Ósculo
1 Capítulo Único
Notas iniciais
- Ei, o quê é ósculo?- Perguntou, inocentemente.
Gabriel corou de pés a cabeça. Parecia que o outro havia adivinhado seu desejo, de tempos atrás.
- É uma palavra do português que não é mais usada- respondeu.
- Mas o quê significa?
Seu nervosismo aumentava. A cara curiosa e inocente do outro lhe fazia querer dar um belo ósculo à ele.
- Bom...- olhou a cara inocente e bonitinha que seu colega fazia. Apesar de terem ambos catorze anos, a diferença de altura entre os dois era enorme. Gabriel, o mais alto, tinha 1.80, enquanto seu amigo, Celso, tinha 1.50 de altura, além de uma cara de menina e corpo magricela. Este era meio burrinho, também.
- Bom...?
- Ah, Celso. Pra quê você quer saber? Procura no dicionário!
- Mas eu não tenho um!- Respondeu, fingindo uma cara de bravo- o quê custa você falar o significado, já que sabe?
- Ah, você é idiota? Pergunta pra professora!
- Mas é a lição de casa! Se eu perguntar pra professora, ela vai saber que eu não fiz- disse, mostrando sua apostila- então demonstra, mostra, sei lá. Mas por favor, fala o quê é!
Gabriel explodiu. Seu nervosismo chegou ao máximo. Não conseguia mais aguentar. Estava com muita vergonha, sem saber o porquê. Não conseguia de jeito algum falar o significado da misteriosa palavra. Pensou seriamente em demonstrar o quê era.
- Significa be...
- Fala logo de uma vez!
O maior olhou para Celso, que estava com uma cara infantil. Este precisava saber o significado da palavra, mas Gabriel não falava de jeito nenhum.
- Por favor!- Implorou. A professora logo o chamaria para vistar a lição.
- Tudo bem- decidiu-se- vem aqui- disse, enquanto se escondia atrás da cortina.
- Pra quê?- Foi até Gabriel, sem entender. Puxou a cortina e se cobriu com ela, assim como seu amigo.
- Pare de fazer perguntas idiota- e o beijou. Um beijo carinhoso, que deixou o outro sem fala. Gabriel ficou roxo de vergonha e voltou ao seu lugar rapidamente.
Celso ficou estático. Não conseguia se mover e muito menos falar algo. Ficou um tempo atrás da cortina, com cara de bobo.
- Celso!- Chamou a professora.- Saia de trás da cortina! O quê você está fazendo aí?
Gabriel riu. Havia conseguido deixar o amigo de queixo caído, ao mesmo tempo que respondia sua pergunta.
- Gabriel!- Chamou Celso, totalmente vermelho.- Por quê você fez isso?! E nem respondeu minha pergunta! O quê é ósculo?
- Você é burro?- Respondeu com outra pergunta.
- Mas o quê?
Gabriel ignorou a pergunta e olhou para frente. Celso escreveu qualquer coisa na lição e levou à professora, bufando.
- Professora, eu só não sabia o significado dessa palavra- assim que ele disse, a professora riu e falou o significado. Foi então que Celso entendeu o porquê de tudo aquilo.
Caminhou até o seu lugar, virou-se para seu amigo, e tudo que pôde dizer foi:
- Obrigado.
- Disponha- disse rindo. A partir dali, tudo dependeria de como as coisas seguiriam. Se quisessem continuar com uma simples amizade, esqueceriam de tudo. Mas se quisessem transformar em uma bela história de amor, se lembrariam para sempre daquele dia.- Se quiser outro ósculo, é só avisar- provavelmente, a segunda opção seria a melhor.
- Claro- e sorriu.
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