Hanna, ao chegar a casa, sentou no sofá, pensativa: “Como amo minhas amigas!” Pensou um pouco, depois largou sua mente a viajar em coisas bobas e pensamentos avulsos. Levantou-se, abriu a geladeira a entornar suco de pêssego no copo e voltou a sentar. “Emily, como ela é linda. É simples, mas elegante. Spencer... Spencer tem se vestido muito bem estes últimos dias... É esperta, determinada, focada, tem uma beleza diferente e esguia... Aria... Ha ha, Aria é um nome tão curtinho e fofo...fofo como ela...combina...Aria tem lindos olhos, da cor do mar do Caribe...e do Ceará. Hanna adora viajar, mormente a países tropicais. Havia viajado às Bahamas e ao belo nordeste brasileiro. Lembrou que Aria adorava música brasileira...MPB, bossa..

Seu o fio do balão de pensamento foi cortado pela voz de Ashley Marin, sua mãe.

–Hanna, vou pagar o cartão de crédito, me faça o favor de comprar menos.

–Tá bom, mãe... — disse, a revirar os olhos.

Ashley reagiu calmamente, somente dando um olhar materno, indulgente, mas também com um pouco de reprovação. “Adolescentes, pensam que são imortais... imortais só os deuses... acham que devem fazer de tudo” meditou Ashley.

Ao fechar a porta, Hanna voltou a seus pensamentos. Como se por mágico dos deuses ou por um tipo de telepatia, pensou também nos deuses, nos gregos, lembrou a aula do charmoso professor de História. “Ele é bonito” Voltar a ponderar nas amigas. A imagem de Aria vinha... Seus lábios pintavam sua mente... Estranhamente essa imagem se colou à do momento no parque quando criança. Veio aquele momento. Um beijo… Nada mais mágico que um beijo, única conexão da Terra ao céu, um raio de trovão invertido... Hanna nunca se sentiu tão poética. Mas só por um momento, porque as imagens das vitrinas dissiparam seus poemas em forma de imagem, poesias em cores. “Ah se eu pudesse ter todas as coisas do mundo. Se eu fosse uma deusa. Imortal, que houvesse tudo neste mundo.” Hanna não era deusa, mas era muito bonita. Sua pele alva, como a caspa... ha ha brincadeira... Alva como a margarida... Seu perfume de azaleia... Seus lábios róseos tais quais as peônias. Peônias, róseas pétalas espirais como a cabeça de Hanna e como o coração de Aria, que pensava na amiga. Aria era equilibrada e perspicaz, sabia ver o bom e o ruim de algo e de alguém. Aria notava a semelhança de Hanna à menina dos sonhos. Hanna às vezes era fútil e tola, mas divertida e sabia aproveitar a vida. Aria gostava também, mas era mais cautelosa. Sabia prever quando uma situação sairia de controle. E o controle pega Hanna a assistir algo na TV. Parou a ver Orgulho e Preconceito. Ela adorava esse filme. E Aria também, Aria era mais romântica que Hanna, esta não tanto, mas sabia quando estava apaixonada. Gostava de experimentar e provar do melhor e de tudo.

Aria pegou de seu celular e discou à sua amiga. Lá estava entre os favoritos, contatos imediatos ao lado das outras duas amigas. Hanna estava na foto com uma cara sorridente e fazendo pose de “Estou aproveitando à festa”; ao fundo, uma boate. Spencer, com uma cara séria, mas sem deixar exibir sua beleza simples, mas de uma modelo. Emily inclinava levemente a cabeça, olhos curvados para cima e em direção à câmera. A morena era linda, talvez a mais bela e completa. Seus olhos meio amendoados, herança filipina, era sua marca e lhe imprimia uma beleza única.

–Alô?

–Hanna?

–Oi Aria? É você mesmo?

–Ainda tem dúvidas? Não reconhece minha voz?

Aria tinha uma voz suave e ao mesmo tempo firme. Hanna se sentiu desajeitada pelo mico, mas rapidamente se recuperou, dizendo com tom amigável e brincalhão

–Essa voz feia, não mesmo.

–Hã? … Ah, ha ha ha, sua besta.

–Sabe que te adoro, né?

–Sim. Então, você vem?

–Claro, chego aí em dez minutos.

Hanna entrou no carro. A casa de Aria é perto, mas preferiu assim. Preguiça… Enquanto dirigia, observava a paisagem da pequena cidade da Pensilvânia. Pacata, mas a fofoca enchia os sussurros calmantes nos bares e restaurantes. Murmúrio agudo de um vento, mas incômodo e alto de gente tola e hipócrita, não cuidavam de si, mas cuidava dos assuntos alheios.

Parou no estacionamento da casa da pequena. Saiu do veículo. E da janela se podia ver Aria ao celular verificando as mensagens do Whatsapp. “Pequena, que dá vontade de abraçar; pensou” a garota de fios áureos intercalados por fios morenos menos bastos. “Hanna ficaria linda, se houvesse cabelo castanho” pensou a morena, depois de perceber sua chegada. Voltou a si, e exclamou um oi, sorridente. Hanna sorriu e prontamente entrou na casa de Aria. Não havia ninguém em casa. E Aria havia deixado a porta destrancada.

Hanna, enquanto subia as escadas, olhou alguns retratos. Mas pulou os olhos por cima de um retrato delas duas quando pequenas.

–Celebridade entrando… — Disso riu Aria.

–Entra aí, famosa — expressou Aria.

–Ah, gente bonita como eu não pode se deixar passar despercebida.

–Sim, de fato, és bonita. — reagiu Aria, enrolando as madeixas loiras entre os dedos suavemente. A isto, reagiu Hanna dando um sorriso bobo. Os olhos gázeos de Aria corriam os cabelos de Hanna.

–Ficarias irada, com cabelo... Sabe? ... Mais escuro.

Hanna fingiu que concordou, estava distraída a olhar o livro de Aria.

–Sobre que é?

–Ah, é um livro que Spence me emprestou, sobre mitologias e pensamentos gregos.

–Hum… — sibilou Hanna, perdendo o interesse.

–Hanna propôs um jogo de perguntas e respostas:

Compartilhe com seu parceiro um momento embaraçoso em sua vida.

Quando foi a última vez que você chorou na frente de outra pessoa? E sozinho?

Diga ao seu parceiro algo que você já gosta nele ou nela.

Qual é a sua memória mais terrível?

Se você pudesse acordar amanhã e tiver ganho qualquer qualidade ou habilidade, o que seria?

Aria leu-as e achou interessante. Você, primeiro. Hanna entusiasmada respondeu as perguntas. Aria, a observava, ria junto ou ria dos momentos embaraçosos e divertidos que a loira contava. Era a vez de Aria, e Hanna ponderava enquanto olhava o rosto de Aria. Sua face e aqueles momentos lhe traziam uma paz indefinível. Aria, por sua vez, também pensou. “Como é bom a amizade! ’’

Notas finais
Vocês querem que tenha um final triste ou feliz?