Ética Do Amor

30 O preço da mentira.


Notas iniciais
Olá galera! Como vcs estão? Bom, primeiramente queria agradecer a todas que continuaram acompanhando e comentaram no último cap. Fiquei muito feliz pelo carinho de todas ao me receberem de volta. Sei que foi sacanagem parar justo na hora da conversa do James e do Edward, mas dei uma compensada nesse cap que ficou bem maior que o último, espero que vcs gostem. Nos vemos lá em baixo!

POV Edward

– Fale logo o que quer. — Eu disse com pressa.
– Acho que nós, homens, devemos ser amigos, em primeiro lugar. E eu não acho justo que você se relacione com alguém que não conhece de verdade, portanto me sinto na obrigação de vir te alertar sobre quem é Isabella Swan.
– E quem é Isabella Swan? — Perguntei sem dar muita ideia.
– É a mulher que namorava um cara chamado Brian, no qual ela traiu muitas e muitas vezes com metade da faculdade, até ela arrumar um outro, chamado Calleb, no qual ela também traiu com metade da faculdade, mas esse, ao descobrir, se vingou.
– Tá... E você tem provas disso? — Perguntei sem levar muita fé.
– Então, é aí que entra a parte da vingança do Calleb.
– Que vingança?
James abriu sua mochila, pegando um tablet em seguida, e após mexer um pouco no mesmo, um vídeo começou a ser reproduzido e nele estava um rapaz forte e loiro.
– Olá. — Disse alguém que não estava aparecendo no vídeo, provavelmente quem estava filmando. — Jeremy, o que você acha da Isabella Swan de Serviço social.
– Gostosa. — O loiro respondeu prontamente.
– Você já transou com ela?
– Sim. — Disse prontamente.
– E como ela é na cama?
– Aquela putinha é muito boa, geme gostoso e mama como aquelas putas de luxo que a gente gasta o salário todo pra comer. — Meu coração batia forte. E eu não aguentava o ciúme se formando dentro de mim. Por que aquele filho da puta estava falando de Bella daquele jeito? Ainda mais enquanto era filmado?
A cena cortou para outro cara, no qual a voz do cara que não aparecia no vídeo perguntava a mesma coisa, só que pra outro homem, e dali pra outro e outro, e mais outro, ao todo mais de 30 homens foram entrevistados e todos eles, sem exceção afirmavam já ter dormido com Bella. Foi então que o cara que estava falando e filmando virou a câmera pra si.
– Eu sou Calleb Steves, ex namorado de Isabella Swan, e estou gravando este vídeo para mostrar a todos a vadia que ela é.
E então a filmagem acabou e eu mal conseguia raciocinar. A única coisa que eu lembrava foi de quando Bella me disse que só havia dormido com 6 homens em toda sua vida. Então ela tinha mentido pra mim? Mas por quê?
– O Calleb fez este vídeo e mostrou em todas as televisões da faculdade depois de descobrir que ela o traia.
– Eu já entendi o que você queria mostrar. Pode ir agora. — Eu disse tentando não demonstrar o quanto estava afetado pelo que acabei de ver.
– Só mostrei esse vídeo por achar justo você saber aonde está se metendo. — Disse se fazendo de bom moço. — Agora estou indo.
– Vá. — Eu e ele saiu em seguida.
Caminhei lentamente até a sala, me sentando no sofá enquanto tentava assimilar tudo que tinha visto. Fui completamente honesto sobre toda a minha vida, contando coisas que não me permitia contar a ninguém, enquanto ela escondia seu passado de mim, agora eu me perguntava: Quantas coisas mais não conhecia sobre Bella?

POV Bella

Me arrumei rapidamente ao chegar no apartamento de Jake, e depois fui direto pra casa de Edward, mas ao estacionar a lambreta, vi James saindo da portaria do prédio. O que ele fazia aqui? Eu não fazia ideia do que se tratava, mas descobriria assim que chegasse no apartamento de Edward.
Assim que entrei na sala, me deparei com Edward sentado no sofá quieto, e se antes eu tinha alguma dúvida se James veio aqui falar alguma merda, agora eu tinha certeza.
– Edward? – Chamei me aproximando. – Já cheguei.
– Bella. – Disse finalmente olhando pra mim. Não gostei nada do que vi em seus olhos: Mágoa, muita mágoa. Naquele momento tive certeza que James tinha falado alguma besteira pra ele.
– Tudo bem, meu amor? – Eu disse me sentando ao seu lado e colocando minhas mãos em seu rosto, mas ele rapidamente se esquivou de meu toque. – Edward, o que houve?
– Com quantos homens você já dormiu? – Perguntou e automaticamente minha ficha caiu, o filho da puta do James com certeza contou sobre o meu maldito passado a Edward. – Responde! – Perguntou irritado com a minha demora, ele parecia estar com medo da resposta.
– Eu não sei. – Respondi sincera.
– Perdeu as contas? – Perguntou após respirar fundo.
– Perdi. – Admiti com os olhos fechados, tentando conter as lágrimas que ameaçavam se formar em meus olhos. – Mas o que exatamente o fato de com quantos homens eu dormi ou não tem a ver com o agora? Em que isso afeta o nosso relacionamento?
– Tem a ver com a mentira, senhorita Swan. – Disse friamente. Sua postura parecia com o Edward das primeiras semanas em que o conheci, mas eu via em seus olhos que por dentro, ele estava triste e magoado.
– Por que está me chamando assim? – Perguntei tentando tocá-lo e novamente ele se esquivou. – Eu sou a Bella, sua Bella. Lembra?
– A minha Bella me falou que dormiu com apenas 6 homens em toda a sua vida. A minha Bella jamais seria capaz de trair. Você eu não reconheço. – Disse duramente.
– Só me diga uma coisa. – Eu disse também magoada por ele estar sendo tão duro por algo que era passado. – Se no começo de tudo, você soubesse sobre o meu passado. Ainda iria me querer como me queria há meia hora atrás?
– Mas é claro. – Disse como se fosse idiotice minha pensar que não. – Eu te queria ardentemente, Isabella, independente de quantos homens tivessem te levado pra cama.
– Queria?
– Sim.
– E não quer mais?
– Eu não aceito mentiras. – Disse triste. – Agora eu só consigo pensar em quantas coisas mais não sei sobre você
– Edward, você sabe quem eu sou. – Eu disse sem conseguir conter minhas lágrimas. Não queria chorar na frente dele, mas estava com medo de perdê-lo por algo tão pequeno. – A única coisa que não te contei foi isso. Era algo que eu queria esquecer, assim como você não tinha me contado do seu filho.
– Eu te contei. Depois de algum tempo, mas contei. No seu caso eu fiquei sabendo da boca de outra pessoa.
– Foi o James quem te contou, não foi? – Perguntei irritada. – Eu o vi saindo do seu prédio.
– Foi ele mesmo, mas isso não faz diferença alguma, Isabella. – Agora ele parecia irritado. – A questão é que agora eu não confio mais em você. Fui sincero contigo todo esse tempo, contei coisas do meu passado que pouquíssimas pessoas sabiam, confiei em você, enquanto você escondia seu passado de mim. Como vou saber que você realmente mudou? – Agora eu podia ver lágrimas se formando em seus olhos, estava sendo difícil pra ele falar tudo aquilo, mas ainda mais para mim ter que ouvir coisas que não merecia. – Que você não é a mesma Isabella na qual os homens daquele vídeo se referiam?
– Edward, assim você me ofende. – Eu disse irritada enquanto chorava desenfreadamente. Ele estava sendo muito injusto. – Você sabe o quanto eu amo você. Fiquei do seu lado praticamente 24 horas durante essas duas últimas semanas, dormi na sua casa todos os dias. Acha que faria tudo isso, aguentaria tudo isso do seu lado se não te amasse, ou se te traísse?
– Mas se você realmente mudou, então por que mentiu? Se realmente não é mais aquela Isabella, por que não me contou a verdade? Já que se tratava do passado.
– Eu tive medo de te perder! Medo de você achar que eu era igual a todas que você saia e cair fora.
– Preciso ficar sozinho. – Disse com as mãos no rosto, secando as lágrimas que caiam. – Vamos dar um tempo.
– Não dou “tempo”. Ou você fica comigo ou vai embora. – Eu disse firme, apesar de estar desmoronando por dentro. – Eu sei o que eu quero e espero que você também saiba.
– Eu quero ficar sozinho.
– Então acabou? – Minha voz era praticamente inexistente. Eu não queria que acabasse.
– Sim. – Disse dolorosamente. Era visível o quanto ele estava mal, mas tentava parecer forte, queria muito que ele voltasse atrás, no entanto, o meu lado racional dizia que o término era melhor, afinal, ele não confiava em mim e desconfiava até que eu o traía, eu não merecia isso. – Acabou. – Disse finalizando nosso relacionamento, e por algo que estava no passado.
– Tudo bem. – Eu disse de queixo erguido, apesar do rosto vermelho de tanto chorar. – Adeus, Edward Cullen.
– Adeus... – Ele respirou fundo antes de continuar. – Isabella Swan.
E então, sem me permitir pensar duas vezes, virei as costas e caminhei lentamente até o elevador, na tola esperança de que ele viesse e me puxasse pelo braço, arrependido, mas isso não aconteceu.
Quando cheguei no apartamento de Jake, Rosalie estava em casa, mas ele estava trabalhando.
– Ué, Bella. – Rose disse confusa ao me ver. – Você não ia pra casa do Edward? – E então ela me olhou, vendo a minha cara vermelha de tanto chorar. – O que houve?
– Acabou, Rose. – Eu disse sem conseguir controlar as lágrimas que caíam.
Rosalie levantou do sofá e veio até mim, secando minhas lágrimas e me abraçando em seguida.
– Calma. – Disse Rose docemente. – O que aconteceu?
Depois de me acalmar um pouco, contei a Rosalie o motivo do nosso término e ela achou que não era pra tanto e que Edward foi injusto, mas não nos aprofundamos no assunto. Rose fez a janta e nós comemos juntas, depois ficamos assistindo TV até tarde.
No outro dia, fui cedo até o colégio no qual eu trabalharia no Brooklyn, e percebi que era duas ruas depois do bordel de Nathan e Karla, eu passava por lá para chegar até o trabalho, e ao passar em frente, prestei atenção, pensando na possibilidade de ver algo estranho, afinal Nathan ainda estava foragido, mas não vi nada demais. Ao chegar na escola, fui muito bem recebida pela pedagoga, e o diretor. Fui recebida com muito carinho por todos, eles acolhiam de verdade e isso era importante em um ambiente de trabalho, mas nem todo esse carinho conseguiam desviar meus pensamentos de onde eles realmente queriam estar, em Edward.

POV Edward

Eu estava muito impaciente com tudo e todos. Nada me agradava, e quem acabava pagando por isso era Alice que aturava quieta todo meu mau humor. Eu sabia que ela não tinha culpa alguma do meu término com Bella, mas eu não conseguia controlar, estava muito, mas muito mau humorado.
– Senhor Cullen, terminei os relatórios. – Alice disse entrando na sala.
– Não quero ler agora. – Eu disse friamente. – Amanhã, e por favor, não deixe ninguém entrar aqui hoje.
– Tudo bem. – Respondeu prontamente saindo em seguida.
O novo assistente social trabalhava em silêncio e eu não conseguia sentir nada além de dor ao vê-lo sentado no lugar que era de Bella, parecia que nada ali tinha vida sem ela, não tinha cor. Desde que descobri o amor, sentimento no qual eu julgava não existir entre homem e mulher, tudo parecia muito bonito e eu sentia uma felicidade que até então era inexistente para mim, tudo parecia muito mais fácil quando ela estava por perto, mas eu não fazia ideia da dimensão que a falta que ela faria caso nosso relacionamento terminasse, e agora que acabou eu estava sentindo o impacto disso. Era difícil ter que fingir a todos que eu estava bem e que a ideia de nunca mais tocá-la, nem sentir seus beijos ou ouvir sua voz dizendo que me amava não me afetava, pois afetava, e muito, mas eu tomei a minha decisão e ela tinha suas consequências, e apesar de meu coração estar gritando, praticamente implorando pra que eu voltasse atrás e fosse atrás dela, minha razão, por outro lado, dizia que eu devia esquecê-la, porque por mais que a amasse, eu não confiava mais bela como antes, e o fim de qualquer relacionamento é a desconfiança.
– Senhor Cullen. – Disse Alice entrando na sala. – Sei que pediu pra não ser incomodado, mas Emmet quer falar com o senhor.
– Eu disse que não estou pra ninguém. Inclusive o Emmet.
– Mas ele disse que é urgente.
– Peça pra ele vir na minha hora de almoço então.
– Tudo bem. Avisarei a ele. – Alice disse saindo em seguida.
Continuei trabalhando e tentando me manter o tempo inteiro focado, mas meu pensamento sempre desviava pra ela, nos nossos momentos juntos, mas as boas lembranças eram destruídas quando lembrava do maldito vídeo que James mostrou, sentia muito ciúme quando lembrava daqueles caras falando dela.
Quando a hora do almoço chegou, Isac saiu, e pouco tempo depois Emmet chegou.
– Fala Eddie. – Ele disse ao entrar. – Não vai almoçar lá embaixo hoje?
– Não.
– A Alice me contou que a Bella foi transferida, mas não é porque ela não está mais aqui que você precisa parar de almoçar com a gente.
– Eu vou almoçar com vocês, Emmet, mas não hoje.
– Por quê?
– Bella e eu nos separamos.
– Separaram? – Perguntou com os olhos arregalados. – Mas por quê?
– Ela mentiu pra mim, eu descobri e me senti traído, já que sempre fui honesto com ela.
– Ah Edward! — Disse Emmet como se eu fosse o cara mais babaca do mundo. – Sério que você terminou com ela por isso?
– Emmet, eu também não concordo com o motivo do seu término com a Rosalie, mas cada um sabe seu limite, e eu respeitei o seu.
– É verdade, mas no meu caso, terminei com a Rose porque ela não respeitava as minhas opiniões e vontades, ela me forçava a ser e pensar como ela queria, mas a Bella é ótima pra você, cara.
– Ela mentiu pra mim, Emmet. Eu não confio mais nela e do que adianta seguir em um relacionamento sem confiança? Está fadado ao fracasso. – Eu disse sentindo vontade de chorar, mas me segurando. – Agora eu não quero mais falar disso.
– Tudo bem, mas me diz, é por isso que a Bella não está mais aqui?
– Não. – Disse prontamente. – Foi só uma coincidência. Mas o que você queria comigo?
– Você sabe que daqui a 2 semanas é o meu aniversário. – Verdade. O aniversário de Emmet era exatamente 1 mês após o meu.
– Sei. – Disse esperando que ele continuasse.
– Quero dar uma festa e você vai.
– Emmet. Preciso mesmo ir à uma festa? Podemos sair pra jantar um dia antes ou depois.
– Ah Edward, qual é? Eu aluguei uma das melhores boates de Nova Iorque. Sério mesmo que você não quer ir? A sua presença é importante pra mim.
– Tá bom, Emmet. Eu vou pensar, mas não garanto nada. – Eu disse pra que ele não ficasse ali insistindo durante toda a minha hora do almoço.
O resto do dia passou arrastado, e a semana também, todos os dias eu olhava impacientemente para meu celular, esperando algum sinal dela, mas nada, o que estava me mantendo firme era cuidar de Lívia, eu estava feliz em ver que o passado difícil que ela viveu não a afetou tanto quanto a mim, percebi que ela tinha alguns pesadelos que a assustavam, mas no geral, ela estava bem, e já estava se consultando com uma boa psicóloga e nós já fomos matriculá-la na escola, no curso de inglês e no ballet (Esse último à pedido dela).
– Eddie. – Ela disse sexta feira à noite quando chegamos em casa. – Vamos cozinhar?
– Você quer cozinhar? – Perguntei estranhando seu desejo.
– Sim. – Respondeu prontamente. – Vamos dar um descanso pra Maria. – Maria era a cozinheira.
– Tudo bem. – Eu disse sorrindo. – Vamos cozinhar, mas me deixa tomar um banho primeiro.
– Tá bom, mas não demora. – Disse se fingindo de mandona e eu sorri.
Após o banho Lívia e eu fomos até a cozinha, abri a geladeira para analisarmos tudo que ali havia para depois fazermos.
– O que vamos fazer? – Perguntei encarando Lívia que encarava a geladeira.
– Cachorro quente. – Ela disse sem pensar muito e eu sorri.
Peguei as salsichas e ela pediu para picar a cebola, fiquei receoso em deixar, mas ela me garantiu que já havia feito antes, e além do mais era melhor deixá-la picar os temperos à mexer no fogão, então resolvi deixar.
– Eddie. – Ela disse enquanto terminava de picar sua cebola. – Por que a Bella não aparece mais aqui? – Droga, pela primeira vez nessa maldita semana eu estava me sentindo um pouco mais animado e Lívia toca no assunto “Bella” e o resquício de alegria se esvai rapidamente.
– A Bella e eu não somos mais namorados.
– Mas por quê? – Perguntou visivelmente chateada. – Eu gosto muito dela.
– Eu também. – Disse pensativo.
– E ela também gosta de você. Por que não ficam juntos? É tão simples.
– O mundo dos adultos é mais complicado do que parece, pequena. – Respondi encerrando o assunto.
Quando conseguimos terminar de cozinhar o cachorro quente, o telefone tocou.
– Deixa que eu atendo. – Lívia disse correndo na direção do telefone, me fazendo rir.
– Casa do Eddie e da Lívia, quem fala? – Perguntou fazendo uma voz séria, me fazendo rir ainda mais. – Oi vovô! – Disse empolgada. “Vovô” era Carlisle, ele pediu pra ser chamado assim e Lívia acatou. – Sim, ele , só um momento que vou passar pra ele. Eddie. – Agora ela olhava pra mim, estendendo o telefone para que eu pegasse. – É o vovô, ele quer falar com você.
Peguei o telefone das mãos de Lívia, agradecendo, depois atendi a ligação.
– Olá, Carlisle. – Eu disse ao atender.
– Desistiu de me chamar de pai? – Perguntou.
– Olá, pai. – Eu disse me permitindo chamá-lo daquela forma, afinal, Carlisle sempre foi um bom pai e merecia tal tratamento. – Diga.
– Amanhã farei um jantar aqui em casa.
– Qual é a comemoração? – Perguntei.
– É que estamos todos vivos. – Disse sorrindo.
– Por mim, tudo bem. – Respondi. – Lívia e eu estaremos aí.
Após encerrar a chamada, Lívia e eu comemos nosso cachorro quente, mas eu só conseguia pensar em uma coisa: “Será que Bella estava lá? E se estivesse, qual seria sua reação ao me ver? Será que ela falaria comigo?”
No dia seguinte, Lívia foi para sua primeira aula de balé, que era aos sábados de manhã, depois fomos almoçar no shopping, e durante todo almoço, ela falou empolgada sobre o ballet, e eu apenas a ouvia enquanto segurava sua mochilinha rosa que ela dizia ser pesada demais. Ela parecia muito feliz e isso me deixava muito feliz, queria dar a ela tudo que eu daria a um filho, porque apesar de não conhecê-la há muito tempo, eu já a amava como se fosse. Passamos a tarde no shopping, já que depois do almoço ela me convenceu a assistir um filme de desenho no cinema e depois que saímos, fomos para o playground para brincar um pouco, joguei aerorock com ela que me ganhou de lavada.
À noite nos arrumamos para ir para a casa de Carlisle. E fomos no meu carro, mas ao chegar na rua da casa dele, eis que um gato apareceu do nada na rua, correndo espantado e a minha primeira reação foi desviar, o que resultou em um estrondo de algo batendo na lataria do lado direito do meu carro.
– Eddie, você bateu em alguma coisa. – Lívia disse assustada.
Parei o carro imediatamente, saindo em seguida.
– Você não tem retrovisor não? – Resmungou uma voz que eu conheceria em qualquer lugar. Bella.
– Bella. – Eu disse correndo até ela, a ajudando a levantar. Ao desviar o carro, bati em sua lambreta que estava na pista ao lado.
– Edward. – Disse tão surpresa quanto eu.
– Eu te machuquei? – Perguntei analisando seu corpo, preocupado.
– Só o meu joelho e o cotovelo estão um pouco ralados, mas eu sobrevivo. – Disse calmamente.
Abaixei, levantando sua lambreta.
– Deve ter arranhado a pintura, eu pago o que tiver de errado com ela. – Eu disse me referindo à lambreta. – Me desculpe pela falta de atenção.
– Tudo bem. – Ela disse imparcial. Bella estava fria como gelo e isso me incomodava profundamente. Eu sei que estávamos separados, mas precisava ser tão fria?
– Bellaaa. – Disse Lívia saindo do carro e a abraçando. – Que saudade de você!
– Eu também estou com muita saudade, pequena. – Bella disse carinhosa.
Bella levou sua lambreta para a garagem de Carlisle e eu o meu carro. Após entrarmos, fomos recebidos por Carlisle, Reneé e Emmet.
– Filha, você se machucou? – Reneé perguntou preocupada ao ver Bella.
– Eu caí de moto. – Ela disse.
– Vamos fazer um curativo nesses machucados. – Reneé disse, levando Bella para outro cômodo.
Carlisle, Emmet, Lívia e eu nos sentamos à mesa e aguardamos Bella e Reneé, e assim que elas chegaram, o jantar começou a ser servido. Eu olhava para Bella o tempo inteiro, não conseguia manter os olhos longe dela por muito tempo, ela também me olhava, mas diferente de mim, tentava disfarçar, olhava para seus olhos, sua boca, droga, que saudade daquela boca gostosa.
Não via a hora daquele maldito jantar terminar, doía olhar pra ela e não poder tocá-la, não poder estar perto dela.
Quando o jantar finalmente chegou ao fim, após conversas que eu participava monossilabicamente por não estar realmente prestando atenção em nada que não fosse nela, Lívia me perguntou se podia dormir na casa de Bella.
– Acho melhor não Lívia, não vamos incomodá-la.
– Não vai incomodar. – Bella disse. – Ela pode vir se quiser.
– Tudo bem então. – Eu disse. – Ela vai com você hoje e amanhã vou buscá-la à noite.
– Tudo bem. – Disse Bella.
Na hora de ir embora, insisti em levá-las de carro, mas Bella disse que estava bem e que tinha perfeitas condições de pilotar até sua casa, então ela e Lívia foram juntas e eu segui até meu apartamento. Depois de tomar um banho, peguei o telefone e após respirar fundo, disquei o número de Bella, que atendeu rapidamente.
– Alô. – Ela disse ao atender. Era incrível como apenas o som de sua voz já fazia meu coração disparar.
– Oi Bella, sou eu, Edward.
– Eu sei. Conheço seu número. – Ela disse friamente.
– Liguei pra saber se você e Lívia chegaram bem.
– Chegamos. – Disse ainda fria. – Algo mais que você precise saber?
– Não. – Eu disse triste com seu tratamento.
– Tudo bem, boa noite então.
– Espera. Tem mais uma coisa.
– Fale.
– Você ainda pensa em mim, Bella?
– Qual diferença vai fazer eu te responder isso, Edward? Estamos separados.
– Sim, mas é que eu penso muito em você.
– Pensa, mas não confia, do que adianta? Edward, é melhor esquecermos tudo que vivemos e seguirmos em frente.
– Tudo bem. – Disse tentando manter o que tinha sobrado do meu orgulho. – Boa noite, Bella.
– É senhorita Swan. – Ela disse me corrigindo. – A sua Bella não mentia pra você. Lembra? Eu menti.
– Boa noite, senhorita Swan. – Eu disse irritado. – Amanhã à noite estarei aí para buscar a Lívia.
– Tudo bem. Boa noite, senhor Cullen.
Encerrei a chamada e fiquei completamente irritado, Bella não podia me tratar assim, foi ela quem mentiu pra mim e ainda queria me tratar mal? Tentei parar de pensar nela e fui assistir TV, depois tomar um vinho enquanto observava a vista de Nova iorque da parede de vidro da minha sala.
No dia seguinte, eu não tinha muito o que fazer, fui ao antiquário comprar vinis, adiantei algumas coisas do trabalho, almocei no meu restaurante favorito, e quando finalmente caiu a noite, mandei uma mensagem pra Bella avisando que iria buscar Lívia e ela respondeu que eu podia ir. Rapidamente cheguei no apartamento de Jacob, no qual Rosalie e ela moravam. E após o porteiro chamá-la no interfone, fui autorizado a subir, quando cheguei no andar correto, Bella já estava na porta.
– Boa noite. – Disse séria. Tão linda. – Ela está dormindo no sofá. Quer que eu a acorde?
– Não precisa. Eu vou pegá-la.
– Pode entrar, ela está no meu quarto, é a segunda porta à direita.
– Eu ainda me lembro onde é seu quarto. – Eu disse sério e ela deu um leve sorriso. Hum... Então ela não estava tão dura assim.
Fui até o quarto de Bella, e lá estava Lívia, dormindo tranquilamente na cama de Bella. Fui até ela, pegando-a no colo, ela abraçou meu pescoço, resmungou levemente e voltou a dormir.
– Vou acompanhá-los até seu carro. – Bella disse.
Passamos pela porta e ela apertou o botão do elevador.
– Pega a chave do carro no meu bolso da frente, por favor. – Pedi e ela rapidamente colocou sua mão em meu bolso, bem próxima do meu membro, o que o fez latejar de desejo. – Agora aperta esse botão de destravar o alarme e depois abre a porta de trás pra mim, por favor.
– Tudo bem. – Ela disse fazendo tudo que pedi.
Coloquei Lívia deitada no banco de trás do carro, onde ela rapidamente se ajeitou para dormir melhor, fechei a porta e olhei para Bella.
– Obrigado por ser tão gentil com ela. – Eu disse. – Ela gosta muito de você.
– Eu também gosto muito dela. Nos divertimos bastante hoje.
– Que bom. Quando ela acordar vai me contar tudo.
– Cullen. – Ela disse e me incomodou tanta formalidade. – Eu sei que não estamos mais juntos, mas eu não quero me afastar da Lívia, queria que você deixasse que ela viesse passar algum tempo comigo às vezes. Tudo bem?
– Claro. Ela te adora, Bella. Jamais te proibiria de vê-la.
– Que bom. Fico feliz que entenda isso. E é Isabella Swan. – Disse séria. – Você deixou isso bem claro quando terminamos.
E numa atitude impensada, impulsionado pela sua indiferença comigo que já estava me matando, puxei seus braços em direção a meu corpo e a beijei, senti que a princípio ela tentou me empurrar, mas segurei sua cintura firmemente com uma das mãos e com a outra segurei sua nuca, aos poucos senti suas mão que até então me empurravam, cedendo e me abraçando, nosso beijo me incendiava e eu não queria parar, sentia que ela também não. Mordi seu lábio levemente e ela gemeu baixinho em minha boca, eu não conseguia pensar em mais nada que não fosse nela e no seu beijo delicioso, que saudade que eu estava daquele beijo, daquela boca, dela.

Notas finais
E aí gente? Será que esse beijo vai derreter o iceberg que a Bella está sendo? Semana que vem to de volta, não deixem de comentar. Bjs!