Único Prazer
8 7º Capítulo
Notas iniciais
Jéssica me olhou pasmada, surpreendida. Entreabriu os lábios várias vezes, antes de pigarrear.
—Namorada? – indagou arrumando a almofada no colo. —Edward chamou você de namorada?
—Bom, não me chamou de namorada. Apenas disse que Rose não podia falar assim com a namorada dele.
—Que no caso é você.
Sorri ao concordar com a cabeça.
—Bella... – soltou com o timbre levemente preocupado. —Está namorando com ele?
Desviei os olhos do espelho a minha frente, abaixei o cabide de madeira branca que sustentava o vestido de cetim e a olhei.
—Não. Estamos apenas... Ficando.
—E Edward sabe disso? Sabe que o que há entre vocês é apenas um caso?
Mordi o canto do lábio, respirei fundo.
—Sabe, bom... Acho que sabe, sei lá.
Dei de ombros.
—Amiga, se ele soubesse, não teria te chamado de namorada. – cruzou os braços. —Não acha que as coisas entre vocês estão ficando sérias?
Arqueei as sobrancelhas, engoli seco.
—Porque está perguntando isso? – devolvi sem entender. —As coisas estão como sempre, não ficaram mais sérias do que eram há dezoito dias atrás!
—Tem certeza? – seus olhos me analisavam. —Você fala dele com uma intensidade que chega a ser palpável. Se pudesse não desgrudava dele...
—Aff, Jéss... – tive de rolar os olhos. —Menos.
—Menos? Aposto que estaria lá no apartamento dele, se sua mãe não tivesse te convocado para o tal almoço.
Aspirei profundamente, voltando a lhe dar as costas. Deixei o vestido em frente ao corpo, e fingi que estava apreciando a peça de cetim azul marinho, para não assumir que Jéssica tinha razão. Mais uma vez.
Ela estava certa. Não tinha a menor vontade de me afastar dele. Pretendia passar todo o domingo ao lado de Edward, contudo, Renée burlara meus planos ao me ligar as sete da manhã para avisar sobre um almoço muito importante que teríamos.
Era mais um negócio de Charlie, mais um encontro chato que fui obrigada a ficar presente e fingir, fazer parte de uma linda família feliz.
Por sorte, aquela tortura não durou muito, visto que a filha do casal de velhos conservadores, estava chegando em Los Angeles e eles queriam recebê-la.
—Bella, você entende o que eu estou dizendo?
A voz de Jéssica me tirou dos devaneios, meneei a cabeça e a olhei pelo grande espelho da parede central do meu closet.
—Edward já está te chamando de namorada e se ele faz isso, é porque te considera assim. – proferiu sabiamente. —Você já está transando com ele há mais de quinze dias!
—E daí? – perguntei pondo o cabelo atrás da orelha. —Jéssica, Edward é uma loucura transando, viciante sabe?
Ela riu, rolou os olhos arrumando o corpo na poltrona rosa clara.
—Eu sei, só que você mesmo disse que só queria sexo casual e não precisava ser, necessariamente, com Edward. Se lembra?
Seus olhos eram acusatórios. Arqueei a cabeça antes de assentir.
—Sim, mas se eu encontrei nele tudo o que eu queria, porque ficar catando um em cada esquina?
Jessica beliscou o lábios inferior por breves segundos.
—Não tem intensões de namorar ele?
Sua pergunta me pegou desprevenida. Parei, ponderando por alguns segundos.
—Edward é um homem incrível. – soltei baixo, deixando o vestido sobre um pufe. —Carinhoso, romântico, cuidador... Ele é o tipo de cara perfeito. Parece até ter saltado de um livro de contos de fada.
Sorri sendo rapidamente retribuída.
—Mas ele é pobre Jéssica. – completei relembrando desse triste fato. —Edward não tem as condições que eu tenho, não pode me dar o que eu quero, o que eu gostaria de ganhar de um homem. Ele não pode me dar o que o Jacob pode!
Jéssica chacoalhou a cabeça deixando visível sua desaprovação.
—Jacob não serve de base! – exclamou arqueando as mãos.
—Se for levar em conta os presentes que ele me deu quando namorávamos, ele serve sim! – apontei, recostando o corpo no manequim ao meu lado. —Sabe, Edward é um cara legal. Um cara maravilhoso, transa super bem, mas eu sei que uma hora o pinto dele vai ficar flácido, assim como o restante daquele corpo maravilhoso e o que vai sobrar?
No fundo eu me sentia mal por estar falando isso. Engoli seco, antes de acompanhar as risadas de Jéssica.
—Prefiro ficar com Jacob, posso não ser feliz, contudo poderei escolher qualquer lugar do mundo para curtir minha fossa!
—Não, Jacob não! – ela gemeu de desgosto. —Já que não tem intensões sérias com o mecânico gostosão, é melhor pular fora, dar um tempo ao menos.
—Tempo?
Eu nem sabia sua ideia direito, mas já não tinha gostado.
—Sim. – concordou suspirando. —Bella, ele te enxerga como namorada, você o enxerga como uma foda boa... Sentiu a diferença?
Mordi o lábio inferior me reservando a apenas assentir com a cabeça.
—Uhum. – concordei de olhos baixos.
—Esse era o plano, não era? Você aproveitaria o máximo e depois pularia fora.
Eu não queria me afastar dele. Não queria acabar com aqueles momentos que tínhamos juntos, não apenas pelo sexo, mas pela ótima companhia.
—É você tem razão. – murmurei por fim, soltando um longo suspiro. —Vou me afastar dele, dar um tempo nas fodas...
—Awn, vadia! Não fique desanimada. – saltando da poltrona, Jéssica correu em minha direção e me puxou para um abraço. —Vamos encontrar alguém, tão bom quanto Edward para você foder!
Eu ri de suas palavras, sem deixar de sentir um desconforto dentro de mim.
—Olhe, vou ligar para as meninas e nós vamos sair hoje! – bateu palminhas animada. —Vamos a uma festa, boate, bar... E vou arrumar um carinha bem gostoso para você!
—Hoje? Mas eu marquei com Edward! – murmurei a Jéssica que já discava no celular.
—Bella, se vai se afastar tem que começar agora. Sabe, de uma vez. Aos poucos é mais difícil.
Puxei o ar pela boca e concordei com a cabeça.
Ela tinha razão.
Engoli a saliva com extrema dificuldade enquanto digitava uma mensagem a Edward, dizendo que não poderia ir à noite para sua casa.
Jantar em família, sabe como é...
Eu menti a ele que caiu direitinho.
Eu sei..rsrs
Está tudo bem... Nos vemos amanhã?
Mordi meus lábios com força, um aperto chato em meu peito me deixava incomodada.
Sim :)
Beijos, Ed.
A palavra escrevendo, apareceu quase que instantaneamente no alto do celular. Esperei aflita por sua resposta, enquanto Jéssica combinava os detalhes da festa de mais tarde, com Ângela.
Bjo princesa.
Eu sempre adorei sair com as garotas. Ângela, Jéssica e Lauren.
Nossas noites sempre rendiam. Bebíamos, dançávamos e no fim, sempre pegávamos algum gatinho, mas dessa vez, foi bem diferente.
Não queria sair, não para a casa noturna em Sunset Strip.
Purple Lounge sempre foi uma das minhas preferidas, contudo eu não me senti nem um pouco à vontade ao som da música eletrônica alta, da multidão na pista de dança e as mãos bobas dos caras a minha volta.
Jéssica que jurara ficar ao meu lado a noite toda, logo se perdera no enrosco de pessoas com Mike.
Lauren também encontrara uma paquera e fizera questão de avisar que estava indo foder. Ângela fora a única que restou, sentada ao meu lado ela tomava mais uma dose da vodca rosa enquanto chacoalhava o corpo ao som da música de Pharrell Williams.
Apoiei o braço no balcão, tive de cerrar os olhos quando as luzes rosadas virem em minha direção.
—Bella?
Ergui a cabeça quando ela me chamou, ou melhor, gritou em meio à música alta.
—O que? – nós duas tivemos de inclinar a cabeça para poder conversar.
—Vamos dançar! – chamou saltando do banco a minha frente. Fiz uma careta a ela, deixando claro que não estava afim. —Por favor, Bella! – pediu segurando minhas mãos. —Só uma música, por favor!
Soltei o ar resignada, antes de concordar com a cabeça.
Peguei a taça com minha bebida e me deixei ser guiada para o centro da pista de dança. Novamente eu me perguntei o que estava fazendo ali.
Era a vez de Avicii animar as pessoas, que ao som de Wake Me Up pulavam feito loucas. Olhei em volta tentando entender o porquê de não estar me divertindo como elas.
Engoli a vodca com dificuldade quando minha mente me alertou, me deu a resposta certeira.
Eu queria estar com Edward, não necessariamente em seu apartamento, poderia ser qualquer lugar.
Eu queria a presença dele, porque mesmo estando no meio de uma multidão, eu me sentia sozinha.
Fechei os olhos e respirei fundo, virei o resto da bebida de uma só vez, tentando ignorar o fato de estar dependente dele.
No fundo, eu já sabia que estava gostando dele, estava cada vez mais envolvida, contudo eu precisava de uma distração.
Entre as luzes do globo eu vi Ângela agarrada a um rapaz magricela. Não contive o riso, esse que logo cessou assim que senti duas mãos em minha cintura.
O toque era frio, impessoal, não me provocava emoção alguma e novamente eu me lembrei de Edward. Me lembrei de como seu toque era envolvente e me causava mil e uma sensações.
Reprimi os pensamentos e me virei, tive de forçar os olhos para ver o cara a minha frente.
Não consegui enxergá-lo direito, mas ele parecia bonito.
Tinha o cabelo bonito, um tom de mel escuro.
Pelo menos era o que parecia.
Ele sorriu antes de grudar minha nuca e me beijar. Eu retribui, engolindo as ânsias que chegavam a minha garganta pelo contato de sua língua áspera contra a minha.
Seu hálito emanava álcool, estava bêbado, era claro isso.
As coisas acontecem muito de pressa. Mais bebidas, mais músicas, mais beijos...
Tudo rodava em minha cabeça com flashes, nada muito claro ou nítido.
Me olhando no espelho eu via como estava um lixo.
Minha cabeça latejava, a maquiagem estava toda borrada e meu lindo e caro, vestido de cetim, virara uma peça amarrotada.
Joguei a bolsa no divã da cama, e só então percebi que uma empregada limpava meu quarto.
O aspirador estava ligado fazendo um barulho infernal.
—Pode por favor, desligar isso? – pedi a ela que logo o fez. —Obrigada.
Ela apenas maneou a cabeça.
—Com licença.
Pegou o aparelho e se preparou para sair da minha suíte.
—Me traz um remédio para dor de cabeça, o mais forte que tiver.
Pedi apertando minhas pálpebras com as pontas dos dedos.
—Claro, trago seu café da manhã também? – me olhava profissionalmente.
—É, pode ser... Estarei no banho.
Avisei antes de caminhar para o banheiro. Coloquei a banheira para encher, retirei o vestido e a lingerie antes de mergulhar nas bolhas aconchegantes da hidromassagem.
Além de uma puta ressaca, não conseguia me lembrar muito bem da noite passada.
Eu tinha bebido demais e sabia que havia transado com o desconhecido, porém nem me recordava se usamos camisinha.
Jéssica ia me pagar. Ah, se ia!
Seu discurso fraco, nunca mais me convenceria.
Eu não deveria ter dado ouvidos a ela. Desde o começo.
Não deveria ter ouvido seus concelhos sobre colecionar orgasmos e curtir a vida. Não deveria ter me aproveitado de Edward e muito menos começar a gostar dele.
Recostei a cabeça no apoio de couro. A dor só se fazia mais constante e o pior era que eu deveria estar na faculdade.
Foda-se.
Minha mente gritou, com o zumbido alto do meu celular.
Olhei em volta encontrando-o sobre a bancada de pedra rosada.
Quem quer que fosse iria esperar, não tinha a mínima intensão de sair da banheira.
—Senhorita, trouxe seu remédio.
Parada na porta a empregada esperava minha permissão para entrar.
—Dá aqui para mim. – pedi a ela que instantaneamente se aproximou, mantendo a bandeja prata em mãos me estendeu o comprimido branco e um copo com água. —Obrigada.
Agradeci acomodando minha cabeça no encosto de couro.
—Seu café da manhã está posto em sua varanda.
—Não estou com fome, deixe apenas um suco. – murmurei de olhos fechados. —Bem gelado.
—Sim senhorita. Deseja mais alguma coisa?
Chacoalhei a cabeça em negativa, ficando fodidamente arrependida pela dor que se intensificou.
—Não, só isso.
Minhas palavras ecoaram dentro do banheiro tamanho o silêncio que se fez após elas.
Eu precisava dormir. O resto do dia de preciso.
Não estava conseguindo raciocinar direito, então após tomar todo o copo de suco de maracujá, me joguei na cama e entre todos os lençóis e travesseiros italianos, eu dormi.
Eram quase três da tarde quando acordei, morrendo de fome e livre de qualquer dor de cabeça ou indisposição.
Um longo banho com sais e óleos indianos, me aliviaram por completo, antecedendo meu almoço, peixe grelhado, arroz branco e salada grega, um suco natural de uma fruta afrodisíaca me satisfez completamente, fazendo-me dispensar a sobremesa.
Recuperada da fatídica noite passada, comecei a me relembrar do que havia ocorrido com o carinha do cabelo cor de mel.
As lembranças ainda não eram muito nítidas, mas era normal visto a quantidade excessiva de vodca que tomei.
Várias e várias taças de bebida serviram como intervalo para os beijos que troquei com o desconhecido antes de sairmos de Purple Lounge.
Não me recordava o lugar, se era um hotel, pensão ou qualquer outra coisa do tipo, só me recordo de o quarto ser de padrão alto e muito bem arrumado.
Nós tranzamos e essa parte eu me recordava com nitidez, porque não senti nada.
Absolutamente nada.
Um manequim teria tido mais prazer do que eu, e o pior fora que minha mente vagou durante todo o tempo, para Edward.
Era com ele que eu queria estar não com aquele desconhecido.
Ficou claro para mim que a noite anterior tinha sido um erro. Um erro dos grandes já que a incerteza de ter usado preservativo ainda rondava minha cabeça.
Precisava ir ao médico. E ver Edward.
A burrada da noite passada serviu para me mostrar que eu não encontraria uma foda tão boa quanto a que Edward me proporcionava, e obviamente, eu não estava disposta a perder isso.
Iria aproveitar ao máximo, tudo o que ele me dava e fazia sentir.
O assunto não parou de me perturbar. Não conseguia manter a concentração em nada.
Nem nas compras.
Geralmente eu sempre comprava as roupas que experimentava, mas dessa vez eu não conseguia gostar de nada.
Frustrada vesti o jumpsuit Valentino de renda, antes de calçar minhas sandálias Louis Vuitton.
Sarah me olhou com tristeza quando lhe devolvi as peças de roupas, que faziam parte da nova coleção de Lanvin.
—Não deseja experimentar mais nada, cher? – Melissa, a gerente da loja, se aproximou desapontada.
Retirei os óculos Persol de dentro da bolsa Gucci, enquanto negava com a cabeça.
Chanel, Dior, Dolce & Gabbana, La Perla, Louis Vuitton, Prada, Valentino, Hugo Boss, Gucci e agora, Lanvin.
Havia ido a dez lojas e a única coisa que comprei foram dois cintos e quatro bolsas, ambos Gucci.
Simplesmente não estava com ânimo para ficar experimentando roupas e isso, é claro, me deixou em alerta.
Tinha algo muito errado acontecendo comigo, porque eu sempre amei comprar. Sempre amei ser paparicada pelas atendentes das lojas, receber atenção e elogios enquanto mudava de uma roupa para outra, contudo agora, aquilo não preenchia o vazio que eu sentia.
Dentro do carro, nem o caminho para casa prendia minha atenção e certamente, se a secretaria da minha ginecologista não fosse me ligar no dia da consulta eu provavelmente não iria, pois já havia esquecido da data e do horário.
Meu celular tocou e aproveitei o sinal vermelho para atender a chamada de Jéssica.
—Finalmente! – ela exclamou exagerada. Rolei os olhos observando os primeiros pingos de chuva molhar o para-brisa do meu carro. —Achei que tivesse sido sequestrada... Atende o celular mais não, é?
—Certamente a culpa seria sua se eu tivesse mesmo sido sequestrada. – murmurei voltando a andar com o carro. —E sim, eu atendo o celular.
Coloquei a ligação no viva-vos deixando o aparelho no banco carona ao meu lado.
—Pelo visto alguém acordou de mal humor... Falta de sexo eu sei que não é, por que Ângela me disse que saiu de Purple Lounge com um carinha, então vamos... Me diga o motivo.
—Não sei se o fato da minha amiga vadia me abandonar no meio da boate, após jurar que teríamos uma noite foda, serve como motivo.... – comecei a falar, contudo ela logo me interrompeu.
—Ah deixe de ser exagerada, eu não abandonei você!
Alegou rindo no final.
—Claro que não... Só me deixou sozinha para ir ficar com o mala do Mike.
—Ângela e Lauren estavam com você.
—Não é a mesma coisa, Jéssica. – aleguei esperando que algumas pessoas atravessassem a rua.
—Ok, ok... Me desculpe! – pediu e então suspirou. —Mas me conte... Como foi a noite?
—Péssima. – proferi fazendo-a rir.
—Ué porquê? O carinha da balada foi tão ruim assim é?
Rolei os olhos novamente, aumentando a velocidade na saída da rua Rodeo Drive.
—Foi péssimo. Meu dedo me dá mais prazer que ele... – sua gargalhada interrompeu minhas palavras. —Mas o pior é que eu não consigo lembrar se usamos camisinha ou não!
—Mentira! – exclamou após um tempo em silêncio. —Bella...
—Eu sei, eu sei... Dei mancada!
Assumi sem esconder meu desgosto por isso.
—Uma enorme mancada! –
—Sim, mas já agendei uma consulta na ginecologista... Enfim, noite trágica o melhor que eu faço é esquecer.
—Concordo. – Jéssica soou pensativa. —Por falar em esquecer, você conseguiu tirar o mecânico gostosão da cabeça?
Mordi os lábios refletindo sua pergunta, não foi a resposta que me deixou em silêncio e sim se eu deveria ou não dizer a ela.
Suspirei profundamente firmando as mãos no volante.
—Percebi que não.
Soltei o ar pela boca parando em mais um sinal vermelho, a chuva estava mais densa.
—Não, na verdade só consigo pensar nele. – assumi resignada.
—Onde você está? Acho que precisamos conversar.
—Fui fazer compras, mais uns minutos e chego em casa.
—Tudo bem, vou estar te esperando vadia. Beijo.
—Outro, gata.
O caminho até em casa levou mais tempo do que eu esperava, tudo por causa do trânsito que enfrentei.
Jéssica já me esperava quando cheguei, sentada na sala de estar ela logo deixou de prestar atenção no celular para se concentrar em mim.
—Edward dominou seus pensamentos então!
Ela estava brincando, pude concluir isso ao olhar sua cara zombeteira.
—Jéssica, dispenso piadinhas. – bufei ainda de olhos fixos no gesso do teto do meu quarto. —Não deveria te dizer isso, só que... – apertei os olhos, respirei fundo.
—Só que?
Me incentivou e mesmo de olhos fechados eu podia sentir que ela me olhava.
—Não consigo me afastar dele. – confessei de uma vez. —Não sei se é carência, dependência...
Abrindo meus olhos eu pude ver Jéssica respirar fundo, mordi os lábios me sentindo incomoda com o silêncio que se propagou entre nós.
—Puts, Bella! – soltou as palavras junto com o ar. —Se apaixonou por ele?
Sua pergunta me deixou com a espinha gelada, engoli seco respirando fundo.
Apoiei as mãos no colchão para poder me sentar.
—Não Jéss, eu não estou apaixonada. Devo estar carente, Edward me trata tão bem que eu acabei me apegando a ele. – passei a mão no cabelo, retirando-o do meu rosto.
—Tem certeza que é só isso? Porque você parece bem envolvida por ele.
—Sim, é só isso. –
Voltamos a ficar em silêncio, este que dessa vez foi breve.
—Então não vai se afastar dele? – seus olhos me encaravam fixos.
—Não, vou continuar a vê-lo. –
Jéssica respirou fundo, a olhei de soslaio percebendo seu semblante mais sério.
—Não acho que isso seja uma boa ideia, Bella.
—Porque? Até ontem você apoiava minhas rodadas de sexo com ele.
Aleguei puxando meus cabelos por cima do ombro.
—Até ontem eu não sabia que a senhorita estava começando a se apaixonar.
Eu bufei alto com suas palavras.
—Eu não estou começando a me apaixonar. – nem eu mesma sentia firmeza em minhas palavras.
—Ok, você não está apaixonada. – voltou a falar arrumando a postura. —Mas gosta dele, não gosta?
Concordei acenando a contragosto.
—Então, acha que vai precisar de muito para se apaixonar?
—Vá direto ao ponto, Jéss. – pedi ignorando sua pergunta.
—Só quero que você perceba que está entrando em um caminho perigoso. – a olhei por baixo dos cílios.
Não queria assumir que ela tinha razão. Sabia que se continuasse a me encontrar com Edward as coisas só iriam se complicar.
Eu poderia sair machucada. Edward poderia sair machucado.
Mas eu estava disposta a pôr um fim naquilo?
Perder, não só, o sexo incrível, como também a companhia de Edward e todo aquele sentimento bom que me dominava quando estávamos juntos.
Eu iria mesmo encerrar aquilo?
Não. Não ia.
—Jéss eu sei me cuidar, ok? – ela estreitou o olhar, claro sinal de que estava duvidando de mim. —Pode ficar tranquila que quando eu sentir que as coisas estão se complicado, eu acabo com isso.
—E as coisas já não estão complicadas? Bella, Edward acha que vocês estão namorando!
Rolei os olhos, com um impulso me levantei da cama arrumando a cintura do jumpsuit em meu corpo.
—E daí? – indaguei dando de ombros.
—E daí que você mesmo disse que não quer nada sério. – Jéssica proferiu antes de respirar fundo.
—Continuo não querendo.
—Mas ele vai acabar te pedindo em namoro. Sabe disso, não sabe?
Mordi o canto do lábio ponderando.
—Sim, eu sei.
Soltei após refletir breves segundos.
—E o que vai fazer? Vai aceitar?
Apoiei as mãos na cintura olhando-a.
—Eu não sei, Jéss! Eu não sei. – ela rolou os olhos, estava pronta para me atacar com outro argumento, quando meu celular tocou. —Vou deixar as coisas rolarem, continuarem como estão...
Proferi abrindo minha bolsa e revirando-a a procura do iPhone.
—Continuo achando uma péssima ideia.
Bufei a ela, desbloqueando a tela do celular.
Haviam várias notificações na tela inicial, chamadas perdidas, mensagens e não escondi meu sorriso ao ver o nome de Edward nelas.
—O que eu digo a Edward sobre ontem?
Indaguei a Jéssica, enquanto abria o whats.
—Você não disse que tinha um jantar em família? – sorri amarelo me relembrando da desculpa. —Diz que comeu algo no jantar e não se sentiu bem.
Ela deu de ombros, voltando a prestar atenção no celular em sua mão.
Sabe que eu já me acostumei com você aqui em casa? rs
Saudades, pequena (:
—Ele que te ligou?
Jéssica questionou, arqueei a mão e com um aceno, pedi que ela esperasse.
—Não. Não foi o Edward.
Constatei triste, indo verificar a lista de chamadas perdidas.
Engoli seco, sentindo meu estômago gelar ao ver o nome no visor.
—Quem foi então? O carinha de ontem?
Apenas chacoalhei a cabeça, negando.
—Não, Jéss. Quem me ligou foi Jacob.
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