Notas iniciais
Chegamos ao penúltimo capítulo da história, mas o final de Hugo (que descobri que talvez seja minha alma gêmea segundo um teste do buzzfeed que o descreveu... ), espero que goste. Boa leitura!

Estou pintando quando Íris chega. Ela é silenciosa. Está descalça e soltando os cabelos, quando me abraça por trás e coloca seu rosto em minhas costas, sei que seu dia não foi bom. Como poderia? Ela sabia sobre a minha história épica, sobre tudo que poderia ser, tudo que não poderia, tudo que foi e que não foi.

― Está tudo bem? – Pergunto enquanto ela ainda está me segurando. Sinto sua cabeça balançando negativamente. – É sobre a carta? Sobre meus últimos dias?

Eu havia dormido fora de casa, andava irritado, fugindo de conversas e me trancando no quarto onde pintava. Procurava deixar os cômodos escuros, quase não comia. E sua comida era maravilhosa.

Agora sua cabeça balança afirmativamente. Sei que sou culpado de sua tristeza, algo que não queria causar, não quando sei como é sentir medo e dúvidas. Deixo meus pinceis e tintas. Viro para encarar seu rosto, ela é toda cores. Com cabelos tingidos de arco íris, rosto com pintas, sardas, boca vermelha. Ela é toda cores, toda amores.

― Dormi na Rose, foram dias difíceis. Lembranças. Algumas questões mal resolvidas. Eu sinto muito.

Ela tenta sorrir.

― Você leu a carta? – Íris questiona.

― Li. Percebi algo. Mais uma vez Lily me procurou para ajudar que entendesse toda a bagunça. É como se os anos tivessem passado e ela ainda visse em mim a pessoa que não julga, a pessoa que resolve. Quem tem sempre um sorvete, um sofá e uma cena de série no repete.

― E você não é mais essa pessoa?

Penso por um minuto. Eu ainda amo ela de alguma forma complexa. Mas amo Íris de uma forma simples, leve, real.

― Não. Eu estou exatamente a mesma pessoa... Por isso comprei sorvete e coloquei na sua série preferida.

Ela me beija.

Notas finais
Vamos para o próximo? Beijos...