Notas iniciais
Eu sempre posto os capítulos à noite, mas como não estou fazendo nada agora de manhã resolvi postar agora :) boa leitura! Link da música: http://www.vagalume.com.br/demi-lovato/nightingale.html

Eu queria que Lauren estivesse ao meu lado para eu poder abraça-la, mas ela estava sendo abraçada por Chris, que estava a consolando e eu não queria interromper.

David passou por mim e me deu um beijo no topo na minha cabeça antes de ir embora. Peter veio logo depois, se ajoelhou perto de mim e me abraçou; não demorou muito e ele foi embora também. Logo depois Ivy estava parada, em pé, em frente ao túmulo de Jessie, me olhando. Eu queria saber o porquê dela estar ali. Ela sempre odiou Jessie, Lauren e eu, mas eu não tinha forças para nada, muito menos para questionar a presença dela. Durante todas essas passagens e demonstrações de carinho – até talvez um pouco da parte de Ivy – eu fiquei paralisada, com a cabeça quase nos joelhos, chorando por uma dor que nunca passaria.

– Hanna, nós temos que ir embora – minha mãe anunciou pousando a mão em meu ombro esquerdo. – Louis tem que trabalhar no restaurante hoje à noite.

Eu não disse nada e nem demonstrei sinal de que ia me levantar para ir embora.

– Hanna... Você vai poder visitar o túmulo dela quantas vezes quiser.

– Han? – Meu irmão afastou os cabelos de meu rosto e o levantou, me fazendo olhar para ele. — Vamos?

Eu balancei a cabeça negativamente enquanto me desvencilhava de suas pequenas mãos em meu rosto.

– Hanna, vai escurecer e você não pode ficar aqui sozinha.

– Deixa que eu a levo para casa, dona Nina – uma voz grave anunciou.

Eu levantei a cabeça para ver quem era. Era Ben. Na realidade eu não me importaria de ir embora com ele desde que pudesse ficar mais tempo no cemitério cutucando a ferida da morte de Jessie.

– Hã... Tu-tudo bem para você, Hanna? – minha mãe me perguntou.

Eu assenti. Então minha mãe, Louis e Tom se despediram de mim e foram embora, assim como todas as outras pessoas, deixando apenas eu e Ben no cemitério.

– Pode ficar o tempo que quiser. Eu vou ficar aqui esperando por você – disse Ben assim que eles foram embora. Não sei se ele teve a intenção de dizer a segunda parte com um sentido ambíguo demonstrando algum resquício de sentimento por mim, mas eu apenas considerei que ele iria me esperar até que eu sentisse vontade de ir embora.

Na verdade eu sentia vontade de ir embora junto com Jessie, mas eu não podia fazer isso com Lauren ou com minha mãe. Enquanto elas fossem meu pilar eu me manteria firme. Ou pelo menos tentaria.

Meu celular começou a vibrar no bolso de trás da calça. Eu o peguei e vi que era Emma. Eu não queria conversar com ninguém naquele momento, queria apenas curtir meu entorpecimento. Sim, entorpecimento, pois eu estava tão triste que nem conseguia mais sentir a tristeza e as lágrimas de meus olhos haviam secado de tanto eu chorar. Mesmo assim, eu atendi.

– Oi – eu disse.

– Hanna... Eu fiquei sabendo sobre o assassinato apenas agora. Eu queria ter ido para o velório. Foi tão terrível. Ela não merecia. Oh, meu Deus! Como você está? Hanna? Você está aí?

Ela falava tão rapidamente e em meu estado atual eu não estava conseguindo processar tantas palavras de uma vez só, então apenas respondi dizendo que eu estava lá.

– Eu nem sei o que dizer, Hanna...

– Não precisa dizer nada.

– Então eu acho que vou desligar.

– OK.

– Estou realmente sentida pela morte de Jessie. Ela era uma pessoa sensacional.

Ela ainda é, eu pensei. Seja onde for que ela esteja, Jessie continua sendo sensacional.

Um minuto de silêncio continuou no telefone, até que ela resolveu desligar. Guardei meu celular no bolso e continuei ajoelhada.

Depois de mais um longo tempo lá, o sol já havia se posto e eu nem sabia se Ben ainda estava realmente lá. Decidi que era hora de ir embora. Olhei no relógio do celular e 2 horas haviam se passado desde que Emma tinha me ligado.

Eu tentei me levantar, mas eu estava muito fraca que quase cai. Por sorte Ben, que permanecera lá, me segurou.

– Hora de ir embora? – ele me perguntou e eu assenti. Então ele me conduziu até seu carro, comigo apoiada eu seu ombro.

Chegando lá ele abriu a porta para mim, eu entrei e me sentei enquanto ele dava a volta e se sentava no banco do motorista. Mas eu ainda não estava totalmente pronta para ir para casa, então comecei a falar, com a voz um tanto quanto fraca:

– Eu nunca vou superar. Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca!

De repente eu estava me debatendo e as lágrimas rolando pela minha face. Ben me abraçou e começou a acariciar meu rosto dizendo “Shh, vai ficar tudo bem”. Eu queria acreditar nele, mas nada ia ficar bem.

Meu choro era muito intenso. Eu estava soluçando enquanto chorava e dizendo a ele que nada ia ficar bem. Então ele segurou meu rosto com as duas mãos e disse:

– Deixe-me fazer ficar tudo bem.

Eu sabia o que ele queria dizer com isso e esse era um momento péssimo para ele dizer. Eu ainda o amava, sim. Eu já tinha o perdoado pelo empurrão, sim. Eu estava destruída e precisando de alguém que realmente fizesse as coisas ficarem bem, sim. Ben sabia como fazer as coisas ficarem bem, sim. Então eu engoli um soluço e assenti para ele, sabendo que poderia me arrepender disso quando o pior acontecesse. Mas o pior já havia acontecido: Jessie estava morta e nada a traria de volta; eu não conseguiria ficar bem sozinha; com Lauren seria pior, pois a tristeza apenas duplicaria; era de Ben que eu precisava.

Depois de eu assentir, Ben me beijou. Seus lábios eram a única coisa quente naquela noite fria. Ele tinha gosto de café. Seu cabelo curto estava mais macio do que nunca. Uma de suas mãos estava tocando meu pescoço. Então eu interrompi o beijo afastando minha boca da dele, mas mantendo nossas testas juntas e disse:

– Por favor, faça ficar tudo bem.

– Eu vou fazer – ele sorriu com o canto da boca e nós voltamos a nos beijar.

Com um habilidade surpreendente e como se eu fosse a coisa mais leve do mundo, Ben me carregou, me tirando de meu banco e me fazendo sentar em seu colo.

Então nós permanecemos lá por alguns minutos nos beijando até que já estava tão escuro que eu não conseguia nem enxergar os olhos de Ben. Pedi para que ele me levasse para casa e ele concordou. Eu voltei para meu banco, coloquei o cinto de segurança e ele dirigiu para a minha casa.

Chegando lá ele pediu para que eu esperasse dentro do carro enquanto ele desceu, deu a volta no carro e abriu a porta para mim.

– Clichê, eu sei, mas um pouco de cavalheirismo não faz mal a ninguém – ele disse.

Eu sorri para ele e o convidei para entrar – embora já estivesse tarde, um pouco de educação não faz mal a ninguém. Ele disse que estava tarde demais e que qualquer dia ele passava para tomar café da manhã comigo. Pedi para que ele me avisasse antes para eu me arrumar porque sempre desço para tomar café parecendo uma mendiga.

– Não me importa se você vai estar vestida com a roupa mais feia do mundo e se seu cabelo vai estar num “dia ruim” como as garotas dizem, você vai continuar sendo perfeita para mim.

Eu sorri para ele mais uma vez e lhe dei um selinho. Era um recorde de sorrisos em 48 horas desde o assassinato.

– Me perdoa? – ele disse subitamente.

– Eu já te perdoei.

– Eu te amo.

– Eu sempre te amei.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não se esqueçam de deixar reviews ;) Até semana que vem!