Ética Do Amor

7 Conhecendo melhor o carrasco


Notas iniciais
Oi gente! Eu sei, eu sei, demorei pra caramba. O motivo é o mesmo, pré vestibular, auto escola, academia, curso de informática. O tempo tá curto, mas mesmo assim dei o meu máximo pra conseguir postar pra vocês. E pra compensar,eu fiz esse capítulo maior, espero que gostem. O próximo vai vir mais rápido, ok? Me avisem caso tenha qualquer erro de português ou concordância, é que eu acabei de escrever agora, tá tarde e o meu sono não me deixou revisar, bom, é isso. Boa leitura para todas!

A viagem era para Machu Picchu, mas o avião pousou em outra cidade, já que lá não tinha aeroporto e a única forma de chegar sem ter que percorrer a trilha Inca era de trem e ônibus e Carlisle não conseguiu contratar particular, apenas pegar a primeira classe da melhor companhia que tinha, mas não demoramos para chegar no hotel no qual ficaríamos hospedados, que também não era em Machu Picchu, mas sim ao vilarejo de Águas Calientes, ou Machu Picchu pobre, que era o local mais próximo onde havia hotel. Só que dali para o Machu Picchu original eram só mais 8km de ônibus, então ainda valia muito à pena.

Ao chegarmos, fomos muito bem recebidos e rapidamente direcionados para nossos quartos. Tudo estava correndo bem, e eu estava feliz pelo meu quarto ser de casal, sinal de que eu ficaria mais confortável, isso é claro se o Cullen não tivesse entrado com toda a autoridade, como se o quarto fosse dele.

— O que está fazendo aqui? – Perguntou confuso.

— O que você está fazendo aqui? – Perguntei dando ênfase no “Você” tão confusa quanto ele.

— Como “O que estou fazendo aqui?” Essa é a minha suíte.

— Não, essa suíte é minha. – Eu disse firme.

— Impossível. – Disse olhando o cartão que abria a porta da suíte em mãos. – Este cartão abriu a porta da suíte, sinal de que estou no lugar certo.

— Ah é? – Perguntei pegando o meu cartão e mostrando para ele. – Pois o meu cartão também abriu a porta.

— Estranho... – Disse confuso.

— Eles devem ter colocado a gente no mesmo quarto por engano. Vamos resolver isso na recepção.

O Cullen e eu descemos e fomos até a recepção do hotel, havia algumas pessoas na nossa frente, então ficamos esperando até que eles pudessem nos atender, e quando puderam o Cullen já estava praticamente em cima da recepcionista de impaciência.

— Pois não senhor? – Perguntou calma.

— É que esta senhorita e eu estamos no mesmo quarto, sendo que não somos um casal e com certeza fomos agendados para quartos diferes, porém por algum motivo, vocês nos colocaram no mesmo.

— Vocês se conhecem?

— Sim, viemos juntos.

— O senhor tem certeza que não pediu um quarto de casal?

— Não fui eu quem pediu o quarto, nem ela, mas tenho certeza de que a pessoa que pediu não faria isso de propósito, então creio que seja algum engano do hotel mesmo.

— Tudo bem aqui? – Carlisle perguntou chegando junto com minha mãe ao nosso lado.

— Não. – O Cullen respondeu. – Colocaram a gente na mesma suíte.

— Ué. – Disse Carlisle confuso. – Mas eu mesmo pedi duas suítes de casal.

— Deve ter ocorrido algum engano. – Disse a recepcionista. – O senhor fez a reserva pela internet ou por telefone?

— Telefone.

— Provavelmente foi isso. Quem reservou os quartos provavelmente entendeu que era um quarto de casal, não dois.

— É, talvez tenha sido isso mesmo. Mas vamos resolver, tem como a senhorita conseguir mais um quarto de casal?

— Infelizmente não. – Disse parecendo realmente insatisfeita por não poder ajudar. – Temos poucas suítes e todas estão ocupadas.

— Um deles pode ir para algum hotel aqui por perto. – Disse minha mãe para Carlisle.

— Mas Reneé, os hotéis daqui são muito longe um do outro. Isso não vai dar certo. – Disse Carlisle.

— Filha, se você quiser, eu posso dormir com você. – Disse minha mãe sem um pingo de vontade de fazê-lo.

Olhei para Carlisle e sua expressão passava puro desespero, chegava a ser cômico.

— Não precisa mãe. – Eu disse. – Quer dizer, por mim não tem importância. – E então todos olhamos para o Cullen, esperando que ele dissesse o mesmo.

— É... Por mim também não. São só três dias. Nós vamos sobreviver. – E finalmente ele faz alguma coisa que não seja pensar em si mesmo!

Rosalie e Emmet desceram antes mesmo que pudéssemos dar continuidade ao assunto e nós fomos ao restaurante do hotel. Assim que chegamos fomos recebidos pelo garçom, que assim como a recepcionista, falava inglês fluentemente. Carlisle disse para que todos escolhêssemos o que comer, e nós o fizemos, eu pedi uma boa macarronada à moda da casa, não era nada muito sofisticado, ainda mais perto do que os outros pediram, mas o que eu mais queria naquela noite cansativa, era jantar algum prato comum e ir para a cama.

Depois do jantar, e da sobremesa, fui até a suíte que eu estava dividindo com o crápula e tomei o meu banho bem quente, já que os termômetros estavam marcando dois graus. Podia não parecer tanta coisa comparada à maioria dos países da Europa e até mesmo alguns lugares dos Estados Unidos, mas não deixava de ser frio, e muito frio! Assim que terminei meu banho, vesti meu moletom em velocidade Record, a minha regata, calcei minhas meias e em seguida corri até a cama que já estava pronta para me receber. O dia foi exaustivo, então não demorei muito para pegar no sono, só que como nem tudo são flores, fui acordada por alguém balançando a cama. Quando olhei, não me surpreendi ao ver que se tratava do Cullen.

— Hum... E não é que ele vai dormir na mesma cama que eu? – Perguntei em um tom irônico que ele visivelmente não aprovou.

— Não vou dormir no chão nesse frio e nem espero que a senhorita o faça. Creio que posso sobreviver a três noite ao seu lado, senhorita Swan.

— Sim, você sobreviverá. São não se mexa muito, meu sono é leve.

— O meu também.

— Ótimo. Boa noite.

— Boa noite.

Eram sete da manhã e eu acordei sorrindo, estava muito bem disposta, e para a minha surpresa, estava sozinha na cama. E não é que o Poderoso Chefão acorda cedo mesmo sem ter nenhum compromisso? Dei um sorriso de canto com o pensamento e me levantei, indo até o banheiro e fazendo minha higiene matinal. Assim que já estava socialmente apresentável, desci até o restaurante do hotel, e encontrei um Cullen, todo esportivo, de mochilão, tênis para caminhar, chapéu e roupas apropriadas para uma boa trilha, tomando seu café da manhã, sozinho.

— Bom dia. – Eu disse chegando ao seu lado.

— Bom dia, senhorita Swan. – Respondeu com sua voz gélida, enquanto tomava seu chá.

— Onde estão os outros?

— Não faço ideia. Me levantei e vim direto para cá, tomar meu café da manhã. Creio que não tenham levantado ainda, a final, são três dias para descanso, não é?

— Sim, devia estar descansando.

— A senhorita também.

— Sim, mas eu já estou plenamente satisfeita quanto ao meu sono. Acordo a esta hora.

— Eu também.

O Cullen e eu ficamos nessa conversa monótona até que eu decidi sair. O combinado era que nos encontrássemos no almoço e no jantar. O ponto de encontro era o hotel, mas dali nós decidiríamos em qual restaurante. O resto do dia era pra cada um passar da forma que quisesse. Pegamos o ônibus para Machu Picchu juntos e em menos de dez minutos já estávamos lá.

Escolhi visitar alguns dos muitos labirintos, estradas e montanhas que tinham por ali. Comecei a andar por todo o local, admirando cada detalhe da paisagem. Aos poucos eu ia subindo, mais e mais, caminhando pelos corredores de terra, pedra e plantas da estrada que caminhava. Hora passando por túneis. Quando já estava no topo, virei de frente para a linda paisagem a minha frente e sorri fechando os olhos. O ar era tão puro que por um segundo esqueci completamente de todos os meus problemas, frustrações e qualquer outra coisa que me impedisse de permanecer leve, feliz e plena. Porém, foi por muito pouco tempo mesmo, já que o barulho de uma câmera interrompeu meu silêncio, me tirando da repentina paz interior. Olhei para os lados, mas não encontrei ninguém. O que era estranho, já que eu realmente tinha ouvido o barulho de uma máquina fotográfica. Comecei a andar para uma das direções na esperança de encontrar alguém. Foi então que vi um vulto se escondendo por trás de uma parede de pedra, sem me importar em como soaria importuno, corri até lá, mas não encontrei ninguém. Procurei a pessoa que me observava. Sem sucesso. Eu definitivamente fiquei frustrada, mas não o suficiente para estragar o meu passeio. Na verdade o passeio estava apenas começando e eu aproveitaria tudo. Havia tantos lugares para conhecer e estava imensamente empolgada.

Quando deu a hora que marquei com minha mãe para encontrar a todos para almoçarmos, fui para o lugar combinado. Carlisle, minha mãe e o Cullen já estavam lá, faltava apenas o casal apaixonado, Rosalie e Emmet. Ficamos esperando na porta, foi então que para a minha surpresa, James ia passando, sim, o meu amigo e caso de horas vagas, James.

— James. – Chamei e ele imediatamente olhou.

— Bella?! – Perguntou sorrindo e parecendo tão surpreso quanto eu pelo encontro.

— Oi! – Imediatamente fui até ele e o abracei forte. Ele não apenas retribuiu como me levantou do chão. – O que você está fazendo aqui?

— Eu quem pergunto. – Disse sorrindo.

— Eu vim com a minha mãe, o namorado dela e os filhos dele.

— Eu já estava com essa viagem programada, vim com a minha irmã. Eu comentei com você. Não lembra? – Perguntou franzindo as sobrancelhas.

— Não. – Eu disse meio sem graça por admitir isso. Era como dizer que eu só sabia usar o corpo dele e mais nada. Porque mal ou bem, éramos amigos e conversávamos com frequência, o problema era que ultimamente eu tenho ficado sempre muito cansada e é difícil ficar prestando atenção em tudo que me dizem. – Mas o importante é que você está aqui!

— É! – Disse sorrindo. – To aqui há dois dias já. Vou embora só no domingo à noite.

— Eu também! Quer almoçar com a gente?

— Ih, hoje eu vou pra Cusco, mas amanhã to aqui de novo.

— Vou te dar o endere...

— Shh. – Disse colocando um dos dedos sobre meus lábios. – Eu te encontro.

James piscou, deu um beijo em minha bochecha e em seguida saiu. Ele podia não estar perto de ser o homem no qual eu sonhei pra mim, mas que o safado tinha um tremendo charme, isso tinha!

Rosalie e Emmet não demoraram muito para chegar e nós entramos no restaurante, almoçamos e em seguida saímos novamente. Minha mãe e Carlisle queriam que Rosalie, Emmet, o Cullen e eu andássemos juntos, mas o Cullen pediu o dia livre para nós e prometeu que amanhã andaríamos juntos. Carlisle aceitou o pedido e então nós poderíamos aproveitar da maneira que quiséssemos o passeio.

— Filha, você quer passear com a gente? – Minha mãe perguntou. E ficar segurando vela pra ela e o namorado? Jamais!

— Vou não mãe. Já montei o meu roteiro aqui. Tá tranquilo.

— Tem certeza? Você não vai nos atrapalhar. – Disse Carlisle simpático.

— Tenho certeza. Amanhã nós vamos juntos.

— Tudo bem. – Ela disse sorrindo docemente para mim.

Assim que me despedi de minha mãe, comecei a visitar alguns dos roteiros históricos de Machu Picchu. Na verdade já conhecia a história daquela linda cidade Inca de ponta cabeça, mas nunca era demais ouvir, fora que uma ou outra informação eram novas para mim. Comprei algumas lembranças para conhecidos e guardei em minha mochila. Subi alguns quilômetros até as ruínas e andei em torno delas, observando a paisagem maravilhosa que ia se formando conforme mais alto eu ia. Tirei algumas fotos e em certo ponto do caminho encontrei Rose e Emmet abraçados enquanto contemplavam a vista, sem dúvida eram um lindo casal. Eles não perceberam a minha presença, então preferi não incomodar e apenas continuei subindo, às vezes encontrava uma pessoa ou outra. Era muito bom viajar fora de época, porque o lugar ficava praticamente apenas com a população original, que quase não ia ali, pois apesar de bonito, era cansativo de subir, já que todas as montanhas eram muito íngremes. Pouco mais de uma hora depois eu consegui chegar no topo da montanha que estava subindo. Era muito alta e eu estava muito cansada, mas pela vista panorâmica de Machu Picchu ao pôr do sol definitivamente valeu à pena, e o melhor, não tinha absolutamente ninguém ao meu redor. Então fiz a primeira coisa que tive vontade. Gritei bem alto, a plenos pulmões, e era como se o mundo inteiro pudesse me ouvir. Como se eu fosse a dona de tudo, nunca me senti tão livre, em toda a minha vida.

— Enlouqueceu? – Perguntou uma voz conhecida atrás de mim.

Assustada, virei para trás imediatamente para ver de quem se tratava. Era o Cullen. Mas eu estava sozinha, e tinha certeza disso. Como ele chegou ali tão rápido?

— Há quanto tempo está aqui? – Perguntei.

— Há alguns minutos. Estava antes de você chegar e começar a gritar feito uma louca.

— Eu não te vi aqui. – Disse duvidando de que ele realmente estivesse ali antes de mim.

— Eu tinha descido um pouco para fotografar uma flor, e quanto voltei você estava com os olhos fechados e gritando.

— Não sabia que tinha companhia, caso contrário com certeza não teria gritado.

— Você não é normal, senhorita Swan.

— Vai dizer que não gritou quando chegou aqui e não viu ninguém além dessa vista incrível.

— Não. – Disse prontamente. – A vista é incrível e rendeu ótimas fotos, mas não fui impulsionado a essa loucura.

— Você não é de carne e osso. – Eu disse com desprezo.

De repente, o Cullen olhou para o chão. Seu semblante era triste, muito triste na verdade. Isso me comoveu de tal forma que imediatamente me senti um monstro por julgá-lo com tamanha frieza. Ele podia ser frio, calculista e não dar a mínima para o sentimento das pessoas, mas eu não era assim, nunca fui de julgar ninguém, por mais errada que a pessoa estivesse. Isso não cabia a mim.

— Cullen... Eu...

— Tudo bem. – Ele disse com a voz calma e serena enquanto se virava para ir embora.

— Tudo bem não. – Eu disse firme enquanto segurava seus braços, o puxando em minha direção, fazendo com que o carrasco me olhasse com os olhos maiores do que a cara. A final era a primeira vez que eu tocava nele, já que nunca tivemos intimidade o suficiente para isso. – Me perdoe. Eu não devia ter dito isso a você.

— Mas é o que você pensa mesmo. – Ele disse ainda sereno, sem desvencilhar seu braço de minhas mãos firmes.

— Não importa o que eu penso. O que importa é que você é um ser humano, que tem sentimentos reais, dores reais. – Disse olhando no fundo de seus olhos verdes. – Eu desconheço todos os motivos nos quais te tornaram uma pessoa tão rude e fria, mas certamente eles existem. E nem eu, nem ninguém tem o direito de julgá-lo, ainda mais sem conhecê-lo profundamente.

De repente o Cullen respirou fundo, e seus olhos que até então estavam duros e ao mesmo tempo tristes, ficaram doces e calorosos, na verdade era a primeira vez que eu via aquele olhar vindo dele. Desde que o conheci, nunca o vi tão... Entregue.

E para a minha total surpresa ele desvencilhou seus braços de minhas mãos, segurou meus ombros com força e me puxou para um abraço, mas não um abraço qualquer. Um abraço forte, caloroso, tão caloroso que senti minhas pernas estremecendo com sua intensidade.

Não satisfeito em parar de me surpreender, o próximo passo do Cullen foi me soltar e simplesmente ir embora, sem dizer nenhuma palavra, apenas ir.

Fiquei ali por mais algum tempo, apenas tentando entender aquele homem. Tentando entender o que aconteceu em sua vida no passado para que uma simples menção pudesse fazê-lo se render de tal forma. E tentando entender principalmente o que exatamente eu senti ao receber seu abraço caloroso. De fato foi algo intenso, tanto que não conseguiria expressar exatamente em palavras. O que este homem tinha? E por que me fazia ficar de tal forma? Isso não era normal!

Dando fim aos meus pensamentos confusos, decidi descer antes que começasse a escurecer, a final, ainda tinha um longo caminho pela frente. Mas o que eu definitivamente não esperava, era que um dia tão bonito, pudesse resultar no céu escuro que estava se formando, com certeza ia chover, então comecei a acelerar o passo na esperança de não pegar a chuva, esperança essa totalmente tola, já que em pouco tempo o temporal já tinha armado e estava caindo com tudo. E o pior, o chão que já era íngreme, estava pior e escorregadio, era praticamente impossível descer sem se estabacar no chão e não me restava nada a não ser torcer para chegar lá em baixo em segurança. A noite já estava se anunciando e a escuridão estava começando a tomar conta, enquanto o meu corpo tremia de frio e de medo. É nessas horas que me pergunto o que há na minha cabeça de caminhar tanto, e ainda por cima, sozinha.

— Swan! – Ouvi alguém gritando. OK, talvez seja da sua cabeça Isabella. – Swan! – Gritou a voz novamente. – Swan! Aqui! – Epa! Não era qualquer voz. Era o Cullen.

Imediatamente parei de andar e comecei a olhar para os lados à procura dele, então uma luz que piscava bem perto de onde eu estava.

— Cullen? – Perguntei.

— Sou eu. – Disse ele. – Vem pra cá! É perigoso aí fora.

Corri até a luz e entrei na pequena caverna onde o Cullen estava, pequena mesmo, mal cabia nós dois. Porém estava seca, já que o vento estava levando a chuva para a direção contrária.

— Meu Deus. – Disse ele assim que cheguei. – Olha só pra você. Está toda suja e molhada.

— E morrendo de frio também. – Eu disse enquanto batia os dentes.

Imediatamente Edward, que por incrível que pareça, estava seco, tirou a mochila de minhas costas e a jogou num canto, perto da sua, que também estava seca.

— Por que não está molhado? – Perguntei.

— Eu olhei para o céu que estava escuro e tive certeza que não daria tempo de descer, então procurei algum lugar para ficar até que a chuva passasse. Graças a Deus encontrei antes dela cair.

— Eu só acelerei o passo na tola esperança de chegar antes da chuva cair.

— Mais de duas horas de caminhada. Você estava mesmo achando que a chuva ia cair antes de você chegar lá embaixo? – Perguntou sorrindo e meu Deus! Será que se ele soubesse o quão lindo seu sorriso era, sorriria mais?

— Eu tinha alguma esperança. – Disse retribuindo o sorriso.

— É melhor você tirar parte dessa roupa molhada. – Ele disse naturalmente. – Ou vai acabar pegando um resfriado.

— Mas eu estou completamente molhada.

E então ele me lançou um olhar sugestivo.

— Sem chance! – Eu disse prontamente.

— Eu tenho um manto aqui na mochila. Você pode ficar enrolada nele se quiser. Melhor do que ficar aí toda molhada.

Pensei por uns instantes e por mais que eu odiasse admitir, ele tinha razão, eu não podia ficar molhada, senão pegaria um belo resfriado e isso era a última coisa que eu precisava agora. Além do mais o Cullen não ia me assediar. Ele nem tinha interesse em mim mesmo. Confesso que pensar nisso por alguma razão era um pouco frustrante, talvez fosse o meu lado mulher se aflorando.

O Cullen abriu sua mochila e pegou o manto e uma toalha.

— Aqui. – Ele ofereceu estendendo uma das mãos em minha direção.

— Pode deixar aí em cima da mochila, quando eu tirar a roupa eu pego.

— Tudo bem. – Disse deixando o que estava em suas mãos por cima da mochila novamente.

— Agora vira pra parede. – Na verdade ele nem precisava disso, já que estava muito escuro, só que é o que dizem, o prevenido morreu de velho.

O Cullen levantou e virou de costas para mim. Tirei toda a minha roupa rapidamente, peguei a toalha e me sequei rapidamente, depois peguei o manto e me enrolei.

— Pronto. – Eu disse e ele virou.

Eu realmente achei que o estoque de coisas inesperadas da mochila do Cullen tinham terminado, mas não. Ele também tinha um colchonete de solteiro enrolado dentro da mochila. Colchonete esse que ele abriu e estendeu no chão de terra e deitou.

— Deite-se aqui também. Ou vai ficar aí em pé?

Não relutei muito. Na verdade não relutei nem um pouco e me deitei ali, de costas para o Cullen. E então um silêncio perturbador tomou conta do local.

— Eu gritei. – Ele disse de repente.

— O que? – Perguntei confusa.

— Eu gritei quando cheguei no topo daquela montanha. Você não foi a única.

— Mas você disse...

— Eu menti. – Disse naturalmente.

— Por que você simplesmente não disse a verdade?

— Eu não gosto dessa coisa de parecer... – Ele parou para pensar no que dizer e imediatamente eu completei.

— Humano.

— É. – Assumiu sem vontade.

— Por quê? – Aproveitei o momento intimidade.

— As pessoas gostam de pisar em quem é vulnerável.

— E mostrar que tem sentimentos é ser vulnerável.

— Sim. Você tem que ser firme, como uma rocha, pra quem sabe assim, as pessoas desistam de tentar fazer você sofrer, ainda que não percebam.

— Mas será que vale à pena? Usar essa máscara. Tratar as pessoas da forma que você trata. Não ter ninguém em casa quando chega do trabalho. Tudo pra evitar sofrimentos futuros?

— Vamos mudar de assunto? – Perguntou friamente. OK. Acho que fui com muita sede ao pote e acabei colocando tudo a perder.

— Tudo bem. Me perdoa se eu te incomodei.

— Tudo bem. – Disse ainda frio. Droga, mil vezes droga! Ele estava tão tranquilo até agora pouco. Por que eu tinha que por tudo a perder?

— Você deve estar odiando essa viagem, não é? – Perguntei para não deixar o assunto morrer.

— Ainda é cedo pra dizer. Estamos apenas no primeiro dia. E até agora até que foi legal. Eu passei grande parte do tempo sozinho e ficar sozinho em um lugar tão calmo ajuda a pensar melhor na vida. E pensar na vida é importante, pena que eu nunca tenho tempo.

— Você não pensa na vida durante o dia a dia?

— Não habitualmente. Acontece de vez em quando, mas em geral não. Quando eu consigo parar um pouco, eu só durmo. Eu não vou mentir, ganho muito dinheiro, muito mesmo. Só que vida de presidente é uma vida escrava. Absolutamente tudo que acontece na empresa e sobre a empresa, passa por mim. Fora as oito filiais pelo mundo que apesar de terem seus próprios presidentes, todos são subordinados a mim, já que a minha é a matriz, então assim, a minha vida é extremamente exaustiva. Eu não tenho tempo pra praticamente mais nada que não seja trabalhar.

— E você gosta dessa vida?

— Bom, é o preço que eu pago para ter um bom carro, roupa, mansões, comida, mulheres. Qualquer coisa que eu quiser.

— Eu perguntei se você gosta dessa vida, não do que lhe é proporcionado por causa do dinheiro.

— É complicado... – Disse pensativo. – Ninguém gosta de trabalhar, mas é necessário.

— Eu gosto de trabalhar.

— Sério? – Perguntou surpreso.

— Sério. Mas sabe por quê?

— Por quê?

— Porque eu amo o que eu faço. E eu faço pelo meu bem estar, não pelo dinheiro. Porque o dinheiro pode me dar tudo, menos o mais importante, que é satisfação pessoal.

— Isso é uma questão de escolha.

— O que?

— Satisfação pessoal. A sua é trabalhar com o que você gosta, mas a minha é ter dinheiro pra comprar o que eu quiser.

— Tudo bem então. – Se ele preferia se enganar dessa forma... – Mas você não tem nenhum Hobbie?

— Na verdade tenho sim.

— Qual?

— Gosto muito de fotografia.

— Sério?! – Perguntei sorrindo. Eu adorava pessoas que fotografavam. Era algo fascinante.

— Sim. Me deixa calmo, relaxado.

— Mas você fez algum curso?

— Sim. Fiz um. Nada muito profissional, mas foi o suficiente pra eu sair por aí pagando de fotógrafo. – E então ele liberou um riso abafado, fazendo meus lábios se curvarem em um sorriso. Ele sabia ser adorável quando queria.

— Você vai me mostrar suas fotografias qualquer dia desses?

— Quem sabe? – Disse sugestivo. – São muito pessoais. Eu nunca mostro a ninguém, mas meu pai sempre me diz que nunca devemos dizer “Nunca”.

— Mas o que você fotografa?

— Não tenho nada específico. Fotografo o que acho bonito, o que tem carisma. Não gosto desse conceito de tirar fotos de um local só porque há algo nele que é apresentável. Acho que existe todo um conjunto de fatores. Tem que ter alma, carisma, sentimento. Fotografia é isso, não apenas pegar o melhor ângulo de um gatinho fofo ou de um inseto.

— Isso foi... Magnífico!

Não tinha exatamente palavras para descrever o quanto a sua paixão pelo que ele estava dizendo me pegou. Nunca o vi como um homem apaixonado, e isso nem passava pela minha cabeça, mas eu, mais do que ninguém, sabia como era se sentir tão envolvida e apaixonada por algo que não fosse sexual, mas sim pelo simples fato de poder ajudar a minha sociedade, era disso que eu gostava. E agora, vendo o Cullen falar sobre fotografia, eu tive a absoluta certeza que ele também tinha sua paixão, ele também tinha a sua “Profissão dos sonhos”. A diferença era que eu exercia a minha, já ele, infelizmente, usava a dele apenas como um Hobbie.

— É... Fotografia é algo magnífico. Não apenas imagens, como muitas pessoas pensam. Eu também gosto muito de música, de cinema, pintura.

— Você tem uma alma artística. – Afirmei surpresa e ao mesmo tempo satisfeita por saber disso.

— Sim. Só que gosto de coisa boa. Meio termo não é bom pra mim. Ou tem muita qualidade, ou prefiro não ter acesso a nada. Na verdade acho que esse quesito serve para todas as áreas da minha vida. Acho que é por isso que nunca me casei, nem namorei.

— Você nunca namorou? – Perguntei impressionada.

— Não. Já cheguei muito perto uma vez. Saí com uma única mulher durante sete anos. Nossa química era eletrizante, as paredes tremiam quando nos tocávamos. Era algo de outro mundo. Ela era carinhosa, atenciosa, gostava de mim como ninguém nunca gostou.

— Mas...

— Mas eu tenho essa coisa com relacionamentos e nunca a pedi em namoro, foram sete anos de sexo e fins de semana juntos trancados no apartamento dela ou no meu, mas nunca passava disso. Eu nunca a levei para conhecer a minha família e nunca quis conhecer a dela. Poderíamos ter passado a nossa vida inteira assim, mas ela queria mais, e exigiu isso de mim, eu não estava disposto a dar, então terminamos.

— E você não a viu mais?

— Eu ainda a vejo. Ela é minha amiga.

— Sério? Como vocês conseguem manter esse tipo de relação mesmo depois de tudo?

— Passamos três anos sem nos ver. Ela preferiu assim e eu não quis contestar. Depois disso nos encontramos casualmente na rua e ela estava muito bem, de casamento marcado e tudo. Trocamos telefones, ela me chamou pro casamento, eu fui, fiquei amigo do noivo e desde então ficamos todos amigos, sou até padrinho da filhinha deles.

— Isso é estranho. – Eu disse imediatamente. – O marido dela sabe sobre tudo que já rolou com vocês?

— Sabe. Eles não têm segredos um com o outro. Na verdade ela encontrou exatamente o que procurava em um homem e eu sou muito feliz por isso. É uma grande mulher e merece tudo que conquistou.

— Não há mais nenhum sentimento entre você e ela?

— É incrível como o tempo consegue transformar completamente as coisas. Antes nós éramos amantes árduos, mas agora eu simplesmente não consigo imaginá-la dessa forma. É como se ela fosse uma irmã ou algo assim e eu tenho certeza que pra ela as coisas funcionam da mesma forma. Por isso que o marido dela não tem nenhum ciúme de mim. É evidente como o nosso tempo já passou. Qualquer um pode ver.

— Mas em algum momento enquanto vocês estavam juntos ou assim que se separaram, você considerou pedi-la em namoro? Não é possível que nesses sete anos, você não tenha sentido nada que não fosse desejo sexual.

— Eu senti. Eu era apaixonado por ela, com toda a minha alma. Era enfeitiçado por aquela mulher, tanto que nem tinha olhos pra nenhuma outra e se ela não tivesse terminado, provavelmente passaria a minha vida inteira só com ela, do jeito que estávamos, mas ainda sim, só com ela. Só que namoro é algo sério pra mim, não sei... Por algum motivo não era ela e talvez não seja ninguém. Na verdade eu não acho que vá encontrar, porque toda a intensidade dos sentimentos que eu poderia ter, eu já tive com ela e nem toda a saudade que senti foi o suficiente pra me fazer voltar atrás, então não creio que vá existir alguma outra que consiga ultrapassar essa barreira. – Ele realmente me confundia, era evidente o quanto essa mulher significou para ele, mas como podia isso? Ela significou tanto, mas ao mesmo tempo não o suficiente para ele pedi-la em namoro. Preferindo até mesmo perdê-la.

— Mas e a Tânia? – Perguntei aproveitando o momento “amiguinhos”.

— Quem?

— Tânia... Denali.

— Ah sim, a senhorita Denali.

— Não fale como se não fossem íntimos o suficiente para se chamarem pelo primeiro nome.

— Mas não somos. – Ele parecia sincero. – Nos chamamos pelos sobrenomes, É melhor assim. Não quero que ela tenha esperanças de nada. Porque ela sabe que é só sexo. E no caso dela é só isso mesmo. Absolutamente nada a mais.

— Mas ela sabe disso.

— Sim. Eu não engano ninguém senhorita Swan. A última coisa que eu quero é ter qualquer tipo de remorso. Sou honesto com as mulheres, elas vêm porque querem ou talvez por pensar que vão fazer com que eu me apaixone ou algo assim, ou que vão me dar o golpe da barriga. Mas se tem uma coisa que o tempo me ensinou é que não sou um homem influenciável pelos meus sentimentos, muito menos pelo meu pênis.

— Em partes eu concordo com você.

— Mas e você? Já falamos muito sobre mim.

— O que quer saber?

— Quem é aquele cara que você encontrou em frente ao restaurante hoje na hora do almoço?

— James.

— Que é...

— Assistente social também. Só que ele está em outra causa. É um grande amigo. – Achei melhor deixar a parte do “meu amante casual” pra lá. Isso era algo íntimo, poucas pessoas sabiam sobre nós e o Cullen não seria uma delas.

— Ele te olha com desejo.

— Oi?

— Ele olha pra você com desejo.

— Deve ser impressão sua.

— Não é. Swan, sou homem. Sei reconhecer quando outro homem deseja uma mulher, e este é o caso.

Okay, agora quem não sabia o que dizer era eu. O Cullen sacou tudo. Quer dizer, ele sacou que o James tem desejo por mim, não o contrário. Se bem que eu não podia chamar o meu sentimento por James exatamente como desejo. Na verdade eu via o sexo com ele mais como uma atividade física que me ajudava a relaxar. Mais ou menos como um companheiro de pilates ou algo assim. Não tinha nada a ver com o desejo em si.

— Acho que já está ficando tarde. – Ele disse ao perceber que o assunto não ia render. – É melhor a gente tentar dormir, porque a chuva ainda está forte.

— Estou com medo. – Assumi. A conversa desviou um pouco a minha atenção, mas a verdade era que eu estava apavorada.

— Shh. – Ele disse me abraçando por trás com os lábios encostados em meus cabelos. – Estou aqui, vai ficar tudo bem.

— Mas...

— Eu vou te proteger.

E isso bastou para que eu me sentisse segura, de repente todo o meu medo foi embora, porque a sensação era de estar nos braços de alguém que jamais me deixaria cair.

No dia seguinte, acordei cedo e graças a Deus minhas roupas estavam secas. Edward não estava mais ali, mas sua mochila estava, então provavelmente não tinha ido longe. Aproveitei sua ausência e me vesti rapidamente, foi então que percebi que sua câmera estava em cima da mochila. E por mais que eu soubesse que não era certo mexer nas coisas dos outros, ainda mais quando esses “outros” já disseram que não me mostrariam suas fotos, a curiosidade simplesmente tomou conta de mim e foi bem maior do que o meu bom senso. Mas não me culpem, eu só queria ter um pouco de toda a maravilha que ele me descreveu que era uma fotografia em seu ponto de vista.

Então antes que o bom senso fosse maior que a curiosidade, liguei a câmera e fui para as fotos. E por incrível que pareça, ele não estava brincando quando disse sobre a sensibilidade dos momentos de cada foto. Ali tinham fotos de árvores, flores e até animais, aparentemente todos de Machu Picchu, mas havia ali uma emoção, emoção essa que podia ser sentida por quem observava a foto, era como se o que o Cullen sentiu na hora que a tirou, passasse para quem via a fotografia. Era algo realmente tocante de se assistir. Ele não estava brincando quando disse que fotografia não se tratava apenas de imagens. E nessa hora eu só conseguia me perguntar o que passava na cabeça dele pra não seguir essa profissão maravilhosa na qual ele tinha indiscutivelmente grande talento.

Foi então que ao passar uma das fotos, a que apareceu em sequência, era conhecida. Não por eu já ter visto a fotografia, mas por eu já ter vivido aquilo. E não era nenhum tipo de coincidência nem nada disso, porque eu estava na foto. Era nada menos do que uma fotografia minha de olhos fechados e braços abertos com alguns raios de luz solar sobre o meu corpo, no alto do labirinto que andei hoje pela manhã, local onde eu ouvi o barulho de uma câmera fotográfica, só não encontrei o autor. Então era ele, quem estava lá, era o Cullen!

— Senhorita Swan? – Perguntou com a voz visivelmente zangada. – O que faz com a minha câmera?

Notas finais
E aí galera? Gostaram de saber mais sobre o Edward? Espero que estejam o odiando um pouco menos agora, rs. Até mais e não esqueçam de comentar!