Último Resquício de Amor(Quebre as correntes)
11 Lágrimas Insignificantes
Hanna andava pelos corredores do colégio. A seu lado, passavam alguns olhares distraídos que de repente ou discretamente lia o rosto de Hanna. Era um semblante de tédio e seus olhos relanceavam sobre as caras de riso, como tentando olhar a paisagem escolar de Rosewood. Armários verde cuja tonalidade Hanna não conseguia identificar, lembrava o verde de uma cerâmica chinesa primorosa que havia visto no Museu de Paris. Estava com Aria. Esta fitava os olhos cuja cor confundia com o da cerâmica. Hanna não prestava atenção no objeto senão no fraco reflexo da pequena.
Hanna usava um batom de cor diferente de forma proposital. Entrou no refeitório e parou, fitou ao longe suas três amigas, que conversavam, mas Aria ficava quieta. Hanna tentou encontrar seus olhos e esta só fitava a superfície bege da mesa, até Spencer indicar o que Hanna estava usando nos lábios e provocar o riso na pequena brunette. Hanna não viu, estava distraída ao perceber que ficou parada no meio da entrada.
–E esse verde...? — começou Aria enquanto Hanna sentava junto a elas.
–...Verde-meleca-de-nariz – provocou Spencer
–Tá mais pra verde-vômito – ria Emily, enquanto Hanna fazia careta zombando dos risos das meninas.
–Ok, ok... – levanta as mãos a loira.
O clima não demorou muito a se espalhar, o momento de descontração. Almoçaram em silêncio durantes uns minutos e Spencer contou uma piada, o que era difícil com a garota. Mas até que se saiu bem, pensou Hanna. Aria, nada, só nadava em seus pensamentos. Hanna ria, mas ao mesmo tempo olhava de relance a pequena. Incomodava-lhe a indiferença.
Quando o professor ia ditar, Hanna deparou com o desenho que fez dela junto a uma garota, que percebeu dias após que Aria escondida em seus pensamentos, que se projetava no papel na forma de desenho. Hanna olhou-o alguns segundos e lançou a vista ao dorso de Aria. Esta sentava agora três cadeiras à frente, o que perturbava Hanna nos últimos cinco dias.
Finda a aula, Hanna, sozinha, que não era o costume, saiu agarrada a seu caderno no peito. Olhava o chão ao andar até viu Emily na escada de acesso ao térreo mexendo no iPhone que a loira lhe deu no seu aniversário há alguns meses. Ao fundo, uma alvenaria de tijolos vermelhos-ocre, tão perfeita, tão lisa, que parecia papel de parede.
–E aí, que anda escutando?
–Nada, o celular não está reproduzindo música agora. ‘Tava mexendo em algumas funções que não tinha descoberto.
–É, quando te dei, aposto que ficou um dia inteirinho mexendo, procurando todas as funções...
–... E baixando tudo quanto aplicativo – riu a morena
Hanna recostou a cabeça sobre o ombro de Emily. Hanna procurou começar o assunto mas só falava com os lábios, saindo um fraco vento contendo Ar...
Emily continuava distraída tateando a tela. Hanna virou o rosto ainda com a cabeça sobre o ombro.
–Aria...
–Hum?
–Aria tá estranha, não?
Emily arqueou pra baixo os lábios:
–É... Sim... Bem estranha
–Quer falar com ela sobre isso?
Emily interrompeu o que fazia e tornou os olhos orientais à direção da loira, então concordou.
–Valeu, Em. You are the best.
Emily sorriu e balançou a cabeça para o lado, sem o que responder. Hanna passou o braço por trás da nuca da morena e esta retribuiu o carinho segurando sua mão.
–Vou falar com ela ainda hoje.
Chovia e Hanna estava na moda até quando se tratava de roupas de chuva. Pisou algumas poças e resolveu chutar uma delas, que respingou água no velhinho sentado no banco. Hanna não ouviu o carão, só olhava Spencer dando proteção à Aria da queda do choro das nuvens. E assim chorava a pequena, cujas gotas se confundiam com as da chuva. Eram lágrimas insignificantes que até Spencer não notou o ar de tristeza da garota.
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