Ética Do Amor
8 Dia em "Família"
Notas iniciais
– Senhorita Swan? – Perguntou com a voz visivelmente zangada. – O que faz com a minha câmera?
– Eu... É... – Droga. Ele me pegou! – Perdão. – Disse me dando por vencida. – É que ontem você falou de forma tão surreal sobre a fotografia que eu fiquei curiosa sobre as suas.
– Mesmo assim. – Disse seco e tomando a câmera de minhas mãos. – Você não pode sair por aí mexendo nas minhas coisas sem permissão.
– Eu sei que errei e peço desculpas por isso, mas você me fotografou sem permissão também. Então acho que estamos quites.
– Mas eu não mostro isso a ninguém.
– Mesmo assim. Você devia ter me pedido antes.
– Eu não podia te pedir. A pose exata era aquela. Ainda que você posasse do mesmo jeito, não seria espontânea como naquela hora. Mas não importa agora. Você fez questão de estragar tudo.
O Cullen desligou a câmera e a pendurou em seu pescoço. Em seguida, enrolou o colchonete e a manta, guardando em sua mochila.
– Vamos descer? – Perguntou frio.
– Vamos. – Respondi da mesma forma.
Eu sabia que estava errada e pedi perdão, se ele não queria aceitar, me rastejar aos seus pés é que eu não ia. Agora ia ser tratado da forma que me tratava.
Descemos por todo o caminho nesse clima hostil, mas eu ainda estava curiosa sobre a minha fotografia. Por que diabos Edward Cullen iria querer tirar uma foto minha? Tudo bem que tinha muita natureza e a foto em si dava uma grande paz de espírito só de olhar, mas por que justo eu como modelo? Não fazia muito sentido. Mas nada nele fazia sentido mesmo, então era melhor eu simplesmente parar de tentar entender. Quando chegamos no começo de Machu Picchu, pegamos o ônibus até Águas Calientes, local onde estávamos hospedados e assim que chegamos. Todos nos esperavam na porta, visivelmente aflitos.
– Pelo amor de Deus, onde vocês estavam? – Minha mãe perguntou desesperada enquanto me abraçava forte assim que chegamos.
– Ficamos presos em Machu Picchu por causa da chuva de ontem. – Disse o Cullen. – Não estávamos juntos, mas nos encontramos e dormimos em uma caverna, já que com aquele temporal estava impossível descer.
– E vocês estão bem? Não aconteceu nada? – Carlisle perguntou nos analisando.
– Sim. Estamos perfeitamente bem. – Garanti.
– Ótimo. – Disse minha mãe. – Subam para tomar um banho e nos encontrem aqui embaixo. Pode ir na minha suíte enquanto o Edward toma banho na de vocês, filha.
– Tá bom.
Minha mãe me entregou o cartão que abria a porta de seu quarto e eu fui primeiro até o meu, para pegar a roupa que ia vestir, depois fui até lá. As coisas estavam impecavelmente arrumadas. Se não fosse pelas malas no canto da suíte, eu não diria que tinha alguém hospedado ali. Não demorei muito para tomar o meu banho e me arrumar, a final, todos estavam esperando. Guardei minha roupa na minha suíte, na qual o Cullen não estava mais e desci de encontro aos outros. Hoje passaríamos o dia juntos, já que amanhã era o nosso último dia na cidade e mesmo assim, sairíamos depois do almoço. Então não ia dar pra aproveitar muita coisa.
Saímos juntos. Hoje o dia ia ser puxado, marcamos para subir até o pico de Huayna Picchu. O trecho tinha muitas partes íngremes e complicadas para subir, fora a altura que era de arrepiar. Mas todos topamos ir. Ia ser legal.
– Bella, Luz de mi día. – Disse James com seu péssimo espanhol recém aprendido, chegando à mesa em que estávamos para o café da manhã.
– Oi James. – Eu disse sorrindo. – Como você me encontrou?
– Sou sensitivo. – Disse simpático.
– Sente-se conosco. – Minha mãe convidou.
– Vou me sentar para acompanhá-los. Já tomei meu café da manhã.
– E então James? – Carlisle perguntou. – O que você faz?
– Sou assistente social.
– Ah sim, se conheceram na faculdade?
– Sim.
– São namorados? – Emmet perguntou.
– Não. – Respondi prontamente.
– Formariam um belo casal.
– Pena que ela não quer. – Disse James brincalhão.
Sorri um pouco sem graça e olhei para o Cullen, que não estava com uma de suas melhores expressões. Ele parecia irritado, talvez entediado, não sei ao certo.
– Mas e então James... – Disse Emmet. – Você vai subir Huayna Picchu conosco?
– Vocês vão? – Perguntou interessado.
– Vamos sim.
– Já estou lá então. – Disse empolgado.
– Você já subiu lá? – Rose perguntou.
– Sim e é incrível. Apesar de cansativo, vale muito à pena pela vista que é proporcionada. Vocês vão amar.
– Você conhece bem o Huayna Picchu? – Emmet perguntou.
– Bom, já subi até lá mais de cinco vezes. Porém a cada subida eu encontro coisas novas, ângulos novos. É sempre diferente e cada vez mais especial. Então não posso dizer que conheço, no entanto o caminho em si eu conheço sim.
– Já é o suficiente. O nosso maior medo é acabar ficando perdidos por lá.
– Não dá pra se perder. O caminho aberto é um só. Justamente por causa dos turistas. A única forma de se perder é se você quiser se aventurar na mata virgem que existe em alguns trechos, o que não creio que seja o caso.
– E não é. – Minha mãe garantiu rapidamente e todos rimos. Exceto o poderoso chefão, é claro. Ele parecia estar irritado hoje. Claro, que seria mentira minha dizer que isso não me magoava, a final, tivemos um bom progresso na noite passada, mas vindo dele já era de se esperar algo assim, então eu não deixaria que isso abalasse o meu dia.
Depois do café da manhã saímos todos juntos rumo à Huayna Picchu. Fomos todos preparados. Cada um carregando sua própria mochila, com dois litros d’água, sanduíches, capa de chuva e até cobertor para o caso de qualquer imprevisto.
A princípio estava tudo lindo. Nós caminhávamos empolgados e tudo ia bem, mas depois da primeira hora de caminhada todos já estávamos mortos, exceto James que já estava acostumado, e Emmet que era um atleta nato. Detalhe: Ainda faltava aproximadamente mais uma hora e meia. Minha mãe queria parar um pouco, mas todos concordamos que seria pior, porque passaríamos menos tempo lá e porque uma vez que se para, seu corpo demora para pegar o ritmo de antes. Subimos colocando os bofes para fora e bebendo rios de água, sempre com a preocupação de deixar parte dela para a descida também. Assim que chegamos depois de muita luta, contra o medo que Rose tem de altura, misturado ao nosso cansaço e suor, James me abraçou forte, me erguendo do chão.
– Sempre quis te trazer aqui. – Disse ao meu ouvido.
– Olha o romance aí. – Disse Emmet sorrindo e o Cullen revirou os olhos. Sério, qual era o problema dele?
Nós ficamos algum tempo conversando, batendo fotos e admirando a paisagem.
– Cullen, tira uma foto de todo mundo? – Perguntei amigavelmente apontando para a câmera dele.
– Não, não fico tirando essas fotos pessoais com a minha máquina. Peça para o Carlisle.
– Mas é só você me passar e apagar depois.
– Peça para o Carlisle. – Insistiu friamente.
– Tudo bem. – Respondi irada. – Muito obrigada.
Dei as costas para ele e fui até Carlisle que tirou várias fotos. Em certo momento vi o Cullen batendo duas ou três também, mas de algo na paisagem. Eu não gostava disso, mas sempre me pegava olhando para ele, por algum motivo, algo no Cullen me chamava atenção e me instigava profundamente. Acho que era esse meu lado de tentar sempre compreender o outro e fazer do possível e o impossível para ajudar, e ele, definitivamente precisava de ajuda. Eu sei que errei pegando sua máquina escondido e estou me sentindo mal por isso até agora, mas eu pedi as mais sinceras desculpas, o que mais eu podia fazer? Custava simplesmente me tratar como ontem à noite novamente?
– Tudo bem, minha baixinha? – Perguntou James chegando ao meu lado.
– Tudo. – Respondi.
– Está tão pensativa.
– É que essa vista... – Eu disse, não era uma total mentira. A vista realmente era magnífica. – É motivadora e faz a gente ficar pensando na vida, em várias coisas.
– Verdade. É por isso que gosto tanto daqui. É libertador.
– E aí? Vai começar a aceitar sair comigo ou ainda acha que é furada?
– Eu nunca achei que era furada. Só não tenho condições de viajar todo mês pra um país diferente.
– Todo mês não, mas de seis em seis meses eu sei que tem. Não me acompanha porque não quer. – Disse calmamente. – Ou porque não gosta da companhia, né?
– Claro que não. Eu adoro a sua companhia.
– Então por que nunca quer passar mais tempo comigo? Me conhecer melhor...
– James, você sabe... Eu não quero namorar agora.
– Então vai querer algum dia?
– Talvez sim... Talvez não... Não sei nem se vou estar viva amanhã. Uma coisa de cada vez, tá? Isso de ficar apressando as coisas não costuma dar certo. Nós estamos bem assim, não tem porque mudar nada.
– Eu só queria ter a chance de evoluir isso. Já tem quase dois anos que não saímos da mesma. Nos encontramos no meu apartamento, conversamos um pouco e pronto. Eu queria evoluir isso, te levar pra conhecer a minha família, viajar com você, pegar um cineminha. Ia ser tão legal.
– Mas tem que ser legal pra nós dois, bom pra nós dois James. E no momento, não é isso que eu procuro, eu sempre fui clara com você em relação a isso.
– É... – Disse meio triste. – Eu sei.
– Hei. – Eu disse o abraçando. – Não fica triste, tá?
– Eu não to triste. – Disse sorrindo e recuperando rapidamente seu humor inabalável.
– Vamos tirar mais fotos? – Minha mãe perguntou chegando ao nosso lado.
James e eu nos unimos ao resto do pessoal e assim foi o resto da nossa estadia ali. Todos conversamos bastante sobre qualquer coisa. Exceto o Cullen que mexia em sua câmera, provavelmente vendo se alguma das fotos que bateu ficou ruim ou algo assim.
Nós sabíamos que ficar lá até tarde nos complicaria na hora de descer, mas isso não nos impediu de ficar mais um pouco para ver o por do sol daquele lugar maravilhoso. Eu estava sentada no pico de uma pedra, na qual abaixo era só o precipício, mas era o lugar mais incrível para se estar, era como ficar no topo do mundo. Era exatamente assim que eu me sentia naquele momento.
– Esse é o meu ponto favorito daqui. Como você adivinhou? – Perguntou James chegando ao meu lado.
– Eu não sabia. – Respondi sorrindo.
– Posso te fazer companhia?
– Claro. – Respondi prontamente.
James se sentou ao meu lado e envolveu seu braço ao meu redor. Com certeza daria uma bela foto. Mas infelizmente o cara das fotografias com certeza não ia querer tirar uma foto nossa.
Aos poucos o sol foi se pondo. E a hora do crepúsculo ia chegando. Era uma linda visão, eu não poderia fazer mais nada a não ser sorrir enquanto apreciava a linda paisagem, foi então que fui surpreendida por James segurando meu queixo e me puxando para um beijo, que eu retribui, por que não? Só não deixei que ele se aprofundasse muito e tirei meu rosto do dele. O resto do pessoal estava espalhado pela montanha, então provavelmente aquele beijo ficaria apenas entre nós dois.
– Teve tudo pra ser muito romântico. – Eu disse.
– E por que não um “Foi muito romântico”?
– Eu não sei, acho que essas coisas a gente sente.
– E você não sentiu?
– Não. Me desculpa.
– Tudo bem, Bella. Eu sempre prezei muito a sua sinceridade, mesmo quando ela é pro lado negativo. – Disse com um sorriso de canto.
– Vamos crianças? – Minha mãe perguntou chegando perto.
– Vamos. – Respondi.
James e eu levantamos e nos unimos ao resto do pessoal. Começamos a descer, contando piadas, cantando, rindo... Menos o Cullen, é claro, na verdade parecia que ele estava ainda mais mal humorado do que quando nós subimos. Quando a escuridão começou a tomar conta, pegamos nossas lanternas de led e continuamos o trajeto. Dentro de algum tempo já havíamos chego. Incrível como o tempo passa rápido quando estamos em papos descontraídos. Ao chegarmos, fomos direto ao restaurante. Sim, nós estávamos sujos de tanto caminhar, mas a fome era tanta que todos concordaram em jantar e só depois ir tomar um banho.
– Amanhã é o nosso último dia aqui e nós vamos ir embora às quatro da tarde hein. – Carlisle avisou. – Arrumem as malas logo pela manhã, porque vamos tomar o café da manhã juntos e em seguida vamos para Cusco, passar a manhã lá, almoçar e ir para a cidade onde o jatinho estará nos aguardando.
– Tudo bem. – Respondemos.
– Daqui até Cusco é quanto tempo? – Emmet perguntou.
– Uns vinte e cinco minutos. – James respondeu.
– Aí, galera, que tal uma boate hoje? – Perguntou sugestivo.
– Eba! – Disse Rose contente.
– Eu topo! – Disse James na mesma hora, empolgado. – Vamos Bells?
– Vamos! – Eu disse prontamente. Estava adorando clima tranquilo de Machu Picchu, mas um pouco de agitação não faz mal a ninguém.
– Vocês enlouqueceram? – O Cullen perguntou se iniciando na conversa. – Nós caminhamos quase cinco horas hoje. O meu corpo só está pedindo cama, e tenho certeza que o de vocês também. Então por que não param com essa besteira de balada e vão descansar para estar inteiros amanhã?
– Quem liga pra estar inteiro amanhã? – James perguntou de boa. – É domingo.
– Sim, mas se vocês forem pra balada, vão beber, e se beberem, vão ficar de ressaca o domingo inteiro, e dependendo da intensidade dessa ressaca isso vai perdurar para a segunda, e segunda é dia de trabalho, talvez não pra você que pelo que percebi só liga pra ficar viajando pelo mundo, mas algumas pessoas aqui precisam trabalhar pra ganhar a vida, ponha-se no lugar delas. – Disse o Cullen mais áspero que um gomo de palho de aço.
– Eu trabalho. – Disse James sério, percebendo a hostilidade do meu querido colega de trabalho. – Só não acho justo chegar no final da minha vida e não ter absolutamente nada pra contar para os meus netos, só porque fui um homem obcecado em ganhar mais, pra produzir mais e gastar mais, nesse ciclo vicioso que é o capitalismo. Desculpa, mas esse tipo de vida é pra caras como você.
– “Caras como eu”? – Perguntou o Cullen com as sobrancelhas erguidas. – É muito fácil pra você dizer isso, não é mesmo? A final, você trabalhando ou não segunda, o seu salário vai estar lá no final do mês, basta dar qualquer desculpa tola. Queria ver se você tivesse que administrar uma empresa, que qualquer passo errado seu pode ir pro buraco e desempregar mais de cinco mil pessoas. Tem noção do que é isso? Cinco mil pessoas desempregadas. Cinco mil pessoas sem dinheiro para comprar a comida dos filhos, sem dinheiro pra pagar o aluguel no fim do mês. Você acha isso bonito pra contar pros seus netos quando ficar velho? Hein, meu amigo socialista?
– A questão não é essa. – Disse James imediatamente. E pelo visto o papo ia ser longo. Reneé e Carlisle já começavam a ficar aflitos, enquanto Emmet assistia a tudo empolgadamente. – Mas sim você abrir mão da sua vida por causa disso. Sua empresa precisa de seriedade? Certamente que sim. Assim como qualquer outro trabalho, no entanto há certos momentos na vida que temos que tirar para a gente. Quanto ao capitalismo, eu não sou a favor mesmo. Justamente por você estar aqui, ganhando milhões, enquanto o cara, que está lá, trabalhando pra esta mesma empresa, antes mesmo de você nascer, tem que fazer as contas para pagar o aluguel e comprar a comida, torcendo para que sobre alguma miséria pra dar um presentinho aos netos.
– Engraçado você dizer isso. É bonito demais defender a igualdade social quanto se está em Machu Picchu gastando o dinheiro em baladas, comendo nos melhores restaurantes, usando roupas de marca, e relógio importado. Usufruindo de todas as maravilhas que o mundo capitalista pode lhe oferecer. É hipocrisia demais pra argumentos de menos. Pessoas como você me enojam. Com licença.
Então o Cullen se levantou da mesa e saiu. O clima ficou meio tenso depois disso. Todos ficaram em silêncio, apenas comendo e ocasionalmente trocando algumas palavras.
Eu defendia o meu direito de me manter neutra nessa história. Porque por mais que eu fosse assumidamente socialista, havia pontos da conversa que eu tinha que dar a razão ao Cullen, como a qual ele dizia sobre o comprometimento com o trabalho. Não por uma questão de produzir mais, para gastar mais como James propôs, mas por satisfação pessoal, ou profissional. Seja como for, trabalho, quando bem feito e de forma saudável, não é vergonha para ninguém. O Cullen estava ali, viajando com sua família, se divertindo. Então era errado dizer que ele só trabalhava. E definitivamente uma das coisas que eu aprendi a admirar profundamente nele, era o seu comprometimento profissional.
– Mas e a balada? – James perguntou depois de algum tempo. – Ainda vai rolar?
– Por mim... – Disse Emmet indiferente. – Vou se vocês quiserem.
– Eu quero ir. – Disse Rose.
– Eu não sei... – Eu disse meio sem vontade de ir.
– Ah Bells, por favor né? – Disse James. – Você estava empolgada para ir. Desanimou por causa dele?
– Não é por causa dele. – Menti. – Eu só to começando a ficar realmente cansada. Acho que é porque acabei de comer. Sei lá... Meu corpo tá pedindo cama.
– Vamos! – Insistiu. – Qualquer coisa você volta. É só tomar um táxi. Ou pode ficar na minha suíte por lá mesmo.
– Você está hospedado em Cusco? – Perguntei.
– Sim.
– Aí Bella. Melhor do que dormir com o Edward. – Disse Rose.
– Tá. Eu até vou. Mas qualquer coisa eu volto.
– Por quê? – James perguntou. – Fica lá, comigo.
– Não. Estou hospedada aqui. E além do mais, quero tomar café da manhã com todo mundo.
– Tudo bem, não vou discutir. Você já aceitou ir e já está de bom tamanho. – Disse sorrindo.
– Pai, Renée. Vocês vão? – Emmet perguntou.
– Não. – Disse Carlisle prontamente.
– Estamos exaustos. – Minha mãe complementou. – Foi-se a época que tínhamos esse pique, né Carl?
– Pois é. E olha que eu era um cara atlético. Você tinha que me conhecer nessa época, amor. – Disse Carlisle jogando charme pra minha mãe. Amor? Mas já?
Depois do jantar, Rose e Emmet foram até sua suíte para se arrumar e eu até a minha, enquanto James conversava com Carlisle e minha mãe para nos esperar. Quando entrei no quarto não encontrei o Cullen e apesar de achar estranho, apenas peguei minha roupa e meus sapatos e fui até o banheiro, tomei um bom banho e depois me arrumei. Depois de devidamente vestida, maquiada e perfumada, saí do banheiro, pronta pra uma boa noitada. E dessa vez o Cullen estava no quarto, sentado na cama, com um conjunto de moletom e com um livro em mãos.
– Então você vai mesmo? – Perguntou calmamente.
– Sim. Por que não iria?
– Não sei. Existia a possibilidade de você dizer não. E por alguma razão pensei que o faria.
– Pois eu vou.
– Você mentiu pra mim. – Disse casualmente enquanto observava algo em seu livro.
– Quando? – Perguntei confusa.
– Quando disse que esse cara era apenas seu amigo.
– Mas ele é só o meu amigo. – Garanti.
– Amigos não se beijam.
– Você viu? – Perguntei me lembrando do beijo que James me deu durante o pôr do sol na montanha hoje mais cedo.
– Sim.
– Eu não menti. – Insisti. Não deveria me importar muito com o que ele pensa, mas eu realmente queria explicar. – Nós saímos ocasionalmente. Só isso.
– Ah. – Disse como quem compreendesse o que eu queria dizer. – Amigos com benefícios.
– Por aí.
– Tem certeza que quer ir? – Perguntou, mas dessa vez olhando no fundo dos meus olhos. E vi algo diferente nos dele, algo quente como um vulcão. Nunca tinha o visto tão intenso como agora.
– Eu...
– Bella? – Gritou Rose do lado de fora do quarto.
– Oi? – Perguntei, sem desviar meus olhos dos dele.
– Vamos!
– É... To indo. – Respondi a ela. – Eu... Tenho... que ir.
– Não precisa ir se não quiser. – Disse simplesmente.
– Vamos Bella! – Chamou.
– Estou indo. – Avisei virando as costas e saindo definitivamente, antes que eu desistisse, o que estava de fato, quase fazendo.
Saí do quarto e Rose já estava impaciente me esperando. Encontramos os rapazes e pegamos um táxi até Cusco. James foi em seu hotel para se arrumar também. Enquanto Rose, Emmet e eu fomos direto para a balada na qual ficaríamos. James nos encontraria lá, perto do bar.
O lugar estava bem animado. O jogo de luzes dava a impressão que todos se moviam devagar e todos pareciam muito envolvidos com a música eletrônica que o DJ embalava. Nós fomos direto para o bar e Emmet tratou de pedir margueritas. Para Rose e ele, diga-se de passagem, porque a última coisa que eu queria era beber. Tudo que eu não precisava era de uma ressaca, coisa que eu certamente teria, já que era tão fraca para bebida. James não demorou muito para chegar. Rose e Emmet foram para a pista de dança, enquanto nós ficamos ali, no bar, onde era menos lotado e barulhento.
– Me dá um beijo? – Pediu.
– Por que você quer um beijo?
– Porque eu estou sentindo a sua falta. Você está tão distante nessa viagem. É saudade de casa ou o problema é comigo?
– Nenhum dos dois James. Eu só estou cansada. E além do mais você não é o meu namorado. Não quero que as pessoas pensem isso. A gente só se pega quando estamos a sós, sempre foi assim. Mas por algum motivo você insiste em se esquecer disso.
– Tá bom então. – Disse irritado. – Parece que você tem vergonha de mim, sei lá.
– Eu não tenho vergonha de você. Eu só não tenho um namorado, não faz sentido eu ficar agindo como se tivesse.
– Não sei qual é o motivo dessa sua aversão a namoro.
– Não tenho aversão a namoro. Só não tenho vontade de namorar. Quando eu tiver, eu o farei.
– Mas talvez até lá você não tenha mais o pretendente.
– Ah James, menos tá? Bem menos. Não aja como um adolescente.
– Tudo bem. Vamos ao menos dançar, então?
– Vamos.
James e eu fomos até a pista e começamos a dançar. Deixei que o meu corpo falasse por si só na batida da música que tocava. Dançar era sempre bom para abrir os horizontes, ao menos pra mim. Sempre fazia com que eu pensasse melhor. E foi o que eu fiz. Deixei que meus pensamentos fossem longe, e imediatamente eles foram para um idiota, controlador, mimado, frio, calculista e teimoso que estava na minha suíte há vinte e cinco minutos dali. E por algum motivo eu só queria estar lá. E perguntar se estava tudo bem. Se ele queria alguma companhia. Essa maldita vontade bateu tão forte que imediatamente parei de dançar.
– O que houve? – James perguntou ao perceber que eu estava parada no meio da pista de dança.
– Eu tenho que ir. – Disse simplesmente.
– Como assim? Mas já? Por quê? – Me bombardeou de perguntas. Mal sabia ele que minha mente estava mais confusa do que ele.
– Eu não sei. Só tenho que ir.
Comecei a andar a passos largos rumo à porta da boate, esbarrando em quem quer que fosse, ouvindo alguns palavrões, mas sem de fato me importar com nenhum. A final, era eu quem estava remando contra a maré. Assim que consegui sair da boate, James segurou meu braço e me virou de frente para ele.
– Me explica o que está acontecendo. – Pediu, sério.
– Eu não sei. Eu só quero ir pra minha suíte. Por favor, não me pergunte mais nada.
– Mas...
– Por favor. – Pedi.
– Tudo bem. – Disse visivelmente decepcionado, enquanto soltava o meu braço.
– Avisa pra Rose e pro Emmet que eu já fui.
– Tudo bem.
– Até amanhã? – Perguntei.
– Até. – Confirmou com um sorriso fraco. – Boa noite.
– Boa noite.
James pediu um táxi para mim e eu voltei, rumo ao hotel onde estava hospedada. Assim que cheguei, paguei ao taxista e fui até o hotel. Surpresa foi a minha ao abrir a porta do elevador e me deparar com um Cullen todo arrumado e cheiroso.
– Swan? – Perguntou com os olhos arregalados e colocando uma das mãos na porta do elevador para que as portas não se fechassem.
– Cullen?
– Já voltou?
– Sim, mas pra onde você vai?
– Eu estava indo até a balada onde vocês estavam.
– Mas você disse que...
– Eu sei, eu sei. Na verdade eu não estava conseguindo dormir e alguma coisa muito forte me motivou a levantar e ir até onde você estava. – Disse olhando em meus olhos, me prendendo com seu magnetismo.
– Hei. – Disse o porteiro, furando aquela bolha que se formou ao nosso redor com apenas um olhar. – Vocês vão entrar ou sair? Porque não podem prender o elevador.
O Cullen olhou para mim, como quem passasse a decisão sobre a pergunta, então em resposta eu entrei no elevador e ele tirou a mão da porta, que foi se fechando lentamente, bem lentamente mesmo. Uma forte tensão tomou conta de mim, como se algo muito intenso estivesse prestes a acontecer. Quando as portas do elevador estavam completamente fechadas, olhei para o Cullen, que também olhou para mim, e então, sem dizer nenhuma palavra, colocou uma das mãos em minha nuca e me puxou em sua direção, massacrando seus lábios nos meus, fazendo com que eu soltasse um gemido baixinho pela intensidade. Sua língua pediu passagem que eu prontamente dei, o recebendo em minha boca e segurando seus cabelos entre meus dedos com força. Nossas línguas se entrelaçaram com maestria, em uma dança simétrica e sensual, mordi seu lábio inferior e Edward gemeu fracamente. Foi então que ouvimos um pigarro. Imediatamente paramos e vimos uma mulher e uma menina de aparentemente uns dez anos entrando no elevador. Meu rosto deve ter alcançado tons inimagináveis de vermelho naquele momento. Mas graças a Deus o próximo andar já era o nosso. As portas se abriram, imediatamente o Cullen e eu saímos a passos largos e fomos para a nossa suíte praticamente correndo. No caminho fui pensando no que aconteceu no elevador, foi intenso... Mas não ia se repetir. Nós entraríamos na suíte, eu ia tomar um bom banho e me deitar, descansar bastante para amanhã.
Entrei na suíte, e o Cullen veio logo atrás. Antes que eu pudesse encontrar o interruptor para acender a luz, senti sua mão grande e forte em meu braço, me puxando com força contra seu peito e sem nem mesmo pensar procurei seus lábios ansiosamente. Em questão de instantes ele me beijou e me imprensou na parede, com força, fazendo com que meu corpo se erguesse um pouco. Seus lábios famintos se separaram dos meus, fazendo uma trilha de beijos quentes pelo meu queixo, pescoço. Enquanto suas mãos passavam da minha cintura, para a minha bunda, segurando firme. Puta que pariu! Esse homem era um verdadeiro furacão, eu não conseguia nem mesmo respirar. Soltei um gemido abafado, quase implorando por cada vez mais, e ele entendeu o recado, me pegando no colo e me jogando com tudo na cama.
– Vou te mostrar o que é um homem de verdade. – Ele disse vindo para cima de mim. – Você não vai mais pensar naquele babaca.
– Espera. – Eu disse imediatamente, o empurrando.
– O que? – Perguntou confuso.
– Então a questão é essa? Me mostrar que você pode ser melhor que o James?
– Swan, eu...
– Tudo isso é pra se sentir melhor do que ele depois da briga que tiveram hoje?
– Não. – Disse imediatamente. – Você está entendendo tudo errado.
– Não, eu estou entendendo perfeitamente. – Eu disse furiosa, levantando da cama e indo até o banheiro a passos largos. Ele conseguiu foder com tudo, e o pior... Não literalmente!
Tirei minha roupa com força e com raiva. Então era apenas uma questão de ego? Aquele filho da puta! Eu também não poderia esperar menos de alguém tão baixo como ele.
– Swan. – Disse do outro lado da porta. – Pare de besteira. Não tem nada a ver com aquele idiota.
– Ah é? Então por que você lembrou dele?
– Sei lá. Só veio na minha cabeça e eu disse.
– Pois eu não acredito em você! – Disse irritada.
– Mas eu não estou mentindo. Não tenho motivos pra isso e além do mais se existe algo que eu não faço é mentir. Pode ter certeza.
– Aí é que está. Eu não posso ter certeza, então pra todos os efeitos, você mentiu sim! Não passa de uma guerra de egos pra você.
– Swan, é só sexo. – Disse como se fosse a coisa mais natural. – Não tem a ver com guerra de porcaria nenhuma. Eu quero, você quer, provavelmente vai ser muito prazeroso, então ambos sairemos beneficiados.
– Eu não quero.
– Não é o que parecia há menos de um minuto atrás.
– Sim, mas você estragou tudo. E eu não quero. Me deixa em paz! – Eu disse da forma mais grossa possível.
– Tem certeza que é isso que quer?
– Sim.
E ele não disse mais nada. Por um lado eu gostei disso, mas por outro, eu fiquei chateada. Ele podia insistir, mais, bater mais na tecla de que não era aquilo que eu estava pensando. Porque por mais que eu acreditasse que era sim, não fazia mal ele tentar me convencer do contrário, mostrar que estava interessado. Na verdade ele não devia estar tanto, já que não disse mais nada. Que se foda também. Era melhor assim mesmo, essa coisa de fazer sexo definitivamente não ia dar certo. Nós nos odiávamos e talvez ficasse um clima ainda pior depois. E se já estava sendo complicado trabalhar com ele do jeito que estava, imagina se piorasse?
Depois do meu banho, saí só de toalha e ele estava lá, lendo o livro que estava lendo mais cedo, quando saí. Assim que entrei no quarto, ele me encarou de cima a baixo como se eu fosse um pedaço de carne, mas não me importei. Tratei apenas de ignorá-lo, indo direto até minhas malas e pegando a roupa que ia vestir para dormir.
Ao perceber que continuaria sendo ignorado, o Cullen fechou seu livro, colocou no criado mudo e em seguida levantou, caminhando lentamente até o banheiro. Quando ouvi o barulho da água do chuveiro caindo, troquei minha roupa e deitei na cama, pronta para dormir. Algum tempo depois senti a cama se mexendo e quando olhei era ele, que estava de costas para mim. Sem camisa. O maldito ainda queria me torturar. Mas não liguei, virando de costas para ele e tentando me convencer de que desse jeito seria melhor. O tesão jamais poderia falar mais alto que a razão. Fechei os olhos e os beijos que o maldito me deu simplesmente não saíam da minha cabeça, eu sabia que era errado pensar nele, ainda mais dessa forma, só que era incontrolável! E por mais que ele fosse arrogante, estúpido, autoritário e controlador, eu tinha que admitir: O nojento tinha uma pegada de arrepiar do dedão do pé até o último fio do cabelo só de imaginar, acho que ia demorar alguns dias para eu parar de pensar em tudo que rolou, mas depois de algum esforço, consegui dormir.
Notas finais
Roupa da Bella para a balada: http://mariacarolinefanfics.blogspot.com.br/2013/09/look-bella-capitulo-7-etica-do-amor.html
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