Único. Épico.
5 5.
Notas iniciais
Hugo e Lily.
É o que eu penso quando acordo no sofá. Nem me lembrava de ter aparatado depois de longos minutos balançando na noite escura. Mas percebo que vim para o lugar certo, estou em coberto com uma manta de retalhos e o cheiro de café me faz despertar por completo. Seus olhos não me julgam, não me condenam. Apenas sabem que preciso conversar.
Sento-me a mesa, recebo a caneca com o líquido preto, biscoitos. Escuto as crianças brincando no quarto, sinto cheiro de torrada. É uma mistura de aromas, barulhos e cores.
― Scorpius foi visitar os pais. – Minha irmã diz apenas para começar a conversa. – Fiquei sabendo que ela está de volta.
Ergo meus ombros com displicência.
― Você aparatou em minha porta durante a madrugada, dormiu em meu sofá. Assustou levemente as crianças. – Sua mão cruzada em frente ao corpo me faz lembrar de nossa mãe.
― Não a encontrei, se é essa a pergunta.
― Está pensando em reencontrar? – Rose ergue a sobrancelha, sempre foi boa em me fazer confessar. – E Íris?
Balanço a cabeça. Nós estamos bem, eu e Íris. Mas alguma coisa me faz pensar nos assuntos mal resolvidos, na adolescência. Em tudo que poderia ter sido. Em tudo que não poderia ter sido.
― Estamos bem, é só que... Nós éramos alguma coisa, você não acha? – Sei que ela é a única que falará tudo em minha cara.
― Você entregava demais e acabava sofrendo. Ela de menos e te fazia sofrer e nenhum dos dois pareciam capazes de sair disso. Isso é uma crise dos trinta? Porque é terrível e faz com que reavaliemos nossa vida inteira.
Eu sabia que Rose abriria meus olhos. Talvez seja mesmo uma crise. Eu fecho os olhos agradeço acenando e deixo o café me esquentar.
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