Hanna olhava pela janela de seu quarto como o sempre fizera. A frouxa fumaça do cigarro contrastava com a dureza de seu ar expirado. Olhou que a outra morena estava lá fora.

–Han, tem algo p’ra você.

– ! – Hanna estava com os braços cruzados e arregalou levemente os olhos antes de apanhar a correspondência.

Olha quem está aqui também. Emily saca o smartphone. Spencer por videoconferência. Skype. Ué, Spence conseguira a sonhada Universidade, mas as Liars já estavam a terminar o tempo de faculdade. Podia ser uma velha reunião das amigas. Mas se passara um tempo desde aquele episódio love-erótico Hanna x Aria. Não era como antes: as conversas, os momentos bobos entre as amigas, passou a adolescência.

–Por que Aria escreve esses poemas? – inquiriu Emily.

–? – Spencer franze o rosto em sua típica expressão indagadora.

... – Hanna somente olha para frente, após ler os poemas.

–Deixe-me ver – manda Spencer.

–Hum, parecem cartas. Aria não quer dizer algo além de seus pensamentos?

Emily refletia por que Aria se afastara. Nunca mais falou com as três amigas. Formou-se e foi embora, não se sabe pra onde – compartilhou essa última frase em seus pensamentos, Hanna: — ...para onde...?...? – enquanto segurava distraidamente os papeis para Spence ler.

“Estou a ir. Sem volta.”

As duas amigas mais a virtual Spencer desceram à cozinha. Ashley havia preparado um lanche. Emily olhou para uns retratos. O rosto alegre de Hanna na foto contrastava com a Hanna Material, que parecia pensativa e séria. E a de Aria, com forte presença na foto enquanto que no real não estava. Spencer, a mesma cara. E quando viu o seu próprio retrato, somente sorriu.

“Um novo amor a cultivar.”

Spencer pensava nos versos também. Queria desvendá-los

“Que este anel seja eterno. Esse anel de espinhos.”

Ashley deitou sobre a mesa a bandeja com os manjares. Hanna não queria assumir aquelas curvas perigosas de antes, mas comia impetuosamente, a morrer de fome. As curvas de agora são belas. Mas novas curvas virão à sua vida. Emily estava a comer bem também. Spencer ainda estava ligada.

“Sofrimento... passou. Passemos por este anel, eu sei, será árduo”

Enquanto segurava a caneca com café, Emily nota que o destinatário estava errado.

– A quem seriam estes poemas? – indagou Emily.

Hanna só absorvia o café e se absorvia nas questões.

– Não sei...

“Árduo”

–Como se ela fosse manter algum compromisso, um acordo ou...

–Um casamento – soou em uníssono Hanna e Spencer.

Emily só olhou com a sobrancelha levantada. Hanna continuou incólume.

“Mas o eterno é assim.”

Hanna repetia os últimos versos em sua mente.