Único Prazer
19 18º Capítulo
Notas iniciais
Sábado chegou mais calmo e fresco, para minha total surpresa.
O sol quente de antes, fora tampado por nuvens pesadas e cinzentas. Segundo Esme, o tempo mudava de uma hora para outra aqui, eles já estavam acostumados.
Quando Edward e eu descemos, todos já estavam reunidos para tomar café, dessa vez em uma sala de jantar mais privada.
Eu tinha me apaixonado por ela quando a conheci, e novamente fiquei encantada com o designer bem elaborado.
Ela era redonda, o pé direito era alto e o tom claro das paredes só a deixava mais bela. Uma linda mesa de vidro redonda estava no centro, sob um enorme lustre de cristal.
O teto solar permitia que mais luz adentrasse no cômodo deixando-o ainda mais claro e bonito.
A casa deles fora realmente muito bem planejada.
—A tia vem para cá hoje? – Alice indagou comendo com extrema preguiça um pedaço de mamão. Eu estava tão sonolenta quanto ela, havíamos vindo embora tarde da noite e ainda eram oito horas da manhã.
—Qual delas?
Esme a olhou brevemente, não deixei de reparar em como ela estava bonita. O cabelo preso no alto em um rabo de cavalo bem feito, a maquiagem clara evidenciando os pontos certos do rosto.
Ela era muito linda!
Alice deu de ombros antes de bocejar.
—As duas.
—Não, hoje seremos só nós.
Tive de me controlar para não vibrar com as palavras de Esme.
“Hoje seremos só nós”, o que significava que não iria ser contemplada pela ilustre presença de Tanya.
De repente o dia ficou mais bonito, o sol conseguiu brilhar entre as nuvens pesadas e meu humor ficou no auge!
—Não fazer nada hoje, meninos? – Pearl questionou de olhos fixos no jornal.
—Ainda é tão cedo!
Edward soltou esticando os braços para se espreguiçar. Seus cabelos estavam uma bagunça. Uma linda bagunça.
—Nossa, eu esqueci de avisar! – Carlisle exclamou alto deixando a xicara de café sobre a mesa. —Os aparelhos de flyboard que você queria chegaram filho.
—Finalmente! – Edward pareceu animado. —Emmet, o que acha?
—Acho que descobrimos o que vamos fazer. – os dois se levantaram juntos da cadeira, tive de rir do ânimo deles.
—Onde estão as coisas pai? – apoiando as mãos em meus ombros, Edward perguntou.
—Na casinha da piscina.
—Não vão terminar de tomar café? – Esme os olhou.
—Deixe-os aproveitarem filha!
As palavras de Pearl serviram de estímulos para os dois, Alice bufou ao meu lado.
—Não acredito que já vai roubar meu namorado, Edward! – eu ri do que ela disse recebendo um longo beijo de Edward na bochecha.
—Prometo que eu devolvo. – proferiu fazendo a irmã rolar os olhos. —Amor, vou testar o flyboard com Emmet no lago, quando acabar de comer, vá até lá ok?
Seus olhos eram tão ternos e carinhosos, sorrindo assenti com a cabeça. Ele deixou um selinho sobre meus lábios antes de se afastar e sair da sala de jantar.
—Não sabia que Edward praticava flyboard. – comentei evidenciando a todos minha surpresa.
—Flyboard e wakeboard. – Alice proferiu com um meio sorriso. —Ele e Emmet são fascinados.
—Edward sempre gostou de praticar esportes, desde menino.
Esme se orgulhou em falar, era nítido que ela sentia pelos filhos.
—Puxou ao pai!
Alice, Esme e Pearl gargalharam da fala de Carlisle, mesmo sem saber o porquê, acabei rindo também.
—Só que não, papai!
—O máximo que você faz é cavalgar Carl. – a esposa brincou, capturando a mão do marido sobre a mesa.
Eles se entreolharam, ambos trocaram um sorriso amoroso.
—E jogar tênis. – Pearl completou bebericando o suco de laranja. —Mal, mas joga.
Dessa vez, os três riram divertidos.
—Falando sobre Edward, ele sempre foi muito ativo. Fez natação, artes marciais, canoagem.... Até pensei que ele fosse querer se formar em algo relacionado à educação física e esportes. – Carlisle contou sem esconder o contentamento na voz.
Eu fiquei surpresa por saber que ele fizera tanta coisa. Isso explicava bem o porquê de ele ser tão forte. E gostoso.
—Medicina sempre foi o certo para ele. – voltei meus olhos para Pearl. —Edward tem uma qualidade que somente os médicos possuem: Ele gosta de cuidar das pessoas, além de ser muito protetor, ainda ama ajudar os outros.
Eu soltei um longo suspiro, me relembrando do dia em que eu o conheci.
—Isso é verdade. – murmurei limpando os lábios com o guardanapo. —No dia em que eu o conheci, o capô do meu carro estava com problemas e para ajudar, ainda estava chovendo. Edward se aproximou e me ajudou.
—Ele fez isso? – Alice se virou na cadeira, assenti com a cabeça vendo-a sorrir. —Awn, que fofo!
—Ele comentou algo sobre vocês terem se conhecido na faculdade. – Esme proferiu. —Isso aconteceu lá?
—Sim, foi no estacionamento do campus. – confirmei a ela. —Até hoje eu não sei o que ele estava fazendo naquele lugar, porque o prédio dele fica bem longe do meu.
Isso era algo que eu precisava perguntar a ele, ainda não entendia o que ele estava fazendo lá.
—Fiquei interessada! – tive de rir das palavras de Alice. —Ele te ajudou com o carro e aí?
Eu me remexi na cadeira ao perceber que os três prestavam atenção em mim.
—Eu o convidei para tomar um café, estava chovendo e nós dois ficamos molhados.
Foi impossível controlar meus pensamentos que vagaram sem barreiras para o momento que eu descrevia.
Parecia que fazia anos que eu o conhecia.
—Depois disso, eu o encontrei na oficina em que ele trabalha. – completei percebendo que eles queria que eu continuasse. —O mais engraçado é que, eu não sabia que ele trabalhava ali e minha amiga vinha falando há semanas sobre ele. – respirando fundo, eu dei de ombros. —Foi muita coincidência.
—Eu acho que isso se chama destino.
Pearl me lançou um sorriso doce, retribui rapidamente.
—Enfim, começamos a sair até que ele me pediu em namoro.
Eles não precisavam saber das minhas intenções iniciais, sobre a noite negra ou Rosalie. Se eu pudesse, apagaria esses detalhes da minha relação com Edward.
Um gosto amargo tomou minha boca. Aquilo não podia ser apagado, deletado ou mudado, mas talvez desse para concertar com a verdade.
Minha barriga se contorceu com o pensamento. A verdade.
Porque será que ela não me parecia nem um pouco atrativa?
Tudo o que eu via, era um término, Edward me odiando e eu ficando sem ele.
Tomando folego pela boca, me relembrei da conversa que tivemos na noite anterior, onde eu coloquei Jéssica e Mike na situação que nós dois vivíamos.
Ele disse que perdoava. Ele poderia me perdoar. Se eu contasse tudo.
Eu não queria contar, queria viver como se nada tivesse acontecido, como se eu não tivesse sido uma vadia com ele. Eu queria ser egoísta, mas não podia.
Não com ele, Edward não merecia isso.
Já tinha pisado na bola, mentido, traído, dito coisas horríveis sobre ele e agora, tudo o que eu podia fazer, era contar a verdade.
Não pensar em mim, pensar nele!
Passei a mão no rosto me decidindo. Eu iria contar a ele. Iria contar assim que voltássemos para Los Angeles.
Ele disse que perdoaria, eu estava esperançosa. Edward era um cara maravilhoso, eu sabia que não o merecia, contudo, iria pedir, implorar se preciso por seu perdão.
A manhã passou em um vulto. Edward e Emmet perderam todas as horas na montagem dos equipamentos. Eu odiei ficar longe dele, no entanto, fora bom ter esse tempo.
Ele conseguia me ler com uma precisão inarrável, era como se eu fosse um livro aberto, posto em uma mesa de demonstração para qualquer um que quisesse me entender.
Isso era intenso, mas bastante perturbador.
Passei boa parte do tempo com Alice na sala de TV. Eu não era muito de ver filmes, contudo o que ela colocara me prendeu bastante.
Já havia ouvido falar inúmeras vezes sobre ‘Um Amor Para Recordar’, tanto do sucesso literário, quanto cinematográfico e nunca tinha parado para ler ou assistir.
O que era uma pena, visto que o filme era realmente perfeito e muito triste.
Com um balde de pipoca no colo, Alice chorou bons trinta minutos, eu quis rir dela, mas estava igualmente emocionada.
Quando descemos para a cozinha, o almoço já estava na mesa. Peixe assado, arroz à grega, uma salada crua e um bom vinho branco.
A família que bebia garrafas e mais garrafas de cerveja ao som de música country, tinha dado lugar aquela refinada e elegante que tomava um dos vinhos mais caro do mundo.
Eu gostava daquela faceta diversa. Eu gostava de saber como era ter uma família.
—Não se esqueçam que hoje é dia de decorarmos a casa. – Esme falou tomando um gole do vinho da taça.
—Edward estava falando que quer as bolas rosas!
Eu ri da provocação de Emmet, vendo Edward rolar os olhos.
—Quem gosta de bolas aqui é você, Emmet.
—Ok, ok meninos! – Esme arqueou as mãos. —Nós vamos até a cidade, vocês querem vir meninas?
—Vamos dar um passeio de lancha e nos bronzear, mamãe! – Alice respondeu por ela e por mim.
Esme colocou os óculos escuros, se aproximou deixando um beijo em meu rosto e no de Alice. Carlisle abriu a porta do motorista, ao mesmo tempo que Pearl abria a traseira.
—Nós não demoramos.
Informou passando o cinto pelo corpo.
—Se comportem e não deixam que Edward ou Emmet façam alguma loucura com aqueles aparelhos.
Eu ri das palavras dela, maneando a cabeça como Alice. Esme acenou com a mão quando o carro saiu da garagem.
—Vocês têm lancha aqui?
Eu não deveria estar surpresa, afinal eles já haviam provado que podia ostentar até um Titanic no meio daquele lago enorme.
—Temos três! – me olhou sorrindo. —Meu pai deu uma de presente para minha mãe, como nós todos gostamos, ele comprou mais duas.
—Ual! – exclamei fazendo-a rir. —Onde elas ficam?
—Na casa de barcos. Não se preocupe, não é longe! – garantiu pegando minha mão. —Vem, vamos colocar biquíni e aproveitar enquanto não chove.
Olhei para o céu, as nuvens pesadas já haviam se dissipado, não tinha mais rastros de chuva ali.
O que Esme me disse mais cedo, voltou a minha cabeça. O tempo mudava de uma hora para outra, chegava a ser imprevisível.
Dando de ombros, segui para dentro com ela.
O biquíni dessa vez, era azul, frente única de cortininha e com a calcinha mais cavada. O de Alice era rosa neon, tomara que caia com um belo babadinho.
Ficara realmente encantador em seu corpo delicado.
Nós arrumamos uma bolsa com protetor, toalhas, água e outras coisas que poderíamos querer, antes de sairmos em direção ao grande lago.
Eu havia visto de outros ângulos, mas certamente, a visão que os fundos da casa nos davam, era a melhor.
Um enorme deque seguia pelo gramado atingindo uma grande parte das águas escuras. Tinha algumas espreguiçadeiras e uns guarda-sóis, ambos de madeira caramelo e forro branco.
Nós paramos ali, enquanto Emmet caminhava em nova direção.
—O que vocês vão fazer? – questionou abraçando a cintura de Alice com os braços. O contraste que havia entre eles, era enorme e realmente perfeito.
Emmet era grande, forte, musculoso. Alice pequena, delicada. Ela parecia até meio frágil ao lado dele.
Eu sorri quando eles se beijaram rapidamente. Eram um belo casal.
—Vamos dar uma volta de lancha e pegar um bronzeado. – respondeu afagando o rosto dele. —Quero pegar uma marquinha.
—Hm, marquinha... – ele soou provocador. —Que sexy!
Coçando a nuca, eu abaixei a cabeça. Não me importava em ver Jéssica se agarrar com Mike na minha frente, talvez eu já tivesse acostumada com eles, mas diante de Alice e Emmet eu ficara realmente sem jeito.
—Rá, rá! – ela espalmou as mãos no peito dele para empurrá-lo. —Me solte, volte para Edward que Bella e eu já vamos.
Voltando a erguer os olhos, eu os vi se beijarem mais uma vez antes de se afastarem.
—Vocês dois fazem um belo casal. – comentei enquanto caminhávamos pela longa passarela em direção a casa de madeira a frente.
—Ah, obrigada Bella!
Seus olhos brilharam ao agradecer.
—Você e Edward também são muito fofos juntos. – acho que meus olhos brilharam, eu sorri suspirando.
—Obrigada.
—Por nada. – nós trocamos um rápido sorriso. —Você gosta bastante dele, não é? Posso ver isso.
Mordi meu lábio inferior respirando fundo.
—É, eu gosto. – concordei por fim. —Edward me faz muito feliz.
Nós paramos em frente à casa de madeira, Alice abaixou a tranca e puxou a porta.
—Ele também está muito feliz, não faz questão de esconder isso. – a felicidade inflou dentro de mim. —Você laçou meu irmão de jeito!
O riso ficou preso em minha garganta quando vi as três lanchas a minha frente.
Elas eram luxuosas da proa até a popa, cada lancha tinha o seu toque de requinte como, por exemplo, tecidos Armani, bancos aquecidos, cabines com banheiros, decoração retrô, churrasqueira elétrica, adega, cozinhas completas, entre outras características.
A escolhida de Alice, fora a que Carlisle havia mandado fazer há mais ou menos dois anos.
Ela era toda branca e tinha três andares.
Alice pilotou o barco deixando-o mais próximo de onde os rapazes estavam. Esticamos a toalha na proa, pegamos uma garrafa de uísque e apenas aproveitamos o sol, enquanto observávamos os dois flutuarem sobre a água.
—Seus pais não se importaram em passar o dia de ação de graças sem você? – Alice indagou mantendo os olhos fixos em um ponto qualquer do céu.
Eu suspirei. Se ela soubesse...
—Não, eles são de boa com isso.
Murmurei simplesmente aproveitando o leve chacoalhar da lancha. Podia sentir a vitamina D entrando por meus poros.
Uma brisa fresca passou por nós. Suspirei novamente, aquilo era muito bom.
—Poxa, que sorte! Meus pais não aceitam que Edward ou eu nos ausentamos em dias tão importantes assim.
Seus se importam com vocês, eles amam vocês. Os meus, mal falam comigo!
Prendi a resposta negativa mordendo a ponta da língua.
—Os pais de Emmet não se importam também? – tratei de mudar o foco da conversa.
—Se importam e muito! – ela impulsionou o corpo para frente, se sentando. —Ele é filho único, bom você sabe como é. – riu passando a mão pelo cabelo. —Os pais são muito apegados a ele, enfim.... Como os meus também são, geralmente nós passamos essas datas separados.
—Isso é uma merda.
—Se é! – concordou se pondo de pé. —Vou dar um mergulho, você vem?
Maneando a cabeça em negativa eu sorri a ela.
—Não, vou ficar por aqui.
Alice retirou os óculos escuros, puxando em seguida o vestido solto que cobria seu corpo. Ela os deixou no chão e então, se dirigiu para a beirada da lancha, o corpo se curvou para frente e com um belíssimo ponto, Alice desapareceu na água do lago.
Arrumando o travesseiro de baixo da minha cabeça, eu arrumei os óculos escuros em meu rosto antes de fechar os olhos.
Sábado já estava no entardecer e em pouco mais de quarenta e oito horas, Edward e eu estaríamos de volta a Los Angeles.
De volta para aquela casa imensa e vazia, para a faculdade, a vida corrida e ainda teríamos a verdade.
Eu não estava pronta para aquilo tudo, contudo o que eu poderia fazer?
Estava na hora de parar de agir como uma menininha mimada e ser uma mulher.
Pingos gelados caíram sobre mim e me obrigaram a abrir os olhos. A imagem me fez rir, Edward se posicionava contra mim, a luz solar vinda por de trás de seu corpo deixava sua figura abençoada.
Estremeci quando sua pele fria tocou a minha, respirei fundo subindo minhas mãos para seus ombros.
Ele não disse nada, apena me beijou longamente.
Meu coração se contraiu dentro do peito me sufocando de um jeito quase insuportável. Eu o apertei, puxando-o mais para mim.
Eu o amava demais. Demais, demais.
—Nunca pensei que eu fosse gostar do cheiro de protetor solar. – Edward murmurou roçando o nariz em meu ombro. —Mas em você eu gosto.
Eu ri infiltrando meus dedos em seus cabelos molhados.
—Olha, que bom. – lhe exibi um sorriso. Edward afastou um pouco seu corpo, ergueu a mão e puxou os óculos do meu rosto.
—O que você tem? – Edward perguntou de imediato. Respirei fundo querendo que ele não conseguisse me ler tão fácil assim.
—Só estava pensando. – eu dei de ombros. —Amanhã uma hora dessas, vamos estar nos arrumando para ir embora.
Edward sorriu beijando a ponta do meu nariz.
—É verdade. – seus dedos retiraram o cabelo que havia em meu rosto. —Está com saudades de casa? Dos seus pais?
Não consegui prender o riso amargo. Impulsionando meu corpo, eu deixei claro para Edward que queria sentar, ele se afastou permitindo que eu o fizesse.
Cruzei as pernas a frente do corpo, meus dedos adentraram em meu cabelo o puxando em um coque frouxo.
—Não, não estou com saudades de casa. Nem dos meus pais. – minha voz saiu tão baixa que eu temi que Edward não tivesse escutado.
—Porque fala isso? – questionou se aproximando de mim, seu braço passou por mim, sua mão parou em minha cintura.
Eu suspirei enquanto Edward deixava beijos por meu ombro.
—É complicado.
Soltei por fim, vendo no horizonte a minha frente o céu alaranjado do crepúsculo.
—Acho que sou capaz de entender. – soltei um risinho. Meus olhos se voltaram rapidamente a ele.
Edward era tão lindo! Deveria ser proibido por lei, alguém ser tão lindo assim.
—Meus pais não são como os seus. – comecei a contar, não queria que ele tivesse pena de mim, no entanto, queria menos ainda ficar escondo mais coisas dele.
Já que eu iria contar a verdade, que eu contasse sobre tudo.
—Eles não são carinhosos, não se preocupam com o que eu como, se passo protetor solar quando saio no sol. – mordi o canto do meu lábio inferior, assumir aquilo doía. —Eu mal os vejo, mal falo com eles...
Sempre dei uma de quem não se importava com isso, talvez eu desse uma de durona, somente para não assumir que toda aquela negligencia me feria como uma lamina afiada.
—Tive um fim de semana incrível com vocês. – minha garganta ardia, assim como meus olhos. Não, chorar só iria piorar as coisas! —Soube como é ter uma família e amei isso.... Quando voltarmos para Los Angeles, eu vou estar sozinha de novo.
Contrai os lábios pigarreando, as lágrimas já embaçavam meus olhos. O braço de Edward subiu por minhas costas até chegarem em meus ombros.
Com cuidado ele me puxou, sem resistência eu deitei a cabeça em seu ombro. Sua mão afagava meu braço com carinho.
—Você não vai estar sozinha. – fechei os olhos deixando as lágrimas caírem. —Eu vou estar com você amor. Todos os dias, todas as horas, todos os minutos...
Seu jeito doce só piorou a angustia que eu sentia. Fechei a mão apertando os dedos com força. Porque eu tive que ser tão idiota, porque?
—Sempre que se sentir sozinha, eu vou estar lá com você. Quando precisar de mim, eu vou cuidar de você... – ele se mexeu sentando um pouco mais para o lado até conseguir pegar meu rosto entre as mãos.
Edward beijou meu rosto, secando minhas lágrimas com beijos ternos.
A força que eu fazia para me controlar era imensa, porém eu precisava prender os soluços que queria sair de mim, junto das palavras que a cada segundo, mais apertava minha garganta.
—Eu não mereço você, Edward. – ergui a mão para tocar seu rosto.
Era tão triste assumir aquilo. Triste e doído.
Tudo o que eu mais queria, era ser uma boa pessoa, menos fútil, mimada.... Tudo, para poder merecer ao menos, suas desculpas.
—Hey, porque está falando isso? – seus olhos azuis me estudavam atentou. Lubrificando os lábios com a ponta da língua, abaixei a cabeça.
—Porque é verdade... Eu sou uma idiota, uma filha da puta... – tomei folego em um soluço seco. —Você devia me odiar.
Tive de sussurrar a última parte, não queria que ele ouvisse aquilo, porque, por mais que eu soubesse que merecia, não queria que Edward chegasse a me odiar.
—Deixe de falar bobagens! – firmou a mão em meu queixo, erguendo meu rosto e me obrigando a olhá-lo. —Como eu poderia odiar você, Bella? – seu polegar afagou meu lábio inferior. —Nem se eu quisesse...
Não sei se foi um momento de coragem, ou no ímpeto, mas a verdade sobre a noite em Purple Lounge chegou até a minha garganta como uma onda brava —pronta para destruir o que tivesse em sua frente.
—Edward eu preciso te contar...
—Não, deixe eu falar. – pediu me interrompendo. —Olha aqui para mim. – seus olhos estavam tão brilhosos, intensos.... Era hipnotizante. —Eu não odeio você Bella, eu amo você.
Sabe aquele momento em que você sente que tudo ao seu redor parou? A hora, as pessoas, o mundo.
Por segundos tudo o que tomou minha atenção, fora as batidas ligeiras do meu coração que se misturavam com as repetições das três palavrinhas.
—Você me ama? – perguntei meio sem acreditar. Aquilo não podia ser um truque da minha cabeça... Podia?
Edward sorriu torto, meu sorriso favorito, antes de beijar minha testa.
—Amo. – confirmou para minha total plenitude. —Você me encantou com o seu jeito, as vezes parece uma menina, outras uma mulher. Esse sorriso lindo que só você tem. Não consigo ficar longe de você, podia falar que isso é vicio, porque quanto mais eu te tenho, mais eu te quero. – meu coração saltou dentro de mim. —Mas eu sei que isso vai além de uma simples dependência, isso é amor.
Mil pensamentos correram por minha cabeça me deixando levemente atordoada, contudo, eu consegui ignorá-los rapidamente.
—Ah, Edward! – eu me coloquei de joelhos, suas mãos desceram para minha cintura quando eu tomei seu rosto entre as minhas. —Eu também amo você. Amo muito.
Ele me puxou, sem me dar chances para resposta, me pegou em um beijo apaixonante.
No fundo, eu sabia que não merecia ouvir aquelas coisas, mas eu era egoísta o suficiente para aproveitar a sensação.
Edward me amava, sem mais.
Fale com o autor