...
7 Na madrugada
Eram duas da manha. Meu pai, minha mãe, minha irmã e a maioria dos convidados já tinham ido. Eu ainda estava na casa do Louie junto com a Blaze e o Silver.
Estávamos assistindo um filme de terror que eu nunca tive coragem de assistir e que prometi assistir quando completasse dezoito anos. O Exorcista. Em tava chorando de medo, inventava uma desculpa pra sair á cada cinco minutos, mas eles pausavam o filme e só davam play quando eu voltava. Blaze ama filmes de terror, esse é o favorito dela. Silver estava com tanto medo quanto eu, mas ele fingia que não tinha. O Louie estava rindo de mim, mas seu coração estava batendo tão rápido quanto o meu. Estava muito escuro e nós estávamos no sofá. Podia ouvir os sapos cocharem e grilos cantarem. Eu estava chorando e tremendo de medo. Louie não parava de olhar para mim.
–Assim não vale... — Eu murmurei, mas virando para ele- Tem que olhar para o filme. Ou eu posso ficar olhando só pra você também?
–Shhhhh- A Blaze dpediu silêncio- Ta na minha parte favorita.
Eu me virei pra tela e nesse momento eu levei o maior susto da minha vida. Eu berrei tão alto que assustei todo mundo. Depois eles riram, mas eu voltei a chorar de medo. Mas eu não podia parar de ver, a porta estava trancada e o Louie estava me abraçando bem para que eu não saísse da sala. Ele disse disso, mas acho que isso era apenas uma desculpa.
O filme FINALMENTE acabou e eu saí pulando de alegria. Quando eu perguntei se poderia ir pra casa, mas quando a Blaze abriu a porta eu vi que estava tudo escuro e que eu iria pra casa sozinha eu voltei correndo pro sofá, ao lado do Louie.
–Posso dormir aqui?- Eu perguntei, fazendo cara de cachorrinho que caiu da mudança.
–Claro.- ele riu de mim- já havíamos combinado que todos vão dormir aqui.
–Ufa...- Eu respirei aliviada.
–Por que? Tá com medinho?- A Blaze perguntou rindo de mim.
– É claro que não!- Eu ironizei.
Então a Blaze acendeu as luzes do nada, me dando um susto. Saltei do sofá e saí correndo para debaixo da mesa. Todos riram de mim, mas eu ainda não conseguia respirar normalmente.
–Amy...- a voz veio do Louie por trás de mim.
–AAaaaaaahhh!!!!!!- Soltei outro berro.
–Calma! Assim você tem um ataque do coração...
– E-eu to bem. Super bem. Nunca estive melhor!- Eu disse tremendo.
–Vem cá, vou fazer um leite quente pra você- Blaze me segurou pelos ombros e fomos em direção á cozinha.
–Nós arrumamos a sala para podermos dormir- O Silver falou.
Depois de tomar o “leite para acalmar”, ainda via os rostos do filme de terror. Voltamos pra sala e os meninos já tinham arrumado tudo, pelo visto eu vou dormir na cama com a Blaze, Silver ia dormir no sofá e o Louie ia dormir no chão da sala. Eu fui pro quarto meio assustada ainda.
Me sentei na cama e comecei a lembrar do Sonic. Aquele beijo era tudo que eu queria durante anos. Eu odiei. Sim, eu odiei... Mesmo? Ah! Por que não paro de pensar nisso? Ele me beijou de tal jeito... E-ele quardou aquele desenho por tanto tempo. Um desenho bobo para ele. Mas para ele me beijou quer dizer que ele me ama? Ele realmente me ama? E se a resposta for sim, e eu com isso? Eu deveria fazê-lo sofrer assim como ele me fez sofrer, certo? Fazê-lo triste como eu era. Quer dizer, eu não era triste, mas parece que ele está triste.
–Amy!!
–Ah!- Eu me assustei, fui acordada dos meus pensamentos com a Blaze me abanando, o Silver com um copo de água e o Louie me chacoalhando.
–Ufa!- Silver suspirou aliviado.
–Não sabia que esse filme não fosse te assustar tanto.– Blaze disse- Da próxima vez que fizer dezoito anos assista um filme pornô ao invés de um de terror.
–Haha- Eu disse me levantando. — Por que estão todos assim?
–Eu estava falando com você e você não me ouviu!- Blaze disse indignada.
–Não, não. Estamos assim por que você quase não respirava e estava como uma desmaiada. – Louie me colocou sentada na cama.
–Melhorou, Amy?- Silver me deu o copo de água.
– S-sim. Eu estou bem.
–Bom, então vão embora.
–Espera!- Silver disse.
–Mas e...
–Sem mas! Boa noite meninos! Nós precisamos dormir, daqui 2 horas amanhece.
Blaze foi empurrando os meninos para a saída e fechou a porta na cara deles.
Esperou uns dois segundos e abriu uma pequena fresta na porta, para ver se eles já saíram de perto. Fechou novamente e pulou na cama, sentando-se ao meu lado.
–Então, conta tudo.- Ela falou sorridente.
–Que?
–Amy, te conheço á muito tempo. E sei que quando você fica paralisada daquele jeito é que está pensando em algo de extrema importância...
–Ah... Você tem razão. Aconteceu algo de extrema importância. O Sonic... Ele... Me b-beijou...
–QUEEEE!?!?!- A Blaze berrou- VOCÊ E O SONIC SE BEI...- eu tapei a boca dela.
–Blaze cala a boca! Isso pode acabar com o meu namoro!- Eu falei preocupada e irritada.
–Desculpa, mas é que é tão... Tão...
–Eu sei, eu sei! E desde então eu não consigo parar de pensar...
–No beijo?
–Não! Claro que não, eu odiei aquele beijo. Ele beija muito mal!
–Sei.
–Eu não parei de pensar no que ele disse, isso sim.
–E o que ele disse?
–Uma história ridícula de que eu ainda o amava, que ele continuava o mesmo e que eu estava com o Louie apenas para tentar esquecê-lo.
–Até que não é tão ridícula. Pensa bem, você diz que quer o Sonic apenas como amigo. Mas eu aposto que é bem diferente do que diz. Se fosse assim não deixaria as fotos dele em um álbum rotulado “Nunca vou esquecer” que fica guardado debaixo da sua cama.
–Que?! C-como você...
–Eu disse que te conheço bem.- Ela se cobriu e me abraçou. Eu olhei em seus olhos, eu estava quase chorando- Mas eu sei que você está com o Louie por que quer, não para esquecer alguém. E sei que você está gostou do beijo.- Ela riu- Não precisa mentir pra mim, mas não é só por um beijo que você vai jogar tudo pelos ares.
Ela me abraçou mais forte e fez carinho no meu cabelo.
–Agora durma. Amanha tudo vai melhorar. — Ela me cobriu e fechou os olhos.
Ela dormiu em dois segundos. Quando eu tentei me mover ela me abraçou mais forte, então a abracei também e fechei os olhos.
Fale com o autor