- Cigarettes And Alcohol
2 Parte 2
Meus olhos estavam fechados, mas eu não estava dormindo. Meu corpo estava sonolento e eu não fazia questão nenhuma de abrir os olhos. Senti alguém se movimentar ao meu lado na cama e uma voz conhecida começou a cantar baixo no meu ouvido.
- Close your eyes and I\'ll kiss you, tomorrow I\'ll miss you. Remember I\'ll always be true. (Feche os olhos e eu irei te beijar. Amanhã sentirei saudades de você. Lembre-se que eu sempre serei verdadeira.) – a voz de Sadie cantava All My Loving dos Beatles, enquanto eu sorria e recebia leves beijos no pescoço.
Senti-a sentar sobre minha cintura e colocar as mãos sobre o meu peito descoberto. Abri os olhos para admirar a mulher à minha frente. Seus cabelos estavam caídos sobre os ombros e seu rosto mantinha um sorriso sacana. Sadie vestia apenas uma lingerie preta, sem nada de especial. A luz fraca do quarto dava um ar ainda mais sexy para tudo que Sadie fazia. Desde os sorrisos maliciosos até os carinhos que ela fazia em meu peito.
Minhas mãos pousaram nas pernas dela, que estavam uma de cada lado da minha cintura, e subiram até suas coxas, apertando-as, antes de pararem em sua cintura. Sadie se curvou sobre mim, apoiando seus braços um de cada lado da minha cabeça, aproximando nossos rostos, fazendo nossas respirações colidir.
- Quero te propor um jogo Liam. – Ela falou com a boca bem próxima da minha. – E acho que você irá gostar, e muito. – Um sorriso sarcástico apareceu no rosto de Sadie, e ela voltou à posição inicial, quando estava apenas sentada sobre minha cintura.
Sadie pegou um cachecol que estava, não sei como, sobre a cama. Sem tirar o sorriso do rosto, ela me fez colocar os braços para cima. Eu sorri maliciosamente para ela. Estava bem entendendo o jogo. Sadie se inclinou novamente sobre mim, prendendo meus braços na cabeceira de ferro da cama. Senti quando ela apertou o tecido contra os meus pulsos e fez questão de verificar se estava bem preso. Sorri ao perceber que aquilo era a melhor das humilhações que um homem pode receber. Sadie beijou suavemente meus lábios e arranhou meu pescoço levemente com suas unhas.
- Espere só um pouquinho garoto de Manchester. – ela disse, olhando em meus olhos, enquanto se levantava. Sadie caminhou até uma estante, perto da lareira. Foi só nessa hora que percebi que não estava no meu quarto, muito menos na minha casa. Que homem perceberia quando uma mulher muito gostosa está te amarrando na cama?
O quarto era grande, pelo que pude perceber do meu ângulo de visão. Havia algumas poltronas, como se fosse uma sala de estar. Em um canto, perto das poltronas, um toca discos e uma estante. E ao lado da estante a lareira que dava a única luz ao quarto. Sadie procurava alguma coisa nessa estante. Em meio aos livros e outras coisas que não pude ver, ela tirou algo quadrado. Quando ela virou-se para a luz da lareira consegui ver o que era. Eram discos, vários deles.
- Agora sim podemos começar o jogo Liam. – sorri ao imaginar a cena de sexo ao som do Abbey Road. Mas esse sorriso logo se desfez quando Sadie, em vez de ir à direção do toca discos, foi em direção à lareira – O jogo é simples Liam: resposta certa e você salva seus preciosos discos dos Beatles, resposta errada e eles irão para o inferno antes de você. Entendeu?
- Isso é loucura. – foi a única coisa que consegui dizer. Ela não parecia estar mentindo. Ainda mais com esse sorriso sádico no rosto.
- Não querido, é apenas um jogo. Você não gosta de jogar com os outros? – ela dizia isso cinicamente, enquanto andava de um lado para o outro na frente da lareira. Tentei soltar meus braços, mas, por ironia do destino (ou um nó muito bem feito), toda vez que puxava meus braços, mais apertado ficava. Eu estava em choque. Sadie não teria coragem de queimar toda uma discografia dos Beatles... Ou teria?
- Vamos à pergunta, my wonderwall. Por quê? – ela parou de andar e olhava fixamente para mim.
- Por quê o que vadia? Por que eu vou te matar assim que sair daqui? – eu disse, tentando parecer indiferente a situação, mas me saí muito mal. Minha voz saiu baixa demais. Afinal, quem não ficaria chocado se quisessem queimar as suas coisas? Principalmente se essas coisas fossem raras e caras como discos autografados dos Beatles!!
- Resposta errada Liam. – a vi caminhar para perto da lareira – Já que você disse que o Dig Out Your Soul é tão melhor que o Revolver, vamos ver se ele queima bem.
Sadie jogou o disco para o fogo e eu nem me manifestei. Eu ainda não estava acreditando que minha doce Sadie estava fazendo isso. A cor das chamas mudou para azul, enquanto a capa e o disco eram queimados. O sorriso sádico de Sadie não desapareceu, apenas se tornou mais intenso assim que viu que eu não reagia.
- E a segunda pergunta vale o... Nossa! Você tem de acertar essa! – Sadie imitava aqueles apresentadores de programas de perguntas e respostas de um modo doentio – Bom, essa pergunta vale o Sgt. Pepper’s.
- Você não teria coragem de jogar esse disco. – eu disse, de um modo sarcástico. Ela não jogaria esse disco.
- Se você tem tanta certeza Liam... – ela não tinha mais um sorriso no rosto, mas sua expressão ainda era de diversão – Qual o problema de vocês, Gallaghers? Você e o Noel não podem simplesmente viver um em cada canto, sem brigar? Por que tanta infantilidade?
- Infantilidade?! Olha quem fala! – me exaltei um pouco. Ela não tinha nada a ver com minhas brigas com o idiota do Noel. E ainda por cima me chamou de infantil?! Ela me amarra e queima meus discos por simples diversão e eu que sou o infantil?!
- Você errou. – aquela cena passou em câmera lenta diante de meus olhos. O disco caindo até o fogo não se passou em milésimos de segundo, e sim em minutos. A voz fria de Sadie falando você errou me fez gritar um sonoro não, mas era tarde de mais. O Sgt. Pepper’s queimava, assim como o Revolver tinha sido minutos antes.
- Você tem idéia do que acabou de fazer Sadie?! – eu gritava com ela, e ela se divertia. Gargalhava. – Você queimou o Sgt. Pepper’s! O disco que inspirou milhões de pessoas! O disco mais psicodélico já lançado!
- Eu sei muito bem disso Liam. Se acalme. – a voz dela era controlada, sem nenhuma falha. Tentei inutilmente me soltar novamente. Aquilo já era de mais. — Quer saber? Cansei.
- Me solta Sadie. – falei, em tom de ordem.
- Te soltar? Claro. Assim que acabar com isso. – o tom divertido e sarcástico em sua voz havia voltado – Hum, Abbey Road. Gosto desse... – Sadie riu para mim, antes de jogar mais um disco para o fogo. Fechei os olhos, não queria mais ver aquilo. Era muita tortura para uma pessoa só -... Ou não. Talvez eu apenas goste do jeito que você diz gostar de mim.
- Sadie, por favor, me solte. – não gritei, nem mandei. Eu quase supliquei para que ela me soltasse. Não tive vontade de abrir os olhos. Não queria ver seu rosto, ou explodiria.
- Bom garoto. Peggy teria orgulho em te ouvir falar assim. – Sadie estava abaixada ao meu lado, passando a mão em minha testa. Eu ainda não queria abrir os olhos – mas quer saber? Foda-se Sir William John Paul Gallagher! – ela gritou, e eu abri os olhos. Sadie agora vestia um sobretudo preto e seu olhar era fulminante, como se fosse me esfaquear apenas com o olhar. – Eu fiz de tudo pra você, e o que ganho em troca?! Um par de chifres!
Ela caminhou novamente em direção da lareira. Pegou os discos que estavam no chão e jogou todos de uma vez no fogo. Eu estava com medo dela, mas isso não era algo que eu demonstraria. Quando ela olhou para mim, sua expressão não era raivosa. Era puro sarcasmo, misturado com maldade. Não havia acabado.
A vi pegar uma garrafa de wisky da estante e beber alguns goles. Fez uma careta de satisfação ao sentir o wisky lhe queimar a garganta. Sadie Caminhava pelo quarto, bebia alguns goles e parava. Parecia pensar.
- Sadie, me solta. – novamente meu tom de ordem, mas ela nem pareceu se importar. Sadie caminhou até mim e ajoelhou-se ao meu lado. Passou a mão pelo meu rosto, fazendo um carinho. Eu não olhava para ela. Fiquei encarando o teto.
- Adeus Liam. – ela falou antes de me dar um leve beijo na bochecha. Com minha visão periférica pude ver ela se levantar e dar uma volta ao redor da cama, virando a garrafa de wisky e derramando pelo chão.
- Sadie?! O que você está fazendo?! – entrei em pânico. A mulher tinha enlouquecido.
-I was looking for some action, but all I found was cigarettes and alcohol... (Eu estava procurando por alguma ação, mas tudo que achei foram cigarros e álcool) – Sadie cantarolava baixinho Cigarettes and Alcohol, pouco se importando com meus pedidos ou gritos.
Ela, ao ver que o líquido dentro da garrafa havia acabado, deixou a mesma no criado mudo perto da cama, do lado oposto ao que eu estava. Sorriu cinicamente para mim, vendo meu estado de pânico. Continuei gritando, e ela fingiu que não me ouvia. A vi caminhar na direção da porta enquanto tirava algo do bolso do sobretudo. Sadie tirou um maço de cigarros e um isqueiro. Como nos filmes, Sexy Sadie acendeu aquele cigarro da forma mais sensual possível.
- It’s a crazy situation, but all I need are cigarettes and alcohol… (É uma situação louca, mas tudo que eu preciso são cigarros e álcool.) – Sadie completou a música e, novamente, vi o mundo em câmera lenta. O cigarro que estava entre os dedos de Sadie caiu e, ao atingir o carpete encharcado com wisky, um círculo de fogo se formou ao redor da cama.
Gritei, tentei me soltar mais uma vez. Não adiantou. Senti o calor do fogo ao meu lado. Olhei uma última vez para a porta e Sadie estava lá, com um sorriso sádico nos lábios. Ela não era qualquer uma. Nunca fora. E eu simplesmente a deixei escapar. Fechei os olhos. Era o fim. Talvez.
Tudo era escuro e, de repente, eu estava caindo. Tudo parou e minha cabeça bateu no chão. Levantei com um movimento brusco. Eu ainda estava na minha casa. Nada estava pegando fogo. Fiz questão de olhar para a estante em que coloco meus discos. Estavam todos lá, aparentemente. O susto desse pesadelo foi tão grande que ainda não tinha percebido o quanto meu corpo doía. Minha cabeça parecia pesar uma tonelada e meu corpo doía como se tivesse sido atropelado. Nota mental: trocar o sofá, beber tequila em vez de wisky e trancar os discos no cofre.
Caminhei lentamente, seguindo a parede até a cozinha. Sentei-me diante a mesa e apoiei minha cabeça com um dos braços. Olhei ao meu redor, mas não prestei atenção em nada. Minha mente não estava ali. Talvez estivesse em uma mulher, especificamente. Sadie. Só entrou na minha vida para criar dor de cabeça. Aquela amizade com o Noel e depois com a Abigail me davam dor de cabeça...
Levantei e procurei algo para curar minha ressaca no armário de remédios. Peguei alguns comprimidos e os engoli, junto com um copo de água. Não sentia fome, não sentia nada além daquela dor.
Lentamente fui caminhando até o banheiro, ainda com o copo de água pela metade nas mãos. Deixei-o sobre a pia do banheiro e, como se fosse o ato mais difícil do mundo, tirei a camiseta e a boxer que vestia. Entrei no box do banheiro e senti aquela água morna caindo sobre minha cabeça. A dor ia se esvaindo, assim como os pensamentos. Era apenas a água. Minha cabeça já não parecia pesar tanto e eu voltei a sentir o toque da água. Não havia mais dor.
Desliguei o chuveiro depois de alguns minutos e saí do box. Peguei a toalha que estava mais próxima, me sequei rapidamente e enrolei na cintura. Caminhei até o quarto e vesti a primeira coisa que encontrei no armário revirado. Precisava sair daquela casa, nem que por alguns minutos. Olhei para o relógio: 10:12. Ainda havia tempo para chegar no estúdio e descarregar minha raiva em alguém. Peguei as chaves do carro, dei uma última olhada nos meus discos e saí.
A rua estava movimentada, cheia de carros e pessoas, todos ocupados, indo e vindo. Faltavam alguns quarteirões para eu chegar ao estúdio. O sinal estava vermelho e eu não estava nem um pouco com pressa. Pela primeira vez em muito tempo, não buzinei para o carro da frente e pouco me importei com os que faziam isso. Batuquei meus dedos no volante, esperando pacientemente o sinal abrir. Mexi no rádio, procurando uma estação de rádio que prestasse. Reconheci a voz de John God Lennon e deixei naquela rádio. Logo o sinal abriu e segui meu caminho. Estacionei na primeira vaga que achei perto do estúdio e segui os metros que faltavam a pé. Entrei e segui o caminho que conhecia tão bem até a parte do estúdio que fora designada para o Oasis.
Através do vidro que separava a sala de controle da sala de gravação vi Gem e Noel ensaiando, enquanto Andy e Chris bebiam café sentados no sofá ao lado da mesa de aparelhos. O produtor dava algumas instruções para Gem e Noel, que assim que me viu largou o violão e atravessou a porta praticamente marchando de raiva. Como é bom irritar seu irmão mais velho. Eu estava feliz por isso.
- Quem você pensa que é?! – ele gritou quando chegou à minha frente. Parecia que ele estava se controlando para não avançar sobre mim.
- Liam Gallagher? – respondi, sarcasticamente. Vi seus punhos se apertarem com força.
- Seu idiota! – ele gritava, seus olhos estavam quase em chamas de raiva – Você não vai aprender nunca a deixar de ser infantil?! Nem meus filhos se comportam como você!
- Seus filhos são idiotas de mais pra agir como eu! Puxaram ao pai! – respondi, gritando também. Senti quando o punho de Noel atingiu meu rosto com força. O soco não fazia parte dos planos. O plano era apenas agressão verbal. Não consegui controlar meus impulsos. Parti pra cima de Noel, e dei alguns socos em sua cara. Ele tentou se defender, enquanto e eu dava murros cujo objetivo era acertar a cara daquele idiota.
- Parem de agir como duas crianças! – gritou Gem, que segurava Noel, sendo ajudado por Chris. Só percebi que Andy me segurava quando parei de tentar acertar a cara daquele idiota que diz ser meu irmão. Paramos de nos socar, mas nenhum dos outros teve coragem de nos largar.
- Se não fosse por mim, essa banda não seria nada! – Noel bradou, tentando se soltar de Gem.
- Se não fosse por essa banda, você não seria nada! – gritei em resposta, dando socos no ar, fazendo Andy me empurrar para trás.
- Chega! Parem os dois! – gritou Andy
Vi Noel baixar os braços, mas aquela expressão assassina ainda não havia saído de seu rosto. Também baixei os braços e, quase que instantaneamente, fomos soltos.
- Você não é meu irmão. – eu disse baixo depois de virar as costas, indo em direção da porta de saída.
- E muito menos seu companheiro de banda. – o ouvi dizer, mas não me dei o trabalho de olhar para trás. Não queria saber. Ele queria sair? Que saísse.
As pessoas que estavam no estúdio me olhavam como se eu fosse de outro planeta. Sim, eu sabia dar uma festa quando queria. Saí do prédio do estúdio colocando os óculos escuros que estavam no bolso de meu casaco. Precisava de álcool, muito álcool.
Olhei para os dois lados da calçada, tentando lembrar onde ficava o pub mais próximo. Caminhei na direção que me pareceu correta e encontrei um pub a alguns metros. Entrei no lugar, que, pelo horário, estava praticamente vazio. Logo me sentei diante do balcão. O bartender me olhou assustado. Será que não posso nem tomar um porre em paz?!
- Um wisky. – pedi ao garoto – E deixe a garrafa.
Uma dose, duas doses, a garrafa toda. Não sabia se estava ali há alguns minutos ou algumas horas, pouco me importava. Definitivamente eu não queria saber. Pra quê? O tempo só ia fazer as coisas piorarem. Comecei a bater meus dedos sobre o balcão, esperando que aquilo tudo não passasse de outro pesadelo. Queria acordar, acordar daquele mundo em que todos me largavam. Nem a Sadie ficou. Nem a Sadie...
Senti algo pesar em meu ombro. Senti também um perfume familiar, doce, mas não enjoativo. Ouvir aquela voz era como despertar de um pesadelo. Era ela que estava ao meu lado. Somente ela...
- Liam, vou te levar pra casa... – Sadie disse, sentando-se ao meu lado.
- Como você me achou aqui? – minha voz saiu estranha, devido ao efeito da bebida. Eu não fui amigável com ela.
- Abigail falou com o Noel e pelo seu perfil, imaginei que estivesse no bar mais próximo. – ela respondeu calmamente, olhando para a garrafa.
- Hum... – me limitei a murmurar antes de beber o último gole de wisky do copo.
- Vamos Liam. – Sadie disse, se levantando.
- Vamos Liam? – falei sarcasticamente – Não era você que nunca mais queria me ver? Ou você quer queimar minha coleção de discos?
- Queimar sua coleção de discos?! – ela falou surpresa – Do que você está falando? Eu estou tentando te ajudar...
- Ok. Me ajudar... Desculpe, não preciso de ajuda. – disse me levantando e indo na direção da saída. – Não da sua ajuda Sadie.
Saí do bar e caminhei em direção ao meu carro, que não estava muito longe. Não me importava em esbarrar nas pessoas que andavam ao meu redor. Abri a porta do carro com dificuldade e, quando estava prestes a fechar a porta, uma mão a segurou.
- Se não quer minha ajuda, tudo bem. Mas eu não vou deixar você matar alguém dirigindo nesse estado. – era Sadie. Ela falava em um tom firme e sério.
Não pude fazer nada. Ela estava me empurrando para o banco do carona. Cruzei os braços e me limitei a olhar de relance de vez em quando. Um silêncio estranho se instalou dentro do carro. Sadie estava séria, concentrada no trânsito. Fechei os olhos e encostei minha cabeça no vidro do carro.
Eu estava cansado de tudo. Do merda do Noel, das obrigações com a banda, das minhas idiotices. Estava cansado de tudo, menos dela. Ela não era qualquer uma. Ela era a minha Sexy Sadie, só minha... E eu fui estúpido o bastante para não dar valor. Eu a tratei mal, humilhei-a. Não sei por que uma mulher como ela foi capaz de gostar de um cara como eu.
- Sadie... – murmurei, ainda de olhos fechados. – Por quê?
- Por quê o quê Liam? – a ouvi dizer
- Por que você está aqui? Com um cara como eu? – eu disse. Era o efeito da bebida, eu não poderia perguntar isso pra alguém completamente sóbrio. Não Liam Gallagher. A ouvi suspirar e rir baixo.
- Porque você é um pequeno piloto em minha mente. – ela respondeu tão baixo que quase não pude ouvir. Sorri levemente. Era tudo que precisava ouvir. Minha mente apagou e meu corpo também.
Acordei sem nenhum vestígio da bebedeira do dia anterior. Pequenos flashes de como Sadie me ajudou a sair do carro e entrar em casa invadiram minha mente. Não pude deixar de sorrir. Não movimentei nenhum músculo, apenas fiquei encarando o teto. Ouvi o telefone tocar algumas vezes e a voz de Andy sair pela secretária eletrônica avisando que o idiota do Noel realmente deixara a banda. Talvez ele volte...
Talvez Noel volte. Talvez Sadie volte. Talvez eu pare de beber, mas só talvez. Definitivamente talvez. Só era preciso aceitar, mas ficar olhando aquele minúsculo ponto no teto estava bem mais interessante para mim naquele momento.
FIM
(ou apenas um novo começo)
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