Ética Do Amor
26 Buscando as raízes de um problema
Por mais que tudo indicasse que sim, na verdade eu não dormi no apartamento de Edward naquela noite. Não era porque eu não queria ficar, mas sim porque ele foi ajudar Emmet com sua casa que estava com alguns problemas civis, e como Edward é arquiteto, ele ligou pedindo ajuda. Eu disse que era melhor eu ir dormir em casa e que no outro dia nós poderíamos ficar juntos. Ele aceitou, receoso, mas aceitou, me deixando em casa e indo para a casa do Emmet em seguida. Após jantar com Jake e Rose, quando eu já estava quase indo dormir, recebi uma ligação dele, na qual atendi na mesma hora, era ele dizendo que já estava em casa e que não estava com sono. Começamos a conversar e ficamos ali, por horas, até que já estava tarde demais para continuarmos ali, então combinamos que iríamos desligar e dormir, e assim foi feito. Naquela noite eu tive um pesadelo, no qual um menino, com cabelos acobreados e olhos verdes engraxava sapatos de homens que jogavam as moedas como esmolas em cima dele. Acordei ofegante com o pesadelo, sabendo que aquele menino, era Edward. Lágrimas brotaram de meus olhos ao fazer uma retrospectiva mental de tudo que ele havia me contado sobre seu passado. Era revoltante, repugnante, doentio. Fiquei mais algumas horas sem conseguir dormir, até que finalmente peguei no sono.
Sexta-feira, eu estava indo até a empresa, de ônibus mesmo, e assim que passei pela garagem, percebi que minha lambreta não estava mais ali onde eu havia deixado. Entrei em desespero imediatamente. Só faltava essa, agora pra concluir a vingança, a loira maldita havia me roubado de vez o que ela mesma destruiu. Subi possessa até a sala. E quando passei por Alice, percebi que ela estava com os olhos vermelhos, ela esteve chorando.
– Alice? – Perguntei me aproximando dela. – O que houve?
– Nada. – Disse triste.
– Quem nada é peixe. O que houve?
– Ah... O Jasper. Conseguiu uma bolsa integral em um curso de culinária lá em Paris que dura dois anos.
– E ele vai?
– Vai. E achou melhor a gente terminar, porque dois anos é muito tempo e nós provavelmente conheceremos pessoas novas.
– Ah, amiga... – Eu disse a abraçando. – Não fica assim. Se vocês realmente se gostam, vão ficar juntos de novo.
– Alice, prepare um... – Disse Edward saindo de sua sala, mas parando de falar ao nos ver abraçadas. – Tá tudo bem aqui?
– Tá sim. – Eu disse me afastando dela pra entrar em minha sala. – Depois a gente conversa melhor, Alice.
– Tudo bem. – Disse com um sorriso fraco.
Entrei para a sala e Edward pediu o que queria para Alice hoje, depois entrou também.
– Aconteceu alguma coisa com ela? – Edward perguntou enquanto se sentava em sua cadeira. – Ela me pareceu bastante abatida e agora você estava lá a abraçando. Alguém faleceu?
– Não. O namorado dela terminou tudo pra ir fazer um curso de gastronomia na França.
– Já vai tarde então, né?
– Edward!
– Ué, ele poderia ter ido e mantido o namoro, voltava pra vê-la uma vez no mês, mas não, então é melhor pra ela que ele se vá logo.
– Nem todo mundo tem dinheiro pra ficar viajando pra outro país todo mês.
– Sim, mas se ele realmente quisesse, teria ao menos tentado dar um jeito. Ele nem mesmo tentou. Bella, pode parecer machista, mas eu sou homem, eu sei como nós pensamos. No nosso dicionário não existem meio termo, nem metáforas, quando dizemos “Sim” queremos dizer “Sim”, da mesma forma que quando dizemos “Não”, queremos dizer “Não”. Quando um cara quer, ele dá um jeito, não tem outro papo. Se terminou com ela antes mesmo de viajar, me perdoe a sinceridade, mas já foi na intenção de pegar algumas francesinhas lá.
– Você vai falar isso pra ela? – Perguntei com os olhos arregalados.
– Mas é claro que não, nem tenho intimidade com ela pra isso, mas você tem. Por que não diz?
– Porque eu não tenho certeza se é isso.
– Mas é claro que é. – Edward disse como se fosse óbvio. – Ah... Deixa pra lá. Você quem sabe.
– Vou conversar com ela. Edward... – Eu disse.
– Oi?
– Acho que a Tânia roubou a minha lambreta. Não a vi lá no estacionamento hoje.
– Eu mandei pro conserto.
– Ah é?
– É. E eu vou pagar. Não tem discussão.
– Tudo bem. – Eu disse.
– Ué, fácil desse jeito? – Perguntou estranhando.
– Sim. Lembra que nós combinamos que eu não reclamaria se você me desse presentes? Pois então, não estou reclamando. Não é algo tão caro e ao mesmo tempo estou precisando, não vejo problema em você me dar esse conserto de presente.
– Hum. – Disse sorrindo. – Gostei de ver.
***
Passei o dia inteiro pensando no passado de Edward. Eu tentava desviar um pouco desse pensamento, mas eu o imaginava, como uma linda criança de cabelos loiros e olhos verdes, assustada com tudo que via, Edward, o meu Edward lá, perdido, se sentindo sozinho no mundo, acreditando que a maioria das pessoas eram ruins. Doía demais pensar nisso tudo, ainda que já estivesse passado há muito tempo. No entanto eu também pensava sobre como Edward era quando o conheci, todos diziam que ele era uma pessoa ruim, no entanto eu quis arriscar, apostar nele, e não me arrependi. Logo eu me perguntava se algo semelhante não poderia ocorrer com Karla, eu sabia que mesmo quando Edward era um poço de ignorância, egoísmo e mau humor, ainda era um anjo em comparação à sua mãe. Mas eu realmente queria tentar, queria muito. E era o que faria.
Disse para Edward que tinha que resolver alguns assuntos no banco e teria que sair mais cedo. Ele disse que tudo bem, contanto que depois eu fosse direto para seu apartamento, concordei imediatamente, é claro. Peguei um ônibus que me deixou na porta de seu prédio.
– Oi George. – Eu disse ao porteiro assim que cheguei.
– Olá, Bella. – Ele disse sorrindo. Nós já nos conhecíamos, já que eu sempre passava por ele antes de ir até o apartamento de Edward. – Tudo bem?
– Tudo sim.
– O senhor Cullen ainda não chegou do trabalho.
– Eu sei. O que eu tenho pra falar é com você.
– Comigo? – Perguntou confuso.
– Sim. Uma mulher estava no apartamento do Edward assim que chegamos, ontem.
– Sim... A mãe dele.
– Exatamente. O que eu quero saber é se ela deixou algum endereço ou telefone com você.
– Sim. Nós sempre pegamos o endereço e telefone das visitas. É o procedimento daqui.
– Okay. Você poderia me fornecer os dela?
– Aí eu já não posso. Só os moradores têm acesso às informações de suas visitas.
– Mas eu preciso saber. É muito importante.
– Mas Bella... Se eu te disser, vão me demitir.
– Eu prometo não contar a ninguém. Vai ficar entre nós.
– Eu não sei... – Disse confuso. – Preciso desse emprego. Tenho uma família pra sustentar.
– Eu sei, George. Por isso estou te prometendo que não vou contar a ninguém.
– Pra quer essas informações?
– Edward e a mãe dele estão brigados e estavam sem se ver há quase vinte anos. Agora ela apareceu, no entanto eles não se acertaram, e eu não faço ideia de onde ela esteja pra entrar em contato e tentar resolver as coisas.
– Nossa. Realmente, vinte anos é muito tempo pra mãe e filho ficarem sem se falar. – Bom... Ele não precisava saber o tipo de mãe que Karla era.
– E então?
– Vou te dizer o que precisa saber. – Ele disse. – Mas por favor, que isso realmente fique entre nós.
– Vai ficar sim. – Eu disse sorrindo.
George começou a pesquisar no computador e anotou em um papel o endereço e o telefone de Karla.
– George, por favor, não conte pro Edward que estive aqui, okay?
– Okay.
– Ah... Muito obrigada mesmo. – Eu disse. – Não sabe o favor que está me fazendo.
– Não há de quê. Boa sorte.
– Obrigada.
Liguei para o número que ela havia passado, mas estava fora de área, então apelei para o endereço mesmo. Peguei o táxi e pedi para que ele me levasse até lá.
Assim que cheguei na casa amarela em uma rua carente e perigosa do Brooklyn. Bati à porta. Pouco tempo depois, um homem alto, um pouco gordo e grisalho, de aparentemente uns cinquenta a sessenta anos, atendeu, me olhando de cima abaixo, analisando demoradamente cada parte do meu corpo, como se eu fosse um pedaço de carne em exposição.
– É... Nada mal. – Disse ele. – 50℅ é meu, no entanto é clientela garantida. Se tiver disposição, ganhará bastante. Eles gostam de ninfetas... E eu também. – A malicia em seu olhar me fez estremecer, de repulsa e até medo.
– Do que está falando? – Perguntei.
O homem apontou para a parede ao lado de fora da casa, que ao olhar, vi uma placa que dizia "Precisa-se de prostitutas. Tratar aqui."
– Ah não... Não vim por isso.
– Veio pelo que então?
– Eu gostaria de falar com a Karla. – Eu disse.
– Karla não está. Mas se quiser entrar e esperar...
– Tudo bem. Eu espero aqui fora mesmo.
– Eu disse, desconfiada de suas intenções.
– Não seja estúpida. Esse lado da cidade é perigoso demais pra ficar aí pela rua.
Olhei para os lados e em um portão, vi dois homens de preto e armados, trocando pacotes. Em seguida, olhei para dentro da casa de Karla e vi algumas mulheres transitando por ali. Okay... Se eu entrasse, não ficaria sozinha com o velho tarado, no entanto se eu ficasse do lado de fora, ficaria sozinha com os caras armados.
– Tudo bem. Vou entrar. – Eu disse.
O homem deu um sorriso safado e quando passei por ele, mexeu em meus cabelos.
– Por favor, não me toque.
– Minha casa, minhas regras. Mas tudo bem, pra tudo tem sua hora. Qual é o seu nome, pequena ninfeta?
– Meu nome é Isabella. Me chame assim. E o senhor, como se chama?
– Nathan. – Estremeci na mesma hora quando ele revelou seu nome, era o homem que estuprou, prostitui, vendeu e por fim, matou, a irmã de Edward, o homem que batia neles, que os maltratava, olhei em volta e todas as mulheres que ali transitavam, já não se encontravam mais por perto. Meu coração acelerou, eu estava com medo, muito medo.
– Tá passando bem, ninfeta? Parece que viu um espírito. – Ele disse.
– Sim... Eu estou bem. – Respondi.
– O que quer com a Karla?
– Eu... Quero conversar com ela. A conheci recentemente.
– Conversar sobre o que? – Ele parecia desconfiado.
– Isso já é assunto nosso.
– Mas que ninfeta mais abusada. – Disse irritado. – Esta é a minha casa e ela é a minha mulher. Quero saber o que você quer.
– Eu já disse que é assunto nosso. Se que saber o que é, pergunte a ela quando eu for embora.
– É melhor você me contar se não quiser me ver nervoso. E você não vai querer me ver nervoso.
– Por quê? O que você vai fazer? – Perguntei reunindo toda a coragem que ainda havia em mim.
– Eu posso fazer qualquer coisa que eu quiser e sumir com qualquer vestígio depois.
– As coisas podiam funcionar assim há vinte anos e em Las Vegas, porque aqui em Nova Iorque, atualmente, as pessoas não podem simplesmente sumir.
– O que quer dizer com isso? Como sabe que eu morava em Vegas há vinte anos?
– Eu só sei que você não pode fazer nada comigo. – Agora eu já estava tão tomada pela minha raiva que nem media mais o que dizia. – Afinal, dessa vez não tem nenhum inocente pra levar a culpa no seu lugar.
De repente os olhos de Nathan se arregalaram e ele foi ficando vermelho. O sensato a se fazer naquele momento era recuar, no entanto eu estava cega de raiva, não conseguia nem mesmo me mexer.
– Sua piranha maldita! – Disse levando as duas mãos ao meu pescoço, me empurrando até a parede e o apertando com força, a ponto de me erguer do chão. – Foi aquele filho da puta do Edward que te mandou aqui. Não foi?
– Me... Coloca... No... Chão... – Falei com o fio de voz que me restava.
Meu ar já estava se esvaindo e por mais que eu me debatesse, não adiantava, ele, apesar da idade, era muito forte. Quando o ar já era praticamente inexistente e eu já começava a perder a consciência quando a porta se abriu e ele me soltou. Caí no chão, desorientada, respirando com a boca para recuperar todo o ar que eu havia perdido, tossindo mais que um tuberculoso.
– Hei... – Disse Karla chegando ao meu lado. – Eu sei quem é você. É a menina que estava na sala do Edward lá na empresa, que me mandou embora, e também é a que estava no apartamento dele quando eu fui lá.
– Sou eu sim. – Eu disse após me recuperar, enquanto levantava do chão.
– O que quer? O Edward te mandou aqui?
– Que ironia. – Disse Nathan. – Há vinte anos, quando ele era um pirralho, o que não faltava era coragem. Agora, tá mandando outra pessoa atrás da gente.
– Edward não me mandou aqui. – Eu disse defendendo-o. – Ele nem sabe que eu vim.
– O que quer, então? – Karla perguntou.
– Eu quero falar com você. Mais nada.
– Por mim. – Disse dando de ombros. – Vamos até o meu quarto.
– Tudo bem.
Segui Karla por um corredor escuro e longo, com vários quartos, e ao passar por alguns deles, dava pra ouvir alguns gemidos vindos de lá, era estranho pensar que ali ao lado mesmo, mulheres se prostituíam.
E então, no último quarto, Karla entrou e eu também. No quarto tinha uma cama de casal com uma sexta de lixo ao lado, uma janela pequena que estava fechada, uma porta extra que provavelmente era a do banheiro e uma cômoda no canto, mais nada.
Karla se sentou em sua cama e cruzou as pernas, acendendo um cigarro em seguida.
– Posso abrir a janela? – Perguntei.
– Não fuma?
– Não.
– Que bom, porque o cigarro tá caro e eu não ia te oferecer. Pode abrir a janela, eu deixo fechada porque os clientes preferem assim.
Fui até a janela que ficava ao lado da cama e abri, foi então que ao olhar para o lixo, vi apenas restos de cigarro e camisinhas usadas. Muitas delas.
– Quer sentar? – Perguntou.
– Não. Obrigada.
– Se a sua preocupação são os lençóis, eu tenho vários e troco toda vez que um homem sai daqui.
– Não é isso. – Era sim. – Eu estou bem em pé.
– Tá bom. Mas enfim... O que quer aqui?
– Falar sobre o Edward.
– Primeiramente, o que você é dele? Porque te vi no trabalho e na casa dele.
– Sou namorada dele.
– E você aguenta um homão daquele? – Perguntou com cara de safada. – É das minhas hein, pirralha.
– Eu não vim pra falar sobre isso. – Eu disse séria.
– Então fala o que quer falar.
– Eu vim porque quero conversar com você. Acredito que um dos maiores problemas nessa situação é a falta de diálogo. Então pretendo resolver isso.
– Eu não sei se posso conversar contigo. – Ela disse.
– Por quê?
– Porque eu não sei falar assim toda pomposa, igual você.
– Karla. Eu sou assistente social, trabalho pro governo e de seis em seis meses troco de caso. Hoje estou na empresa do Edward, mas antes de ir pra lá, estava em um caso que era em uma das áreas mais pobres dos Estados Unidos, com pessoas que nunca entraram em uma sala de aula. Não se preocupe com isso, eu lido com todo o tipo de pessoas, até mesmo as que a maioria dos cidadãos nem sabe que existe, respeito totalmente a sua forma de falar.
– Assistente social?
– Sim.
– Contou isso pro Nathan?
– Não. Por quê?
– Ele odeia assistentes sociais. Agora que você me falou da sua profissão, achei até que era por isso que ele tava te enforcando quando cheguei.
– Não. Ele ficou bravo porque deixei que ele soubesse que eu sabia o que aconteceu no passado.
– Ah sim. O Edward te contou, é claro.
– Sim. Mas me responda uma coisa, por que ele odeia assistentes sociais?
– É que elas ou eles sempre iam lá na boate pra ver se tinha algum menor.
– E não viam o Edward e a Elizabeth?
– Viam. Só que o Nathan dava dinheiro a eles, muito dinheiro.
– Sério? – Perguntei irritada. Pra que seguir uma profissão como a nossa e ser corrupto? Isso me dava nos nervos.
– O Edward e a Elizabeth sempre se jogavam aos pés deles implorando pra que os levassem. Até parece que teriam uma vida muito melhor num orfanato.
– A senhora me perdoe a sinceridade, mas teriam sim.
– Ah é? E dormir amontoado com um monte de pirralho piolhento e comer salsicha todo dia é bom em que?
– Não é assim que as coisas funcionam em um Orfanato, a comida não é ruim, tem muitas crianças sim, mas todas são muito bem cuidadas, e isso é bom, porque ali são feitas amizades pra vida inteira, as crianças estudam, brincam, fazem coisas que crianças devem fazer. É claro que nada é melhor do que viver em família, mas quando se recebe atenção, amor, carinho. O que não acontecia com o Edward e a Elizabeth.
– Eu sei que não fui uma boa mãe. Tenho consciência disso, mas eles comiam, tinham lugar pra dormir, tudo isso.
– E acha que isso é o suficiente? Karla, me diz... Como foi a sua infância?
– Ah... Meu pai era médico e a minha mãe empregada. Ela o roubou da esposa e eles se mudaram pra Los Angeles. Tinham um relacionamento aberto, ele ficava com quem ele quisesse e ela também, algumas vezes até rolava um Swing.
– Swing?
– Sim. É quando dois casais se juntam pra transar, aí é mulher com mulher, homem com homem, troca de casais...
– Tá, já entendi. Continue.
– Minha mãe era a mais safada, já cansei de ver ela levando gente lá pra casa. Homens e mulheres, certa vez ela levou seis homens.
– Nossa...
– É menina, orgia da brava. Eu ainda era criança quando o meu pai se separou dela e fugiu com outra mulher.
– A mesma coisa que ele fez com a esposa que tinha antes da sua mãe.
– Isso. Aí, ficamos só nós duas. Ela não tinha grana e não queria mais trabalhar de empregada, então começou a se prostituir, disse que se eu também começasse, a grana ia ser alta, então, aos 13 anos eu também comecei a me vender. Algum tempo depois minha mãe faleceu de tuberculose e eu fiquei sozinha, foi então que conheci o Nathan, que veio conhecer Los Angeles e era dono daquele bordel em Vegas. Me mudei pra lá junto com ele e a partir dali minha vida foi essa aí, que você já conhece.
– Entendi. E você acha que de alguma forma, isso influenciou na mulher e na mãe que você se tornou?
– Na mulher sim, com toda a certeza. Na mãe, talvez, não sei. Nunca parei pra pensar nisso.
– Karla, de coração, você ama ou amava o Edward e a Elizabeth?
– Não. A única pessoa que eu amei e amo é o Nathan. Eu faço tudo que ele quer, eu sei que é estúpido amar tanto um homem, mas eu o amo.
– O Nathan te influenciava de alguma forma em relação à forma que você tratava os seus filhos?
– Totalmente. Ele não gostava deles porque eram filhos do Carlisle. Eu não gostava do Carlisle, fiquei com ele porque era rico, eu tinha esperanças de um dia ele chutar a esposa e me colocar no lugar dela, apenas isso. Só que o Nathan ficou possesso quando descobriu que eu estava grávida, queria até que eu abortasse. Não abortei porque sabia que se um dia Carlisle me procurasse novamente ou até mesmo se eu o visse por aí algum dia, estaria feita com a pensão que ele pagaria. Eu disse que nós poderíamos criá-los como se ele fosse o pai das crianças, mas ele não aceitava de jeito nenhum, ele os odiava, e como eu era loucamente apaixonada por ele, os odiava também. Especialmente o Edward, porque ele dizia que a Elizabeth nos daria dinheiro no futuro, enquanto ele não serviria pra nada.
– E você acha justo, odiar os seus filhos, porque o homem que você ama, os odeia?
– Justo não é, mas eu não posso mandar nos meus sentimentos. Se quer saber dei até graças a Deus quando Elizabeth foi vendida.
– Por quê? – Perguntei, indignada.
– O que eu vou te contar, não contei a ninguém, mas por algum motivo, você me passa uma vontade de dizer.
– O que?
– O Nathan era obcecado por ela. Muito. Ele abusava dela todos os dias, às vezes até mais de uma vez por dia e até chamava o nome dela enquanto transava comigo. E eu a odiava com todas as minhas forças por isso. Quando o Alemão, chegou, querendo comprá-la, falou comigo, porque naquele dia ele teve que sair e eu fiquei no comando. A primeira quantia que ele me ofereceu, eu aceitei. Quando Nathan chegou, ele ficou furioso por eu ter vendido a “menina dos olhos” dele. Mas o mostrei todas as vantagens de vendê-la, em especial, tudo que poderíamos fazer com aquele dinheiro, e ele por fim, aceitou. Chorou a noite inteira, mas aceitou. Quando ela voltou, só faltou ele soltar fogos de artifício, devolveu o dinheiro com todo o amor, pro gringo e na realidade, quem matou Elizabeth, fui eu. Nathan me bateu muito quando descobriu, achei até que ele ia me matar, mas em certo momento, ele olhou nos meus olhos e disse que eles eram idênticos aos dela e disse que não queria me perder também e que se nós ficássemos ali, passaríamos o resto dos nossos dias na prisão, foi então que ele teve a ideia de fugirmos e ligarmos pra polícia no horário que Edward chegava em casa, pra eles pensarem que quem tinha matado Elizabeth, foi ele.
– Então quem a matou, na verdade, foi você? – Perguntei.
– Foi. E não me arrependo. Caso contrário, seria sempre daquele jeito, eu tendo que disputar a atenção com ela. O Nathan gosta de mulheres jovens, é meio que uma tara que ele tem. Logo sei que ele quer transar com uma garota, quando a chama de ninfeta.
Lembrei imediatamente que ele havia me chamado daquela forma várias vezes antes dela chegar. Meu estômago embrulhou na mesma hora.
Eu ainda tinha muita coisa a conversar com Karla, mas meu celular tocou e era Edward.
– Só um minuto. – Pedi a ela e atendi em seguida. – Oi amor.
– Ainda tá no banco?
– Não, eu dei uma passadinha em casa pra organizar algumas coisas, daqui a pouco estou chegando aí.
– Quer que eu vá te buscar?
– Não precisa não. Eu não sei quanto tempo vou demorar aqui.
– Mas vai vir hoje, né?
– Claro que vou.
– Então faz o seguinte: Quando terminar aí, me liga que eu te busco. Não tem necessidade de gastar o seu dinheiro com táxi.
– Tudo bem. Eu te ligo. Beijo.
– Beijo, te amo.
– Eu também. – E encerrei a chamada, guardando o celular na minha bolsa.
– Era ele?
– Era sim. Eu tenho que ir.
– Tudo bem.
– Mas quero manter contato.
– Por quê? Ele me odeia e provavelmente você também.
– Não te odeio. Só não concordo com as atitudes que tomou ao decorrer da sua vida. E sinto raiva pelas consequências delas na vida do Edward. Mas eu quero e muito entender a fundo o motivo de você ser assim, por favor, não me impeça disso.
– Contanto que não atrapalhe o meu trabalho, tanto faz. É até bom ter alguém pra conversar de vez em quando.
– Eu tenho o seu número. Ligarei em breve.
– Tudo bem. Você conhece a saída né? Não estou com vontade de sair daqui agora.
– Eu posso ir sozinha.
Saí do quarto de Karla, passando pelo corredor escuro e chegando na sala, onde a TV estava ligada em um filme de comédia, no qual Nathan via e gargalhava porcamente enquanto coçava o saco. Eu tinha um nojo profundo desse homem, de verdade. Não que Karla também fosse lá, grande coisa, mas ao menos ela, quando eu olhava, eu via uma mulher doentemente apaixonada por um crápula, que fazia qualquer coisa pela sua atenção, inclusive maltratar e, se necessário, até matar, os próprios filhos em decorrência disso.
– Ninfeta. Já vai?
Continuei andando, sem olhar para a sua cara nojenta, mas antes que eu chegasse até a porta ele segurou meu braço, com força.
– Eu perguntei se você já vai, ninfetinha.
– Vá se foder. – Eu disse puxando meu braço de seus dedos imundos que há poucos instantes estavam em sua calça, coçando suas intimidades, ainda mais imundas.
– Você é rebelde. Sabe quem me lembra? A Elizabeth. Irmãzinha do Edward. Como era bom comer aquela bocetinha apertadinha.
Meu estômago revirou novamente, e com mais força, a vontade que eu tinha de vomitar era proporcional à vontade de dar uns bons tabefes na cara daquele porco imundo, no entanto, reprimi todos os meus desejos, e saí daquele lugar horrível, deixando aquele maldito para trás sem nenhuma resposta. Andei rapidamente pelas ruas perigosas daquele lugar, até achar um táxi. Pedi para que me levasse até minha casa e assim que cheguei, sem nem mesmo falar direito com Jake e Rose, corri para o banheiro, tirando minhas roupas, o mais rápido que eu podia e correndo para o chuveiro, para tirar, toda a podridão que eu estava sentindo entranhada em mim, foi então que as imagens de Edward passando 15 anos em um lugar como aquele, lugar no qual eu mal consegui passar uma hora, inundaram minha mente, me fazendo chorar feito uma criança. A dor que eu sentia por saber que ele passou por tudo aquilo era grande a ponto de causar a sensação de que havia alguma coisa rasgando o meu peito. Doía demais imaginá-lo se jogando aos pés de uma assistente social, que em vez de fazer seu trabalho, aceitava propina e permitia que crianças inocentes vivessem em infernos como aquele, eu tinha vontade de socar a mim mesma, de tanta raiva, por tudo isso. Algum tempo depois, Rose bateu à porta.
– Bella? – Chamou, ao lado de fora.
– Oi? – Perguntei.
– O seu celular tá tocando sem parar aqui. O identificador diz que é o Edward.
– To saindo.
Terminei o banho, rapidamente e ao me olhar no espelho do banheiro, percebi que meu pescoço tinha marcas rochas, dos dedos de Nathan. Fui enrolada na toalha, direto para o meu quarto e meu celular estava tocando. Atendi rapidamente, já sabendo que era Edward.
– Oi, amor.
– O que houve? – Perguntou preocupado. – Te liguei mais de seis vezes.
– Estava no banho. Já pode vir me buscar.
– Ah sim. Tudo bem. Já estou indo.
– Okay.
Encerrei a chamada e me vesti rapidamente, coloquei um cachecol, pra disfarçar a marca em meu pescoço e de quebra me proteger do frio. Quando estava pronta, fui até a sala para esperar Edward que chegou em pouco tempo. Fomos até seu apartamento e assim que chegamos, ficamos conversando na sala, enquanto comíamos uma pizza. O aquecedor estava me deixando com calor, mas eu não queria tirar o cachecol, caso contrário ele veria as marcas em meu pescoço.
Depois de algum tempo conversando, fomos para seu quarto. Edward me beijou intensamente enquanto tirava toda a minha roupa, eu estava envolvida no calor do momento, tirando a sua também, quem se lembraria da porcaria de um cachecol? Assim que estávamos nus, ele me pegou no colo e me beijou, ardentemente, enquanto envolvi minhas pernas ao seu redor, naquele momento eu não lembrava de mais nada, eu não era mais nada. Aos poucos, Edward foi caminhando até a cama e lá nós nos deitamos, ele começou a beijar meu pescoço, quando, de repente, parou, olhando fixamente para meu pescoço. Droga!
– O que é isso? – Perguntou.
– Ah Edward... São os chupões que você me dá.
– Não... Não são não. Conheço muito bem esse tipo de marca. São dedos. Quem te enforcou, Bella? – Perguntou, sério.
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