Único Prazer
3 2º Capítulo
Notas iniciais
Eu não sabia onde estava com a cabeça, quando deixei Jéssica me arrastar até a tal oficina mecânica.
Talvez, eu não quisesse ficar sem amiga, ir presa, ou responder a qualquer consequência de esganar minha melhor amiga.
Minha manhã tinha sido muito boa, pelo menos a parte que fiquei na lanchonete com Edward. Perdemos duas aulas por conta da nossa conversa, perdi as contas de quantas xícaras eu tinha tomado enquanto o ouvia contar sobre sua faculdade de medicina.
Nossa conversa não fui muito além disso, da nossa faculdade, acho que ele ficou sem graça por conta da minha reação quando me chamou de Patricinha de Beverly Hills, por isso não levou o assunto para algo mais particular.
Mas eu adorei, adorei ouvi-lo contar com tanto orgulho e ênfase, sobre a faculdade escolhida. Como ele gostava do curso e como pretendia seguir na área neurológica.
Ele era incrível, lindo, educado, gostoso e o melhor de tudo, solteiro.
—Aposto que está pensando no desconhecido da lanchonete.
Jéss me olhou, riu e piscou enquanto soltava seu cinto.
Rolei os olhos, abri a porta do carro e me coloquei para fora do veículo.
—Edward, o nome dele é Edward.
Arrumei a bolsa no braço, ela deu de ombros chegando mais perto de mim.
—Já está até defendendo ele.
Sua mão pousou em meu ombro, rolei os olhos novamente e bufei, fazendo-a rir.
É claro que eu contei de Edward para ela, Jéss é a minha melhor amiga e pareceu surtar de felicidade por saber que eu estava partindo para outra... Cama.
—Vem, vamos entrar!
Ela pegou minha mão e então, me puxou para dentro da oficina. A frente era uma loja, as paredes de vidro com metal deixavam os adereços automobilísticos visíveis.
—Legal aqui...
Murmurei pensativa enquanto aguardávamos a atendente chegar.
—Claro que é, achou que eu ia te trazer em um lugar xexelento?
Dei de ombros rindo.
—Olá, bom dia.
A atendente não demorou a chegar. Ela sorria e logo a conheci.
Seus cabelos vermelhos como o fogo, podiam estar presos, mas eu podia reconhecer em qualquer lugar.
Era Victória Delinsky, namorada de James Scott, um dos meus colegas de turma.
—Ah, entendo... vou pedir para um dos meninos pegar o carro.
Chacoalhei a cabeça e percebi que eu tinha perdido uma parte da conversa. Olhei para Jéssica, ela negava com a cabeça.
—Não, pode deixar... nós levamos o carro até os fundos.
Victória pareceu se surpreender, mas nada disse, apenas confirmou com a cabeça.
—Tudo bem, podem levar o carro é só seguir o corredor a esquerda... já vou pedir para um dos meninos ficar esperando vocês...
—Se não importa, nós queremos o ruivo.
Abaixei a cabeça e não prendi o riso, Jéssica e sua sutilidade.
—Ah, ok. – Victória também riu. —Podem ir que eu irei mandar ele esperar por vocês.
Jéssica piscou a ela, que sorrindo pegou o telefone e começou a conversar com alguém. Em silencio, seguimos para fora da loja.
—Você não tem jeito.
Comentei rindo, dando a partida no carro logo adentrei pelo corredor a esquerda.
Ele era longo, largo, as paredes de blocos bem feitos e o chão de cimento queimado.
—O que eu fiz? Apenas disse o que eu queria.
Ela deu de ombros.
—Simples e direta.
Parei o carro em frente ao portão de ferro cinza, eles estavam abertos e eu podia ouvir muito bem as vozes graves se misturarem dentro da oficina.
Jéssica praticamente saltou para fora do carro, mas antes de se afastar, tratou de arrumar os cabelos no retrovisor.
Rolei os olhos colocando os óculos escuros sobre minha cabeça, tive de me apressar para alcançá-la, pois como se ela fosse de casa foi entrando na oficina.
Eu esperava um lugar mal iluminado, com odor forte de graxa e paredes sujas, mas eu me enganei completamente.
O cimento queimado continuava por todo o galpão, que era surpreendentemente maior do que eu esperava.
As paredes eram chapiscadas e o tom de cinza da tinta era bastante masculino. Prateleiras de madeira branca, praticamente contornavam o galpão.
Do lado esquerdo havia uma fila, que parecia interminável, de carros suspensos nos elevadores, enquanto do lado oposto, vários veículos estavam estacionados.
Deixar de reparar na decoração não foi difícil e logo passei a encarar os mecânicos que trabalhavam concentrados a nossa frente.
Eu conseguia ver apenas três com clareza, e não me decepcionei. Eles eram fortes e o macacão apertado valorizava ainda mais os corpos atléticos.
—E então... qual deles é o mecânico gostosão?
Abaixei a voz, apontei discretamente com a cabeça para os homens a minha frente. Jéssica suspirou, negou com um aceno e só então percebi que ela olhava em direção diferente a minha.
—Aquele.
Sua voz se derreteu, virei o rosto e procurei encontrar a figura que ela admirava.
Meu corpo gelou e fiquei estática livre de qualquer movimento, quando vi o homem se aproximar.
O tom cobre do cabelo logo me informou.
Era ele, sim, só podia ser Edward!
Nunca, em toda minha vida, tinha visto um tom de cabelo tão único e encontrar duas pessoas no mesmo dia com aquela coloração é praticamente impossível.
Mordi meus lábios para esconder o sorriso, como o mundo é pequeno!
Ele caminhava em nossa direção com passos firmes, o corpo grande e forte, estava coberto pelo mesmo macacão preto e cinza dos outros, contudo nele ficava ainda melhor.
Sua mão grande subiu para seus cabelos do mesmo modo como ele fizera de manhã quando estava comigo, e quando ele ergueu a cabeça eu pude ver seus olhos incríveis de novo.
—Me diz se ele não é gostoso.
Jéssica disfarçou ao murmurar quando Edward sorriu torto, mal dei importância para suas palavras, eu sabia que ele tinha me reconhecido.
—Olha só se não é a patricinha de Beverly Hills. – Ele apontou e piscou para mim.
Não segurei o riso, arqueei as mãos e me deixei ser acusada, dessa vez o apelido não me incomodara.
—Acho que Los Angeles é menor do que eu imaginava.
Ele riu com minhas palavras, o som de sua risada provocou um frio diferente no fundo do meu estomago.
—Olá, Jéssica! – Sua voz saiu simpática ao cumprimentar Jéss que estava boquiaberta.
—Vocês se conhecem? – Ela perguntou confusa, deixando de lado o cumprimento dele.
Ignorando a sensação diferente, tive de desviar os olhos de Edward.
— Nos conhecemos hoje de manhã. – Os olhos dela brilharam com intensidade. —O moço que me ajudou, lembra?
Ela parecia a ponto de surtar quando se virou para Edward e eu temi que ela falasse alguma besteira.
—Coincidências da vida, não é? – Ela tacou o cabelo para trás e me lançou um olhar eufórico.
—Sim. – Infiltrando a mão no cabelo, Edward concordou. —Mas então, onde está o carro?
Jéssica gesticulou com a mão apontando para meu Porsche, Edward já sabia qual era seu problema e alegando não ser nada complicado foi buscar a maleta de ferramentas.
—Como assim o seu desconhecido é o meu mecânico?
Ela se virou para mim, sua voz estava surpresa mais animada. Sorri mordendo meu lábio inferior.
— Coincidências da vida, não é? – Ela bufou quando usei suas palavras. —Eu te disse que ele era gostoso.
—Opa, opa, opa! – Jéssica arqueou as mãos. —Eu venho te falando dele há mais de uma semana, nem vem!
Rolei os olhos, arrumei os óculos sobre minha cabeça dando de ombros.
—Foda-se. – Falei a olhando de soslaio. —O importante é que ele é um gostoso do caralho e logo eu o me apossarei daquele corpo maravilhoso. – Falei mais baixo para que ninguém além de Jéssica, ouvisse.
Ela gargalhou, passou o braço por meu ombro e sorriu orgulhosa.
—Imagina a pegada que ele tem? Deve ser forte para cacete. – Tive de respirar fundo, meu corpo já começava a se aquecer. —Transar de quatro com ele deve ser uma delícia...
—Jéssica. – Pedi com a voz chorosa. —Faz semanas que eu não tenho uma foda boa, pode parar de me atiçar? Ou eu vou acabar agarrando-o aqui mesmo...
Ela riu e se calou, mas já era tarde. Suas palavras já ecoavam em minha cabeça e eu conseguia vislumbrar com perfeição aquele momento quente e certamente delicioso com Edward me fodendo de quatro.
Tive de me controlar quando Edward regressou com sua maleta de ferramentas, seu modo profissional e sério me deixava ainda mais afim dele.
Ele nos deu as costas e eu agradeci imensamente por isso, pois pude contemplar ao lado de Jéssica, a forma arredondada de sua bunda.
O macacão ficava mais justo nele deixando assim, aquelas partes deliciosas mais a mostra.
—Pode ver se está funcionando?
Edward arrumou o corpo e se virou, meio sem jeito eu pigarreei enquanto Jéssica também tentava disfarçar o olhar.
Passei por ele, minha mão tocou a sua por segundos e o mero roçar deixou minha pele ardendo.
Abri a porta do carro, me sentei e assim que apertei o botão o capô se curvou por cima do carro.
—Parece que está tudo certo...
Edward disse e inclinou para analisar as travas frontais do capô, com isso ganhei uma bela vista de seu corpo.
Jéssica mais uma vez tinha razão!
Ele era dono de um grande volume entre as pernas....
Mordi meus lábios, a curiosidade me corroía por dentro.... Seu pau não podia ser pequeno. Um pênis pequeno não criaria um volume tão grande!
—É está tudo certo.
Praguejei mentalmente quanto ele se afastou.
Eu não queria que ele se afastasse, que dissesse que já estava tudo pronto e então teria que ir embora... Mas foi exatamente o que aconteceu, ele sorriu ao me dizer que o capô estava concertado e eu não tive mais nenhuma desculpa para permanecer ali, só me restou ir embora com Jéssica.
—Sério Bella, você deu muita mancada... devia ter convidado o gato para sair!
Rolei os olhos enquanto esperava o sinal vermelho abrir, eu já estava com vontade de me socar e ouvir suas acusatórias não estava ajudando.
—Eu sei Jéssica! – Meu timbre saiu cansado e arrependido. —Mas e se ele não aceitasse? Eu o conheço a poucas horas...
—E daí que você o conhece a poucas horas? Você vai transar, não fazer a biografia dele.
Puxei meu lábio inferior em uma mordida fraca, o gosto de cereja, desceu por minha garganta.
—Merda... você tem razão.
Não queria admitir, mas o que eu poderia fazer? Jéssica estava redundantemente certa.
—É claro que eu tenho. – Ela não deixou de se gabar. —Mas não se preocupe, sua melhor amiga é incrível e sabendo da sua limitação mental, ela agiu por você.
—Como assim agiu por mim?
Perguntei voltando a acelerar o carro na avenida, finalmente dobrei a esquerda e ali estava. A linda e perfeita, Rodeo Drive.
—Pedi o número do Edward para Victória.
A olhei boquiaberta, Jéssica apenas deu de ombros.
—Você não fez isso! – Minha voz saiu risonha, eu só podia rir da cara de pau dela.
—É claro que eu fiz! – Afirmou resoluta.
—Jéss, você é impossível! – Ressaltei, com calma estacionei o carro em frente à loja Chanel.
—Eu sei! – Ela exclamou rindo, mas seu riso não durou muito. —Chanel de novo? Queria ir no Valentino.
—Michele me ligou, disse que a coleção da Paris Fashion Week chegou e você sabe, eu amo essa marca!
Ela rolou os olhos, mas não disse nada, apenas desceu do carro e seguiu comigo para dentro da loja.
Comprar era a melhor coisa do mundo! Eu amava!
Amava pegar um vestido, experimentar e mandar empacotar. Amava chegar em casa com o carro cheio de sacolas das lojas mais caras de Los Angeles, mandar as empregadas guardarem as peças e ouvir elas dizendo:
Não tem mais espaço, senhorita!
Era maravilhoso! Isso me preenchia, me animava e meu mundo ficava melhor... pelo menos, por um tempo.
—E o traste do Jacob, ele não ligou mais?
Enquanto esperava a atendente passar o cartão de crédito, encarei Jéssica.
—Não. – Murmurei cansada, ela soltou um suspiro de alívio.
—Espero que dessa vez o termino de vocês seja definitivo.
Rolei os olhos e preferi não aprofundar o assunto. Sempre discutíamos com isso.
Ela nunca gostou de Jacob, durante os meus seis meses de namoro ela sempre o criticou e sua raiva por ele só aumentou depois que ele me traiu. Três vezes.
Saímos da Jimmy Choo rodeada pelos carregadores, eram quatro, cada um com cinco sacolas de compras, essas que foram postas ao lado das outras que já estavam dentro do carro.
Acelerei o carro pela N Beverly Dr, enquanto Jéssica mexia no som do carro a procura de alguma música.
Ariana Grande fora a sua escolhida, sendo seguida por Rihanna e Maroon Five.
Parei o carro em frente à sua casa, ela abaixou o volume do rádio e pegou meu IPhone de cima do apoio.
—O que está fazendo?
Indaguei observando-a desbloquear o aparelho e começar a fuçar.
—Salvando o número do mecânico gostosão. – Ele murmurou os olhos fixos na tela fina.
Mordi os lábios, não podia negar, eu estava ansiosa... queria falar com ele, queria muito.
—Tome amiga.
—Salvou? – Ela assentiu, se inclinou e beijou minha bochecha. —As minhas são as da direita, não é? – Olhando para o mar de sacolas, Jéssica parecia perdia.
—Isso. – Concordei sem dar muita importância, enquanto ela recolhia suas compras desbloqueei meu celular e fui verificar o contato adicionado. —Jéssica! – Minha voz alta a sobressaltou.
Colocou a mão no peito e me olhou assustada.
—O que foi?
—Sua vadia, você mandou uma mensagem para ele? – Eu estava nervosa, ansiosa e queria cobrir a minha melhor amiga de socos.
—Que mensagem? – Se fazendo de desentendida, ela apenas me irritava mais.
—Oi, aqui é a Bella! Peguei seu número com Victória, espero que não se importe. – Olhei para o celular para poder ler as palavras enviadas pelo whatsapp.
Ela gargalhou e arrumando as sacolas nos braços, deu de ombros.
—Só estou te ajudando amiga. – Me lançou uma piscadela e se afastou uns passos. —Nos falamos mais tarde, vadia! –
Cobri o rosto com a mão, soltei o ar pela boca e tentei me acalmar.
Pelo menos ela não tinha mandado nada demais para ele.
Desliguei o celular e tentei ignorá-lo.
Como sempre, cheguei em casa e nem Charlie ou Renée estavam.
Eram menos de cinco da tarde de uma sexta-feira que só ficava mais tediosa. Eu não tinha nada para fazer, ninguém para conversar e não vou negar, isso era horrível.
Saí do banheiro, meu corpo envolto pelo roupão rosa claro enquanto eu secava meus cabelos com a toalha macia.
Os sais de banho importados ainda exalavam seu cheiro, me deixando relaxada.
Nada melhor que um banho de banheira!
Joguei a toalha na poltrona egg ao lado, na minha pequena sala de estar, antes de caminhar até a cama.
Meu lanche da tarde já esperava por mim, posto perfeitamente sobre a bandeja prata reluzente que se destacava nos pés da minha cama.
Peguei o celular de cima do criado vitoriano branco, sentei sobre as almofadas decorativas e os rolinhos de pelúcia, minhas pernas se esticaram no colhão macio.
Tomei um pouco do suco enquanto aguardava o iPhone ligar, meu coração estava acelerado e eu mal podia esperar para ver se Edward havia me respondido.
O sorriso que se abriu em meus lábios, fora tão grande quanto o do Coringa, quando vi que ele tinha me mandado duas mensagens.
Ah, tudo bem linda :)
Meu peito inflou com um misto de sentimentos.
Linda, caralho ele me chamou de linda!
Não que eu me achasse feia ou algo do tipo, mas porra, se ele me chamou de linda significava que ele me achava linda e isso era um passo muito grande!
Tudo certo com o carro?
Sua segunda mensagem fora neutra, profissional até.
Deixei o copo sobre a cama e sem me importar com o risco de ele cair e o suco de uva manchar os lençóis fodidamente caros, eu comecei a pensar em como responde-lo.
Responder apenas um “tudo certo” seria muito arriscado, pois Edward poderia não puxar mais assunto e eu não queria passar por insistente.
Mordi meu lábio inferior, dessa vez, minha boca estava livre de qualquer cosmético, assim como minha face.
Caralho... eu podia ser direta e chama-lo de uma vez para sair, ou podia ir jogando verde...
Ergui os olhos, parei um minuto e comecei a refletir as duas opções.
Ser direta era arriscado, afinal, nos conhecemos de manhã e a chance de ele me rejeitar era grande.
Se bem que Edward tinha me chamado de linda, quando a ausência do adjetivo ali não faria menor falta.
Gramaticalmente falando, é claro.
Se eu fosse logo para o ataque, eu o teria mais rápido também e sim eu tinha muita pressa!
Por outro lado, se eu fosse jogando verde nós certamente iriamos conversar mais, pegar mais intimidade e assim, eu teria mais certeza de sua resposta.
Mas esse joguinho poderia durar a semana, talvez até o resto do mês.
Soltei o ar pela boca só de imaginar a frustração de ter que esperar tanto tempo para transar com ele.
Não, não.... Era melhor correr o risco!
Tive de desbloquear o celular, minhas reflexões levaram mais de trinta segundos e com isso, ele automaticamente se bloqueou.
Ativei o comando de voz e rapidamente murmurei a mensagem que queria.
Tudo certo com o carro, eu estava pensando... tem planos para essa noite?
Olhei para meu celular e sorri. A mensagem foi ótima, simples e objetiva.
Bebericando meu suco, fiquei em uma espera quase que agoniante quando Edward começou a digitar a resposta.
Depende... está me chamando para sair?
Soltei o ar pela boca, deixei o copo sobre a cama e após muito refletir mandei a mensagem.
Depende... você aceitaria?
Ele logo me mandou um emoticon sorrindo, mas não era qualquer sorriso. Era aquele sorrisinho safado, torto, que deixava claro uma segunda intenção.
Aceitaria.
A palavra única me fez rir de entusiasmo, meu corpo sacolejou na cama e então o copo virou.
Bufei vendo o liquido roxo se espalhar e penetrar nos tecidos franceses.
—Caralho!
Praguejei caminhando até o divã, me sentei no veludo e voltei a prestar atenção na minha conversa com Edward.
Te busco as dez, pode ser?
Mordi o lábio inferior com uma enorme vontade de fazer a dancinha da vitória.
A vida era tão boa... Sempre conseguia o que eu queria, e com Edward não era diferente!
Acho que isso funciona ao contrário... :P
Sua primeira mensagem não demorou a chegar. Deixei o riso escapar por mim e comecei a digitar a resposta, essa que foi apagada quando Edward voltou a falar.
Eu te busco as dez.
Rolei os olhos, mesmo estando temerosa ao tipo de automóvel que ele viria, resolvi não contestar.
Ok, estarei esperando você.
Minha segunda mensagem foi contendo meu endereço, ele visualizou, mas não me deu mais respostas.
É claro que eu queria conversar mais com ele, contudo eu precisava urgentemente falar com Jéssica.
Obviamente, eu ainda tinha muito tempo para me arrumar, mas eu não fazia a menor ideia do que vestir, porque eu também não fazia a menor ideia de onde iríamos.
Apertei os olhos ouvindo seu grito histérico, mesmo ela não estando a minha frente, tinha certeza que Jéssica estava saltitando em seu quarto.
—Sua vagabunda! – Seu tom era extremamente eufórico. —Você vai ter que me agradecer o resto da sua vida, viu?
Bufei alto, mantive minha atenção nas minhas roupas postas no closet. A maioria ali era inédita, eu nunca tinha usado, contudo parecia que eu não tinha da de novo.
Nada de especial.
—Jéss, eu nem transei ainda, menos por favor.
Pedi retirando um short hot pants preto, o olhei, o pano tinha alguns brilhos e eu gostei disso.
Me inclinei deixando a peça sobre o pufe em formato de boca, ao meu lado.
—Ainda, disse bem, ainda. – Jéssica fez questão de frisar as palavras. —Mas amanhã, quando acordar toda dolorida e se lembrar da deliciosa foda que teve, é a mim que terá de agradecer.
—Vamos falar sério. – Pedi pegando o iPhone onde a chamada no viva-vos já durava a quase uma hora. —Não tenho ideia do que vestir.
—Onde vocês vão?
Com o timbre mais sério, Jéssica perguntou. Suspirei, mordi meu lábio inferior caminhando em frente aos grandes armários.
—Já te contei que não falamos sobre isso.
Rolando os olhos, estiquei os braços para pega o cropped branco de renda.
—Ah, amiga, coloque algo que seja fácil de tirar. – Eu podia apostar que ela estava dando de ombros. Bufei, Jéssica riu alto. —Vista algo provocante, que não seja vulgar...
—Estava pensando em pôr um short hot pants, talvez um cropped...
—Acho que um body ficaria melhor. – Soou pensativa. —Ah, lembra aquele body da Dolce e Gabbana que compramos no desfile em Londres?
—O da semana retrasada?
Indago me dirigindo ao local onde as empregadas haviam guardado a peça.
—Sim, ele mesmo.... Coloque o hot pants, o body e o Kerfield Jimmy Choo que comprou hoje, vai ficar perfeito!
—Vadia, eu amo você!
Minha voz saiu animada, continuei olhando para as peças que se combinavam perfeitamente.
O body branco ombro a ombro com detalhe de tule e renda preta, era perfeito para ser usado a noite com meus belos e caros ankle boots.
—Ama o caralho, amanhã eu vou querer saber tudinho... Detalhe por detalhe.
Eu ri deixando o iPhone sobre o sofá rosado, peguei as peças e encaminhei para frente do espelho.
Sorri orgulhosa, ia ficar perfeito.
—Espero ouvir você reclamar durante uma semana sobre sua caixa dos prazeres estar assada e dolorida...
Minha gargalhada interrompeu suas palavras.
—Caixa dos prazeres? Que porra é essa agora?
—Caixa dos prazeres, canal do parto, vagina, buceta.... Tanto faz! – Jéss bufou e eu voltei a rir alto.
Jéssica era a melhor, sem mais, sem menos. Ela sempre me matava de rir com seu jeito depravado e louco.
Éramos amigas desde o jardim de infância, tinha menos de seis anos quando a conheci e seu jeito mimado combinou perfeitamente com o meu.
Nossa conversa durou firmemente pelas horas que se passaram, mesmo não estando comigo, ela me ajudara na escolha da maquiagem e do cabelo.
Não fiz nada muito chamativo, apenas esfumacei meus olhos com a sombra e o delineador preto, deixando toda a atenção para minha boca contornada pelo batom vermelho intenso.
Meus cabelos estavam despojados, com um ar revolto e segundo Jéssica, bastante sexy.
Eram cinco para as dez e eu estava pronta, pronta e bastante nervosa.
Tirei a chamada do viva-vos enquanto saia do quarto, eu estava realmente em dúvida e a ansiedade não ajudava em nada.
—Olhe, você deve mostrar interesse, sem parecer estar desesperada. O provoque, com toques sutis, nada muito atrevido.... Você tem que usar o atrevimento na hora que forem transar.
—Ok.
Soltei baixo, descendo os degraus da grande escada, a casa estava absurdamente silenciosa.
Meu celular vibrou em meio a ligação e o assobio conhecido, me informou que tinha uma nova mensagem no whats.
—Só um minuto.
Pedi a Jéssica, parando no último degrau da escada abri o whatsapp. Minha boca se curvou em um sorriso ao ver que era Edward avisando que já estava me esperando.
—Jéss, ele chegou.... Tenho que desligar.
—Ok, amiga, vai lá... – ela soltou um gritinho animado. —Me deixe orgulhosa, hein? Esfole essa buceta no pau dele. Arrasa sua puta!
Não prendi o riso, com passos firmes parei em frente a porta.
—Conversamos amanhã, sua maluca. Boa noite!
—Boa foda.
Ela desejou, voltei a rir e então deliguei a ligação.
Respirando fundo eu tratei de me acalmar, estava sim bastante nervosa.
Vai dar tudo certo, vai ser muito prazeroso!
Mentalizei, abrindo um sorriso confiante nos lábios, girei a maçaneta da porta e sai de casa.
Fale com o autor