Última Dose de Felicidade
10 Dark Paradise - Pt. 2
Notas iniciais
Por um momento eu já não era mais eu. Por um momento eu era Emma, no chão sobre o sangue, clamando desesperadamente por ajuda. Mas esta parecia não chegar.
Acordei gritando, coberta de suor e com uma profunda angústia. Havia um aperto indescritível no meu peito. Fui ao banheiro lavar o rosto com água gelada pra tentar apagar aquelas imagens da minha memória, mas adiantou nada ou quase isso.
Me arrumei e desci para o café da manhã. Minha mãe, Tom e Louis já estavam à mesa e me cumprimentaram quando cheguei.
– Bom dia, Han! Nossa, você parece meio pálida, você está se sentindo bem? – perguntou Louis.
– Bom dia. Estou sim, foi só um sonho estranho que eu tive, mas vai passar – eu bem que gostaria de dizer que não, que eu estava preocupada com Emma, e contar o que eu sabia e o que sonhei, mas isso deveria ficar entre mim e ela, então resolvi omitir os detalhes.
Saí alguns minutos mais cedo com o pretexto de arrumar um bom lugar na quadra, já que nesse dia não teríamos aula devido ao jogo. Nem Lauren nem Jessie estavam lá quando cheguei, então guardei lugar para elas. Chris e Ben provavelmente já haviam chegado, mas deveriam estar no vestiário se preparando para o jogo.
As meninas chegaram e eu acenei para que elas me vissem e se sentassem comigo. Começamos a conversar mas eu não conseguia me concentrar, pois as imagens do meu sonho não queriam me deixar em paz. Estava tão distraída que nem reparei quando o jogo acabou, sendo o time do De La Salle vencedor. Só reparei quando as meninas se levantaram subitamente, gritando o nome de Ben, que havia feito o ponto final do jogo.
Comecei a comemorar também, mais para disfarçar minha total desatenção no jogo do que por entusiasmo. Não que eu não estivesse feliz com a vitória, só tinha coisa demais martelando na cabeça.
Como de costume, Jessie, Lauren, Peter e eu ficamos conversando na arquibancada mesmo depois de todos terem ido embora e os jogadores terem ido para o vestiário, para esperar Ben e Chris. Sempre saíamos para comemorar as vitórias, seja de futebol ou vôlei.
Me forcei a me concentrar na conversa, já havia me distraído demais e não queria que me fizessem mais perguntas. E eu precisava esquecer aquele sonho, por mais perturbador que ele fosse. Não era nem o primeiro nem o último pesadelo que eu teria, então porque toda essa preocupação?
Depois que os meninos chegaram, decidimos ir à uma pizzaria, não muito longe dali. Ao chegar lá, nos acomodamos e fizemos os pedidos. Estávamos conversando num clima tão descontraído que me esqueci completamente de todos meus problemas. Isso até que um deles chegou ali, pra me lembrar.
E não estava sozinho, estava com suas amiguinhas, todas vestidas iguais com o minúsculo e indecente uniforme de líder de torcida.
A pequena aglomeração de cheerleaders vinha balançando seus pom-poms enquanto Ivy as guiava, soletrando musicalmente com sua voz irritante o nome de Ben.
Ela estacou em frente a nossa mesa, mesmo com todos os olhares de repulsa sobre ela. E, antes que algum de nós pudesse enxotá-la de lá, ela se abaixou, depositando um beijo na bochecha de Ben. E, enquanto todos olhavam embasbacados e eu ardia de raiva, ela disse:
– Surpresinha pro meu jogador favorito!
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