Aria e Hanna olhavam-se todo dia praticamente. Eram amigas mais que nunca. Aria às vezes se pega pensando como surgiu essa amizade. Unhas pintadas, maquiagem, risos, vôlei, patins, cola, tinta, bagunça, faxina, cadernos, fofocas, piadas. Tudo vinha à mente de Hanna como uma colagem de fotos capturando os melhores momentos. Ria das coisas importantes e das idiotices e bobagens que passaram juntas. Uma profusão de sentimentos e pensamentos. Aria ficou pensando até adormecer sob a sombra de uma magnólia. Era primavera. O barulho das adolescentes andando de patins e os meninos a jogar bola não incomodava Aria. Aria teria sonhado, quando...

–Aria! – pronunciou Marin

A pequena morena levou um pequeno susto. Apoiou sobre os braços e levantou-se a ficar com o tronco um pouco na horizontal, ainda apoiada sobre as mãos na grama.

–Oi, Han...

Em seguida Han sentou-se ao lado de Aria e deitou a cabeça sobre o ombro da morena.

–Quer fazer alguma coisa?

–Sei lá. Acho que quero ficar aqui. Sei lá... Ficar observando

A isto, Hanna não reagiu. Voltou a olhar para frente, assim como Aria, e em alguns instantes antes de responder, notou que a pequena estava a fechar os olhos com a luminosidade e com o cochilo. Tratou-se de por seus óculos escuros na amiga. Cada gesto, Aria guardava no coração. Cada murmúrio, cada assobio, cada cutucada para aperrear, cada besteira. Aria poderia escrever num diário, mas pensava a cada noite nos momentos felizes do dia. Voltou a dormir em paz.

–Ah, qual é. Vamos nos divertir. Dar uma festa, ir à boate. Quer ir no final de semana?

É por que não – Aria fazia tempo que não se divertia pra valer, exceto os momentos doces com Hanna.

À noite, as meninas estavam ao balcão na boate. Aria não bebia, mas não recusou a que Hanna ofereceu.

–Você não tem jeito, Han – riu a pequena.

–Não tenho mesmo – viva a bagaceira!

As duas brindaram. Aria sorria. Hanna tratou de dar logo um gole. Aria imitou o gesto, sem tirar os olhos da amiga e achar graça. Em seguida, uma bela jovem de cabelos castanhos claros, olhos azuis e lábios finos, de vestido verde de bom gosto, convidou a loira pra dançar. Tinha-a observado há um tempinho e preferira a mais alta. Hanna assentiu “Por que não?” e Aria as acompanhou com os olhos discretamente. Enquanto observava as duas dançando, Aria só observava indiferentemente. Não parecia achar a festa aquelas coisas. Recusou um primeiro convite. Deu um gole na bebida. Pediu fritas, e enquanto esperava, olhava ao redor. A festa lhe causava uma impressão serena, mas nada de empolgante. Só ficava ali. Enquanto comia as fritas, observava os casais dançando. Notou os rostos bonitos até aceitou um terceiro convite para dançar. Aria serenamente foi conduzida para um canto e começou a dançar suavemente. Seus olhos caíram sobre os do acompanhante. Fitou por um segundo e desviou o olhar lentamente. Caiu os olhos acidentalmente sobre a acompanhante de Hanna e logo pra esta. Parecia se divertir. Afinal era Hanna. Voltou as olhá-las e sentiu um pouco de ciúmes. Aria não demonstrou esse sentimento mesmo que fraco. Trocou de parceiro e não notou que estava mais perto da loira. Depois de quase uma hora, voltaram as amigas a se encontrarem. Aria deslizou os polegares suavemente sobre os braços de Hanna e sorriu

–Se divertiu?

–Claro, meu bem – A resposta de Hanna pareceu muito natural para uma parceira não muito usual, pelo menos para a loira, já que Aria nunca a viu como uma garota de forma romântica ou como par para alguma coisa, como a própria dança. Aria desviou o olhar para frente esboçando uma expressão serena.

´ No dia seguinte no Café do bairro, depois de algumas piadas, conversavam sobre a noite anterior.

–Foi divertido – expressou Hanna

–Sim, foi.

Hanna reagiu simplesmente tocando o rosto de Aria suavemente, segurando-a pelo queixo. As duas deram risos, que logo se substitui com expressões serenas e com sorrisos esboçados.

–Você é linda. – notou a loira

Hanna continuou com a mesma expressão com sorriso de lábios cerrados, de forma serena. Depois gargalhou:

–Linda o suficiente para me agarrar? — sugeriu a pequena num tom brincante

–Mas é claro – brincou Hanna, apertando a bochecha direita de Aria.

Aria pensou nas duas juntas por um instante, mas foi interrompida pela loira

–É, com uma garota, é diferente, mas tão bom quanto com meninos.

Aria pensou nisso por uns instantes, e sentiu-se estranha um pouco. Olhou para a mesa. Imaginou a cena que Hanna sugerira. E corou quando pensou na Hanna. Esta não entendeu porque Aria de repente coraria.

Hanna verificou rapidamente as mensagens do whats. E voltou a olhar para Aria. Esta pegou no rosto de Hanna, que olhou pros olhos de avelã da pequena. Hanna inclinou-se levemente para frente perto do rosto de Aria, sentiu o novo perfume de Aria, que não conseguia identificar. Aria notou que se aproximavam, mas viu Hanna desistir quando passou um conhecido. Hanna prontamente o saudou. E Aria olhou para Hanna e depois pro conhecido da loira. Foi um sentimento de decepção, mas ao mesmo tempo de alívio, uma vez que a pequena não saberia o que reagir. As duas voltaram a conversar após a retirada do amigo de Hanna, Aria pensou naquele momento intimate por um momento, mas se recuperou voltando a conversar normalmente com Hanna.

As duas voltaram para casa. Hanna deu carona. Aria, calada, pensou avulsamente a olhar para as árvores do caminho pela cidade. Pensou no momento. Sentiu-se um pouco decepcionada com a reação de Hanna, como se tivesse medo do que as pessoas pensassem.

Ao chegarem à casa de Aria, Hanna a despediu normalmente, perguntando quando se encontrariam na próxima e como. Aria balançou a cabeça mais discreta que de costume e virou-se para casa. Pôs a bolsa no cabide do quarto e deitou-se na cama com os pés no chão. Aria ficou pensando um pouco mais no momento iminente do beijo.

Notas finais
Estou d mudança. Mas dois capitulos ja tao prontos. Vai demorar uma semana ou um mes. :(