Última Dose de Felicidade
13 Zero Percent
Notas iniciais
Eu estava comendo cereal matinal, com aquela super animação de quem acabou de acordar com cólica às 8 da manhã num domingo, quando ouvi passos atrás de mim. Me virei para vem que era e:
– BOM DIA, FLOR DO DIA! – exclamou Jessie na maior animação, me fazendo dar um pulo de susto na cadeira.
– Oi, Jes. – respondi, voltando para meu café da manhã.
– Iiiiih, algo me diz que alguma de nós ainda não está pronta para a super promoção da Forever 21 hoje...
– Acordei com cólica e ontem eu fui dormir super tarde. Eu estou péssima.
– Que nada, eu tenho aqui um remédio ótimo para cólica. – Jessie me entregou um comprimido para cólica, que eu não recusei, pois sabia que esse era dos bons! – E sobre o seu sono, um pouco de água nesse rosto e um bom café te acordam rapidinho.
– Mas eu não quero iiiiiir, Jes – eu disse largando a colher do cereal e me jogando na mesa dramaticamente.
– Vamos, Han, vai ser super divertido! A Lauren vai também, eu até já falei com ela hoje cedo e você sabe como é difícil fazê-la acordar cedo. Se você não for ela provavelmente não vai te deixar dormir até você completar 30 anos.
Quando Jessie terminou de dizer isso, Lauren chegou em casa e disse:
– Até os 35, na verdade.
Ela se sentou à mesa comigo e Jessie e as duas ficaram me olhando com cara de quem espera uma resposta. Eu finalmente aceitei ir com elas, afinal, não é sempre que tem “super promoção” da Forever 21, e também não é sempre que Lauren acorda cedo nos fins de semana.
Subi para meu quarto enquanto Jessie e Lauren ficaram me esperando na sala. Lavei meu rosto com bastante água e isso realmente me ajudou a acordar. Escovei meus dentes, coloquei um shortinho jeans, uma regata branca, um tanto quanto transparente, que deixava meu sutiã preto à mostra e uma sapatilha vermelha com tachinhas. Coloquei também minha pulseira de pingentes, passei meu perfume favorito, Estée Lauder Beautiful, e desci para encontrar as meninas.
Quando elas me viram descendo já foram logo se despedindo do meu irmão, da Lucy e de Louis.
– Por que não ficam mais um pouco, garotas? – perguntou Louis.
– Desculpa, seu Louis, mas é hoje que eu gasto toda a minha mesada e compro a 21 inteirinha!
– Hahaha, vocês garotas... Boas compras!
Ficamos uns cinco minutos tentando decidir em qual carro ir e finalmente decidimos que iríamos com a BMW conversível de Lauren, então partimos.
Durante o percurso para o Kenwood Towne Centre, Jessie ia pulando entre as estações de rádio em busca de uma música que gostasse enquanto conversávamos sobre os mais diversos assuntos, desde as roupas e promoções à provas e sabores de sorvete.
Jessie continuava em busca de uma música quando começou a tocar Timber do Pitbull. Ela deu um grande sorriso involuntário e começou a cantar junto com a música. Logo, Jessie estava em pé no banco, cantando e dançando, como se estivesse numa balada. Comecei a gritar para ela descer de lá e pedi para Lauren me ajudar, mas ela apenas ria.
– Relaxa Han, deixa ela se divertir – disse Lauren, sorrindo para Jessie, enquanto eu tentava não deixar ela cair do carro.
Quando a música acabou, Jessie finalmente se sentou, se virou para mim rindo, e disse:
– “Viva cada dia como se fosse o último. Qualquer hora você acaba acertando”.
– Não sabia que você estava levando tão a sério aquele bilhete do biscoito da sorte. – retruquei.
– Pois é, qualquer hora eu acabo acertando.
– Cala a boca, Jessica. – foi a vez de Lauren se estressar com Jessie.
– Ai, calma vocês duas, eu só estava brincando.
– Brinque com uma coisa menos séria. – respondeu Lauren.
Depois dos nervos se acalmarem, fomos o resto do caminho conversando normalmente sobre a semi-final sexta-feira.
Chegamos ao shopping e não tivemos tanta dificuldade para achar um local para estacionar, já que o estacionamento estava mais vazio do que imaginávamos que estaria.
No caminho que ia até à entrada do shopping havia um carro que me chamou muito a atenção por ser extremamente familiar, mas não me recordei dele até que vi Ivy e Mandy descendo dele.
Fomos andando normalmente até a entrada do shopping e eu estava com uma particular intenção de fingir não ter visto a Ivy. Mas ela não tinha a intenção de passar despercebida e logo se virou para Mandy, “cochichando” em voz alta:
– Mandy, já ta sabendo quem é a mais nova solteirona do pedaço?
– Mentira! Então quer dizer que o capitão do time tá na pista de novo? Hahaha!
– Falando em pista, teve alguém que andou fazendo um pouso forçado! Hahahaha – e, como não tivesse destilado veneno suficiente, Ivy se virou pra mim enquanto passava por nós e acrescentou: — Não percebeu ainda que não é você que o Ben quer, Hanna querida? Se você quiser, eu posso te dar um “empurrãozinho” pra você “cair” na real.
Eu estava num estado de raiva que beirava o torpor. Antes que a minha raiva pudesse se transformar em alguma ação, ouvi a voz de Jessie:
– Agora já chega.
Eu pisquei e quando abri os olhos Jessie estava puxando os cabelos de Ivy, que pega de surpresa gritava com uma bizarra cara de espanto. Enquanto Jessie tentava arrumar um jeito de derrubar Ivy para imobilizá-la, Mandy teve tempo suficiente para agarrar Jessie pelo pescoço, tentando fazê-la perder as forças e soltar a amiga. Mandy era forte, mas não praticava nenhum esporte — a não ser que você conte “compras no shopping” e “najação” como esportes, o que faria delas duas campeãs olímpicas. Então, a tentativa de Mandy não foi muito bem sucedida, mas foi o suficiente pra fazer com que Lauren fosse em auxílio. Ela empurrou Mandy, que caiu de costas no chão com uma careta de dor, enquanto Jessie conseguia finalmente imobilizar Ivy no chão. Mas ela perdeu a concentração para olhar o que tinha acontecido por menos de um segundo, e Ivy, se aproveitando desse momento, escapou dela e partiu para cima de Lauren pra tirá-la de cima de Mandy.
Eu? Bom, eu, depois que consegui me recuperar do torpor do primeiro momento, tentei a todo custo separar a briga, sem sucesso. Nem mesmo meus gritos fizeram-nas desistir daquilo. Eu já estava desesperada e quase desistindo quando ouvi a voz que eu menos esperava naquele momento. A voz de Ben.
– Hanna? O que está acontecendo aqui?
Embora a voz dele tenha me feito parar de inutilmente acalmar os ânimos, aparentemente eu tinha sido a única a perceber sua presença. Aliás, a presença dele e de Chris.
– Por favor, acabem com isso. Eu já tentei, mas não consigo – consegui dizer, exasperada.
Então, Chris segurou Ivy, que, assim que percebeu que estava sendo agarrada, começou a se debater. Mandy se comportou melhor e se deixou ser arrastada por Ben, se contentando em dirigir olhares ferozes para todos.
Jessie e Lauren se levantaram ofegantes, e vieram para o meu lado, ficando de frente para os meninos, Mandy e Ivy, que havia parado de se debater e já estava solta.
– Ivy, Mandy, vocês estão bem? – Ben perguntou.
– Estaria melhor se eu não tivesse sido atacada por essas loucas! – respondeu Ivy entredentes.
– Tá. É melhor vocês irem embora.
– Mas nós acabamos de chegar!
– Vão embora! Deixa que eu resolvo as coisas por aqui – Ben replicou, impassível, sem deixar que nenhuma emoção transparecesse em seu semblante.
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