Última Chance

1 ONESHOT - Última Chance


Notas iniciais
Aconselho ouvirem a música Slipped Away, da Avril Lavigne, enquanto lêem.
Boa leitura!

~ Mello’s POV ~

O silêncio tornava a dor ainda mais aguda. Eu levava a barra de chocolate até a boca, mas parei e a coloquei sobre a mesa. Comer chocolate igual um diabético escondido não mudaria nada. Deitei minhas costas na cadeira pensando que a dor passaria, mas nada. Matt me olhou, com uma pergunta muda em seu rosto: “você está bem?”. Eu apenas balancei a cabeça no sentido afirmativo e fechei os olhos.

Eu fechei os olhos e pensei naquele garoto de cabelos brancos e olhos inexpressivos. Eu queria ouvir a voz dele. Nem que fosse a última vez. O telefone estava lá, na minha frente, e era como se gritasse comigo, me mandando ligar para o garoto. Mas mesmo que eu o fizesse, que diferença isso faria? O que eu falaria? Eu apenas agiria como um idiota. Mais uma vez.

Abri os olhos e vi Matt saindo da sala. Continuei no mesmo local que eu estava. Sem vontade de fazer nada. Era assim que eu me sentia desde que havia me encontrado com ele. O albino. O fantasma. O brinquedo. O número 1. Nate River. Near. O meu maior rival. O alvo de todo meu ódio. O motivo de meus pesadelos. O meu... Near. Não, ele não era meu. Algum dia, ele poderia ter sido, mas ele não é meu. É, simplesmente, o Near, o número 1. O verdadeiro sucessor de L. Alguém que eu nunca poderei ser... Ou ter.

Ao pensar nisso, percebo que meus olhos estavam marejando e uma lágrima desce. Eu dou um sorriso. Logo eu, que não era de chorar, estou aqui, todo pra baixo... Por causa dele. A minha vontade, no momento, não era mais apenas ligar para ele. Era pegar minha moto, dirigir até a SPK, seqüestrar ele e fazê-lo meu. Apenas meu. Eu tinha certeza que ele aceitaria essa idéia. Se a SPK fosse atrás dele, viveríamos fugindo, eu não ligaria para isso. Não ligaria de acordar, todo dia, em um lugar diferente... Se fosse com ele do meu lado.

Dói-me o coração quando penso que meu sonho poderia ter se realizado. Se eu tivesse concordado com Roger e ficado ao lado de Near para ambos sucedermos L, estaríamos juntos hoje. Eu tenho certeza. Eu estaria acariciando-lhe os cabelos brancos e o admirando todo dia pela manhã. Mas, graças ao meu ego inflado, tudo o que consegui foi uma cicatriz grande, solidão e dor. Simplesmente dor.

~ Near’s POV ~

Eu montava o quebra-cabeça mais uma vez. Quem me olhasse, pensaria que eu estava concentrado, mas não dessa vez. Os agentes me disseram para tentar dormir um pouco, vim para meu quarto, mas não consigo cair no sono. Simplesmente não consigo fechar os olhos sem pensar no que aconteceu. Sua voz ainda ecoava na minha mente, falando meu nome.

Termino o quebra-cabeça e o desfaço mais uma vez, recomeçando pelo meio.

Ele veio até mim apenas para pegar aquela foto. Como ele sabia que eu tinha ela? Será que alguém da Wammy’s o falou? Não, impossível. Eu não havia contado à ninguém sobre ela. Era o meu segredo, aquele que eu guardava de tudo e todos.

Eu paro de mexer no quebra-cabeça subitamente.

Agora, pensando bem... Sinto falta dele. Sinto falta de quando ele implicava comigo, ou quando me xingava de “albino”, “fantasma” e muitas outras não muito amigáveis. Eu... Queria ter ele por perto mais uma vez. Quando ele foi embora, ser o número 1 já não era como antigamente. Era, de uma certa forma, entediante. Todos me davam parabéns e aqueles puxa-sacos ficavam na minha cola, mas... Eu sentia falta do olhar de raiva dele. Quem sabe, se eu tivesse dado o que ele queria, se eu tivesse mostrado uma reação sequer, ele teria ficado. Talvez... Só talvez... Se eu tivesse demonstrado meus sentimentos...

–––x–––

~ Mello’s POV ~

Desde que havia posto meus pés naquele caminhão, eu sabia qual seria meu destino. Eu estava fazendo aquilo pelo bem de todos que caçavam Kira, inclusive Near. Takada estava na parte de traz e não poderia ouvir nada que eu dissesse. O telefone em meu bolso parecia gritar comigo. Devo ter algum problema psicológico com telefones, é. Como na noite anterior, ele me mandava ligar para Near antes que... Antes que eu morresse.

Eu peguei o telefone, apertei a tecla um e iniciei a ligação – a chamada rápida para o número de Near. Chamou durante alguns segundos, que pareciam não querer terminar, até que ele atendeu.

– Mello – Ele falou, com sua voz ainda sem emoção. Se ele estava falando meu nome era porque não havia ninguém por perto.

– Near – O silêncio durante alguns segundos. A expectativa.

– O que você pensa que está fazendo? – Ele finalmente falou. Senti uma certa hesitação em sua voz, daquela de quando estamos com medo.

– Estou entregando-lhe Kira de bandeja. – Respondi.

– Ma-mas você pode... – Ele não terminou a frase. Deve ter se arrependido de ter gaguejado e mostrado alguma emoção.

– Eu sei. – Sorri tristemente. Ele se importava comigo e com o que aconteceria – Isso é tudo culpa minha. Se eu não fosse não orgulhoso, tão egoísta... Tudo seria diferente agora.

– Mello... – Sua voz denunciava seu estado. Parecia que estava começando a chorar.

– Near... Perdoe-me por todos os anos que passei lhe perseguindo. Se eu tivesse uma segunda chance, faria tudo diferente. Eu... E-eu... – Gaguejei. Não, eu não posso fracassar. Essa é a minha última chance – Amo-te, Nate River. Muito.

– Ah, Mello... – Ele parecia chorar – Eu também amo-te. Eu não devia ter deixado-lhe escapar tão facilmente. Foi tudo culpa minha... – Soluçou. Como eu queria estar do seu lado naquela hora.

– Não deveria ter te abandonado. Me perdoe por isto. – Eu apertei minha mão no volante. Estava chegando ao local de minha morte – Adeus Near. E não se esqueça: amo-te.

– Eu também amo-te. – Sua voz saiu mais intensa – Adeus... – Então, desliguei o telefone.

Parei o caminhão e comecei a refletir enquanto a morte se aproximava. Então ele também me amava. Eu perdi anos da minha vida com um suposto ódio chamado amor e, logo agora que o fim se aproxima, descubro que ele se sentia da mesma forma que eu.

Meu coração fraqueja. Não bate como antes. A cada segundo, sinto-o mais fraco. Deito a cabeça no volante. De repente, minha vida passa diante de meus olhos, e a última imagem que vejo é a dele.

– Near... – A última coisa que falo antes da escuridão me cobrir e eu sentir o nada se apossando de mim.

~ Near’s POV ~

Quando o telefone tocou novamente, avancei nele. Ela Halle ligando. Eu, finalmente, saberia o que realmente aconteceu.

– N, encontramos Takada.

– E seu estado?

– Ela morreu. Suicidou-se. – Droga, aquilo não era um bom sinal.

– E Mello? – Perguntei. Ela respirou fundo.

– Ele... Mello morreu, Near. Juntamente com Takada. Ela incendiou o caminhão que estavam.

– Ok. Volte logo para a central. Irei confirmar o encontro com L. – Desliguei o telefone.

Rester e Gevanni me olhavam, esperando que eu falasse algo. Simplesmente me levantei do chão e coloquei o telefone em cima da cadeira mais próxima.

– Com licença, senhores. – Me virei e comecei a andar em direção ao meu quarto.

Quando entrei nele, tranquei a porta e me deitei na cama. Aquilo não podia estar acontecendo. Mello estava... Morto. Há uma hora, era só uma possibilidade. Agora é a realidade. Eu havia o perdido para sempre. Sempre. Eternamente. Eu não o veria mais. Não ouviria mais a sua voz.

Minha cabeça doía enquanto tudo ia se esclarecendo. Eu havia o perdido pela segunda vez, mas diferente da primeira, ele não poderia voltar. Não importa o que eu fizesse, ele jamais voltaria. Nunca. Não importa o quanto eu chore, o quanto eu grite. Ele havia ido. E eu havia deixado que ele fizesse isso. Eu não devia ter dito adeus. Eu devia ter insistido para que ele voltasse. Dane-se o Kira, eu o queria agora ao meu lado. Então, pela primeira vez em anos, eu choro.

A dor em meu coração. As lágrimas quentes e salgadas descendo pelo meu rosto. O vazio em minha alma. Ele havia morrido e eu não podia fazer nada. Eu mandei a pessoa que eu amava para a forca. E o que torna a situação ainda pior era o fato de que ele também me amava. Ele me amou a ponto de deixar seu orgulho de lado, falar que me amava e pedir perdão por todos os anos desperdiçados. Tudo o que dispensamos... Agora eu percebo que nunca vou poder abraçá-lo da forma que sempre quis, ou beijá-lo como sempre sonhei.

Da primeira vez que ele foi embora, eu senti o vazio. Tinha certeza que nada seria mais da mesma forma. Mas nada se compara ao que sinto agora.

Pela segunda vez, eu perdi Mello.

“Eu não consegui te dar um beijo

Um aceno de adeus

Eu gostaria de vê-lo novamente

Mas eu sei que não posso

Eu espero que você possa me ouvir

Eu me lembro bem disto

O dia que você partiu

Foi o dia em que percebi que

Nada mais será igual”

Notas finais
Então, essa foi uma das mais... Complicadas de fazer. Até porque eu tive que por mais emoção nela, me colocar no lugar dos dois... Bem, eu tive que me esforçar pra fazer ela.
Espero que tenham gostado. Enfim, mereço reviews? *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!