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40 Quarenta


Como prometido, Jane estava agora passando mais horas do dia em casa. Ela chegara mais cedo na sexta e contara para Maura o desfecho do caso. Sim, eles tinham prendido o garoto certo, o problema era que alguém tinha pago para que ele matasse aquela mulher. Com a pressão dos detetives e uma rastreada num depósito de vinte mil na conta dele, a razão do homicídio veio à luz: a mãe da criança – a biológica – era quem tinha encomendado o crime na esperança, distorcida, de poder recuperar o bebê que tinha sido colocado para adoção ainda nos primeiros meses de vida. Não era de se espantar de terem mandado ele para adoção, dissera Jane para Maura.

A loira não sabia o que fazer com essa informação. Ela apenas meneou a cabeça e, mais tarde, depois de Jane se refrescar, se aninhou nos braços dela.

Elas tinham passado as últimas horas do sábado assim; deitadas no sofá, assistindo qualquer coisa na televisão. Em certo momento, elas tinham saído para comer algo na vizinhança, mas voltado para casa logo em seguida. Era um sábado preguiçoso, afinal.

Angela tinha se juntado a elas no meio da tarde, mas também não ficou por muito tempo.

Sim, era um dia quieto.

E era um dia que, para Maura, trazia reflexão.

Era por isso que agora ela estava deitada com Jane no sofá, mais uma vez. A morena tinha escolhido um jogo de baseball para ver. Maura, honestamente, não se importava. Sua mente estava bem longe dali. No passado. Nas lembranças. Em memórias que quando tocadas ardiam como álcool em ferida nova. E, porque sua mente estava tão distante, ela se agarrara em Jane para mantê-la de alguma forma no presente. Do mesmo jeito que ela fazia quando pequena e estava no balanço: ela fechava os olhos quando o movimento parecia rápido demais e, com medo, ela tentava se concentrar em outra coisa. Mas suas mãos… Suas mãos apertavam com toda força as cordas, mantendo-a ancorada, evitando a queda. Exceto que estar com Jane era muito mais seguro, porque Jane a segurava de volta. Não havia risco de ossos quebrados. Não havia desequilíbrio por conta de olhos fechados. Então ela se permitiu um passeio, apenas em reflexão, no passado.

Ela vinha ponderando as escolhas que deveria fazer – quanto antes, melhor.

Tudo voltava para seu segundo dia no hospital e Kendra.

Kendra. Ela tinha ganhado a confiança de Maura com tanta rapidez que agora, em introspecção, a loira se perguntava se não era por isso que considerava pesadamente a sugestão da mulher.

A detetive, loira e poderosa e doce, tinha sido sua primeira fonte de confiança.

Maura não queria ser tocada? Kendra colocava os médicos para fora.

Maura não queria falar com ninguém? Kendra lhe cedia horas de silêncio.

Maura se recusava a comer? Kendra a lembraria gentilmente da importância de ter nutrientes dentro do corpo, sempre lançando um olhar significativo para ela, porque Kendra era gentil, mas não a mimaria.

O segundo dia tinha sido o mais terrível de todos. Foi nele que Maura, depois de ter sentido o alívio de finalmente estar num hospital, com autoridades e salva, se sentia perdida. Quebrada. Desamparada.

Tinha sido humilhante também. Ela se lembrava do interrogatório, mil perguntas, sua confusão nas respostas. Ela se lembrava do corpo tremendo, da sensação de se sentir minúscula e indefesa. Uma formiga sendo observada sob uma lupa. Kendra tinha deixado o quarto por um minuto, então eram outros dois detetives – um homem parecendo bem objetivo, e uma mulher, concentrada demais nas anotações. O pânico crescente por medo de fornecer informações erradas. O medo de não acreditarem nela, de dispensarem sua situação e nunca prenderem seu sequestrador. Medo de ser obrigada a voltar a viver num mundo onde sabia que ele andaria livremente pela superfície da Terra. Talvez atrás delas, nas sombras de suas dúvidas.

Ela se lembrava da pressão que surgiu junto com as perguntas, também. De sentir seus pulmões falhando com ela à medida que seu desespero e desamparo pareciam aumentar. Seu estômago embrulhando com a própria narrativa.

Ela tinha pedido por um tempo, várias vezes, um que nunca foi lhe dado porque quanto mais demorarmos aqui, menos chances temos de pegá-lo, e um tempo considerável já foi perdido. Pressão, medo, responsabilidade.

Culpa.

Solidão.

As lágrimas corriam em seu rosto, mas para eles aquilo era banal. Para ela passou a ser também. Ela tinha alcançado seu limite. Assim como tudo, ela também possuía o seu. Ela pediu por alguns minutos sozinha, mais uma vez, e de novo o pedido foi ignorado.

Para eles, o trabalho era técnico.

Para ela, era a exposição do seu lado mais vulnerável e machucado. Feio.

‘Você pode nos dizer, de novo, onde ele te mantinha?’

Não, ela não podia. Ela tinha balançado a cabeça enfaticamente, levado a mão no peito.

Ar.

Ela precisava de ar. Alguma coisa estava errada, ela sentia, porque ou seus pulmões tinham perdido a eficácia ou ela tinha desaprendido a respirar. E seu estômago parecia se contrair mais e mais.

‘Eu preciso de um tempo.’ Ela tinha dito, dessa vez quase implorando.

Uma terceira pessoa entrou no quarto e logo saiu, mas ela não sabia quem era – ela mal estudou-a.

Uma outra pergunta tinha sido feita. Ela balançou a cabeça sem entender.

O detetive inclinou-se para ela, seu corpo se retraiu em reflexo.

Tudo de repente tinha se tornado demais: muito barulho, muita luz, muitas pessoas, muitos bips vindo das máquinas ao seu lado. Ela ergueu a cabeça para cima, tentando respirar fundo, ar limpo e fresco. Tentando impedir a onda de náusea que sentia. O reflexo foi mais rápido do que sua consciência. Ela jogou um braço para o lado para mantê-los a distância ao mesmo tempo que se curvou para frente para vomitar. Não era muito, apenas a pequena quantidade de comida que tinha ingerido momentos atrás. Enojada, ela empurrou o lençol sujo com as mãos e dessa vez quase gritou. ‘Eu preciso de um tempo!’ E só então, assustados, os dois detetives se levantaram. Eles não sabiam exatamente como agir durante um minuto. Uma enfermeira que estava passando pelo corredor entrou no quarto, estudou a situação antes de agir e logo estava pronta para ampará-la. Maura lançou um olhar maligno para ela também. Na sequência, outra enfermeira. E depois Kendra. A detetive olhou escandalizada para os quatro presentes, depois para Maura.

‘O que diabos aconteceu aqui?’ Maura se lembrava da condenação em sua voz, da proteção quando ela se colocou entre a cama e todos os outros. As ordens saíram entre seus dentes. Ela simplesmente arrancou o lençol num bolo e jogou-o no chão. Ordenou que todos, inclusive as enfermeiras, saíssem de lá, e quando os dois detetives estavam prestes a protestar, ela mandou que trabalhassem com o que já tinham recolhido.

Maura se sentira, pela segunda vez, salva. Suas mãos ainda tremiam, ela tinha um gosto horrível na boca e seu corpo estava sucumbindo por conta do esforço, mas, pelo menos, agora ela estava segura.

Kendra tinha sido calmaria. A gentileza que há tanto tempo lhe faltara. Maura nunca tinha esperado tanto de alguém como dela. E nem recebido.

Quando começou a chorar descontroladamente, Kendra tinha sentado ao seu lado, acariciado suas costas. Tinha lhe abraçado. Ainda havia medo, confusão, culpa. Mas não mais solidão. A detetive praticamente havia retirado aquilo com as mãos.

Tão logo ela se recompôs, a obsessão quase ridícula em se sentir limpa se instalou. Ela disse repetidas vezes que queria um banho. Ela se sentia suja. Imunda, embora as enfermeiras tivessem feito seu melhor trabalho em limpá-la. Ela pediu para Kendra inúmeras vezes, não porque a outra não estava lhe escutando ou negando, mas porque aquela necessidade era tão grande que ela não conseguia parar de verbalizá-la. A detetive tinha dito que sim, quando ela estivesse mais forte, mas Maura continuava exigindo e reclamando ainda em seus braços, e agora lembrando, tinha sido tão esquisito o modo como ela tinha desejado que Kendra ficasse ao mesmo tempo que queria que ela se fosse, o modo como suas mãos apertavam e desapertavam seu braço, respondendo coerentemente ao sentimento ambíguo.

Quando ela conseguiu, finalmente, o que queria, se sentiu humilhada mais uma vez. Ela descobriu que não tinha forças para ficar em pé por muito tempo, mas para o inferno!, ela iria ter seu banho. Assistência foi concedida. Alguém lavou seu cabelo enquanto ela permanecia sentada na cadeira para destinado fim. Ela mesma lavou – repetidas vezes – partes do seu corpo (as mais agredidas, ela, sabiamente, resolveu não esfregar). Alguém ajudou-a a se vestir. A voltar para cama. Mas foi, de novo, Kendra que escovou seu cabelo ainda molhado. Kendra quem lhe assegurou de que tudo ficaria bem.

‘É um longo processo de recuperação,’ ela tinha dito, ‘mas não é impossível. E você vai chegar lá. Você não está sozinha, Maura. Eu, pessoalmente, prometo te ajudar.’

Maura tinha acreditado porque Kendra cumprira todas as promessas desde que tinham se conhecido. E porque, gentilmente, ela escovava seu cabelo. Um ato tão simples que encheu o coração de Maura.

Ela se remexeu no sofá, se sentindo abalada pela lembrança. Seu estômago revirou-se um pouco e ela se sentou. Respirou fundo. Jane se remexeu também, abraçou sua barriga.

‘Ei, tudo bem?’ Olhos escuros e preocupados estudaram ela.

A loira forçou um sorriso. Jane. Doce, gentil e amável Jane. E de pensar que uma vez ela tinha teimado fervorosamente em não ir para casa da morena.

‘É só um incômodo.’ Ela ofereceu.

Jane franziu o cenho. ‘Um pensamento incômodo?’ Ela arriscou, acertando na mosca.

Maura não mentiu – ela não tinha razões para isso – e concordou com a cabeça preguiçosamente.

‘Há algo que eu possa fazer por você?’ A morena ofereceu junto com um sorriso.

Dessa vez Maura sorriu abertamente. ‘Sabe de uma coisa?’ Ela disse e se deitou de novo, dessa vez descansando a cabeça no ombro da morena. ‘Quando você me abraça, me ajuda a combater todos meus medos.’

Os braços de Jane voaram em torno dela, num abraço firme e acolhedor. Um beijo foi plantado em sua cabeça. ‘Eu sirvo como escudo?’ Ela riu baixinho, numa provocação boba.

Maura mexeu a cabeça em não, apertou sua cintura. ‘Serve como coragem.’ Ela disse com toda honestidade que lhe cabia.

‘E eu não vou a lugar nenhum.’ Disse Jane e depois beijou sua cabeça.

Agora, ela sabia que era assim que essa verdade se estruturava.

Mas antes… Oh, antes.

Ela tinha acordado para seu terceiro dia no hospital, e quando Kendra lhe dissera que ela, finalmente, poderia receber alta, era apenas para não ir para a própria casa. Maura ficou realmente confusa. Irritada. Ela choramingou e tentou negociar. Kendra não cedeu. Ela reclamou, barganhou, argumentou. Kendra tinha sido irredutível. Ela disse que precisava saber que Maura ficaria segura, que se alimentaria bem, que teria companhia caso precisasse de ajuda médica, e desde que Maura tinha implorado – mandado – no dia anterior para que não entrassem em contato com seus pais, Kendra tomara a liberdade de organizar tudo por ela.

Maura ainda bateu o pé. Lutou até o último minuto, mas a detetive dessa vez não cederia às suas lágrimas.

‘Você vai ficar sob a proteção de uma detetive que conhecemos e confiamos. É uma das melhores da delegacia.’ Foi tudo o que ela dissera. Na parte da noite ela tinha voltado com uma bolsa e roupas um tanto quanto grandes para Maura. Ela torceu o nariz, chorou de novo, protestou.

Isso não cabe em mim.

Eu tenho roupas na minha casa!

Eu posso cuidar de mim mesma.

Eu sou médica, se lembre.

Não, eu não acho mais seguro morar na casa de alguém que não conheço.

Oh, tinha sido uma luta. Uma que ela perdera. Ela entrou no carro a contragosto, ainda mais pelo fato de que havia Nicole e Frost – que ela aprenderia o nome mais tarde – lá. Pelo que tinha entendido no meio do caminho, as chances de Rizzoli – quem quer que fosse – recolhê-la eram maiores com ele ali.

Ela arfou, protestou. Argumentou que eles nem sequer tinham falado com ela ainda. Kendra retrucou dizendo que a detetive não tinha muita escolha, sendo que agora Maura era seu trabalho.

Maura tinha engolido o choro. Ela odiava a idéia de chorar na frente de pessoas. Odiava o fato de que não tinha tido escolha nisso, de ir para a casa de uma estranha.

Chegar até o apartamento dela tinha sido uma maratona. Apenas Frost e Nicole subiram até o andar da morena. Kendra tinha se despedido lá embaixo, prometendo entrar em contato com ela bem cedo.

Ela se sentia cansada, dolorida, vencida. Caminhando para o desconhecido. Amedrontada. Apavorada.

Uma primeira olhada em Jane, e ela tinha se decidido. Ela não apreciava o comportamento e postura da mulher. Ela parecia forte e mandona, dura demais. Mas Maura não teve escolha senão entrar no apartamento. Ela já nem tinha mais forças para lutar. Agora, sozinha, ela estava mais uma vez desamparada e aterrorizada. Ela pensou em Kendra e na confiança que ela tinha depositado naquela mulher, mas Maura não parecia muito convencida.

Jane se apresentou. Ela achou melhor não fazer contato, mas educadamente disse seu nome também.

A morena não parecia muito comprometida – nem foi surpresa para Maura – mas ofereceu de boa vontade sua cama.

Ela escolheu o sofá. No dia seguinte ela ligaria para Kendra e iria convencê-la de tirá-la de lá, mas naquela noite ela estava tão exausta, que até as roupas do corpo pareciam pesadas. A primeira conversa com Jane tinha sido a mais vaga. Ela respondia automaticamente, rezando internamente para que a morena a deixasse em paz. Ela deixou. O primeiro dia lá, tinha sido tão ruim quanto o segundo no hospital. Medo tomara conta de si de novo. Ela tinha perdido o controle quando Jane a tocara, temendo ser machucada por aquela pessoa que não conhecia. Mais tarde, entretanto, ela começou a entender que Jane era gentil. A morena se preocupara ao ponto de comprar roupas para ela, de cozinhar e se certificar de que ela estava se alimentando bem. Preocupação e gentileza teceram, em Maura, confiança. E com essa base, tudo foi se desenrolando para melhor. Jane não era tão fria e mandona como ela imaginava. Na verdade, ela era bem prestativa e empática. Ela contara seus próprios medos e traumas para que Maura se sentisse melhor. Ela tinha mimado Maura, apresentado-a para sua família. Jane tinha um instinto de proteção que fazia a loira se sentir praticamente blindada. Nada poderia atingi-la enquanto Jane estivesse ao seu lado.

Elas se tornaram amigas. Jane arrancava risadas dela. A segurava em noites difíceis. Mostrava como viver um dia mais leve. Oferecia abraços e a consolava por conta de pesadelos. Foram todos aqueles gestos de amor, puros e inocentes, cola para juntar os seus pedacinhos. Jane tinha montado ela inteira. Parte por parte. Gesto por gesto. Numa demonstração de carinho e humanidade que até então ela não conhecia.

Maura estava se curando rapidamente.

E então toda a admiração e carinho que tinha por Jane se transformara em algo maior. Mais poderoso.

Forte.

E, para sua felicidade, recíproco.

Ela tinha se apaixonado por Jane. Imprevisivelmente como a paixão sempre acontece; num momento que não poderia ser definido, senão, como o pior de sua vida.

Mas fora exatamente aquele amor que a salvara.

Esse amor que agora a tinha nos braços. Ela ergueu a cabeça e sorriu para a morena. Beijou seus lábios.

‘Você, Jane Rizzoli.’

‘Eu o que?’ A outra sorriu um sorriso travesso para ela.

Maura abriu um sorriso imenso para ela. Ela tinha descoberto algo. Ali, bem dentro de si.

‘Você me faz melhor do que pode imaginar.’

Jane sorriu, confusa, para ela. Num movimento calculado e cuidadoso, inverteu suas posições no sofá. Maura agora estava embaixo, o corpo de Jane deitado gentilmente sobre o seu. A morena estudou seu rosto, acariciou sua bochecha.

‘Quer me contar o que se passa nessa sua mente brilhante?’ Ela beijou levemente os lábios da outra, sem pressa.

Maura queria. Queria mesmo. Ela só não sabia se ela conseguia. Se as palavras se formariam em seus lábios. Ela estava com tanto medo que podia sentir seu corpo tremendo sob o de Jane. Ela respirou fundo uma vez. Tentou falar e falhou. De novo.

E resolveu mudar a abordagem.

‘Kendra tem razão.’ Ela começou, apertando as mãos nas costas da morena. Jane inclinou a cabeça para o lado, franziu o cenho, mas continuou escutando em vez de interrompê-la. ‘Vai ficar tudo bem. E eu vou ficar bem.’

‘Maura?’ Jane murmurou, agora carregada de incertezas.

A mulher continuou falando, mas sua voz estava carregada agora. ‘Porque você apareceu e tudo ficou bem. E você disse que vai ficar, e eu sei o que eu preciso fazer, Jane. E se você continuar aqui, eu sei que vou ficar bem.’

‘Maura, querida, do que você tá falando?’ Seus olhos escuros e confusos pediam por esclarecimento.

‘Não é colocar para trás. É colocar um ponto final.’ Ela repetiu as palavras que Kendra um dia tinha lhe dito.

Jane arregalou os olhos. Se sentiu paralisada.

‘Você está dizendo…?’

Ela meneou a cabeça e começou a chorar. ‘Eu preciso, eu quero depor.’ Pronto. Ela finalmente tinha dito. Tarde demais para se arrepender. Tarde demais para dúvidas. Ela fechou os olhos com força e abafou um soluço.

Jane ainda não tinha reagido. Não tinha dito nada, mas quando Maura abriu os olhos de novo, ela desconfiou que aquilo que tinha visto nos cantos dos lábios da detetive, era um sorriso se formando.

‘O que está acontecendo comigo, Jane?’ Ela perguntou enquanto limpava os olhos, um tanto confusa, um tanto incerta. Um tanto maior, aliviada.

Dessa vez, Jane riu baixinho e acariciou seu rosto. ‘Maura, você não vê? Você tá contra-atacando, querida. Lutando por você, de maneira forte e corajosa do jeito que sempre soube que você é.’

‘Você concorda com isso?’ Ela murmurou.

‘Se eu concordo? É claro que sim. Honestamente, eu acho que é a decisão correta, Maura.’

‘Mas você nunca se posicionou.’ Ela devolveu.

‘Porque eu não queria influenciar na tua escolha, Maur. Você precisava decidir por si só. Mas, ei, se lembra? Eu disse que vou estar com você e, querida, eu vou mesmo.’ Ela sorriu carinhosamente e limpou as bochechas da outra com seus dedos. ‘Se acalma.’ Ela disse baixinho, beijando seus lábios com ternura.

A loira respirou fundo diversas vezes, e Jane esperou com paciência, acariciando seu rosto, beijando vez ou outra seus lábios, murmurando palavras de incentivo. Quando finalmente se acalmou, Maura falou de novo.

‘Jane, minhas cicatrizes.’ Ela levou a mão na própria cintura, já que sua barriga estava fora de alcance.

‘O que tem elas?’ A morena perguntou, confusa de novo.

‘Você me disse outra vez que eu tinha que decidir o que elas são.’ Ela esclareceu.

‘Certo.’ Jane disse, um sorriso se estampando no rosto pelo fato de Maura ainda se lembrar disso.

‘Eu quero que elas sejam cicatrizes de guerras vencidas.’ Ela murmurou.

E dessa vez foi Jane quem sentiu a garganta apertar. Seu peito poderia explodir de orgulho agora. ‘Elas já são, meu amor.’ Ela beijou a testa de Maura, a bochecha. Os lábios. ‘Elas já são.’

Notas finais
Vou viajar e ficar um tempo sem postar. Mas eu volto. ♥