente seu pau.

- E se você for boa o suficiente eu farei você gozar querida a noite toda, porque acredite eu nunca desejei alguém como eu desejo você!

Ainda falando isso Victor percebeu que a porta saiu e para seu desagrado ali estava Paulo.

- Tenho que desligar disse para Aline.

- Depois falamos, mas hoje à noite sim? Use algo vermelho, te pegarei por volta das dez horas, disse desligando sem esperar sua resposta.

Victor não gostava de ver a cara que Paulo fez ao ouvir sua ultima conversa, ele parecia agradado com a situação, e porque ele tinha que estar gostando disso?

Antes que falasse qualquer coisa, Paulo se adiantou e falou.

- Finalmente nos encontramos, parece que foi ontem não acha?

Victor não sabia o que responder, pare ele parecia uma eternidade, não é como se tivesse pensado em Paulo durante esses últimos anos.

- Se você acha, disse de maneira debochada.

- Estamos todos surpresos por você estar de volta, algo em especifico?

Paulo não pode deixar de notar, que Victor parecia diferente, se alguém o contasse não teria acreditado, mas aqui estava o grande Victor, sorrindo a toa ao falar com uma puta ao telefone.

Por que uma mulher como aquela só poderia ser isso sim?

Ele jamais aceitaria ficar com uma mulher nessas circunstancias, se bem que ele odiava as mulheres, eram boas para foder nada mais.

O passado tinha lhe ensinado isso. Sim ele nem sempre foi assim, ele uma vez deu tudo a uma mulher e só sofreu agora as mulheres o chamavam, o homem de gelo.

Era frio e não pretendia nunca mais amar ou se apaixonar de novo, tudo o que ele queria era vingança, depois disso não ligaria para mais nada, não achava que viveria muito, não se continuasse com suas loucuras, amava esportes radicais e sabia que não conseguiria ficar longe por muito tempo, as pessoas usavam drogas para acalmar suas angustias, ele usava a adrenalina que os esportes proporcionava a ele, já tinha marcado para a próxima semana uma escalada de alpinismo só quando ele colocava sua vida em risco que sentia prazer em viver, ainda lembrava da primeira sensação, do primeiro sentimento que ia morrer e o prazer de ter vencido o medo, era uma sensação indescritível, poucos entenderiam ele.

- Sim, voltei para finalmente poder colocar as coisas em ordem, me dediquei esses anos aos esportes, mas sei que nem sempre poderei fazer isso, logo quero começar a abrir algumas redes, pedi o apoio de nosso pai.

- Ele falou que daria se eu provasse que era capaz de administrar e multiplicar seu negocio.

- Então aqui estou eu, disse sorrindo pois em realidade essa não era bem a verdade de tudo, mas precisava que ele acreditasse nisso, era melhor tê-lo achando que tinha o perdoado e que voltava em paz.

Ao ouvir isso Victor ficou mais tranquilo, mas ainda sentia que Paulo tinha algo em mente além disso, talvez fosse só uma neura sua, em todos esses anos apesar do ocorrido nunca nenhum dos dois falou sobre o assunto, eles quase se mataram uma vez, mas depois disso como se nada tivesse ocorrido ambos se afastaram e nunca mais falaram, ambos sabiam que não era tão fácil, ambos eram poderosos e tinham como garantir a segurança.

Isso já fazia mais de nove anos, no final das contas ambos estavam agora maduros e prontos para seguir em frente, era melhor acreditar nisso.

- Espero que consiga o que deseja, falou Victor mais para tentar manter um assunto do que desejando isso de fato.

Como se Paulo soubesse desse fato, se aproximou e estendeu sua mãos até Victor.

- Espero irmão que possamos juntos construir uma nova historia e quem sabe um dia nos entender melhor, mas tenho certeza que vou conseguir o que desejo, falou agora apertando sua mão fortemente e olhando bem dentro de seus olhos.

Victor não gostou do modo que isso estava tendo andamento, apenas aceitou suas mãos aceitando o cumprimento e torcendo para que não precisasse um dia ter que dar um fim nele, pois sabia que não seria tão fácil como acabar com qualquer outro, Paulo e qualquer um dos seus irmãos eram protegidos com unhas e dentes.

Foi assim que seu pai encontrou ambos, assim que os viu como estavam, veio na direção de ambos sorrindo feliz e satisfeito, esse era seu maior sonho, ver seus dois filhos unidos novamente.

Não foi atoa que aceitou o pedido de seu filho mais novo para voltar aos negócios e controlar seu novo empreendimento.

Se para que esses dois pudessem ter uma oportunidade de se unirem e perdoarem, se esse era o preço ele pagaria feliz.

Amava seus filhos, sabia que não eram santos e que ambos no fundo ainda tinham raiva um do outro, mas acreditava que juntos poderiam aprender a respeitar e quem sabe se darem bem de novo?

Torcia e faria de tudo para que isso ocorresse de novo, estava animado pelo jeito as coisas estavam melhor do que imaginava.

Paulo estava muito receptivo e parecia sinceramente querer a amizade e confiança de Victor.

- Vejo que já se encontraram, disse abraçando Victor e pedindo para que ambos entrassem em sua sala.

Assim que ambos entraram e se sentaram Álvaro começou a falar.

- Eu sei que no fundo ambos ainda guardam magoa pelo ocorrido, mas espero e conto que não vão deixar isso influenciar no negocio certo?

Percebia-se que ambos ficaram tensos quando seu pai citou o passado, mas mesmo assim ambos concordaram em não envolver negócios com o ocorrido, Álvaro respirou aliviado e começou a falar sobre o empreendimento e do que estava por dentro.

A todo momento Paulo olhava Victor falar e seu modo relaxado, pelo jeito ele acreditou ou sabia disfarçar muito bem, mas de fato ele não envolveria negócios com sua vingança, tinha outras maneiras, ele não mentiu a seu pai.

Estava surpreso com sua força e paciência, realmente como dizem os anos fazem as pessoas amadurecerem e se tornarem mais controladas, se fosse há alguns anos atrás ele simplesmente estaria esmurrando e acabando com a vida desse filho da puta.

Mas ele não queria sua morte, a morte para ele era algo muito fácil, sofrer era o caminho, sentir do próprio veneno, sentir a mesma dor, o mesmo desespero.

Sim esse seria seu maior premio. Ainda pensando nisso percebeu que seu pai perguntava algo a ele.

Prestando mais atenção entendeu que falava sobre a onde ele ficaria.

- Estou vendo um apartamento, disse não dando muito detalhes.

- Tudo vai depender se nele tem vagas, fica perto daqui assim não terei que me deslocar muito para acompanhar o andamento e os procedimentos necessários.

- Por que? Algum lugar que você me indica?

Álvaro sabia que era apelar demais, mas não resistiu.

- Victor esta em um apartamento próximo daqui, que eu saiba foi recentemente construído, deve ter varias vagas, Mara mesmo disse que possivelmente fosse comprar um para ela e morar lá até terminar o projeto, assim vocês podem estar juntos e se comunicarem quando quiser.

Paulo quis rir de sua sorte, olhou para Victor e percebeu seu desagrado, seria interessante estar perto o suficiente para acompanhar seus passos e conhecer a nova mulher de sua vida, ele estava curioso para saber um pouco mais sobre ela.

Tinha alguns dados, mas sendo sincero? Ele não entendia o que ele viu nela.

- É um caso para se pensar disse olhando seu relógio e falando que tinha que ir.

- Teremos outra oportunidades, mas estou feliz de estar de volta, disse se levantando e despedindo-se de ambos.

Assim que Paulo saiu Victor não pode deixar de falar ao seu pai.

- Pare com isso!

- Pare de tentar fazer com que nos dois retornemos nossa amizade, isso é impossível, o passado de alguma forma sempre estará presente.

Álvaro agora irritado disse alterado.

- Você poderia se surpreender com que os anos pode fazer a uma pessoa.

- Tenha mais fé meu filho e de uma oportunidade a Paulo, ele sofreu muito, mas acredito que a vida tenha lhe ensinado que nada é mais importante que os laços de sangue.

- Eu te peço por mim Victor, aceite Paulo e tente dar seu melhor.

- Já não me restam tantos anos de vida, mas quero morrer sabendo que as pessoas que mais amo, estão felizes e unidas.

Victor ficou irritado, sabia que isso era impossível, mas sabia também que não adiantaria argumentar com seu pai, respirando fundo falou.

- Ok, darei meu melhor, mas tu mais que ninguém sabe que eu não sou um homem paciente e meu limite é zero.

Álvaro apenas riu e mudando de assunto perguntou a ele.

- Fiquei sabendo que esta com uma mulher, seu nome é Aline certo?

Victor sabia que essa conversa ia chegar e realmente era o momento.

- Sim seu nome é Aline, estamos juntos por um tempo.

Álvaro agora sentado ergueu suas sobrancelhas, como indagando um tempo?

- Sei que já é dono de si, mas estou curioso, ela é importante a você?

- Sabe que eu sou louco para ter um neto, e sua irmã pelo jeito nunca poderá me dar isso!

- Não se continuar com essas ideias de que gosta de mulher.

Victor compreendia seu pai, quando ele soube que Mara ela lesbica ficou no inicio um pouco chocado, mas ao ver sua dor e a dificuldade que estava sendo para ela enfrentar a situação, deixou de lado todo seu preconceito e a ajudou em tudo que era possível, mesmo assim ainda tinha dificuldade de aceitar, mas preferia não se envolver.

- Aline e eu estamos um tempo junto, não é nada serio, apenas prazer, ambos estamos de acordo com a situação.

- Mas ela estará trabalhando no projeto como minha assistente pessoal.

Antes que pudesse continuar Álvaro o cortou perguntando

- Acha isso uma boa ideia? Prazer com negócios?

Agora irritado, Victor perguntou

- E desde quando eu falhei em minhas responsabilidades?

- Se eu me propor a fazer algo, serei o melhor.

- Ela não vai atrapalhar, e você não precisa se preocupar com nada.

- Estou falando dela, pois pretendo que vá em eventos comigo e provavelmente a conhecerá.

- Mas não existe nenhuma duvida aqui, ela é diversão e nada mais.

Álvaro balançou a cabeça concordando e nada comentando, assim ele esperava. Mulheres podem complicar a vida de um homem, se bem que não conseguia ver Victor apaixonado ou amando alguém, por outro lado doía-lhe ver que Paulo que sempre foi apaixonado e romântico agora era igual a Victor.

Viver e ver seus filhos perdendo o sentido de ser feliz doía-lhe muito, hoje via a vida de forma diferente, sim já foi um homem frio, um homem que pisava e fazia o que era necessário para crescer, foi assim que casou-se com a mãe de Victor, era rica e tinha muitos investimentos, fez de tudo para que ela se apaixonasse por ele e quando conseguiu sentiu-se o homem mais realizado do mundo, só nunca imaginou que ela não poderia satisfazer seus desejos mais íntimos, encontrou nos braços de outra mulher o que precisava e que preço pagou por isso.

Nem sempre a vida era justa, pensou agora esquecendo que não estava sozinho, se pudesse voltar no tempo acreditava que faria a mesma coisa, somente pelo fato desse lindo amor ter nascido Paulo, mas também sabia que tinha acabado com a vida de sua esposa, lembrava do ódio que ela tinha por ele, e do quanto ela fez a cabeça de Victor e Mara.

Nem sempre o amor era fácil, mas quando verdadeiro valia a pena, ele torcia para que um dia seus filhos encontrassem a mulher ideal, aquela que estaria com eles nos bons e maus momentos.

Notas finais
Faça uma escritora feliz comente ^^

Segue aqui o carro que citei que a Aline comprou para quem quiser ver...

http://www.quatrorodas.abril.com.br/imagens/noticias/230912buickencore.jpg

Beijos e até mais :)