Notas iniciais
Hellow, sweeties *u* Aqui é mais uma vez a Mayy, então espero que gostem desse conjunto de ones. Acho que vou postar uma por dia, mas não posso dizer com certeza, ainda mais porque não terminei as ones ;---; Mas, mesmo assim, estarei esperando os reviews *u* Boa leitura

Eu podia estar fazendo uma pegadinha lendária, roubando alguns suvenires do chalé de Hefesto, ou mesmo apostando em cartas junto com os meus irmãos em troca de dracmas e, principalmente, coisas roubadas.

Só que, não, eu tinha que estar aqui de uma forma infeliz. Não que a companhia de Katie Gardner não me agrade, porque é bem melhor que um simples "agrado", mas acho que nenhum menino realmente se interessa por ficar rodando a cidade em procura de um vestido para o décimo segundo casamento da minha mãe.

— Katie, qual é a merda da diferença entre esses vestidos? Escolhe qualquer um, cara.

— Eu preciso de um que dê certo com os meus óculos, Travis. Acho que quando eu os comprei não pensei muito em como eles iam ficar zoados com o resto das roupas.

Na verdade eu acho que ela não pensei em nada quando foi comprar aquele óculos enormes, que tampavam metade da face sorridente dela. É, eu acho que talvez eles não sejam uma coisa feia nela, porque ela deixa tudo mais bonito. Só que, bem, é um enorme obstáculo para os olhos de qualquer menino que realmente seja inteligente e não tenha a ousadia de se apaixonar por ela, diferentemente de mim.

Só que, claro, eu contar pra ela não é exatamente uma opção, já que a mesma insiste em ser irredutível e ficar sempre na defensiva, mesmo quando eu acho que já é impossível.

Tudo que eu posso agradecer é por não ter nenhuma das minhas irmãs aqui, porque se não eu já sei no que ia dar essa loja.

Katie rodava todas as prateleiras em busca de algo que se apaixonasse, algo que dissesse “Me compre’, ou sei lá. E também todas aquelas baboseiras que meninas falam, o que inclui essa jardineira que faz de tudo pra me colocar fora do sério.

É, tudo o que eu podia falar é que não importa que a Gardner seja uma jardineira, viva com as unhas sujas de terra, os cabelos embaraçados, um pouco de pó no rosto e ainda saber socar melhor que milhares de meninos por aí, ela ainda é a minha menininha de recém-completos dezesseis anos.

— Vamos, se anime e tire essa cara de bosta do rosto. Eu tenho que provar esse último vestido, porque minha beleza já está cansando e temos que terminar as compras hoje ainda.

Ela me pediu com uma cara fofa irresistível, o que me fez revirar os olhos e sentar em um pufe. Na verdade eu acho que, mesmo que ela me pedisse esmurrando a minha cara, não ia resistir e acabar ficando. Claro que isso tem um motivo, mesmo que ele seja meio tosco: eu estou completa e idiotamente apaixonado por essa jardineira.

O pior é que, cara, ela saberia como ficar irresistível e, como se eu fosse forte, vai aparecer na minha frente com a roupa e ainda por cima sorrindo com uma menininha inocente.

Fiquei em frente ao provador em que esperava-me a menina que vinha sendo protagonista dos meus sonhos e até alguns pesadelos. E foram nesses últimos que eu notei que sim, eu estava apaixonado por ela, e mais ainda que sem ela a vida não teria graça.

Talvez eu não tenha certeza sobre os meus sentimentos, já pelo fato de que eu não sei o que eu quero ser pra ela. Cuidaria dela como um pai, azucrinaria como irmão, zoaria como primo, mas ainda sinto que poderia amá-la como minha namorada, ou mesmo, um dia, esposa.

Nnão importa os óculos ridículos, as roupas largas, ou mesmo a cara de sonsa, porque eu não consigo respirar quando a minha jardineira não estava do meu lado.

Acho que tudo nela é uma combinação, pra ser sincero. Quando fomos escolher sua armação, foi mais ou menos o dia mais inesquecível da minha vida apenas pelo fato de que ela, por um segundo, pareceu não me olhar só como um amigo/inimigo/primo divino, que é o que éramos. Ela me olhou como se eu fosse realmente alguém que merecesse o seu tempo e seus sorrisos.

— Fecha os olhos, Trav. Eu tenho uma leve impressão que eu fiquei bem diferente do normal, então só abre assim que eu falar, beleza?

Passei tanto tempo vagueando nos meus pensamentos que meu coração quase parou quando ouvi aquela voz feminina vindo dos vestiários, o que antes era minha tortura.

Obviamente fechei os olhos e esperei o seu comendo.

— Pronto, Stoll, pode abrir.

Okay, acho que nunca estive tão despreparado para um ataque do coração. Não que ela estivesse deslumbrante e nem com uma roupa vulgar que praticamente mostrasse o seu útero. Na verdade ela estava apenas... especial.

Um vestido vermelho que acentuava seus olhos verdes e suas sardas, fazendo-a parecer um grande morango. Típico de uma filha de Deméter, mas nela não parecia ser nada menos que a combinação perfeita. Os seus cabelos castanhos escuros me lembravam a terra levemente molhada pelo orvalho e a sua pele clara era o que restava para que ela estivesse parecendo não só um morango, mas uma mulher adulta.

Só que uma coisa que eu não conseguia tirar os olhos era como os seus olhos pareciam mais verdes ainda naquela armação escura. Era por isso eu a amava. Não pela forma em que a luz batia em seus olhos, mas sim pela forma em que eles, mesmo por trás das lentes, conseguiam me ler.

— O que foi? Ficou tão ruim assim?

Olhei para seus pés e notei que a morena estava descalça.

— Ficou lindo. Só acho que faltam os sapatos.

— Ah, isso nem vai adiantar eu te levar pra escolher comigo. Já foi a maior complicação escolhermos esse vestido, então acho que nenhum cara merece passar a tarde em uma loja de sapatos.

— Não sou muito fã de sapatos, mas eu te acompanho. Viu como sou um ótimo am...

Ia falar “amigo”, mas talvez essa não fosse a palavra certa com o que eu sentia naquele momento. Pra falar a verdade, acho que estava completamente indo contra o que eu queria dela. Nós somos inimigos de alma. Somos inimigos de pensamento. Somos inimigos por qualquer parte, mas não consigo odiá-la com o coração.

— Inimigo?

— Pra sempre, Kityy.

E assim que eu fui parar em um dos lugares mais temidos pelos caras. Lojas de sapato de fato não são brincadeira, porque, cara, isso estava me matando de medo. Mulheres por todo lado com olhares assassinos, umas brigando, outras olhando ameaçadoramente.

— Vou procurar um sapato. Pode me esperar aqui.

— E que comecem os jogos e a sorte esteja sempre ao seu favor. — brinquei, o que fez ela rir e ir comprar os tais sapatos.

Sem brincar, mas eu fiquei duas horas esperando para que ela terminasse suas compras. Uma hora menos do que nos vestidos, mas mesmo assim minha alma parecia ter sido ceifada por completo.

A deixei em sua casa, sem ver os sapatos mesmo, porque tinha que dirigir mesmo conturbado pela loja de sapatos. Cara, um dia isso pode matar um cara. Agora eu nem sei como vou sobreviver a aquele casamento, ainda mais sabendo que no máximo ela vai ficar com um cara uns seis meses e separar sem nenhum motivo aparente.

Ao chegar na minha casa, me joguei no sofá. Desde que entrei na Universidade de Nova York (sim, a famosa NYU) com Katie, moro sozinho. É estranho, mas tudo volta ao normal quando passamos as férias no Acampamento, que é praticamente permitido pra todos os públicos agora.

Quando já estava pronto, fui para a casa da Katie, que era perto da minha, mas nem tanto assim, de forma que eu tinha que ir de carro.

A casa dela era sempre arrumada, limpinha e realmente muito cheirosa e florida, porque ainda sim ela tinha as qualidades de filha de Deméter. Já a minha era mais bagunçada, e tinha um certo cheiro de pizza, porque eu não sabia cozinhar então tinha que pedir uma grande de calabresa quando a Gardner não podia bater ponto de cozinheira particular pra mim.

Saí do carro e entrei na portaria. O porteiro já me conhecia desde que nos mudamos, então ele já estava acostumado com as minhas costumeiras vindas para cá, assim como os outros moradores. Realmente, eu acho que se fosse eles já estaria cansado das nossas brigas diárias, quando ela me expulsava de casa, ou mesmo quando tinha alguma data comemorativa e eu trazia presentes. É, acho que a nossa relação é meio instável.

Bati na porta dela com o típico toque. Três batidinhas e um aperto na campainha.

Rapidamente Katie estava na porta. E, bem, eu acho que preciso de um balde.

Aqueles saltos altíssimos não ajudavam em nada, porque eu continuava bem mais alto que ela, um defeito dos filhos de Hermes.

Tá, eu não ia aguentar dessa vez. Dane-se que tinha metade de um andar de apartamento olhando pra gente, mas e daí, não é? Quem nunca viu um cara beijar a menina que ele odeia, né? Ai, como eu queria que o nosso lance fosse mais normal.

— ... Travis, está me ouvindo? — ele estalou os dedos na frente da minha cara, de uma forma tão frenética como idiota.

Mas, bem, eu adoro meninas idiotas.

Puxei a sua cintura pra mim pra que ela não tivesse tempo de pensar antes. Enfiei minhas mãos nos seus cabelos, enrolando-os nos meus dedos e roubei-lhe um beijo. Nada muito intenso, nem muito fraco. Nada muito doce, nem algo ruim. Era agridoce. No estilo Travis e Katie, diria eu.

Ouvi alguns comentários vindos de trás de mim, mas nem liguei. Na verdade, cogitei a ideia de cessar o beijo, mas quanto ela atravessou os braços pela minha nuca me beijando de volta, notei que não queria nada além de ficar assim.

E, bem, acho que talvez o final não interesse a ninguém.

Nos beijamos, nos largamos, os vizinhos nos zoaram, nos beijamos mais algumas vezes no caminho para a igreja, quase dormi no casamento, minha mãe saiu da igreja já brigando com o novo marido, nos beijamos mais umas vezes, a deixei em casa, nos beijamos mais outras vezes. Simples assim. Não estávamos namorando nem nada.

Só que, bem, de acordo com Rachel, a vidente que eu mais gosto no mundo, ninguém precisa de namorar pra casar um dia.

Notas finais
Pois é, amiguinhas do core, eu tenho muitas ones para serem postadas. É, eu sou muito malvada u.u Espero que gostem *u* Mayy