Último primeiro beijo
1 Capítulo único
Notas iniciais
James Potter é um idiota!
Digo isso com toda a propriedade que tenho, conhecendo-o desde os meus 11 anos, e ainda afirmo em um papel oficializado: James Potter é um idiota.
Não é segredo para ninguém que ele diz sentir algo por mim. James tem os seus momentos bons e ruins, e tem os seus momentos péssimos, e normalmente esses se referem a quando não cansa de me dizer coisas insanas que, com o cérebro minúsculo que parece ter, o convencem de ser a chave para fazer eu cair apaixonada aos pés dele.
Questionei Remus durante muito tempo, durante todos os últimos 6 anos em que passamos juntos, e em todas as vezes ele me dizia a mesma coisa:
— Você sabe o que sente por ele, e poderia fazê-lo parar se realmente quisesse. — Lançando aquele terrível olhar que eu sei que tem muito mais coisa escondida por trás.
É o que dá virar amiga do melhor amigo do cara que se diz apaixonado por você, sabe?
Mas, em partes, ele tem razão.
Em certo momento no quarto ano, após acabar minha amizade com Severo, estava farta de qualquer coisa que pudesse remeter ao Potter e suas brincadeiras, principalmente após ouvir sobre como suas elas cada vez piores com Snape e outros sonserinos — e, mesmo eu não sendo mais amiga dele não o queria machucado permanentemente, mesmo que Alice dissesse que isso talvez o ensinasse algo.
Então, em um lapso de ter acabado de acordar e preocupada até onde as brincadeiras de James poderiam ir, eu — talvez — tenha gritado no meio do Salão Principal algo como:
— Você é um idiota, James Potter! Um idiota do tamanho que não consigo nem ao menos medir. Você se acha tão superior e tão engraçado em meio aos seus sorrisos e fama no quadribol e como as garotas olham para você e o outro idiota de cabelo comprido aí que se esquece que nem todo mundo precisa beijar os seus pés ou dar gritinhos de alegria ao mínimo de contato com Vossa majestade. Não, James, eu não quero sair com você e muito menos quero que você me dê cantadas patéticas como você faz desde o 2º ano... E mais, eu acho que você deveria fazer uma meditação em frente ao espelho de pelo menos uma semana para aprender a se enxergar melhor!
Lembro de sair do Salão com vários olhares em mim, enquanto bufava e escutava Marlene me acompanhando sorrindo.
Depois disso, James ficou um tempo sem as cantadas baratas, sem as atenções ou brincadeiras e até mesmo as pegadinhas que ficavam pesadas com os sonserinos foram cessando e voltaram ao normal — não pararam, apenas voltaram às raízes da inocência, como a famosa crise de pó de mico no quinto ano, que afetou até os primeiranistas.
Não nos falávamos e eu, por vergonha ou não pois, de certa forma, o expus na frente da escola toda, não só dos alunos mas como dos professores também, evitava o encontrar ou ficar com menos de duas pessoas no mesmo ambiente. Até que Remus me contou que Sirius vinha tentando apresentá-lo para outras garotas:
— Achei que eles já saíssem com garotas. — Eu disse sem retirar os olhos do pergaminho de poções à minha frente.
— James em si, não, apenas Sirius. Sabe, James era como um combo em algumas vezes... a garota não iria se a amiga não fosse, e ele era a resposta a isso. — Remus disse, e senti seu olhar parar em mim me analisando.
— E como você se sente em relação a isso? — Não ia deixá-lo me analisar, sabia como tocar em sua ferida.
— Com James sendo o step? Eu fico ok, sabe, sei que é por uma causa maior, mas também sei o quão sensível ele é. — Virei os olhos com essa última fala dele.
— Me poupe, Lupin! Sabe bem que me refiro a como você se sente sobre Sirius!
— Eu e ele nos entendemos da maneira que nos entendemos, ele não faz isso há um tempo, e você está tentando mudar o foco do principal ponto.
— Que seria?
— James!
— Que é um idiota!
— Lily...
— Sabe, Rem, essa conversa fica cada vez mais cansativa de tentar me convencer de algo que sei que não estou. — Guardei os materiais e olhei diretamente para ele — Você sabe como me sinto sobre James e mesmo assim se convenceu que na verdade sou apaixonada por ele!
— Só você, e James, que não sabem disso ainda, Lily. É essa a questão.
— Então, eu devo correr para os braços dele e declarar o amor que eu nem ao menos sei que existe? Como funciona isso?
— Não é isso o que quero dizer, Lily, por Merlin! O que quero que você veja é o que se passa dentro de você. Se convenceu tanto de que James é esse idiota, que você não suporta, que não se deixa perceber como cora perto dele, ou como olha pra ele quando ele desvia o rosto, ou como solta risadas baixas de qualquer coisa que ele diga, mesmo que nem seja engraçada. Você se convenceu tanto disso, Lil, que não consegue se entender, porque esse sentimento te assusta.
Haviam se passado 2 anos desde essa conversa, e agora, no sétimo ano, e eu havia entendido o que Remus tentara falar para mim — não que eu tenha seguido meu coração e eu e James fossemos um casal agora, mas éramos amigos e mais em paz agora.
Depois da conversa com Lupin eu decidi me acertar com James, e, depois de uma semana, voltamos ao normal e percebi que, realmente, ruborizava ao ficar perto dele, ria de qualquer palavra que saísse da sua boca, e o olhava em situações que soubesse que ninguém veria — ou eu achava isso, já que, pelo visto, todos sabiam dos meus sentimentos menos eu mesma.
E mesmo que eu conhecesse algumas pessoas aqui, e James conhecesse outras ali, era o rosto dele que eu me sentia confortável de ver ao entrar na Sala Comunal , e era com ele que eu sentia me aquecer ao jogar qualquer coisa que estivesse à nossa disposição. E foi com ele que eu finalmente entendi todos os livros de romance que lia em casa falando sobre beijo verdadeiro ou a tal de ''borboletas na barriga''.
Mas esse beijo faziam duas semanas.
Não falamos sobre ele e não contamos a ninguém — se algum dos marotos sabiam eu deveria dar o parabéns, principalmente a Sirius que se superou em finalmente guardar um segredo, já que nem disfarçar sobre ele e Rem ele tentou por muito mais que uma semana.
Continuamos nossa vida normal, discutíamos, ríamos, saíamos todos juntos, ficávamos até tarde no dormitório dos quatro conversando. Coisas normais. E, não é como se eu tivesse achado o beijo ruim, mas, eu sabia que se colocasse minha boca na dele mais uma vez, eu provavelmente não a tiraria dali por um bom tempo, e eu não queria me arriscar à isso.
E então, Sirius chega correndo ofegante até a nossa mesa na biblioteca. Ele e James haviam decidido burlar nosso grupo de estudos para a semana de provas e trabalhos para fazer sabe-se-oque pela escola — e o quanto Black tentou convencer Remus a ir com eles foi absurdo.
— O que aconteceu, Six? — Remus pegou a mão do de cabelo preto enquanto este tentava controlar a respiração.
— James... Snape... Briga.
— O QUÊ? — Gritei alto e todos em volta me olharam bravos.
— Eles estão brigando, Six? Como assim? — Lupin tentava acalmar o namorado.
— Sim, na sala... de transfiguração. — Sirius olhava para todos da mesa.
— Onde você vai? — Alice falava comigo, já que estava me levantando e amarrando o cabelo, me preparando para correr.
— Onde você acha? Parar esse idiota de fazer mais uma idiotice, e eu juro que dessa vez ele é um homem morto por se meter nesse tipo de coisa com... você sabe que tipo de gente.
— Lily! — Ouvi Remus gritar atrás de mim, mas estava decidida.
E é dessa forma que afirmo para você: Não importa o que aconteça, quantas conversas tenhamos é essa a grande verdade, James Potter é um completo idiota! E eu estou pronta para entrar naquela sala, arrancar a varinha ou o que seja da mão dos dois e gritar para James o quão idiota ele é.
— James? — falei pois a sala estava vazia — será que Sirius errou qual sala era? Ele não costuma muito ir nas aulas.
— Ele acertou a sala, Evans. — Ouvi uma voz vindo de trás de uma das lacunas.
— Onde está Snape, então?
— Oh, isso, por sorte, ele errou. Imagine que desagradável tê-lo aqui com o que estou prestes a fazer? — Ele usava uma camiseta vermelha e uma calça de moletom, como se tivesse acabado de sair da cama e andasse pela casa em uma manhã de domingo, com o olhar sempre alerta o que fazia eu me sentir em alerta, como se a qualquer momento ele pudesse fazer algo.
— E o que é que você irá fazer, Potter? — Tentava não pensar nos fenômenos de corar que tanto ouvia que acontecia quando ficava perto dele.
E então, James chacoalha a varinha e à nossa volta estão diversas luzes pequenas e brilhantes — eu poderia dizer vagalumes mas não tenho certeza se vagalumes podem ser coloridos ou como James os traria até aqui e os deixariam parados no ar — e consigo sentir seu olhar suavizando ao me observar, e consigo senti-lo mais ainda quando fixamos os olhos um no outro, ouvindo apenas a nossa respiração.
— O que é isso, James? — Fico de frente para ele à alguns metros de distância.
— Para falar a verdade eu não sei. Pedi por uma ideia, Sirius deu uma, Remus ia dar um jeito de colocá-la em prática e parece que Peter escolheu as cores.
— Eles sabem disso tudo? — Não podia dizer que estava surpresa. — Sirius atuou bem dessa vez.
— O ego dele estará muito bem alimentado, se me permite dizer. — Ele ia dando passos curtos a cada vez que falava.
— E para que seria isso? — Eu dou três passos em direção a ele, porque não aguento mais essa demora.
— Porque eu quero ser o seu primeiro último beijo, Lily Evans.
— Como? — Dessa vez eu, talvez, estivesse surpresa. Estava acostumada com as cantadas de James, e não é como se ele não tivesse feito algo como, cantar em meio do campo de Quadribol, ou enviado flores e doces para mim mas, considerando minhas constantes descobertas e esclarecimentos e como todo esse cenário parecia íntimo e genuíno eu me encontrava zonza e parcialmente surpresa.
— Nós dois já tivemos nossos primeiros beijos, nossas primeiras experiências de namoro e encontros e tudo o que se segue desse tipo de coisas. Mas, há duas semanas, Lily, tivemos a nossa experiência de primeiro beijo entre nós. — Ele fechou os olhos, como que relembrando aquela cena, e respirou fundo. — Sabe que você é minha paixão desde que te conheci há 6 anos atrás, Evans. E sabe mais ainda que nunca desisti, e nunca irei, e depois daquele beijo sei que você, possivelmente, sente o mesmo.
— Você é muito convencido mesmo! Depois de um beijo, James? — Eu disse levantando uma das sobrancelhas.
— Oh, Lily, vai muito além de um beijo. Vai nos nossos olhares, que demorei pra perceber o que eram, nas nossas risadas e conversas, ou até no jeito que você ri de qualquer piada sem graça que nem o Peter consegue rir.
— Digamos que você esteja certo, e ai?
— E aí que você me permite ser o seu último primeiro beijo.
— E se não der certo?
— Vai dar certo.
— Mas e se não der?
— Porque não daria?
— Muitas coisas não dão certo.
— Mas e se não der?
— Então, não deu. E eu não fui seu último primeiro beijo e você não foi o meu, e então, seguiremos para a próxima de cabeça erguida e sabendo que aproveitamos ao máximo o que quer que seja que coloquemos em prática aqui. Mas se der, Lily... — Ele pegou fôlego segurando os meus ombros e olhando no fundo dos meus olhos — se dermos certo, eu vou ser o homem mais feliz do mundo.
Pode ser que eu tenha pirado de vez, sabe?
Pode ser que realmente eu seja a pirada que Petúnia tenta me convencer toda vez que nos vemos.
Ou que os N.I.E.M.s. tenham sido extremamente puxados.
Mas nós dois aqui, em meio à imensidão de luzes coloridas, — que eu espero que não sejam tóxicas — as palavras de James, e, realmente, os meus sentimentos que não poderiam estar mais nítidos em relação a como me sinto a James Potter, o garoto que diz estar apaixonado por mim desde que nos conhecemos na primeira semana de aula, tudo se encaixa e me diz para arriscar o que tenho, pois irá valer a pena.
— Tudo bem. — Eu disse quebrando o silêncio e tempo de encarada que nos colocamos.
— Tudo bem o que? — Ele dava um sorriso de lado.
— Tudo o que você disse, Potter.
— Eu preciso que você diga com todas as palavras: ''Eu, Lily Manfreld Evans...''
— Meu nome não tem Manfreld. — Eu o interrompi enquanto ele recitava dramaticamente a frase, em resposta recebi sua mão dizendo para eu esperar.
— ''Aceito e quero seu o último primeiro beijo de James Bonito Potter.'' É só dizer e sou seu. — Ele abriu os olhos e me encarou sorrindo.
— Você sempre foi meu, pelo o que diz, James.
— Isso é verdade, mas ainda preciso que você diga.
Eu me aproximei mais dele, vi seu óculos embaçando aos poucos, como no dia em que nos beijamos pela primeira vez, com nossas mãos se tocando sem querer e logo se segurando uma na outra, senti sua respiração compassada com a minha — que estava acelerada tanto quanto — e olhando no fundo de seus olhos castanhos eu disse:
— Você é um idiota, James Potter!
E mergulhei em um mar de sensações boas que eu não sabia ser capaz de presenciar ao mesmo tempo, com os sabores de James e meus misturados, suas mãos que subiram ao meu rosto após ter sido pego de surpresa e nossos corpos ocupando aquele espaço iluminado. E nem mesmo o Sirius gritando ''Finalmente!'' ao fundo conseguiu fazer eu imergir daquele mergulho profundo em que eu estava experimentando — e o qual eu me tornaria especialista.
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