Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura, anjinhos.

Galhos, vento e noite.

Essas palavras descrevem a imagem refletida na janela do carro nesse momento, reconheço as ruas da minha cidade natal. Mesmo com o limite de velocidade seguido à risca por conta da minha avó, a névoa entrega que estamos perto do nosso destino.

Casa... Lembro-me de brincar nas escadas, as quais rangiam muito, sair correndo do ônibus escolar para chegar ao celeiro onde morei com meus pais, o lugar onde reformaram transformando em lar.

Patch e Nora, a morte deles me mandou para a Inglaterra como uma órfã sob os cuidados da avó materna, Britiney Grey. Não consigo contar quantas vezes pedi para contarem como foi o acidente de incêndio. Minha madrinha Vee sorria triste e repetia, repetia e repetia... Talvez por conta de ter nove anos, a memória desse dia sempre me ocorreu de uma maneira vaga, mas com o tempo passei a não esquecer a história contada. De algo eu tenho certeza: Havia chamas cobrindo tudo e todos, gritos e uma luz azulada nos atraindo como uma melodia no escuro.

— Esta logo ali! – disse a voz animada da vovó apontando para o final da rua, interrompendo as minhas melancolias – Sua mãe amava essa casa antiga, mas como você puxou o seu pai quer ter independência dormindo no celeiro, tudo bem, eu entendo os adolescentes, não faz muito tempo eu era como você, Rebecca.

Ri baixo e desviei a atenção para olhar para a mulher que criou a filha de sua filha. Cabelos castanhos, olhos redondos bondosos, rosto magro e sorriso caloroso, realmente diria que não faz muito tempo, considerando a sua aparência e as suas ações...

— Falando nisso, tive a impressão que alguém mexeu nas conversas com meus amigos no meu celular, alguma ideia de quem seja? – meu tom de voz deixava implícita a descoberta e acredito que minha vó tenha bufado antes de responder.

— Ás vezes, você consegue ser pior que o Patch e a sua mãe juntos, menina – exclamou com uma voz manhosa – Sabe nos mudamos de país? Eu estranhei ninguém da sua escola fazer um escândalo por conta disso, desculpa amor.

Ela lançou um dos seus olhares quentes que aquecem até a minha alma naturalmente fria. Sorri em resposta, mas não consegui dizer que meus amigos sabiam do meu desejo para voltar aqui. A minha terra, a sina que carrego.

— Ah! Pedi para arrumarem tudo para a nossa chegada, inclusive a sua matrícula, o primeiro ano do médio é importante. – Com um ar de reprovação voltou a falar – Começam amanhã... Se não estiver disposta eu entenderei, aliás, era para termos chegado uma semana mais cedo se não fosse o seu amiguinho.

No banco de traz, um cachorro de pelo muito preto estava dormindo tranquilamente. Era o cão da minha mãe e agora meu melhor amigo, Soldado Basso. Muitas vezes achei que ele cuidou de mim mais do que eu dele.

Minha avó parou o carro em frente uma casa encobrida pela névoa, balançando um molho de chaves abriu um sorriso triste e nostálgico.

— Está de volta a Coldwater, Becca.

Depois de ter desfeito as malas e arrumado meus pertences comecei a analisar o meu quarto. Digo em primeira mão que as assistentes da vovó fizeram um trabalho excelente, já que a última vez a qual entrei nesse quarto havia bonecas pelas prateleiras e desenho de unicórnios nas paredes, agora o quarto lembra o da Inglaterra, com paredes azuis num tom marinho, edredom roxo com pétalas brancas, escrivaninha e armários de madeira marrom claro. Mas, a pedido meu ninguém, tocou na janela... As cortinas brancas continuavam sendo apreciadas com os fios envoltos de pedras brilhantes em forma de anjo, assim como quando eu era pequena. Nas noites que chovia muito ficava encarando os enfeites brilhando com os trovões.

Anjo... Assim como meu pai chamava a mamãe, peguei a mania de me dirigir às pessoas desse modo. Um sorriso triste atingiu o meu rosto com a memória deles, a saudade ameaçou me afogar.

Dormi sentindo a água sugar os meus pulmões e a visão escurecer...

Não recordo se senti calor e isso fez com que eu acordasse ou se simplesmente nunca peguei no sono, o fato era que eu estava correndo pela floresta atrás do celeiro. Minha cabeça latejava com o ritmo, olhando para cima e vendo as copas tão grandiosas, uma brisa levantou meus cachos negros, deixando uma onda de gelo no meu corpo alto e esquio.

Deparei-me com uma loja de penhores centralizada no meio do coração da mata. As paredes eram verdes, a placa estava desgastada como se fosse cair a qualquer momento, uma sensação de que aquilo não ser realidade me ocorreu.

Um som acompanhava meus passos, enquanto eu afastava da loja o volume diminuía. Voltei em direção do zumbido ficando de frente para a vitrine e vi uma fina corrente prata cintilando com uma áurea perolada. Luz azul, gritos, chamas...

Alguém normal fugiria de uma voz que soa na sua mente, mas eu já conheço isso. Meus sonhos voltaram, eu os tinha quando meus pais eram vivos e agora voltaram com um novo cenário.

A única certeza que tenho: preciso encontrar este colar exposto na prateleira de vidro. Umas séries de imagens, que atrapalharam a minha cabeça, passaram rápidas demais para serem analisadas e lentas demais para serem deixadas de lado.

Algo está errado, e esse algo sou eu.

Notas finais
Minha primeira fanfic postada, estou nervosa. Comentem, nem que seja uma reclamação nível bronca de mãe depois da reprova, okey? Beijos da amiga que não conseguem ver.