Ética Do Amor
11 Uma noite agradável
Notas iniciais
– Não estou esperando que se explique. – Ele disse ao perceber o meu dilema interior. – Eu também não suporto muitas coisas em você, no entanto não importa o quão fundo eu vá com alguma mulher, eu simplesmente não consigo tirar os seus beijos da minha mente.
– Cullen, eu….
– Shh. Eu sei que eu tinha prometido a você e a mim mesmo que uma vez que você me recusasse, eu não voltaria atrás. Mas não dá. – Disse ao respirar fundo. – Ainda mais agora que sei que é recíproco. Quero sair com a senhorita, esta noite. E não aceito “Não” como resposta.
– Eu não te recusei porque não queria sair com você, mas porque não queria que isso interferisse no meu trabalho.
– Em que um jantar pode interferir no seu trabalho? Senhorita Swan, poderíamos ser até casados. Trabalho ainda seria trabalho. Não vai interferir.
– Eu não sei... – Disse tentada a aceitar, porém com o meu lado racional gritando para que eu não fizesse isso. – Realmente não sei se vai ser uma boa.
– Tudo bem. – Disse pacientemente. – Aceite apenas jantar comigo. Não vou forçá-la a nada que não queira.
– Promete não forçar nada?
– Prometo.
– Que horas?
– Oito.
– Onde vai ser o jantar?
– Isso é segredo. – Disse com um lindo sorriso de canto.
Pouco tempo depois a garçonete oferecida chegou com nossos pedidos. O Cullen me observava atentamente e eu tentava desviar o olhar, para não manter um contato muito direto. Depois do café, o Cullen me levou de carro até a porta do meu prédio. Na hora de sair eu não sabia bem como me despedir, então apenas acenei timidamente.
– Tchau. – Eu disse.
– Tchau. – Ele disse sorrindo pela minha falta de jeito. – Eu te beijaria aqui e agora, mas prefiro deixar pra mais tarde, onde vou poder prolongar isto.
– Você prometeu... – Alertei.
– Sim é claro, mas não custa ter esperanças, não é? – Disse com aquele sorriso torto que deixava qualquer mulher em erupção.
Dei um leve sorriso em resposta e saí do carro, entrando no prédio em seguida.
“Não surte, Bella. Não surte, não surte, não surte. É só um encontro, seu emprego não vai por água a baixo por isso” Eu repetia para mim mesma mentalmente repetidas vezes. Quando passei pela portaria o porteiro me entregou as chaves da lambreta, e antes de subir, dei uma passada na garagem do prédio para vê-la e lá estava ela, sã e salva. Subi até o meu andar pelo elevador e quando finalmente cheguei praticamente corri até a porta do meu apartamento. Entrei rápido, praticamente me jogando no sofá. Eu estava morrendo de dor de cabeça e meu corpo estava cansado. Maldita ressaca.
Andei pela casa e graças a Deus minha mãe não estava. Eu realmente não queria ter que explicar para ela que dormi na casa do Cullen. Ela não gosta dele, então com certeza não aprovaria.
O telefone começou a chamar, e fui até ele, o identificador indicava ser minha mãe.
– Alô. – Eu disse.
– Oi filha, por que demorou tanto pra atender?
– Estava dormindo.
– Bebeu muito ontem lá na Alice, né?
– Sim. – Confessei meio sem graça.
– Presta atenção nisso hein. Você sabe que é fraca pra bebida.
– Sim. Vou ficar de molho em casa hoje. – Eu disse sorrindo.
– Tudo bem. Estou ligando pra dizer que vou à praia com o Carlisle. Quer ir?
– Não mãe. Vou descansar.
– Tudo bem. Vou dormir aqui também e amanhã cedinho estou aí.
– Tá bom. Divirta-se.
– Obrigada. Bom descanso pra você também.
– Obrigada.
Encerrei a chamada e fui até o banheiro, tomar um bom e longo banho. Estava feliz por minha mãe ir dormir com o Carlisle hoje, porque eu realmente não saberia mentir para ela e ia ter que dizer que ia sair com o Cullen mais tarde, coisa que ela não precisa saber. Assim que saí do banho coloquei a calcinha e uma regata branca.Voltei para o sofá e liguei a TV. Então alguém bateu à porta.
Me levantei preguiçosamente e olhei pelo olho mágico. Era James. Abri parte da porta e olhei de trás.
– Oi James.
– Oi linda, não vai me deixar entrar?
– Claro.
Abri a porta e ele entrou, me olhando de cima a baixo.
– Hum... Já disse o quanto você fica linda quando está vestida assim?
– Não. Mas é bom ouvir.
– Sua mãe está?
– Não.
James se aproximou e puxou meu corpo contra o seu, abaixou e começou a beijar meu pescoço.
– Espera. – Eu disse me afastando. – É melhor não.
– Por quê? – Disse impaciente enquanto se afastava. – Hein, Bella?
– Eu jantei na casa da Alice ontem e bebi demais, agora minha cabeça está explodindo e o meu corpo exausto. Eu só quero descansar.
– Bella, o que está acontecendo com você? Faz duas semanas que não me deixa te tocar.
– Eu não sei. Só não quero. – Disse sincera.
– Quem é o cara?
– Que cara?
– O que você está saindo.
– Ai James, não surta, tá bom?
– Não surta? Bella, duas semanas sem sexo mesmo podendo fazê-lo? Não acredito nisso. Tem outro cara nessa parada e você está sem graça de me dizer.
– Não é isso. Eu só não quero. Dá pra você respeitar isso?
– Dá né? – Disse impaciente. – Eu vou embora. Quando você quiser sair comigo, me liga.
– Tudo bem.
James saiu e eu voltei para o sofá. Eu não achava que devia dizer para ele sobre o Cullen, porque por mais que eu estivesse a fim dele, não sabia ao certo o que esperar disso. Podia ser só por uma noite, talvez mais algumas ou quem sabe nem aconteceria nada. Então era realmente cedo pra dizer a qualquer um sobre ele.
Passei o dia inteiro me perguntando sobre ir ou não ir ao encontro com o Cullen. Sim, eu estava considerando não ir. Porém agora era meio tarde, ele ia vir me buscar. Como eu ia dizer que não ia? Droga. Não tinha jeito mesmo. Eu tinha que ir.
Comecei a revirar minhas coisas até achar algo que prestasse para um encontro. Passei o olho em alguns vestidos de noite e em saltos elegantes, mas quem eu estava querendo enganar? Aquela não era eu. Não tinha motivos pra me vestir de forma diferente. Então escolhi um vestido simples e de sapato? Meu all star estava ótimo! Quando eram sete e meia eu já estava pronta, assistindo TV enquanto esperava qualquer sinal de vida do Cullen. Foi então que oito horas em ponto meu celular vibrou. Olhei no visor e lá estava uma mensagem piscando.
“Senhorita Swan, estou na portaria do seu prédio à sua espera. Atenciosamente, Edward Cullen.” Dizia o corpo da mensagem.
Guardei o celular, desliguei a TV e desci prontamente. Assim que cheguei no portão já podia avistar o R8 preto, parado ali. Enquanto Edward estava lá, encostado na porta do carona. Apenas de jeans e uma camisa polo preta que contornava perfeitamente os traços de seu peitoral, ombros e braços. Suspirei feito uma adolescente na puberdade, mas me recuperei e fui até ele que me olhou de cima a baixo com um sorriso faceiro no rosto.
— O que? — Perguntei me olhando de cima a baixo, em menção de ver o que havia errado.
— Nada demais. Você parece tão jovem. —Disse sorrindo. — Isso é legal.
— Obrigada. Eu acho.
— Pode agradecer. Eu realmente gostei.
— Dei um leve sorriso em agradecimento e ele abriu a porta do carona para mim, que entrei, me acomodando e colocando o cinto de segurança.
O Cullen entrou logo depois no lado do motorista e começou a dirigir rapidamente pelas ruas de Nova Iorque. Em questão de alguns minutos já havíamos chegado ao lugar que eu conheci como seu apartamento luxuoso.
– Vamos jantar no seu apartamento?
– São os meus planos. A não ser que queira ir para algum restaurante.
– Não. O seu apartamento me parece uma boa pedida.
– Beleza. – Disse sorrindo. – Vamos subir?
– Vamos.
Assim que o Cullen estacionou o carro de meio milhão de dólares, nós entramos no elevador e ele digitou uma senha no painel.
– Tem senha? – Perguntei confusa.
– Sim. É que cada andar é um apartamento. Eu só sei a senha do meu, porque o elevador já abre no apartamento da pessoa que mora naquele andar.
– Mas e quando alguém vier visitar?
– O porteiro avisa e ele libera a subida lá pelo computador dele. Como quando tem festa. Ele libera a senha no andar da festa. Aí o elevador fica livre pra aquele andar. Bom, no meu não é bem assim, porque eles não têm acesso à minha senha. Aí quem tem que liberar sou eu. Mas não gosto de festas, então nem preciso me dar a esse trabalho.
– Você é anormal. Isso sim. – Eu disse sorrindo e ele me acompanhou.
Assim que chegamos na cobertura, o elevador abriu as portas e nós saímos na enorme sala com vista pra Nova Iorque inteira. Havia uma mesa perto da parede de vidro e perto da lareira também. O que dei graças a Deus, porque estava um pouco frio. O ambiente estava bem aconchegante, iluminado pela luz de algumas velas espalhadas em pontos estratégicos. Estava bem romântico. Um clima ideal para uma boa noite de sexo. “Opa, vai acalmando aí dona Isabella. Sua intenção não é essa, lembre-se disso!” Gritava meu interior mais sensato.
Senti a mão quente do Cullen segurando a minha e todo meu corpo estremeceu. Olhei para ele que deu um sorriso acolhedor para mim, me puxando delicadamente até a mesa, arrastando a cadeira levemente para que eu me sentasse.
– Mademoiselle. – Ele disse e eu sorri de seu francês charmoso, enquanto me sentava na cadeira.
Edward se sentou na outra ponta da enorme mesa, ficando extremamente distante. Então me levantei e me sentei em uma cadeira próxima a sua. Ele me olhou surpreso, como quem não esperasse uma atitude como essa.
– Pra que tanta formalidade? – Perguntei. – É um encontro casual.
– É verdade. – Disse com um leve sorriso.
A empregada chegou com a entrada. Ceviche de tilápia. Pareciam canapés e estava uma delícia. Acompanhado com vinho suave.
– Está bom? – Perguntou parecendo um pouco preocupado.
– Sim. Uma delícia. – Respondi sorrindo.
Depois da entrada, nós conversamos um pouco enquanto a empregada chegava com vinho tinto e o prato principal. Que estava bem bonito.
– É cordeiro? – Perguntei já com água na boca.
– Sim. Costela de cordeiro ao molho de ervas com batata gratinada.
– Hum... – Eu disse lambendo os lábios. – Parece delicioso.
– Que bom, porque eu estava muito inseguro sobre isso, já que não fazia ideia do que você gostava.
– Podia ter pedido pizza. Não tem erro.
– Nem lembro qual foi a última vez que comi pizza. – Disse sorrindo e eu arregalei os olhos.
– Sério? Você não gosta de pizza?
– Eu gosto. Só que quando chego a minha comida já está pronta.
– Ah sim. Isso é triste porque pizza é tão bom!
– Verdade. – Disse sorrindo.
Nós comemos e conforme a costela foi chegando no final, estava começando a ficar realmente difícil de tirar a carne que estava mais próxima ao osso.
– Se quiser pegar com a mão, sinta-se à vontade. – Ele disse.
– Estava lendo os meus pensamentos? – Perguntei com uma sobrancelha erguida.
– Não. – Disse sorrindo. – Eu só quero fazer o mesmo.
– Demorou então! – Eu disse enquanto pegava o osso da costela e ele fazia o mesmo.
Parecíamos dois canibais, no entanto a costela estava boa demais para desperdiçarmos tanto. Logo já havíamos terminado, limpamos os dedos nos guardanapos e a empregada rapidamente trouxe a sobremesa. Creme Bruleé de doce de leite. Que também não demorou muito para ser devorado.
– E aí? – Perguntou assim que terminamos. – Aprovado o jantar?
– Sim. A sua cozinheira está de parabéns.
– E o anfitrião?
– Hum... Também.
– Então está bom. Vamos ficar um pouco no sofá, de frente para a lareira, tomando um bom vinho, conversando. O que acha?
– Me parece uma boa. Só que não posso beber muito. Ainda não me recuperei do porre de ontem. – Eu disse enquanto ruborizava por lembrar que ele sabia mais do que ninguém da intensidade desse porre. – E amanhã tem trabalho, então não é uma boa beber muito.
– Certamente. Mas são apenas algumas taças. Nada que te deixe embriagada.
– Tudo bem então.
Fomos para perto do sofá e eu me sentei, enquanto o Cullen servia as nossas taças.
– Quer ouvir alguma coisa? – Perguntou.
– Sim. – Respondi enquanto olhava para a vitrola em cima de uma mesinha. – Coloque algum dos seus vinis para reproduzir nessa belezinha aí.
– Qual deles?
– Surpreenda-me.
O Cullen pegou um saiu por um instante e voltou com um vinil em mãos. Colocando na vitrola em seguida. Foi então que a música agradável começou. Era you and I do Scorpions, só que na versão do disco Acoustica. O que me fez deduzir que era este álbum que estava sendo reproduzido.
O Cullen, em seguida se sentou perto de mim, bem perto.
– Aprovado?
– Sim. Você tem um ótimo gosto ao julgar pela sua escolha.
– Obrigado. – Disse sorrindo.
Começamos a beber e ele repousou sua mão sobre o meu joelho. Olhei para a sua mão e em seguida diretamente em seus olhos, que se encontraram e não desviaram um do outro. Nessa hora eu estava em uma guerra mental entre ir em frente ou não. Me entregar ao poderoso chefão ou dar um jeito de cair fora. Eu estava me sentindo uma idiota, mas a verdade era que eu queria me encontrar com ele mais vezes. Porque por mais que eu quisesse ir aos finalmente logo, parte de mim achava que ainda estava cedo e que eu não o conhecia direito pra sair por aí transando. Então o ideal era segurar mais um pouco mesmo.
O Cullen, como não era burro nem nada e viu que eu já estava na sua, pegou a taça que eu estava bebendo de minha mão e colocou no chão, junto à dele. Em seguida veio com tudo pra cima de mim, segurando minha nuca e me puxando para um beijo rápido e intenso. Sua língua voraz procurava pela minha que retribuía sem esforço algum. Tudo entre a gente fluía desta forma, muito naturalmente.
– Edward, eu... – Eu disse contra seus lábios, foi então que percebi que havia o chamado pelo primeiro nome. – Perdão, Cullen...
– Não. – Disse enquanto se afastava um pouco. – Meu nome fica lindo na sua voz. Diga novamente. Por favor.
– Edward. – Eu disse sorrindo.
– Isso. Quero que me chame assim quando estivermos a sós. Por favor.
– Tudo bem. Edward.
– Sim, Isabella. – Disse tentando se adaptar ao meu nome.
– Bella. – Corrigi. – Me chame de Bella.
– Okay. Bella. Pode dizer.
– É que eu não sei se quero ir além.
– Como assim?
– Não quero transar com você hoje. Não acho que seja a hora.
– Tudo bem. – Disse naturalmente. – Eu disse que não forçaria a barra. E vou cumprir. Só vai rolar o que você quiser que role.
– Ótimo. – Eu disse realmente satisfeita.
– Bella. – Chamou. Era engraçado ouvir meu nome em sua boca. Era como se não fosse a mesma pessoa falando. – Me beija.
Me aproximei do Cullen quase que instintivamente, segurando seus cabelos firmemente e o beijei. Só que dessa vez com calma. Aproveitando e sentindo cada sensação, cada movimento. Seus lábios se moldavam aos meus de forma simétrica e perfeita. Ele também não estava faminto como nos beijos anteriores. Era calmo, sereno e carinhoso. E foi simplesmente o melhor beijo que já recebi em toda a minha vida. Tanto que assim que terminamos, repousei minha cabeça em seu ombro, com o rosto virado para seu pescoço cheiroso, travando toda a vontade quase louca de beijá-lo ali enquanto repetia mentalmente “Vá com calma, Isabella. Sempre com muita calma!”
– Acho melhor eu ir. – Disse antes que aquilo rendesse muito.
– Tem certeza? Você pode ficar mais um pouco. Depois te deixo em casa.
– Não, melhor eu ir mesmo. Tenho que descansar pra estar inteira amanhã.
– Tudo bem. Não quero interferir no seu trabalho.
O Cullen e eu fomos até a garagem do edifício que ele morava e nós fomos até seu carro, ele abriu a porta para mim novamente e saímos pelas ruas de Nova Iorque, até chegarmos ao meu prédio. Ele estacionou na porta e em seguida virou seu corpo de frente para o meu.
– Bom, acho que é isso... – Eu disse meio sem graça.
– Quando vamos nos ver novamente? – Perguntou direto.
– Amanhã de manhã. – Eu disse me fazendo de desentendida.
– Quero dizer, nos encontrar. Como hoje.
– Eu não sei. Temos que marcar.
– Amanhã?
– Terça-feira temos trabalho.
– Amanhã também. Não estamos aqui?
– Sim, mas passamos o dia inteiro descansando. Amanhã passaremos o dia inteiro trabalhando. Vai ser cansativo.
– Você vai jantar de qualquer forma, não vai?
– Sim.
– Pois então... Jante comigo.
– No seu apartamento?
– Sim. A não ser que queira ir para outro lugar.
– Não, pode ser lá.
– Tudo bem. Até amanhã… Bella. – Disse ainda tentando se acostumar com o nome.
– Até amanhã, Edward. – Okay, confesso que também era estranho para mim chamá-lo pelo primeiro nome.
Ele se aproximou e me deu um beijo. Sereno e carinhoso como o que trocamos em seu apartamento. Edward sabia ser um homem perfeito quando queria. Qualquer mulher se apaixonaria fácil por esta versão dele... Inclusive eu.
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