Notas iniciais
Para minha Lolita, aonde quer que ela esteja.

Te busco na escola no horário de sempre. Aproveitamos e tiramos um tempo só para nós.

Os pés sobre o banco do meu carro, eu nem me incomodo mais. Observo ela cantarolar, aquela música que não consigo tirar da minha cabeça.

– Vamos ver esse filme? — Ela diz animada quando passamos na frente do cinema.

– O que você quiser! — Lhe lanço um sorriso e ela ri em resposta.

O doce som da sua voz me contando como foi o seu dia. Em certo momento ela fala sobre alguns garotos do colégio, ela dizia que os achava bonitos, que eles eram fortes e tudo mais. Odeio quando ela faz isso, tenho ciúmes e ela se diverte, faz só para provocar. Ela sabe minha opinião sobre esses idiotas, peço à ela que nunca se meta com eles.

– Tudo bem. — Ela diz vencida. — E o seu dia?

– O mesmo de sempre. — Respondo dando de ombros. Ela entende. Ela sabe o quão monótona é a minha vida. Diz ela que eu preciso mudar, jogar tudo para o alto, sair por aí e começar a fazer o que eu gosto, pintar, mas não é assim, digo para ela, ninguém seria capaz de pagar pelo meu hobbie, são apenas alguns rabiscos sem sentidos sobre a tela. Nós sempre brigamos por causa desse assunto, mas logo nos perdoamos. — Pronto. — Digo assim que estaciono em frente a nossa casa, ela sorri.

– Ah... Eu estou exausta!

– Vem! — A levo até o nosso quarto. — Deita aqui e dorme, minha pequena.

– Canta para mim. — Ela me pede com aquela voz manhosa que me faz delirar. Começo a cantarolar a mesma música que ela cantava no carro e vejo ela sorrir. E, então, ela adormece, ali, nos meus braços, a minha pequena Lolita.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!