Único. Épico.
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Notas iniciais
Quando recebi aquela carta me convidando para o encontro eu pensei muito antes de tomar a decisão de ir. Eu estava tentando me manter afastada, ou certamente fingindo que estava. Isso era uma prática difícil de controlar. Quando se finge o tempo todo, acabamos não percebendo quando é real e quando não é.
Enquanto nós riamos eu torcia internamente para que ele cruzasse as portas da cafeteria, para que já tivesse esquecido todas as nossas nuances de preto e branco. Ouvi dizer que estava tentando voltar a sorrir, pensei que nosso reencontro ajudaria. Eu estava pronta para ele, como em nenhum outro momento estive.
Já que minha cabeça ignorava a maior parte da conversa, pensei ter o visto do lado de fora. Perto do ponto de ônibus olhando para mim. Mas foi só piscar meus olhos que a imagem desapareceu. Não era ele. Eu me despedi de nossos amigos, falei que a dor de cabeça não estava colaborando comigo, jurei que tinha um compromisso inadiável. Eu tinha ido até aquele momento em busca de apenas uma pessoa, tentando conquistar uma única resposta.
O fato dele não ter aparecido, apesar das peças que meus olhos insistiam em pregar, eu não consegui deixar aquela cidade movimentada, cheia de trouxas e de suas táticas para tornar suas vidas mais fáceis do que realmente são. Andei pelas ruas, observei lojas e pessoas. Entrei em um cinema e não aproveitei o filme. Corri o mai rápido possível, lutei contra meus impulsos, comprei uma garrafa de vinho, terminei a noite deitada em um cobertor antigo chorando arrependimentos no escuro. Pensando se seriamos capazes de nos encontrar.
Tendo a certeza de que ele também sabe que os melhores filmes de todos os tempos nunca foram feitos, já que se um dia os fizessem seriam sobre nós dois.
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