Alguns dias depois. É madrugada no laboratório de criminalística de Ny. Isa está revendo os mapas de movimentação do suspeito do caso que está trabalho no momento. A luz é baixa. Há silêncio. De repente, a porta se abre. Flack entra, o paletó na mão, olhos cansados

— Don? O que tá fazendo aqui essa hora? — em um tom de surpresa

— Não consegui dormir. — com um tom baixo e sem olha direto para ela — Quase nunca consigo depois de dias como o de hoje.

Isa abaixa a tela do computador e o observa em silêncio. Flack caminha até uma das bancadas e apoia as mãos ali, curvando os ombros. Não é o Flack firme e controlado. Ele parece menor agora, mais real.

— Você já... viu alguém morrer e não conseguiu fazer nada? — ele faz uma pausa e ri seco, sem humor. — Claro que já. Que pergunta estúpida.

— Não é estúpida. É humana.

Ela se aproxima, devagar. Fica de frente pra ele, mas sem invadir o espaço. Espera. Flack inspira fundo.

— Às vezes, eu ouço o grito daquele garoto na explosão. Aquele que eu não alcancei. E quando fecho os olhos... é como se eu ainda estivesse lá. Cheio de estilhaços, sangue no rosto, e ninguém pra dizer que vai ficar tudo bem.

Isa sente a dor nas entrelinhas. Ela poderia tocar nele, mas não o faz — sabe que Flack valoriza o silêncio mais do que consolo imediato.

— Obrigada por confiar isso a mim.

Ele ergue o olhar. A tensão nos olhos azuis se desfaz um pouco. Pela primeira vez, ele não disfarça o cansaço, nem a dor. E o que vê em Isa não é pena — é compreensão profunda.

— Você escuta diferente... Não tenta consertar. Só escuta.

Ela puxa uma cadeira ao lado dele. E eles ficam ali madrugada adentro, cercados por mapas, arquivos e feridas abertas. Mas juntos.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.