Único Prazer
20 19º Capítulo
Notas iniciais
Eu sentia meu corpo flutuar tamanha a felicidade que eu sentia. Parecia um sonho de tão incrível.
Edward me amava. Ele me amava.
Quando ele me puxou, me pegou no colo e desceu até o único quarto da lancha, eu não esperava que algo tão surreal fosse acontecer.
Sexo com ele era a melhor coisa do mundo, eu não pensava que podia ficar mais gostoso e graças aos céus, eu estava enganada.
Cada toque, cada beijo, cada investida, fora diferente naquela tarde, eu sabia bem o porquê. Houve muito mais que prazer ou luxuria, houve amor.
Meus dedos subiam e desciam preguiçosamente pelo braço forte que estava enlaçado em minha cintura. Eu suspirei contente quando ele me puxou para mais perto, me apertando ainda mais em seu abraço.
Edward deixou beijos por meu pescoço arrepiando minha pele, seus lábios eram como faíscas. Deixavam o lugar que tocavam, queimando.
—Queria poder parar o tempo. – sussurrei pegando sua mão, passando meus dedos entre os seus em um entrelaço perfeito. —Ficar aqui, assim com você, para sempre.
Senti seu sorriso nascer contra minha pele, virando o rosto eu o olhei por sobre o ombro. Seus olhos transmitiam tanto amor, carinho, que eu chegava a me emocionar.
—Podemos ficar assim em Los Angeles também. – murmurou baixo, deixando leves beijinhos em meu rosto.
Eu ri de suas palavras, respirando fundo e querendo concordar. Mas eu não podia, sabia que não.
—Vai ser diferente quando voltarmos...
Soltei baixo afagando as costas da sua mão com meus dedos.
—Por causa da nossa rotina? – ele inclinou a cabeça para me olhar. Mordendo o lábio inferior, permaneci calada. —Amor, estamos juntos há quase um mês e mesmo com toda correria, nós conseguimos ficar bem.
—Eu sei, eu sei. – proferi erguendo nossas mãos entrelaçadas para poder beijar seus dedos. —Mas tem outras coisas além disso....
—Que coisas? – sua voz ficou levemente curiosa. —Rosalie?
Eu ri baixo, querendo que Rosalie fosse meu maior problema.
—Não.... Quero dizer, sim.
Era melhor confirmar, evitar perguntas que me levariam a pensamentos ruins que só fariam por estragar nosso momento.
Estávamos por um fio e eu queria poder aproveitar a estabilidade que ainda tínhamos.
—Já te disse que somos apenas amigos.
—Já te disse que ela é apaixonada por você!
Porque será que Edward não era capaz de enxergar aquilo? Uma espinha na testa seria mais sutil do que o sentimento que Rosalie nutria por ele.
—Não acho que ela goste de mim. – ele cerrou as sobrancelhas, rolei os olhos. —Ela nunca disse nada, nem demonstrou.... Acho que você está enganada.
Tornei a rolar os olhos, recebendo seu beijo rápido em meus lábios.
—Ela nunca demonstrou nem disse, porque sabe que você não a retribui. – falei com uma calma inexistente. —E não, eu não estou enganada. – o olhei antes de respirar fundo. —É nítido que ela gosta de você.
—É nítido que eu não quero nada com ela, além de amizade.
Ele foi rápido e eficiente em responder. Isso eu não podia contestar, Edward nunca demonstrou nada mais que amizade por Rosalie, o que me deixava mais tranquila nesse quesito.
—Hm, eu sei disso. – soltando sua mão, eu arrumei o lençol em frente ao meu corpo, antes de virar na cama, ficando sentada a sua frente. —Só não sei se ela sabe...
Edward rolou os olhos, se inclinou esticando os braços e me puxou pela cintura, me deitando no meio da cama.
—Importa se ela sabe ou não? – deitou sobre mim, retirando o cabelo do meu rosto. —Quem tem que saber é você. – fez um rápida pausa para beijar minha boca. —Saber que a única mulher que eu quero e que eu amo, é você.
Como conter o sorriso quando se ouve algo assim?
Nem se eu quisesse, nem se meus lábios estivessem colados ou grampeados.
Passei meus braços por seu pescoço e o puxei para poder beijá-lo.
A vontade de poder parar o tempo me dominou novamente. E mais uma vez, eu quis que Rosalie fosse nosso único problema.
Quando saímos da lancha, o céu estava escuro e já começava a chover. O vento forte causava um zumbido chato, incomodo e meio assustador.
Alice e Emmet —que se amaçavam no sofá—, seguiram para a cabine do piloto e conduziram a lancha de volta à casa de barcos.
Depois que tomei banho, desci para o primeiro piso, onde Carlisle e Esme, estavam com Emmet e Edward.
Segundo eles, Pearl havia ficado na casa de Ellen para passar o domingo com eles.
O jantar fora pizza, tacos e Coca-Cola e assim que terminamos de comer, veio a melhor parte da noite: Decorar a casa.
Finalmente compreendi o que aquilo significava, segundo as tradições da família, o primeiro sábado pós-ação-de-graças, era o dia para enfeitar a casa para o natal.
Nunca imaginei que algo como aquilo pudesse ser tão divertido. Colocamos luzes de pisca, guirlandas, presépios e claro, a árvore de natal.
A maioria dos enfeites era de porcelana ou cristal, todos importados da Austrália e verdadeiramente lindos.
Alice se ergueu e colocou a estrela na ponta da árvore, Edward acendeu as luzes de pisca-pisca e Carlisle estourou a garrafa de champanhe, enquanto Esme segurava as taças.
Olhando para eles, eu percebi que cada um tinha seu papel e juntos, eles se completavam.
Era bonito de ver a união que os rodeava. Eles eram uma família de verdade.
Naquela noite, eu não consegui dormir. O barulho da forte tempestade do lado de fora, só serviu como trilha sonora para o meu choro.
Eu não queria ter que ir embora, queria que aquele fim de semana não terminasse, mas, infelizmente, ele acabou e nós precisamos voltar para Los Angeles. Para a vida real.
Assim que desembarcamos no LAX, a inquietação e ansiedade tomaram conta de mim. Mentalmente eu tentava me organizar, pensando em um modo estratégico para poder contar tudo a ele.
A ideia já me tirava o chão.
Respirando fundo, eu tentei me acalmar dentro do taxi. Não seria bom contar a ele agora, eu ia precisar de um tempo, ia precisar colocar todos aqueles sentimentos em ordem, conversar com Jéssica e então, lhe dizer tudo.
Sabia que Edward iria querer —no mínimo— distancia de mim. Eu entendia isso, só não sabia estava pronta ou preparada, para aceitar.
O carro parou, tive de manear a cabeça várias vezes até reparar que havíamos chegado em minha casa.
Fiz força para prender o riso irônico.
Casa? Eu podia chamar aquele lugar de casa?
—Tem certeza que não quer ir para meu apartamento?
Edward questionou enquanto descia minhas duas malas, pelo canto dos olhos eu vi duas empregadas —que eu não fazia ideia de como se chamavam— caminhar até nós.
—Nós precisamos descansar. – aquela era uma boa desculpa. —E isso não vai acontecer, caso eu vá com você.
Edward sorriu coçando a nuca em uma concordância muda.
—Podemos levar suas malas, senhorita? – uma das moças me perguntou, eu apenas chacoalhei a cabeça, sorrindo a ela.
—Te ligo mais tarde. – prometi a Edward antes de segurar seu rosto e lhe beijar. Eu quis e tentei por toda a intensidade do que eu sentia por ele naquele beijo, mesmo sabendo ser quase impossível.
Meu amor por ele era grande demais para caber em um beijo.
Eu tomei folego quando nos afastamos, meus braços rodearam seu pescoço e então eu o abracei. Forte, apertado.
—Eu te amo.
Minha voz sussurrada conseguiu disfarçar o choro que queria explodir para fora de mim.
—Eu também te amo princesa. – sua voz doce, seu beijo carinhoso em minha testa, só me deram mais vontade de chorar.
Eu não queria me afastar, mas me afastei. Não queria deixa-lo ir embora, mas deixei. Não queria ter de contar a verdade, mas iria.
Edward era a coisa mais bonita e real que acontecera em minha vida, ele me ensinara a ver a vida de outra forma, me proporcionara um amor quase que irreal, sendo a pessoa mais especial que eu já havia conhecido em toda a minha vida, no entanto, eu não soube aproveitar nada daquilo.
Tinha sido uma vadia escrota com ele e merecia arcar com cada consequência que aquela noite trágica me traria.
Como eu já esperava a casa estava no mais imaculado silencio, nem Charlie ou Renée estavam em casa.
Meu quarto estava arrumado, tudo em ordem.
Bem diferente de tudo o que acontecia dentro de mim. Eu me sentia perdida em meio ao medo, ansiedade, aflição.... Meus pensamentos estavam uma desordem.
Soltando o ar pela boca, sentei no divã aos pés da cama. Minhas mãos cobriram meu rosto e então eu cedi, talvez por cansaço, ao choro que eu tanto havia segurado.
Aquilo foi bom, conseguiu me aliviar um pouco, entretanto do que ia adiantar chorar?
—Então além de bonitos, os pais do mecânico gostosão são ricos! Caralho, conte mais amiga...
Jéssica estava tão animada, me olhava com grande expectativa enquanto fazia a poltrona girar de um lado para o outro.
Respirando fundo, eu arrumei a postura me recostando na cabeceira da cama. Ela havia chegado pouco tempo depois de mim e ter sua presença ali, era tudo o que eu precisava.
—Já te contei tudo, Jéss. – rolou os olhos. —Ok, o que quer saber?
—Como eles te trataram lá?
—Bem, muito bem alias. – proferi em meio a um suspiro. —Foram muito hospitaleiros.
—Isabela Swan, você é tão sortuda... Por Deus! – exclamou tacando o cabelo para o lado.
Meu riso saiu tão amargo, tão sem vida, que até me assustou.
—Só não soube aproveitar toda essa sorte.
Nós duas respiramos fundo, eu sabia que com contextos diferentes.
—Bella, pare de se martirizar, ok?
Abaixei os olhos para minhas mãos.
—Você errou, mas poxa, está arrependida. – eu bufei rolando os olhos.
—Ficar arrependida não muda as coisas Jéssica. – atestei olhando-a rapidamente. —Não muda o fato de que Edward vai me odiar quando eu contar tudo a ele.
Ela mordeu a boca, ficando breves segundos em silencio.
—Vai contar mesmo? – sentindo meus olhos arderem, apenas concordei com a cabeça. —Acha que isso é o melhor? Tem certeza?
Tomando folego pela boca, eu reprimi o soluço que queria sair por minha garganta. Não era hora de chorar.
—Não tenho certeza, nem sei se é o melhor, mas é o certo. – Jéssica me fitava atenta. —Eu já errei tanto com Edward, preciso fazer o certo dessa vez.
—Você sabe que ele pode...
—Terminar comigo? Nunca mais querer me ver? – perguntei a interrompendo. —Eu sei. – soltei o ar pesarosamente. —Só que ainda tenho esperança que ele me perdoe, Edward disse que perdoaria.
Jéssica entortou os lábios, se levantou da poltrona e veio se sentar ao meu lado. Seu braço passou por meu ombro, recostei minha cabeça em seu colo.
As lágrimas venceram mais uma batalha, caindo silenciosamente por meus olhos.
—Quando vai dizer a ele? – perguntou baixo, afagando meus cabelos.
—Amanhã. – meu timbre falhou por causa do choro. —Depois que ele sair da oficina.
Eu senti que Jéssica ia dizer mais alguma coisa, contudo, o toque do meu celular a interrompeu.
Arrumando a postura, eu pigarrei, meus dedos secaram as lágrimas do meu rosto antes de pegar o iPhone sobre a cama.
Prendi a respiração ao ver que era ele. Fechei os olhos com força, sem saber se atendia ou não.
No fundo, eu sabia que devia manter distância dele até a hora da verdade, no entanto meu coração pedia desesperadamente para que eu corresse o mais rápido possível até Edward e aproveitasse, o que poderia ser, nossos últimos momentos juntos.
—Não vai atender? – Jéssica questionou intercalando o olhar do iPhone para mim. Mordendo o lábio inferior, deixei transparecer a ela a dúvida cruel que me roía por dentro. —Atende.
Era esse o estimulo que eu precisava, sem cogitar se era certo ou errado, eu aceitei a ligação colando o celular em meu ouvido.
—Oi.
Minha voz saiu tão baixa, tão fraca. Pigarrei respirando fundo, tentando recobrar o controle.
—Oi amor. – sua voz se sobressaiu —com dificuldade— entre as outras. Cerrei os olhos. —Não te acordei, não é?
—Não, não... – neguei pondo meu cabelo atrás da orelha. —Estava no banho, por isso demorei a atender.
—Ah, menos mal. – eu podia apostar que ele estava sorrindo. —Está muito cansada?
—Não, porque?
—Porque eu quero ver você. – aquela foi a primeira vez que eu sorri desde que entrei em casa. —Vou com uns amigos a um pub, vamos?
Tomei folego pela boca, voltei meus olhos para Jéssica que parecia estar morrendo de curiosidade.
—Espere aí amor. – pedi antes de silenciar a chamada. —Ele está me chamando para sair não acho uma boa ideia...
—Deixe de ser boba! – exclamou baixando o tom de voz. —Vá aproveitar, sabe que pode ser a última noite, não é?
Última noite.
A realidade caiu novamente sobre mim e um desespero urgente em vê-lo, me possuiu. No fundo, eu sentia que não era uma boa ideia sair com ele, ainda mais diante tal situação, mas eu acabei aceitando.
O pub era em Santa Barbara, perto do outro que estivemos semanas atrás. Quando Edward parou a moto no estacionamento, um sentimento estranho correu por meu corpo.
Eu não sabia explicar, mas sentia que algo ruim estivesse para acontecer.
Maneando a cabeça, apertei meus dedos em sua mão, firmando o entrelaço. Edward me olhou sorrindo, antes de beijar minha testa.
—Acho que eles estão lá dentro. – comentou após varrer a área externa com os olhos. Haviam apenas duas mesas do lado de fora.
Um casal de olhos fixos nos celulares e um homem solitário, onde sua única companhia era uma garrafa de cerveja.
A porta de vidro se abriu automaticamente assim que paramos em frente ela. O bar estava cheio de pessoas, Sam Smith embalava a todos com sua voz doce.
Não precisei procurar muito, visto que, logo avistei os cabelos louros platinados de Rosalie. Ela sorria ao redor de Jasper, Maria, Charlotte e Peter.
Soltei um suspiro me tranquilizando, eu já estava acostumada com eles e tirando Rosalie, gostava de todos.
—Até que enfim! – Jasper exclamou, sendo o primeiro a notar nossa presença. Os outros se viraram, Rosalie fora a única a fechar a cara ao me ver.
—Estávamos pensando que vocês tivessem se perdido. – Charlotte brincou, tomando um gole do que eu julguei ser chope.
—Ou dado uma fugidinha. – Peter completou rindo. Soltei um riso baixo, sentando na cadeira que Edward puxou para mim.
Tentei ignorar o olhar intimidador de Rosalie. Ela me fitava de um modo neutro, como se soubesse de alguma coisa.
Engoli seco afrouxando a echarpe em meu pescoço.
Relaxa, ela não sabe de nada!
Garanti a mim mesma, tentando me concentrar no toque quente da mão de Edward em minha perna.
—Onde estão os outros? – ele perguntou puxando deixando o celular sobre a mesa.
—Gianna e Renata estão a caminho e Marcus... Ah, acabou de chegar! – Peter apontou sorrindo, todos na mesa se viraram para olhar e quando eu o fiz, senti um soco em meu estomago.
Eu não precisei olhar muito para reconhece-lo, aliás, bastou olhar no cabelo para confirmar cada receio que eu sentia e dar vida, ao pior dos meus pesadelos.
O cara alto e magro, que caminhava despreocupadamente em nossa direção era o homem que eu havia ficado na noite negra. O protagonista do filme de terror mais horripilante.
Senti um calafrio correr meu corpo, minha boca ficou amarga e eu dei graças a Deus por estar sentada. Não iria conseguir me manter de pé, estava tremendo de mais.
—Olá galera!
A voz estridente embrulhou meu estômago, engoli seco vendo-o cumprimentar todos os outros, antes de se virar para mim.
Parecia que o modo câmera lenta fora ativado. Ele voltou seus olhos em minha direção, o semblante mudou, não conseguia saber se ele havia me reconhecido.
Desespero era pouco, perto do que eu sentia.
O loiro estreitou os olhos por breves segundos, uma ruga estampou sua testa e então, ele voltou a sorrir, esticando a mão em minha direção.
—Finalmente vou conhecer sua namorada. – não conseguia ouvir com precisão, parecia que meus ouvidos tinha perdido a capacidade. —Bella, não é?
Eu quis recusar a mão, me levantar e sair correndo dali, mas não pude. Estiquei a mão, meu braço tremia tanto quanto o resto do meu corpo.
Seus dedos gélidos me causaram asco, um asco próprio.
Eu era muito suja, muito vadia, muito biscate. Além de ter ficado com outro cara, ainda havia pego um amigo de Edward.
—Sou Marcus. – disse antes de se sentar. Eu me mantive calada, não conseguia dizer nada. Aquilo não podia ser real, aquilo não podia estar acontecendo. —Desculpe perguntar, mas... Já nos conhecemos? Você não me parece estranha.
Meu corpo ficou todo frio, senti o ar sumir dos meus pulmões e tudo o que eu sabia fazer era encarar aquele homem, feito um diabo que olhava a cruz.
Deus.... Eu precisava sair dali.
Minha mente mandava recados e mais recados, me alertando do perigo. Eu engoli a saliva com dificuldade, minha visão periférica me alertou que todos prestavam atenção em nós dois. Edward e Rosalie, inclusive.
Pigarreei, meus músculos pareciam terem sido endurecidos com cimento quando mexi meu corpo na cadeira.
—Não. Nunca nos vimos. – minha voz saiu cortante. Eu estava com raiva. Raiva de mim. Queria me socar.
Marcus pareceu sem jeito, não me importei. Soltando o ar pela boca, me virei para Edward.
—Eu vou... Ao banheiro. – as palavras fugiam da minha cabeça. —Com licença.
Não esperei por sua resposta, apenas me levantei e segurando minha bolsa, caminhei para longe da mesa.
Eu mal sentia minhas pernas quando sai do pub, o vento frio bateu contra meu rosto trazendo consigo a realidade.
Nunca tinha sentido um medo tão grande como o que senti naquele momento. Edward estava a um passo de descobrir tudo.
—Droga!
Passei a mão pelo meu cabelo, recostando o corpo na barra de madeira. O choro seguiu contraindo minha garganta até explodir de vez.
Mordendo o lábio inferior, eu prendi os soluços enquanto digitava o número de Jéssica no iPhone, minha vista embaçada só piorava as coisas.
—Jéssica! – soltei aliviada quando ela atendeu. —Eu estou perdida... Eu estou perdida.
Minha voz falhava entre o choro, não conseguia me controlar
—Bella, está chorando? – eu mal conseguia segurar o celular, estava a ponto de desabar ali, no meio do deque de madeira. —O que aconteceu?
—Marcus... – solucei. —Marcus está aqui...
—Marcus? Quem é esse? – soltei o ar pela boca, ficando cada vez mais desesperada. —Bella, se acalme... Por Deus, quem é Marcus?
—O homem que eu fiquei em Purple Lounge. – soltei, minha voz tremeu em meio ao choro. —Ele é amigo de Edward. – tentei engolir o choro, mas foi em vão. —Ele vai descobrir que eu menti para ele. Vai descobrir que eu transei com outro quando estávamos juntos, que eu não estava doente....
Eu mal conseguia respirar. Aquilo só podia ser um pesadelo.
—Bella, meu Deus! – a surpresa em sua voz era palpável. —Ele reconheceu você?
—Ele perguntou se nós já nos conhecíamos.... – um soluço cortou minha voz. —Eles são amigos, Edward vai me odiar meu Deus!
—Olhe, se acalme....
Virei o corpo assim que ouvi o barulho de passos atrás de mim. Se as coisas estavam ruins, elas haviam acabado de piorar.
Os olhos de Rosalie eram raivosos, contudo eu podia ver um brilho de prazer rodear os orbes claros.
Deixei o iPhone cair por meus dedos se chocando contra a madeira em um barulho alto. Mal me importei.
Rosalie tinha escutado tudo, eu sabia que tinha.
—Eu sabia que você não prestava, mas chegar ao ponto de ficar com um amigo de Edward, realmente me surpreendeu. – sua voz era tão fria, quanto um cubo de gelo. —Você é tão excomungada, tão vadia... Deus, como teve coragem de ir à casa dos pais de Edward após transar com o amigo dele?
Eu recuei o corpo, ela parecia uma pantera pronta para o ataque.
—Eu não sabia que eles eram amigos...
—Oh, pobrezinha! – seu tom foi cínico. —Estou com muito dó de você. – ela ergueu a mão deixando três tapinhas em minha bochecha.
Cerrei os dentes segurando seu pulso e o afastando do meu rosto com brutidão.
—Tira a mão de mim!
—É, eu vou tirar mesmo. – perguntou dando um passo em minha direção. —Porque você é suja, você é baixa, você é pior que um verme e eu não quero me contaminar relando em você. – suas palavras me atingiram em cheio. —Por mais que cada parte do meu corpo queira te tacar no chão e te encher de tapas, eu sei que você vai receber algo muito pior quando eu contar a Edward. – fez uma breve pausa. —O nojo dele.
Eu me desesperei ainda mais quando ela fez menção de se afastar, meus dedos seguraram sua blusa, a mantendo fixa no lugar.
—Você não.... Você não tem o direito de fazer isso! – gaguejei sem saber o que fazer. Sabia que não seria capaz de impedir que ela contasse tudo a ele. Aquele era o meu fim.
—O caralho que eu não tenho! – sua voz subiu uma oitava.
—Eu vou contar a ele...
—Vai? Eu duvido. – bateu o pé. —Você é uma puta, uma biscate e Edward merece saber disso.
Eu agi no impulso, sem medir as consequências, arqueei a mão e com toda a força que eu tinha, deixei um tapa em seu rosto.
Rosalie ofegou, deu um passo para trás e cobriu a parte afetada com as mãos.
Seus olhos se voltaram para mim, se ainda restava dúvidas de que ela me odiava, elas se foram ali.
—Sua desgraçada! – exclamou alto antes de partir para cima de mim, embrenhando as mãos em meus cabelos e os puxando com força.
Eu gemi de dor, até tentei empurrá-la, mas ela logo me desiquilibrou e nós duas, acabamos caindo no chão.
Ela me xingava alto, mantendo meus cabelos em sua mão, prendia meu corpo no chão com o seu. Eu me contorcia, enquanto socava seus braços e rosto.
Rosalie soltou uma das mãos do meu cabelo e deixou um belo de um tapa estalado em minha bochecha. Aquilo ardeu para caralho!
Meio desnorteada, arranhei seu pescoço fincando minha unha —com toda a força que eu possuía— na sua pele.
Ela gritou de dor, no entanto aquilo só serviu como estimulo para ela voltar a grudar as duas mãos em meu cabelo.
—Meu Deus! – ouvi alguém gritar e segundos depois, Rosalie ser puxada de cima de mim. Suas mãos saíram do meu me cabelo com tochas de fios enroladas nos dedos.
Estava até desnorteada, a dor de cabeça que se apossou de mim era indescritível. Edward me puxou do chão e me manteve presa em seus braços quando eu tentei lutar para me soltar.
Rosalie se debatia em Jasper, ela me lançava olhares assassinos, pronta para voar em minha direção.
—Me solta! – gritei tentando me afastar de Edward, as pessoas já nos rodeavam. Todos interessados na briga.
—Bella, pare...
—Eu matar essa vadia! – Rosalie soltou raivosa. —Vou arrancar cada fio de cabelo que ela tem na cabeça!
—Rosalie! – Peter se colocou entre nós, tentando acalmar os ânimos.
—Você é uma frustrada.... Tem inveja de mim porque Edward nunca vai te olhar como ele me olha, nunca vai te tocar como ele me toca!
Eu não conseguia conter as palavras, a raiva que eu sentia era gigantesca.
—Já chega as duas! – Edward gritou e instantaneamente, nós nos calamos. Eu bufei parando de lutar, meu coração batia disparado em meu peito. —O que aconteceu aqui? O que deu em vocês?
Rosalie finalmente se soltou de Jasper, eu estava pronta para me defender de qualquer ataque que ela viesse a fazer, contudo ela apenas gargalhou irônica.
—O que aconteceu? – perguntou se aproximando de nós. —Eu descobri que a sua namoradinha ai... – me olhou com nojo. —É uma vadia!
Cerrei os dentes, queria mata-la.
—Mas eu não vou contar nada.... Ela vai! – apontou o dedo em minha direção. Edward me olhou sem entender, eu engoli seco sentindo apertar minha garganta.
—Conte a ele Bella, conte a ele o que aconteceu em Purple Lounge com Marcus. – prendi a respiração, fechei os olhos com força sentindo o desespero crescer dentro de mim. —Vamos Bella, conte a ele!
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