Órfãos

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Olha eu aqui de novo, minha gente, demorei (de novo), mas finalmente arranjei tempo pra postar esse capítulo, espero que me perdoem pelo longo tempo de espera e chega de enrolação, espero que gostem, boa leitura.

Ao notar que Joana havia despertado, Oliver tirou os fones de ouvido e fixou seus olhos azuis no rosto inexpressivo com que ela o fitava.

– Você finalmente acordou. – Ele disse com seu sorriso costumeiro.

Joana não respondeu, ela era uma estranha criatura que não se importava com muitas coisas, não tinha medo da dor, não tinha medo da morte e olhando nos frios olhos de Oliver, ela teve a impressão de que era isso o que a aguardava, ela estava nas mãos dos Órfãos agora, nada de bom poderia lhe acontecer.

Oliver inclinou-se para a frente, apoiando os braços nos joelhos e os dois ficaram sustentando o olhar um do outro.

– Eu não gosto de rodeios, então vamos direto ao ponto. – Ele disse por fim – Para onde levaram as crianças?

– Para o governo. – Joana respondeu de imediato, não porque esperasse que ao dar-lhe as informações, ele a libertasse e não a machucasse, falou apenas porque não se importava mais com os assuntos dos Outros.

– Porque o governo os quer?

– Não sei.

Oliver riu e pegou uma garrafa de água que estava no chão a seus pés, destampou-a devagar e fitou os olhos inexpressivos de Joana mais uma vez antes de fazer a água sair da garrafa e entrar pelo nariz e boca dela, sufocando-a, afogando-a até que começasse a se debater. Vagarosamente a água saiu da garota e ficou girando centímetros acima da mão de Oliver, como uma bola transparente e brilhante.

Joana tossiu violentamente, com lágrimas escorrendo dos olhos e água escorrendo pelo nariz e boca.

– Porque o governo os quer? – Ele repetiu com uma voz suave e um sorriso prazeroso.

– Não... sei. – Joana estava ofegante, seus olhos não deixavam os olhos de Oliver, ela sabia que ele acreditava nela, mas iria torturá-la não pelas informações e sim por vingança, pelo ódio que sentia por todos os amigos Órfãos que ela matara no passado.

– Onde o governo os está mantendo?

– Eu não sei, idiota. Essa não era a minha parte do trabalho, pegar os malditos Órfãos é o que gosto de fazer.

Por um tempo que Joana não conseguia medir, o ritual de perguntas e afogamento prolongou-se.

Oliver não conseguiu mais respostas, podia ver nos olhos de Joana que ela não estava mentindo, por muitas vezes desejou matá-la, manter a água sufocando-a até que seus pulmões parassem de funcionar e seu coração parasse de bater, por todas as vidas que ela já havia tirado, mas controlou-se. Ele simplesmente não entendia quais os motivos dela, porque ela havia dado a informação sobre o governo, porque permanecia indiferente mesmo diante da possibilidade de sua morte. Ela era como um monstro, parecia desconhecer qualquer tipo de sentimento, parecia que tudo o que sentia era seu desejo e prazer por destruir os Órfãos.

Por fim, quando a garota desmaiou, Oliver apenas a fitou por um longo momento, era tão jovem, parecia ter vinte anos ou menos, magra demais, pálida e pequena, parecia até doente, não fosse por toda sua energia para matar.

Devagar Oliver levantou-se e caminhou até a cama, a chama da vela fazia os cabelos castanhos de Joana parecerem dourados, ele afastou-os do rosto dela e viu que embaixo do lóbulo da orelha direita havia uma marca pequena, uma espécie de tatuagem, olhando mais de perto percebeu ser um código, um tipo de identificação com números e um nome ilegíveis. Com seu celular ele fotografou o código e saiu do quarto.

Aylla estava encolhida num antigo sofá de dois lugares, coberta por uma manta e os olhos fixos nas velas sobre a mesinha no centro da sala, num canto Julia lia um dos livros que pegara da estante empoeirada para Sam.

Oliver sentou-se ao lado de Aylla, parecia exausto, cruzou os braços e fitou as crianças distraidamente.

– O governo está com as crianças. É tudo que ela sabe. – Ele disse suavemente.

– Ela está mentindo. Vou tentar... – Aylla disse já se levantando, mas Oliver a puxou de volta para o sofá.

– Você vai matá-la, isso sim. Ela não está mentindo, eu saberia se estivesse, sou um bom leitor, Aylla, li todos os sinais, os gestos, vi nos olhos e os olhos não mentem.

– Então você a trouxe para nada?! – Aylla falou alto e rispidamente, fazendo as crianças olharem para os dois.

– Saber que é o governo quem está com eles já é alguma coisa. Agora só precisamos descobrir onde estão e o que o governo pretende exatamente.

– Já que ela não sabe de nada, então não vejo porque não matá-la...

– Não vamos matá-la, Aylla, entendeu? Fique longe daquele quarto e é bom que não deixe Joshua entrar lá também! – Oliver falou severamente, olhando Aylla nos olhos, seu sorriso não estava mais lá.

– Ela matou muitos de nós, Oliver, porque não devemos matá-la? – Aylla gritou, chamando a atenção das crianças novamente.

– Porque vamos usá-la para conseguir mais informações, vamos fazer uma troca com os Outros. – Como se quisesse mostrar que o assunto estava acabado, Oliver trouxe de volta um pequeno sorriso ao seu rosto e levantou-se depressa indo em direção a cozinha.

Aquela casa era bem pequena e antiga, pertencera aos pais adotivos de Lara, uma casa antiga, com o sistema elétrico danificado, as janelas e portas rangiam devido as dobradiças enferrujadas, a pintura completamente deteriorada pelo tempo, cada superfície coberta de poeira e os cômodos cheiravam a mofo. Oliver encostou-se a uma das paredes e cruzou os braços olhando ao redor imaginando o trabalho que daria para transformar aquilo num lugar realmente habitável.

Quando ouviu o choro do bebê de Joshua e Lara, ele puxou uma cadeira empoeirada e sentou- se no escuro, olhando pelas janelas sujas, sem conseguir enxergar nada lá fora, no auge de seus 28 anos, Oliver nunca pensara em ser pai, em ter uma família só sua, mas quando olhou Wander nos braços de Lara, quando presenciou os sentimentos que os olhos de Joshua deixavam transparecer ao olhar o filho e a mulher que amava, Oliver sentiu lá no fundo uma pontinha de inveja, talvez ciúmes, seu melhor amigo tinha uma família bonita como as dos filmes. Eles todos eram uma família, Oliver sabia disso, mas percebeu que também desejava ter algo só seu, ele gostava de Aylla, apaixonou-se por ela pouco depois que a conheceu, ela era uma garota do tipo impossível de não sentir-se atraído, mas agora o que eles tinham já não parecia mais tão interessante e atrativo para ele, não era como se ele já estivesse pensando em ter filhos ou casar-se com ela, mas ele nem ao menos podia considerar que tinha realmente algo com ela, não podia segurar sua mão ou beijá-la quando havia qualquer outra pessoa por perto, mesmo que eles tivessem algum tipo de relacionamento nunca admitido, Oliver sentia-se um solitário quando observava o amor de seus amigos, sentia-se como alguém em um encontro de casais em que seu par não apareceu, sentia-se inconvenientemente triste em seus momentos com Joshua e Lara, porque eles nunca podiam ser dois casais de amigos saindo juntos, era sempre o casal apaixonado e o amigo, isso era deprimente, ele não entendia o porque não podiam deixar que soubessem que Aylla e ele estavam juntos, não entendia o que havia de mal nisso, porque a verdade era que não havia mal algum. Naquele momento ele pensou que Aylla talvez não retribuísse seus sentimentos, talvez ela apenas se divertisse com ele e não quisesse ser assumidamente sua, porque não queria lidar com as complicações de se manter e terminar um relacionamento, porque não queria ter que explicar qualquer coisa quando se apaixonasse verdadeiramente por outra pessoa e quisesse deixá-lo. Com um longo suspiro, Oliver se deu conta, depois de todos aqueles anos, depois de todos aqueles devaneios, que Aylla não queria admitir qualquer relacionamento, porque não havia relacionamento, ele era um homem apaixonado e ela era apenas uma garota que gostava de fazer sexo com o amigo, porque era assim que ela sempre o tratava, como seu melhor amigo.

Notas finais
Espero que tenham gostado e um muito obrigada gigantesco a quem chegou até aqui, espero encontrá-los na próxima caros leitores, e espero que seja em breve. ;*