Único Prazer
17 16º Capítulo
Notas iniciais
Estiquei meu corpo na cama, meus olhos custaram a abrir visto a preguiça que me consumia. O quarto não estava claro, porém eu sabia que o que impedia a entrada dos raios solares, eram as cortinas valiosas de Esme.
Tateei a mão pela cama até encontrar meu celular, bocejei longamente enquanto destravava a tela. Várias notificações vibraram, mensagens no whats, chamadas perdidas, snap, eu sabia que a maioria eram de Jéssica.
Sentando na cama, eu fiz rapidamente as contas do fuso horário, eram quase nove horas, mas em Los Angeles ainda era de madrugada.
Passei a mão no cabelo deixando o iPhone sobre o criado mudo, ligaria mais tarde para ela.
Soltando o ar pela boca, eu me espreguicei. Meu corpo já estava recuperado da noite anterior, que fora de longe, o jantar mais animado que eu tivera na vida.
Quando Alice e eu nos unimos no jardim, Rupert e Ellen já haviam voltado. O casal de amigos de Carlisle e Esme, também estava presente. Eliezer e Carmen.
Eles foram simpáticos ao me cumprimentar, porém não foi nada muito caloroso.
Não me importei com eles, na verdade, tudo o que atraia minha atenção era Edward. Ele estava tão lindo!
Vestia uma calça jeans bege, uma camisa com listras grossas no tom cinza escuro e branco, por cima estava o blaser preto fosco.
O vans preto serviu para despojar sua vestimenta o deixando incrivelmente irresistível.
Eu tinha o namorado mais lindo do mundo!
Suspirei saltando da cama. Tinha ótimas expectativas para o dia, estava animada para saber o que aquela família linda, havia planejado para essa sexta-feira.
O dia estava ensolarado e quente, visto isso, coloquei um short jeans destroyed e um cropped branco de crochê com franjas.
Sentei rapidamente na cama para calçar as minhas botas caramelo de cano curto, para enfim poder me maquiar.
Eu queria ficar o melhor possível, além de ter o namorado mais lindo do mundo, ele ainda fazia parte de uma família onde a beleza era um gene dominante.
Era imprescindível estar bem arrumada.
Quando sai do quarto, me deparei com um corredor vazio e silencioso. Estava começando a pensar que havia acordado cedo demais, quando Alice abriu a porta e saiu do quarto ao lado do meu.
—Bom dia Bella! – desejou sorrindo, fiz questão de retribuir rapidamente.
—Bom dia.
Ela esticou os braços, espreguiçando o corpo que vestia um short florido de cós alto e uma blusa caqui solta.
Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto, os cachos que caiam dele, eram perfeitos.
—Vamos descer? Estou morrendo de fome! – ela segurou minha mão e puxou pela casa, assim que assenti com a cabeça.
A cozinha estava vazia quando entramos nela, então Alice me guiou até a grande varada onde Esme dividia a mesa com vovó Pearl.
—Bom dia, bom dia! – Alice proferiu indo beijar o rosto das duas mulheres. Elas sorriram tão amorosas para ela, que meu coração se aqueceu.
Uma leve inveja passou por mim. Porque eu não tinha a sorte de ter ao menos uma mãe como Esme?
Eu me sentei ao lado delas, que também sorriram para mim ao me desejar um bom dia. Como sempre, a mesa estava abarrotada de comida, pães, panquecas, waffles, brownie, sucos, leite, frutas e várias outras coisas que eu sabia que davam para alimentar umas vinte pessoas.
—Onde estão Edward, Emmet e o papai? – Alice fez a pergunta que eu tanto queria, pelo menos na parte de Edward.
—Eles foram jogar tênis. – Esme murmurou limpando os lábios com o guardanapo. —Bella, Edward pediu para eu te avisar que logo virá para te levar para conhecer a fazenda.
Ela sorriu ao terminar de dizer as palavras. Bebericando o café na xicara, eu retribui.
—Uh, eu vou adorar. – meu timbre saiu animado, demostrando com exatidão, como eu estava me sentindo.
—Aposto que vai. – Alice comentou espalhando geleia em uma torrada. —Peça para ele te levar até as arvores de cerejeira, parece mágico de tão lindo!
—Nessa época do ano, elas estão sem flores, Alie. – Pearl proferiu levando a xícara de porcelana aos lábios.
—Verdade. – Alice pareceu um pouco desapontada. —Mesmo assim, ainda tem o jardim da mamãe, o deque no lago, o coreto...
Ela não conteve o suspiro.
—Você precisa vir aqui na primavera. Tudo fica mais bonito na primavera!
Esme exclamou, eu sorri maneando a cabeça em concordância.
—Vai ser ótimo voltar aqui na primavera! – soei entusiasmada, por mim, voltava a cada estação, a cada mês.
—Bella tem muitos lugares para conhecer. – vovó Pearl se arrumou na cadeira. —A fazenda, a cidade, a casa da vovó! – sua voz saiu tão doce, que eu quis abraça-la fortemente.
—Falando em conhecer a cidade, nós podemos dar um passeio a noite. – Alice voltou a falar atraindo minha atenção. —O que acha?
Seus olhos eram tão esperançosos que eu não pude —nem queria— negar.
—Acho muito bom!
—Isso, saiam hoje porque amanhã é dia de decorar a casa! – eu fiquei sem entender a fala de Esme e como elas rapidamente mudaram de assunto, acabei deixando para lá.
Quando terminamos de tomar café, eu as ajudei a tirar a mesa ouvindo o planejamento para o almoço.
O churrasco seria na piscina, a ideia me pareceu tão gostosa, que subi para o quarto com uma ansiedade quase que palpável.
Já eram quase onze horas quando verifiquei o horário no iPhone, rapidamente procurei o contato de Jéssica entre os tantos outros.
Mordendo meu lábio inferior, fiz as contas mentalmente, enquanto ouvia os toques compassados, indicando que estava chamando.
Se eram quase onze em Mckinney, eram quase oito em Los Angeles.
Ainda era cedo e conhecendo Jéssica, eu apostava que ela estivesse dormindo, mas para toda a minha surpresa, ela me antedeu.
—Aí sua melhor amiga viaja para conhecer a família do namorado e esquece sua existência no mundo. Lindo isso! – ela atendeu irônica, a voz estava rouca, o que eu julguei ser uma consequência do sono.
—Bom dia para você também, Jéss! – ela bufou com minhas palavras me fazendo rir. —Como você está?
—Curiosa! – seu tom subiu uma oitava. —Como você tem coragem de me deixar sem notícias? Sua vadia do caralho.
—Hey, eu ia te ligar antes.... Só não deu tempo! – justifiquei sentando nos pés da cama.
—Uma porra que não deu! – rolei os olhos. —Ok, agora desembuche! Como é ai? Como é família dele? O que eles comem? Como eles falam?
—Ai meu Deus... – soltei com uma risadinha. —Eles são normais, Jéssica. – proferi. —E surpreendentes!
—Surpreendentes? O que isso quer dizer?
—Quer dizer que eles são incríveis, educados, gentis...
—Bella, pule a parte sentimentalista meu amor! – pediu aflita. —Quero saber sobre a condição financeira deles.
—Que importância tem isso?- questionei recebendo um longo silencio. —Ok. – eu fui a primeira a romper aquela quietude chata. —Eles não são pobres. Posso até afirmar que o pai dele tem mais dinheiro que o meu.
Por longos minutos tudo o que eu ouvi foi a forte respiração dela.
—Ok, eu ouvi direito? – tive de rir diante sua incredulidade.
—Sim, ouviu.
—Os pais do mecânico gostosão são ricos então... Muito bem... – ela falava meio que sem nexo, acho que ainda degustando a informação.
—Sim, eles produzem gado de corte, pelo o que eu entendi o negócio vai cada vez melhor!
—Isabela Swan, sua biscate escrota do caralho! – exclamou alto. —Você nasceu com a porra da bunda virada para a lua! Que desgraça é essa? O cara é gostoso, romântico, fofo, gostoso, lindo, gostoso e ainda é rico? Puta que pariu...
—Jéss... – interrompi rindo. —Isso pouco importa para mim, ok?
—Meu anjo, você está falando com a sua melhor amiga, não precisa dar uma de uma boa moça. – Jéssica zombou.
Respirei fundo, eu sabia que ela iria fazer isso!
—Não estou dando uma de boa moça, estou falando sério.
—Ok, o que aconteceu com “ele é fofo, mas é pobre”, “ele não pode me dar o que Jacob pode”, “seu corpo vai cair e o que vai sobrar”, hein?
Tomei folego pela boca abaixando o olhar. Eu me sentia péssima por saber que havia mesmo dito tudo aquilo.
Parecia tão distante, eu parecia uma outra pessoa, com outros pensamentos, outras convicções e o mais incrível era saber que era recente.
—Isso foi antes. – soltei sem saber mais o que dizer.
—Antes de você se apaixonar, não é? – sua voz ficou séria, contudo era doce e suave.
—Sim. – pela primeira vez, eu assumi e porra, aquilo foi bom. Era bom assumir aquilo para ela, e eu sabia que seria melhor ainda quando falasse para Edward.
—Eu sabia. – ela riu, dessa vez sem piadinhas, sem provocações. —Tinha certeza, você nunca agiu assim com ninguém!
Rindo, passei a mão pelo cabelo.
—É eu sei, é que eu nunca senti isso por ninguém. – confessei. —Eu amo ele. Nem sabia que era possível gostar tanto de alguém.
—Isso é só o começo, com o tempo só aumenta. – eu esperava que sim, ao mesmo tempo que tentava entender, como uma coisa imensa poderia aumentar. —Já se declarou para ele?
—Não. – soltei rápido.
—Não? Porque não?
—Sei lá, tenho medo de ele me rejeitar, não sentir o mesmo....
—Ah, Bella! – sua voz se demorou no meu nome. —O cara é todo carinhoso com você, te apresenta para os amigos, te leva para a casa dos pais dele e você tem medo de ele não te amar? Porra, isso é ilógico.
—Eu sei, eu sei... – divaguei repassando suas palavras, um frio embrenhou meu estomago. —Espera, você.... Acha que ele me ama?
—Você tem duvidas? – ela riu divertida.
—Jéssica, não ria! Estou falando sério, porra!
—Porra digo eu mulher! – parou por breves segundo tomando fôlego. —O pior cego é aquele que não quer ver! Está bem na sua frente, Bella. Está tudo tão claro entre vocês...
Suas palavras me deixaram amargurada. Engoli seco, meu coração já se contraiu batendo em um compasso estranho, doloroso. O sentimento ruim, voltou a correr por meu corpo com calafrios gélidos.
—Não, Jéss. Não está! – minha voz ficou embargada, eu respirei fundo. Sem choro, Bella!
—Noite negra. – ela captou de imediato.
—Sim. – sussurrei baixíssimo.
—Droga, acho que aquela foi a pior ideia que eu tive! – tomei folego em um concordância muda. —Porque não esquece e vai ser feliz, hein? Já tem quase um mês.
—Não consigo esquecer! – a interrompi. —Tenho medo que aquele cara apareça, que Rosalie descubra, que ele... Ele descubra. – eu gaguejei na última parte.
—Não tem como isso acontecer, amiga! – Jéssica tentou me tranquilizar. —Olhe, você nem sabe o nome do cara, ele então nem deve lembrar que comeu você. Não tem como a vadia loira descobrir porque.... – parou parecendo pensar. —Porque não tem! – tive de rir de sua justificativa. —E Edward, ele não vai saber a menos que você conte!
Ele não ia saber a menos que eu contasse.
Aquilo se repetiu de modo doloroso em minha cabeça.
Se eu contasse.
—Jéss?
Chamei após ficar um tempo em silencio.
—Sim?
—Acha que seria uma idiotice contar para ele? – ela engasgou do outro lado da linha, eu teria rido se a situação não fosse tão trágica.
—Você pirou, mulher? – aumentou o tom de voz. —Quer perder esse homem, quer que ele termine com você?
—Não, claro que não!
—Então fique bem quieta, porque se contar a ele que ao invés de ter passado a noite no hospital, você foi dar para outro, é isso que vai acontecer!
Ouvir aquilo dela, fez com que eu me sentisse a pior das vadias. E eu era.
—Não tem como eles saberem, ok? – voltou a falar. —O mundo não é tão pequeno assim! – ela respirou fundo. —Bella me escute, eu amo você e quero mais que qualquer outra pessoa no mundo, que seu relacionamento com Edward dê certo, então por favor, me prometa que não irá contar a ele.
Esfregando a mão no rosto, puxei o ar com firmeza.
—Ok, eu prometo. – murmurei ainda perdida em pensamentos. No fundo, eu sentia que o melhor a ser feito, era contar a ele tudo o que eu tinha feito. Ele poderia me perdoar se eu fosse ao menos, honesta.
O medo de perde-lo era tão grande, tão imenso, que eu me calei. Jéssica poderia ter razão, o mudo não era tão pequeno assim! Nem a vida era tão cruel!
Aquilo não saiu da minha cabeça, ficava me perturbando como uma mosca ao pé do ouvido. O zumbindo chato me lembrando de que eu não merecia aquele homem, nem um pouco.
Quando desci para o primeiro piso, a cozinha estava vazia. Eu segui até a pia, peguei um dos copos do armário e o enchi de água.
Eu precisava tentar livrar minha cabeça daqueles pensamentos torturantes.
O liquido gelado desceu por minha garganta e aliviou um pouco o aperto que a consumia.
Jéssica tem razão!
Eu voltei a repetir, tentando me convencer que ela estava certa.
—Sozinha aqui na cozinha? – a voz de Edward me assustou, deixando o copo sobre o balcão eu me virei.
Ele estava recostado contra o umbral da porta, os braços cruzados. Seus olhos me analisavam profundamente, eu sentia que ele podia ler cada pensamento que passava por minha cabeça, isso me deixou um pouco mais angustiada.
—Estava tomando água. – contei tentando soar o mais natural possível. Edward estreitou os olhos, arrumou o corpo e com poucos passos me alcançou na cozinha.
—Hm, aconteceu alguma coisa?
Sua pergunta fez meu estomago gelar. Respirei fundo várias vezes, maneando a cabeça em negação.
—Bella... – ele murmurou, eu sabia que ele havia percebido que eu estava mentindo. Arqueei a mão tocando seu rosto, estiquei o corpo e deixei um rápido beijo em seu queixo.
—Não aconteceu nada, amor. – garanti sem conseguir olhar em seus olhos.
—Tem certeza?
Edward segurou meu queixo, ergueu meu rosto me fazendo olhá-lo. Prendi a respiração assentindo com a cabeça, isso desarmou qualquer questionamento ou duvida que estavam em seus olhos.
Eu era mesmo muito escrota.
—Senti sua falta.
Tratei de mudar de assunto, pisando em um campo mais firme, onde a mentira não existia.
Ele sorriu torto, meu coração acelerou seu ritmo me obrigando a suspirar.
—Eu também senti a sua. – Edward se aproximou, sua mão pousou em meu rosto e então ele colou nossos lábios.
Minhas mãos pararam em sua cintura, eu o puxei mais para mim. Queria senti-lo o mais perto possível.
—Quer ir conhecer a fazenda agora ou deixar para mais tarde? – ele perguntou distribuindo beijos por meu pescoço. Suspirei profundamente sentindo os cabelos da minha nuca se eriçarem.
—Agora.
Eu queria e muito, ficar um tempo só com ele.
Edward me beijou mais uma vez antes de segurar minha mão e me conduzir até onde sua família estava.
Na grande varanda ao lado da piscina, Carlisle tomava uma cerveja enquanto acendia a churrasqueira. Esme falava no celular, enquanto vovó Pearl temperava alguma coisa dentro de uma tigela de porcelana.
Nem Alice nem Emmet se encontravam ali.
—Ok, mas não se atrase. – Esme proferiu olhando e sorrindo rapidamente em nossa direção. —Tudo bem, até mais.
—Com quem estava falando?
—Miranda. – ela respondeu ao filho. —Ela vem almoçar conosco.
—Hm. – Edward infiltrou a mão no cabelo. —Mãe, Bella e eu vamos dar um passeio pela fazenda.
—Passaram protetor? O sol está bem forte.
Ela pareceu bastante preocupada, quando Edward e eu concordamos, ela sorriu aliviada.
—Não demorem, logo o almoço estará pronto.
Nós seguimos até a garagem, onde quatro carros se ostentavam. Eles tinham o luxo, como a principal discrição.
Edward pegou um dos chaveiros pendurado na parede e apertou o botão para destravar o alarme da caminhonete prata.
—Sabe andar a cavalo? – Edward perguntou enquanto conduzia o carro pela estrada de terra.
—Sei sim.
Concordei de olhos fixos nas colinas verdeadas que corriam campo a baixo. Seguimos por uma estrada menor e eu logo avistei a grande casa de madeira escura.
Ela era alta comprida, e uma grande porta de folha dupla que estava aberta.
—Ual! – soltei olhando o longo corredor onde as várias divisórias separavam os cavalos. —Quantos cavalos vocês têm?
—Eram vinte e cinco, mas Alice comprou mais dois em um leilão, agora são vinte e sete.
Eu concordei com a cabeça, caminhando pelo corredor, olhando cada um deles.
—São todos de raça?
—São sim – Edward olhou sorrindo, abrindo a terceira porta e puxando de lá um cavalo preto. Ele tinha as pernas longas mais peludas e brancas, assim como sua crina. Eu conhecia aquela raça, era um clydesdale. —Esse é o Lord. – apresentou com orgulho.
—Oi Lord.
Eu me aproximei e acariciei seu focinho, Edward pareceu surpreso.
—Acho que ele gostou de você, geralmente não aceita carinho de estranhos. – eu gostei de saber daquilo.
—Ele é seu, devo supor. – passando meus dedos pela crina sedosa, eu fitei Edward.
—É sim. Ganhei quando tinha quinze anos. – seu sorriso ficou ainda maior.
—Eu tinha um appaloosa, ele morreu tem três anos. – eu não havia dado muita importância a morte de Gail, visto que ultimamente eu mal montava, contudo, eu gostava muito dele.
—Sinto muito amor. – ele afagou meu rosto, suspirei beijando sua mão. —Acho que vai gostar de Jasmine então.
—Jasmine?
—Sim, ela fica mais ao fundo, meu pai está negociando a venda dela. Venha. – ele pegou minha mão e com a outra, conduziu Lord conosco.
Não precisamos andar muito, eu logo vi a égua. Ela era tão linda, que eu estanquei no lugar. Toda branca, com algumas pintas negras por todo o corpo, que se acumulavam mais em seu focinho.
—Oh meu Deus, que linda! – exclamei indo até ela.
—Sim, ela é incrível!
E era mesmo, Jasmine era dócil e delicada. Foi impossível não me apaixonar por ela, assim como pela paisagem.
A fazenda deles era além de linda, imensa. Não havia a menor possibilidade de conhecer todos os lugares, mas Edward me levou nos principais.
O jardim de Esme, que parecia um paraíso perdido, a pequena cachoeira com água cristalina e por último, o coreto mágico no meio do grande lago.
—Sabe o tamanho desse lago? – indaguei me debruçando no guarda-corpos do coreto. A água escura me impedia de ver a profundidade, que eu apostava que era imensa.
—Quarenta e cinco quilômetros quadrados de área, a profundidade máxima de uns quarenta metros e cerca de setenta e cinco quilômetros de perímetro.
Eu fiquei boquiaberta, o lago era maior do que eu pensava. Edward riu do meu espanto, seus braços passaram por minha cintura e com um puxão, me afastou da beirada do coreto.
—Não, eu não acho uma boa ideia você mergulhar no lago. Pelo menos não nessa parte. – estreitei os olhos, meus braços passaram por seu ombro.
Ele sorria, os olhos brilhavam e o cabelo reluzia com os raios solares.
—O que? Quem disse que eu ia mergulhar?
—O brilho em seus olhos disse tudo. – brincou me fazendo rir.
Mordi o lábio inferior, meu polegar roçava calmamente em sua boca entreaberta.
—Bobinho!
Me estiquei para poder beijá-lo, Edward sorriu após beijar minha testa.
—Lindinha. – rolei os olhos soltando um riso baixo. Eu amava quando ele ficava assim, descontraído, leve, brincalhão. —É melhor nós voltarmos antes que a minha mãe venha atrás de nós.
Eu não queria voltar, queria ficar mais tempo a sós com ele, porém tudo o que eu fiz foi sorrir e assentir.
Nós caminhamos boa parte do caminho de volta, conduzindo Lord e Jasmine pela corda presa no freio.
Edward me contou como era divertido correr pela fazenda quando era criança, mesmo a propriedade não sendo tão grande na época, rendera bastante aventuras a ele, Emmet e outros amigos.
—Alice não brincava com vocês? – questionei vendo a casa se aproximar gradualmente, enquanto ele conduzia o carro pela estrada.
—Ela tinha pânico por sujeira, o máximo que fazia era brincar de bonecas no jardim.
Eu ri com suas palavras tentando imaginar como eles eram quando crianças.
—Algumas vezes, Emmet e eu aprontávamos com ela. – ele riu da lembrança. —Tacávamos terra no seu cabelo, jogávamos suas bonecas na lama...
—Tadinha, Edward.
—Foram poucas vezes. – encolheu os ombros, contudo o sorriso maroto continuava na boca. —Até porque Emmet não demorou a se apaixonar por ela.
—Eles tinham que idade? – eu realmente me interessei a saber.
—Alie tinha uns doze, nós uns quinze.
Eu fiquei surpresa, eles eram bem jovens.
—Eles namoram desde essa idade? – perguntei recebendo um rápido olhar de Edward.
—Não! Meus pais permitiram o namoro depois que Alice fez dezoito. – respondeu passando pela entrada de carros. —Já lhe disse, eles são bem conservadores quando se trada de Alice e eu.
Assenti resolvendo encerrar o assunto. Eu tinha até calafrios só de imaginar o que Carlisle e Esme fariam caso soubesse do que Edward e eu fizemos.
Maneando a cabeça, soltei o cinto, assim que ergui os olhos percebi que haviam mais carros que o normal ali.
—Acho que minha tia chegou. – comentou ao abrir a porta para mim. Me mantive quieta aceitando o entrelaçar dos seus dedos nos meus.
Sentia meu estomago gelado, eu queria que essa tia de Edward fosse tão simpática quanto Ellen e queria ainda mais, que ela gostasse de mim.
Nós seguimos diretamente para a área da piscina, a música alta e o cheiro de carne assada me informaram que a festa havia começado sem nós.
Havia bastante gente ali. Carlisle comandava a churrasqueira com uma cerveja na mão, ao seu lado estava um homem de meia idade de cabelo loiro e bem alto.
Era o tio de Edward, Grayson. Ele abriu um sorriso enorme ao me cumprimentar e receber minha ‘entrada’ na família com um “bem-vinda” bastante receptivo.
Dentro da piscina com Emmet, estava John, primo de Edward. Ele era bem branco, o que só destacava os olhos e os cabelos negros. Era bem jovem também, não deveria ter mais de dezoito anos.
Miranda, ajudava que a mãe a pôr a mesa, parou instantaneamente seus afazeres ao ver que nós nos aproximávamos.
Ela e Esme pareciam clones uma da outra, fazendo Ellen —que também era muito parecida—, ser a mais diferente.
Miranda beijou meu rosto com carinho e repetiu o mesmo em Edward, fez breves elogios a mim e após me dar um breve abraço, disse para Edward me levar até o quarto de Alice onde sua filha estava.
Elise não tinha nada do pai e nada da mãe. Tinha pele levemente bronzeada, o cabelo castanho avelã liso e comprido, os olhos eram bem escuros. Pareciam dois botões negros.
Ela era muito bonita, educada e simpática.
—Bella nós precisamos arrumar um biquíni para você! – Alice exclamou assim que Edward saiu do quarto, que mais parecia uma suíte real. O tom azul bebe era o ponto chave, ele estava presente nos motivos florais, nas pedras —que pareciam ter aquela coloração natural— e só ficava mais bonito pela mobília ser toda branca.
—Tem preferência por cor? – ela indagou, eu simplesmente neguei com a cabeça. —Hm, você é bem clarinha, acho que preto vai ficar legal...
—Preto, Alie? – Elise a olhou estupefata espalhando o protetor solar por sua perna. —Com esse sol, preto não fica bem!
—É, Elise tem razão! – ela suspirou pensativa. —Uh, tenho um perfeito! Meu Deus, vai ficar lindo!
Ela soou eufórica, mas eu tive que concordar minutos mais tarde. As peças ficaram perfeitas em meu corpo.
O biquíni tinha um florido rosa delicado, a parte de cima era tomara que caia, o bojo firme sustentava meus seios, deixando meu colo bastante atraente. A calcinha não era muito cavada, o que era bom, visto que era um almoço em família.
Coloquei um leve vestido branco de véu por cima, após cobrir todo o meu corpo com o protetor, e então, descer com as meninas.
—Carmem e Eliezer estão aqui? – Elise perguntou, contudo, ela já sabia da resposta visto que os dois estavam pelo jardim com os outros.
—E pelo visto as meninas também. – Alice proferiu e então eu segui seu olhar.
Meu sangue congelou dentro das minhas veias ao ver, uma moça loira e alta conversar animadamente com Edward.
Eu prendi a respiração vendo o belo corpo bronzeado, coberto por um short jeans e o biquíni verde água.
Ela parecia bonita. Muito bonita.
Eu não sabia quem era, não sabia seu nome, mas sabia que não a queria perto de Edward.
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