ébano

1 Ébano


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Ébano

Brilhando nas sombras

Esvoaçante e louca

Reside uma alma...

Como a música que nunca cessa

Que sempre se repete, e promete,

A alma nunca se apetece.

Como o raiar da Lua frígida

Buscando as palavras frias

No gélido momento de esquecer-se.

A vida é como o bailar de um grito.

Tinindo e relutante, sentindo...

Oh! Essa alma persiste, ainda que errante...

Olhos da cor do topázio

Lábios da cor de um pecado

Cabelos em anéis de Netuno

Tola criança, tolo sentimento angustiante

Menina perdida, solta na avenida

Com o sangue a escorrer de suas feridas..

Os lábios antes, fartavam-se da vida

Os olhos inocentes, nunca compreendiam

Enlouquente e torturantes, simplesmente... Insistiam...

Assim, findou-se sem compreender

Sua existência, sua sina..

Seus passos, mocidade, suas alegrias...

E sem entender ainda paira

Ainda olha o abismo eterno

De tantas... Rebeldias, vilanias..

Ainda que sem entender, procura;

A resposta mesmo que seja tardia...

Assim caminha Raissa...

Assim esmaece... Retorna... Esquece...

Confusa, triste, sozinha...

Menina criança, mulher pequenina...

Que nos braços do abismo, se encerra...

Sem se dar conta dos dias...

Sem se dar conta do fim de sua vida.

Não se esqueça...

Não se perca...

Menina Raissa...

“Poema para minha personagem Raissa Müller – morta numa noite de festa, renascida numa manhã fria... Banida num dia de sombras, enterrada e esquecida num cemitério de quinta....”

Luciene – Luna
2009

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