Notas iniciais
Depois colocarei a discrição do CHB. Só não coloco de uma vez por que não quero perder as ideias

Acordei na terça-feira de manhã com a minha usual cara de zumbi, atrasada pela primeira vez para a escola. Não costumo acordar tarde, sempre acordo com o nascer do sol. Olhei em volta do meu ridículo quarto rosa. Minha mãe e essa mania dela de achar que eu amo rosa. Levantei de devagar, sem me preocupar com a escola, o primeiro horário é de Artes, e eu sou muito boa em Artes, mas hoje não estou com paciência para aturar meus colegas ignorantes. Estava em direção ao banheiro quando meu irmãozinho de 10 anos, Jack, começa a bater na porta e gritar que eu estou atrasada para a escola. Irritada, eu grito que já estava indo.

Fico pronta menos de 10 minutos depois. Apenas lavei meu rosto, escovei meus dentes e coloquei minha calça jeans favorita e minha blusa azul escura simples e meu All Star preto que a minha mãe odeia. Peguei minha mochila e o livro que estou lendo no momento – Fallen – e desci as escadas da minha casa até a cozinha. Minha mãe, Jennifer, estava lá tomando café-da-manhã com meu padrasto, William, e, quando ela me vê, faz cara de espanto

– Hanna! O que você ainda está fazendo aqui? Você está atrasada para a escola – ela olha para mim da cabeça aos pés – e que roupa são essas? Por que você não usa aquele vestidinho rosa lindo que eu te dei de aniversário? Com aqueles saltos que você ganhou de natal você iria ficar linda, minha filha. Você já tem 15 anos, vista-se como uma garota de 15 anos.

Eu reviro os olhos, pego uma maçã e digo: — Mãe relaxa. O primeiro horário é de Artes, e você sabe que eu vou bem em Artes, então não tem problema eu perder uma aula apenas. E você sabe que eu não gosto de rosa mãe. E odeio saltos. Agora, se você me der licença, tenho que ir para a escola. Tchau mãe. Tchau William. – saio da cozinha e vou em direção a porta quando a minha mãe me alcança. – Hanna, já disse para você umas mil vezes para chamar o Will de pai. Ele te cria desde que você era um bebê.

– Eu sei disso. Mas ele não é meu pai. – abro a porta e vou embora.

Vou andando normalmente comendo minha maçã em direção a minha escola, pensando mais uma vez onde meu pai poderia estar. Minha mãe não fala sobre ele, ela só me disse que ele tinha cabelos loiros, e olhos castanhos claros gentis. Eu tenho cabelos loiros e olhos azuis-esverdeados, iguais aos da minha mãe. Minha mãe não tem nenhuma foto dele, e nunca me diz o que aconteceu com ele. Eu nem sei ao menos nome dele. William me cria desde que eu tinha um ano de idade, e meu irmão Jake é filho dele, mas nunca senti uma ligação com ele.

Só percebo que cheguei à escola quando minha melhor amiga Claire grita meu nome. Ela não é uma novidade estar atrasada para a escola, mas eu sim.

– Hanna, você atrasada? Quem diria em? – ela ri e eu sorrio para ela.

– Bem, sempre tem uma primeira vez. Estou ansiosa para o dia que você chegar na hora na escola – eu rio um pouco e Claire diz “Ei!” e me ta uma cotovelada de leve, mas ri também. Entramos juntas na escola, e passamos em frente à sala de Artes. A Srª. Dylan nos chama e diz que a gente poderia assistir a aula dela, principalmente eu, que nunca chegava atrasada e me interessava pelas aulas dela.

Na hora do almoço me sento em uma mesa afastada com a Claire, e ela tenta mais uma vez me forçar a me juntas as lideres de torcida da escola.

– Claire, eu já disse que não. Porque você quer que eu me junte a essas meninas?

– Porque eu não quero ficar sozinha lá. Ia ser muito legal se você entrasse comigo.

– Não, obrigada. – Claire continua tentando me convencer, mas me perco quando eu vejo Caleb passar

– Hanna! Você está me ouvindo? – ela fica acenando em frente dos meus olhos, e eu dou um pulo

– Oi? Ah, claro que eu estou. – Claire vira e vê Caleb, ela assovia e olha para mim

– Entendi porque você parecia estar no mundo da lua – ela solta umas risadinhas abafadas para mim.

– O que? O Caleb? Só estava olhando. Coisa inocente – sinto minha bochechas corarem um pouco

– Hanna, você é minha melhor amiga. Eu sei que você é afim dele desde criança.

– Ele é só um amigo. E além do mais, ele gosta da Ashley. E também, não falo com ele há meses. Ele anda distante desde o último verão.

– Ele está mais bonito, mais forte e tudo o mais. Não é atoa que todas as meninas da escola estão babando por ele, inclusive você.

– E você. Mas que menino bonito você não gosta em?

– Ei! – ela me da uma cotovelada – mas é verdade – nós duas começamos a rir. Claire é uma menina muito bonita. Tem 16 anos, cabelos castanhos escuros e olhos verdes. Parecem duas esmeraldas, e todo mundo se perde dentro deles.


Depois da aula, vou andando para casa, mas antes paro no Central Park para ler um pouco. Sento no meu lugar de sempre, um banquinho para dois de baixo de uma grande árvore. Depois de um tempo, vejo pelo canto do olho que alguém sentou do meu lado, e viro a cabeça para ver quem é, e me assunto quando percebo quem é



– Caleb! Ah, o que você está fazendo aqui? – gaguejo um pouco, e rezo para que ele não tenha percebido. Ele olha para mim com aqueles lindos olhos cinza, como um belo dia nublado, mas sem a tristeza de um típico dia nublado, e demora o olhar em mim antes de falar qualquer coisa.


– Hanna – ele diz meu nome de um jeito simples e delicado – Oi

– Am, oi? Ta tudo bem com você? Ta procurando alguém, ou sei lá?

– Já encontrei a pessoa que eu estava procurando. Eu estava procurando você.

– Eu? Mas porque eu? Você não fala comigo há meses, e de repente vem falar comigo? Qual é o seu problema? – é um pouco difícil ficar com raiva do Caleb. Eu o conheço desde que eu era criança. Ele tem 16 anos, cabelos pretos e olhos cinza, e é muito bonito. Sempre foi. Ele me olha com aquele olhar triste e me diz:

– Me desculpa Hanna. Eu não queria me afastar de você, mas fui obrigado.

– Obrigado por quem? Minha mãe? William?

– Pelo Quíron.

– Quem é Quíron, Caleb? Do que você estava falando? Porque você foi obrigado a se afastar? – ele olhou em volta antes de falar qualquer coisa, pegou as minhas mãos e me fitou normalmente nos olhos:

– Hanna, no verão passado eu estava em um lugar chamado Acampamento Meio Sangue, um lugar especial para semideuses, como eu – ele aperta minhas mãos – e você.

Eu tiro as minhas mãos das dele: — Semideuses? Como assim?

– Semideuses, filhos de deuses ou deusas.

– Eu sei o que são semideuses – digo irritada — mas eles só existem em livros. Não são reais.

– São sim Hanna. E você sabe disso. – olho para Caleb confusa, sem saber o que dizer, e ele me conta o que aconteceu no verão passado. Ele me contou que estava acampando com a mãe dele quando, uma noite, um Minotauro os atacou. Caleb não lembra muito daquela noite, se lembra apenas de querer proteger sua mãe, quando ele evocou um raio que transformou o monstro em cinzas. Ele só se lembra de sua mãe dizer que ele estava pronto, e o guiar até o carro. Ele me disse que acordou em um lugar estranho, parecia uma enfermaria. Me contou como era o Acampamento Meio Sangue, e como descobriu ser filho de Zeus, deus dos céus e dos trovões. Ele parou de falar e ficou me olhando, tentando ver a minha reação. Ficamos sem falar nada durante um tempo, até que eu quebrei o silêncio:

– E porque você acha que eu sou uma semideusa?

– Porque Quíron me pediu para te levar ao Acampamento Meio Sangue. Ele acha que você já está pronta.

– Pronta para o que?

– Eu também não sei, ele só me disse para te levar ao acampamento.

– Você sabe de quem sou filha?

– Não – ele parecia desapontado – Eu achava que você seria filha de Atena, deusa da sabedoria, ou talvez de Afrodite, deusa da beleza e do amor – ele olha para mim e sinto minhas bochechas corarem – Mas Quíron me disse que sua mãe é mortal, e seu pai é um deus. Comecei a pensar que você seria filha de Zeus, mas não acho que você seria minha irmã. Por favor, não seja – ele diz baixo, mas consigo escutar mesmo assim, e me pergunto por que ele disse isso.

– Caleb, está ficando tarde. Tenho que ir pra casa – ele levanta e pega minha mochila.

– Eu te acompanho – ele diz com um sorriso – De lá podemos ir juntos até o acampamento.

– Eu não posso ir com você agora. Eu tenho que falar com a minha mãe antes de qualquer coisa. – pego minha mochila de suas mãos e começo a andar em direção a minha casa, mas ele corre em minha direção e agarra meu braço – Me solta! – eu grito e me afasto dele.

– Quíron já cuidou de tudo. Ele já conversou com a sua mãe. Ela está te esperando para se despedir de você.

– Como assim? Como ela pode aceitar que você e um homem que eu nunca vi na minha vida me levem para um lugar que eu nunca ouvi falar antes.

– Sua mãe sempre soube que seu pai era um deus, e que você nasceu diferente dos outros bebês. A única coisa que ela não sabe é quem seu pai divino é. Ela já conversou com o Quíron muitos anos atrás, e ela sabe que você só estará segura no Acampamento Meio Sangue. – Não sei o que falar, está tudo muito confuso na minha cabeça, muita coisa para processar ao mesmo tempo. Simplesmente não conseguia acreditar que era uma semideusa, e filha de quem?

Ando em silencio ao lado de Caleb até a minha casa, e, ao entrar, minha mãe me dá um abraço apertado e disse que iria sentir minha falta. Eu a abraço, mas não falo nada, apenas subo até meu quarto com Caleb e ele me ajuda a fazer a mala. Ele apenas me diz para levar calças, algumas blusas (ele me disse que a gente ganha blusas do acampamento quando chega lá) e roupas íntimas (bem, eu acho que isso era um pouco obvio). Pego alguns dos meus livros e coloco na minha mochila, e já estou pronta para ir. Minha mãe vai dizer ao meu irmão que finalmente fui para o internato que eu sempre quis ir na Inglaterra. Me despedi de minha mãe e de William. Para ele, eu também estou indo para o internato, e ele tentou dar uma de pai mais uma vez comigo, me deu uma abraço apertado e disse para ligar sempre que precisa-se. Tentei ser gentil, mas não falei nada, apenas sorri e fui em direção a porta junto com a minha mãe e Caleb. Caleb pegou minha mala e foi em direção a um carro preto parado em frente a minha casa, me deixando sozinha com minha mãe. Ela tava com os olhos vermelhos, chorando um pouco. Me abraçou e me disse para avisar quando chega-se ao acampamento, e para avisar quem era meu pai.

– Ele não me disse quem era para nossa segurança – ela disse – mas sempre tive minhas suspeitas. Me ligue e me fale quem é, só para eu ter certeza. – concordei com a cabeça e ela sorriu e me deu mais um abraço. — Agora vá. Caleb já está te esperando, e, Hanna, não se esqueça nunca, eu te amo.

– Eu também te amo mamãe – digo com a voz fraca, tentando conter as lágrimas.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.