Último Adeus
1 Único.
Sim, ela merecia algo melhor. Todos eles, mas a vida era injusta. Quando ela pulou na frente do cão do inferno para proteger o cara que ela ama, ela sabia quais seriam as consequencias. Era perigoso, mas ela foi corajosa o suficiente para isso.
Ela era tão jovem, tão ingênua ... Dean foi o único a morrer, não ela. Ela sacrificou sua vida por um babaca, é o que Dean sempre pensa.
Agora, bem na frente de seu túmulo, com uma rosa na mão, ele se preparava para dizer adeus. E para pedir desculpas também, por ser a última vez que visitaria o túmulo dela.
Sam e Dean teriam que se mudar e talvez nunca mais voltar. Esta seria, provavelmente, a última vez que a visitaria.
Ele se ajoelhou ao lado da sepultura e colocou a rosa sobre ela. Uma lágrima caiu de seu olho e encontrou seu caminho para o chão. Ele suspirou e respirou fundo, tentando aliviar a si mesmo. Esta dor em seu coração era às vezes tão insuportável que ele queria rasgá-lo para fora do peito e jogá-lo fora.
Ela não deveria morrer. Por que ela tentou protegê-lo? Porque, em primeiro lugar, ela se apaixonou por um cara como ele? Estava tudo errado desde o início.
– Oi, Jo. Ele disse, sorrindo um pouco ao dizer seu nome. Ainda soava tão doce saído de sua boca. Ele se perdia chamando seu nome. E ela também.
Ele não estava ciente de que, naquele momento, Jo estava de pé ao lado dele.
Seu espírito nunca conseguiu sair da terra e agora ela estava presa dentro deste lugar. Ninguém ouvia, enxergava ou sentia sua presença. Ficou sozinha por muito tempo. E ela sabia que estava ficando louca lentamente, mas não era pra isso que ela ainda permanecia ali, pra acabar se tornando um fantasma como alguns dos que ela matou.
Ela sorriu quando viu Dean chegar ao seu túmulo. Depois de um longo tempo finalmente ve-lo. Carne, osso e vivo. No entanto, a infelicidade dele era perturbadora. A última vez que o viu, ele estava bem. Ela quase o matou, mas foi por causa daquele Deus egípcio estúpido. Ele a forçou a fazer isso.
E quando Dean continuou. — Senti sua falta Jo. Na verdade, eu sinto sua falta todos os dias. Ele disse e respirou fundo novamente, tentando se segurar para não chorar. — Eu sinto muito ter demorado para visitá-la.
Com lágrimas silenciosas Jo começou a chorar.– Está tudo bem. Ela sussurrou enxugando as lágrimas.
– Eu só ... Não tenho forças ... Quer dizer, eu não podia ... Eu sou o único culpado, Jo. Você... Você merecia o melhor. Naquele dia, quando eu vi você como um fantasma, eu me lembrei ...Lembrei dos dias em que você costumava rir, sorrir, caçar ... Você estava viva. E feliz. E agora... Agora, eu estou de pé na frente de sua sepultura... Dean teve que parar por um momento. Suas lágrimas não eram mais silenciosas. Estava tentando aliviar sua dor pelo choro, mas não estava funcionando. -Era para você estar viva agora, Jo. Nós deveríamos estar juntos. Nós deveríamos caçar coisas sobrenaturais, nos divertir, nós deveríamos ... Nós deveríamos segurar um ao outro.
Jo fechou os olhos, imaginando por um momento estar junto de Dean, segurando-o, abraçando-o, beijando-o... Era tudo o que ela queria, quando ela estava viva. Ela o queria mais do que qualquer outra coisa.
Dean segurou sua cabeça entre as mãos. O gosto amargo destas palavras não deixaria sua boca enquanto ele não falasse. — Eu te amo, Jo. Então, ele sorriu. — Você sabe, nós sempre lutamos, discutimos porque você era tão rebelde e eu agindo como um irmão mais velho o tempo todo. Mas eu nunca te vi como uma irmã. Ah, e eu sempre estive ciente da sua paixão enorme por mim. Ele riu de sua sentença, não se sentindo mais tão tenso. Jo desejou que ele pudesse ouvi-la rir com ele.
– As coisas tem ficado pior. Dean disse. — Temos que sair da cidade. Estamos indo para outro lugar e nem sabemos onde. Quero dizer, vamos decidir na estrada. Então eu acho que ... Eu posso não conseguir te ver novamente, Jo. E lá estava ele chateado de novo, sem um único vislumbre de sorriso no rosto. — Mas eu prometo que, quando pararmos ...Digo quando essas coisas pararem de me perseguir, eu vou voltar. Vou voltar a ve-la. Não literalmente, é claro. Eu gostaria que fosse possível...
Jo sabia que ele estava saindo para o bem deles. Mas era difícil lidar, mesmo estando morta, ela ainda tinha sentimentos. Ela ainda tinha um coração, mesmo sem bater. Ela sabia, era uma despedida. Tinha que fazer algo.
Foi quando uma idéia lhe veio a mente e ela desapareceu por um momento.
Dean continuou falando. — Este é um adeus, Jo... Inferno! Eu nunca consegui me despedidir apropriadamente de você e eu não consigo fazer isso agora. Acho que eu não sou esse tipo de cara que consegue deixar as coisas importantes para trás. Então ele se levantou e olhou para o túmulo. Joanna Beth Harvelle foi escrito sobre ele com as datas: 1985-2009. – Eu espero que você esteja bem onde está agora. Eu te amo. Adeus. Com os olhos lacrimejados ele voltou para a porta do cemitério, quando um papel voando caiu no chão a sua frente. Olhou-o desconfiado, tentando entender de onde veio. Era um caçador e estava em um cemitério, então qualquer coisa era possível, por isso ele sacou a arma antes de tomar o papel com a outra mão.
Jo estava olhando para ele, sorrindo. Então Dean leu em voz em alta. – Adeus Dean, eu também te amo. Obrigado por tudo.
Ele se virou para trás, olhando ao redor do cemitério a procura de algo ou alguém. Não havia ninguém. Mas só por um segundo, ele pensou ter visto Jo, então ele sorriu e com o papel na mão, deixou o cemitério.
Jo estava sorrindo também porque finalmente se sentia em paz. Já era tempo. Hora de finalmente descansar em paz.
Notas finais
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