Éter flui pela Espada Imperial
2 Capítulo II- Passeio pelos ladrilhos roxos banhados de sangue
Notas iniciais

Elesis respirou fundo e fechou os olhos antes abrir a porta do enorme Salão de Elianod.
Antigamente, ela poderia até ter tido medo daquele lugar ou como ele reagia ao seu irmão. Porém, hoje em dia, ele era nada mais que o lugar onde o todos os governadores e chefes de exército se juntavam para discutir os próximos passos da guerra que estava por vir.
— Elesis, você chegou. — Penensio, o chefe dos cavaleiros vermelhos, se pronunciou quando viu o corpo vermelho andando pela sala quase totalmente azul, com poucas luzes em branco. — Acredito que não tenha conseguido convencer a senhorita Aisha.
O rosto da General se formou em dúvida, ela mesma não entendendo as palavras do Chefe dos Cavaleiros.
— Não, Cavaleiros Penensio, suas palavras são errôneas. — Ela andou até onde todos estavam, incluindo os Mestres e as Sacerdotisas e fez um leve cumprimento para eles — A Sábia do Éter e seus estudos de magia já estão nos alojamentos. — Ela deu uma pausa, olhando para o Mestre Denif, que confirmou com a cabeça o que se passava na mente dela. — Acredito só faltar meu irmão, Elsword.
Só ele, e então o exército poderia ter a chance de vencer os demônios.
Mas quando a General olhou para o Chefe dos Cavaleiros Vermelhos, ele só tinha um rosto de espanto, que sumiu quando ele deu um tapa forte nas costas de Elesis.
— Essa é minha garota! Você realmente conseguiu convencer aquele monte de braveza só com essa sua voz?! — Ele ria incansavelmente, fazendo todos os outros ficarem meio desconfortáveis. — Você é realmente incrível!
Por um segundo, Elesis conseguiu ver as estátuas do Salão compartilhando de seu sentimento de pena.
Talvez fosse o El Primordial reagindo à sua antiga Dama de El, ou ela delirando.
— Entretanto, a senhorita Aisha disse necessitar de poções e de um equipamento novo para a guerra, ela está totalmente desprovida de qualquer que seja o dano necessário.
— Então, Elesis — Era a voz de Vanessa, a Líder do Centurião de Guarnição — Você ficará encarregada de acompanha-la.
Os olhos vermelhos de Elesis refletiram o azul do salão, fazendo-os brilhar em espanto.
Ela entendia que era porque as duas se conheciam, mas era melhor ela ir para o campo de batalha o quanto antes, assim poderia salvar mais vidas.
— Certo, entretanto não seria melhor me mandar para o campo de batalha o quanto antes? Soldados contam com minha liderança.
— General Elesis — ela arrumou a postura, deixando a coluna mais ereta e a cabeça levantada — você não está equipada o suficiente para essa guerra.
— Todos os meus equipamentos estão em ordem e-
— O nosso estoque está ficando vazio, Elesis.
Algo ligou a General naquele momento.
Eles tiveram muita comida, poções e magias roubadas pelos demônios.
Normalmente, soldados de baixo escalão ou até mensageiros saiam do campo de batalha para levar o suprimento para os outros, mas dia após dia eles estavam sendo roubados.
Elesis fez uma reverência, colocando a mão em frente a sua barriga, obedecendo a ordem que estava à sua frente.
— Irei trazer todos os suprimentos necessários e em segurança. Peço que enviem dois soldados para carregarem as compras amanhã, as 10 da manhã, para o centro comercial, precisarei de ajuda, e a senhorita Aisha também.
Os mestres e os cavaleiros sorriram enquanto Elesis se endireitava, e virava, andando até a saída. A capa batia conta seus pés, fazendo ondas lindas enquanto o cabelo preso acompanhava o movimento de seu andar e de seus pulmões.
Elesis abriu as portas do Salão, sentindo o vento de fora bater em sua espada, que respondia com um tilintar.
Saiu, dando os primeiros passos nas ruas de Elianod com um céu cinza. Logo iria chover.
Os demônios queriam exterminar a humanidade e qualquer coisa próxima a eles.
Mesmo que esse seja o motivo da luta que os demônios gritam, a General anda pelas ruas desconfiada.
Lu e Ciel não iriam começar uma guerra assim, não enquanto tivessem a sã consciência.
Algo estava errado, algo estava extremamente errado e Elesis não conseguia dizer enquanto sentia o vento soprando seu cabelo para longe do rosto e ouvia as janelas e portas das casas se fechando.
O medo era notável, palpável.
Ela iria acabar com aquilo.
Ela mataria quem estava deixando todos daquele jeito.
Enquanto andava pelas ruas de Elianod, ela jurou a si mesma e para aquele solo sagrado.
Enquanto os demônios continuassem machucando humanos, ela os matariam, um a um.
Na manhã seguinte, a dificuldade no sono era nítida no rosto da General que possuía olheiras leves e olhos um pouco menores do que no dia anterior.
Cansada demais pela falta de sono, pelo cansaço de tudo.
Mesmo que nesse momento sua capa estivesse amassada e seu cabelo preso de forma rápida demais, não tendo a trança onde normalmente ficava, ela ainda era a General, ela ainda caminhou até onde a Sábia de Éter estava esperando com toda a sua determinação e ainda estava pronta para matar todos ao seu caminho.
Todos os soldados dormiam em um alojamento na cidade de Elianod, somente ela dormia separadamente do resto por ter sua casa próxima. Mesmo assim, havia virado rotina ela acordar todos os soldados, e como Aisha se encontrava junto, seria mais fácil.
A General averiguou as ruas vazias antes de entrar no dormitório, abrindo a porta e a deixando escancarada para a luz do início do dia entrar.
Todos os soldados dormiam no mais profundo sono, alguns roncando, outros reclamando com palavras inatendíveis. Elesis decidiu por só ignorar todos eles e ir em direção a janela.
Ela ouvia os próprios passos de metal enquanto andava pela casa com chão de madeira. Ironicamente, só aquilo seria o suficiente para ela acordar, entretanto, eles nem se mexiam.
A General segurou as cortinas beges e empurrou, deixando toda a luz da janela aberta entrar.
— Acordem todos! — A General deu um berro, puxando do fundo de seus pulmões o grito — Saiam dessas malditas camas de uma vez!
Era tão comum eles acordarem dessa forma, que a maioria somente enfiou o rosto no travesseiro.
— Mais um segundo... — a voz fraca de um deles se distinguiu do silêncio dos outros.
— Estão brincando com a minha cara?! Irão fazer 70 flexões se não saírem em dois segundos!
Todos, sem exceção alguma, pularam da cama, ficando em pé, de lado para a General, que estava na extremidade da casa.
— Informações sobre a Sábia do Éter, agora!
Todos se entreolharam relativamente confusos e meio dormindo ainda, até que um dos mais baixos acabou por falar.
— Ela está no alojamento de cima, provavelmente dormindo, ouvi ela andando pela casa durante a madrugada. — A General acenou com a cabeça antes de prosseguir.
— Agradecida, Michel. — O soldado se espantou ao ver que a General lembrava de seu nome. Afinal, ele era o mais novo dali. — Circulando! Vocês têm um campo de batalha para manter!
Todos começaram a se trocar assim que a General se virou para subir as escadas, dando um passo por vez na madeira relativamente fina.
Era impressionante aquela escada ter aguentado tanto tempo com tantos homens subindo ela de uma vez.
Assim como era impressionante o motivo de não ter conseguido dormir na noite anterior.
Ela estava tão preocupada com sua missão de recrutar Aisha para sonhar coisas tão... impróprias com a mulher?
O vermelho subiu para suas orelhas e bochechas, que ficaram rubras sem sua permissão.
Ela havia aprendido a esconder qualquer emoção no campo de batalha para o inimigo não conseguir identificar alguma fraqueza, entretanto, por que ela estava ficando vermelha?
Respirou fundo antes de bater na porta do quarto que Aisha estava.
— Senhorita Aisha? Precisamos sair.
— Um segundo! — O grito do lado de dentro era da maga. Ao menos a General não teria que acorda-la, como fazia com todos — Estou terminando de me trocar.
Elesis deu um passo para trás, sinal de que esperaria, e olhou para o corredor. Sua mente era algo incrível, conseguia imaginar centenas de opções para ataques e centenas de formas da frase que a maga falou sair tão errado.
Por que ela estava pensando tantas coisas fúteis?
Quando Aisha abriu a porta, ela ainda estava prendendo o longo cabelo roxo, que caia com uma beleza maravilhosa pelos seus ombros.
O rosto da General voltou a ficar rubro com os pensamentos.
— Elesis? — A realidade voltou para a General ao ouvir seu nome, que assumiu seu rosto fechado e sério — Algum problema? Você parece distraída.
— Estou bem, se preocupe com coisas mais importantes. — Elesis se virou, já andando para as escadas — Está trocada, certo? Vamos, não temos muito tempo antes dos demônios voltarem a atacar.
A General ouviu quando o prendedor deixou o cabelo da maga em seu devido lugar, e então, os passos de salto alto da outra atrás dela.
Elesis começou a descer as escadas sendo acompanhada pela Sábia.
— Eles estão atacando em turno? — A voz de Aisha era um pouco diferente de antigamente. Mais madura. — Como antigamente? Lu e Ciel são mais inteligentes que isso.
Os olhos de Elesis varreram o quarto, agora vazio, de onde estavam os soldados antes. Todos já tinham saído, bom sinal.
— Não é algo feito por Lu e Ciel. Algo aconteceu no Submundo, e não temos o poder de arrumar isso, só podemos nos proteger por enquanto. — Ela saiu pela porta ainda aberta, esperando a outra sair antes de fechar com a maçaneta — E sim, por enquanto estão em turnos, atacando sete levas de manhã, 10 a noite e quatro a noite. Já dá para saber quando os soldados querem ficar no campo de batalha.
Os passos da General soavam frios com o metal em pedra, mesmo com o salto das botas de Aisha a acompanhando.
O mundo estava calado demais.
— Óbvio que sim, não sou burra! — A General olhou mal-humorada para a outra enquanto continuava a andar pelas ruas de Elianod, indo até o centro comercial — Então, por que você não está no campo de batalha ainda?
— Por que eu fui e voltei. — Mesmo tendo acabado de sair da casa, Elesis já procurava os soldados que ajudariam elas a carregar tudo — Nós conseguimos controlar a situação, então me pediram para voltar e arquitetar algum plano.
— Resumidamente, fazer compras.
A General Elesis parou de súbito, virando para a maga com o rosto de mais ódio do que conseguia esconder.
— Qualquer coisa que for necessária, eu farei. Não estamos conseguindo levar suprimentos para os nossos por conta de ataques de demônios. Não seja inconveniente achando que isso é pouca coisa, ou será mais um estorvo do que ajuda.
Aisha ficou paralisada naquele momento, ouvindo cada palavra da mulher.
Elesis não sabia o que esperar da garota ao ser retrucada daquele jeito, mas ela estava pronta para alguma birra ou comentário sarcástico.
Preparada para o que não veio.
A maga somente transmitiu espanto antes de abaixar a cabeça e encolher os ombros, enrolando o fim do vestido nos dedos enluvados.
— Me... Me desculpa — Ela virou o rosto para longe da visão da General — não queria desmerecer seu trabalho. Velder só está aguentando graças a você, fui inconveniente, como você disse...
O coração de Elesis acelerou mesmo sem haver motivo aparente para isso, sem ela querer algo assim.
Aisha só estava reconhecendo seu erro e se desculpando, então, por que aquilo deixou a General tão agitada?
Elesis fechou os olhos e respirou fundo. Tinha que tirar qualquer coisa que estivesse dentro de si e continuar sua missão.
— General Elesis. — A mulher virou rápido e colocou seu rosto de militar ao reconhecer os dois homens — Somos os acompanhantes que a senhorita pediu. Iremos ajudar a carregar os suprimentos necessários, Sabrina e Homulo.
A General acenou para os soldados, agradecendo silenciosamente pelo serviço.
Aisha agora estava de volta ao normal, olhando para frente, onde estava o centro comercial.
Todas as pessoas que estavam tentando vender suas coisas estavam... com medo.
Elesis voltou a andar, indo na frente de todos para começar a ver a situação.
A maioria das lojas estavam fechadas e trancadas, somente com uma placa simples de “aberto” do lado de fora.
As bancas mais simples tinham pessoas tremendo e com olhos apavorados.
Medo.
Essa palavra traduzia tudo.
Eles sequer deixavam suas mercadorias expostas, tendo somente escrito em algum lugar da banca o que vendiam.
Estavam prontos para fugir.
— Elesis, — A General se virou quando ouviu a voz de Aisha, mas a maga não parou de andar, o que a forçou a segui-la. — não é perigoso eles... ficarem aqui? Ouvi das tropas que está cada dia mais difícil manter eles longe.
— Sim, mas acima de todo o perigo, eles sabem que devem manter as coisas funcionando para todos conseguirmos sobreviver.
— General Elesis — Mais para frente, um senhor de barba branca e careca sorriu maravilhado ao ver a mulher andando em direção ao mercado. — você não tem noção do quanto estamos felizes em vê-la.
Elesis demorou um segundo para reconhecer o homem que havia cortado sua conversa, mas quando conseguiu, seu rosto não controlou o sorriso que apareceu e ela apressou o passo até o homem.
— Horatio! Você está bem, homem! — Elesis segurou a mão do senhor que estava sem blusa e com uma calça gigante azul escura, antes de o abraçar e o levantar — Estou feliz que não se encontra no meio dos mortos!
Aisha e os soldados atrás de Elesis se entreolharam enquanto viam aquela cena da General.
Certo que o dia estava cinza e o mundo parecia triste e isso afetava o comportamento de todos, mas...
Eles nunca haviam visto Elesis tão feliz.
— De alguma forma, estamos aqui lutando por todos. — Ele levantou o punho enquanto a General deu uma risada rouca. — Precisando de algo, Elesis?
Não demorou muito para os outros comerciantes saírem de suas pequenas cavernas do medo e mostrarem os rostos quando ouviram a conversa dos dois.
Elesis... transmitia confiança, transmitia calma e uma força para todos.
Por isso ela ia para o campo de batalha, por isso todos clamavam o seu nome.
Porque todos a adoravam.
— De você, Horatio? Que arrume todos os nossos equipamentos. — O senhor sorria enquanto concordava com a cabeça das palavras da General, feliz por ser útil para algo — Estamos em um momento que precisamos nos ajudar. Irei pedir para virem lhe buscar para consertar todos os equipamentos quebrados e danificados, será muito útil ter um Ferreiro a salvo.
— General Elesis! — Uma dama veio correndo e abraçou a General que ainda estava de lado, meio perdida de quem era a mulher. — Você ainda está viva! E sem machucados! — O reconhecimento da dama apareceu pela voz.
— Lucy. — Era uma vendedora de acessórios que conhecera Elesis quando ela ainda era muito jovem, junto do Grupo de Busca de El. — É bom vê-la a salvo.
Lucy ainda tinha seus cabelos marrons e seu longo vestido branco com azul, porém ela em si estava um pouco mais... cansada, talvez.
Assim como todos.
Aisha se aproximou com os soldados, sorrindo para Horatio e Lucy.
— Aisha! Minha garota. — Segurando a cesta que sempre estava com ela, Lucy correu e abraçou a maga roxa. — Minha nossa, eu jurei que você estava morta a essa altura! Por que nunca mais veio me ver? Eu fiquei tão preocupada com você!
Aisha olhou para Elesis, procurando alguma ajuda, e a General somente sorriu e abaixou o rosto.
“Você é a culpada disso” Estava escrito na expressão de Elesis.
— Eu... andei um pouco ocupada, Lucy — A vendedora ficou sem expressão no rosto na afirmação de Aisha.
Realmente, todos andaram um “pouco ocupados”, e isso não tinha nada a ver com responsabilidades ou... não querer encontrar alguém.
Mas a expressão não durou o suficiente antes de Lucy começar a procurar em seus bolsos e em sua cesta por algo.
A General aguardou enquanto notava todos abrirem um pouco suas lojas e aumentarem a esperança em seus olhos.
Mesmo que o dia continuasse frio e cinza, alguma chama acendeu no peito das pessoas.
— Achei! — Aisha virou um pouco a cabeça, em dúvida. Seu cabelo escorreu, leve, pelos seus ombros e seu vestido balançou lentamente enquanto ela colocava as mãos para trás de suas costas — Eu havia comprado isso de um soldado de outra cidade, mas ele irá ficar melhor em você. Infelizmente não posso lhe dar, mas... quem sabe se eu fizer um preço barato?
Quando Lucy pendurou o acessório que tinha, os olhos de Elesis transmitiram o espanto em seu peito.
Era um colar dourado, com uma pedra roxa no centro do pingente que parecia um arco. Elesis reconheceu na hora o acessório poderoso.
Um colar do Reino de Velder, banhado em magia pura.
Ele fortificava o ataque e ainda aumentava sua concentração na batalha, diferente do dela, que era uma versão um pouco mais fraca, que somente aumentava seu ataque.
Era um dos melhores acessórios que alguém poderia ter.
Aisha olhou espantada do colar para a General, como se implorasse.
É claro que implorava, tudo iria ser bancado pelos superiores, e não por eles mesmos.
Elesis sorriu e suspirou. Não tinha como, nunca, recusar um colar daqueles com o vendedor falando que deixaria barato.
— Pegue, não tem como recusar isso, irá nos ajudar bastante.
Os olhos roxos de Aisha brilharam de felicidade enquanto um enorme sorriso aparecia no rosto da maga, que dava pequenos pulos.
O sangue da General invadiu seu rosto, deixando-o vermelho, o que forçou Elesis a virar-se e encarar os outros vendedores sorrindo para ela.
Aparentemente, eles compreendiam o que nem ela mesma estava entendendo.
Por que ela não conseguia controlar suas emoções perto de Aisha? Aquilo não fazia sequer sentido.
— Elesis! — Quando a General se virou, ainda relativamente vermelha, ela viu Aisha quase dançando no meio da rua, com um sorriso maravilhoso no rosto, enquanto o pingente pulava em seu peito — Muito obrigada! Me sinto até melhor agora!
Elesis sorriu, não conseguindo se controlar.
Aisha... realmente havia se tornado uma mulher maravilhosa.
— General Elesis! As frutas estão frescas!
— General! Ainda temos comidas sobrando!
— General Elesis, as sementes estão ótimas para o consumo!
Elesis deu uma risada rouca enquanto andava em direção aos mercadores.
— Soldados, Aisha, me ajudem a pegar as coisas necessárias para voltarmos o quanto antes.
Os soldados se apressaram para as lojas que estavam falando suas utilidades, querendo sair dali o mais rápido possível, assim como todos que só estavam esperando o exército para irem para uma região segura.
Sim, estava aquilo no ar. A guerra, a morte, tudo vagava entre as pessoas.
— General Elesis, — a mulher parou ao chamado e olhou para o lado, não tendo notado alguém ali antes. Quando o notou, o espanto lhe fez virar e se concentrar no local. — faz um tempo.
Era Grail, um cachorro alquimista nos subúrbios de Velder.
Elesis sorriu ao reconhecer o antigo conselheiro.
— Grail, a quanto tempo. — Ele levantou sua xícara de café, em forma de cumprimento, antes de pular das caixas em direção ao chão — Achava estar longe de Elianod a essa hora.
— Eu deveria, mas tinha que lhe entregar algo antes disso. — O Alquimista deixou a xícara em uma prateleira baixa e pegou vários sacos que estavam em baixo de sua bancada. — Isso — Talvez o peso — é — Ou o pequeno tamanho dele — pra — Mas Elesis preferiu ajudar o alquimista a carregar a quantidade enorme de sacolas — você. Muito obrigada.
A General abriu uma das sacolas pequenas para verificar o que era.
Um choque percorreu a espinha da General ao ver a quantidade gigantesca de frascos azuis, contendo mana.
— São poções de mana, para a magia. — Os olhos da General se levantaram, olhando espantada para ele. — Achei que iria precisar.
Ele ficou na cidade para ajudar ela.
A General sorriu e se curvou em agradecimento, colocando a mão direita em sua barriga.
O peso da espada pressionava suas costas, porém... Ele realmente havia arriscado sua vida para ajudar aquela que ele havia ajudado tantas vezes.
— Muito obrigada, Grail. Irei lhe recompensar assim que essa guerra acabar.
Elesis abriu uma sacola grande e colocou todas as pequenas, uma por uma, dentro dela.
— Não quero recompensas, Elesis, quero sobreviver. — A General sorriu de canto, virando o rosto para ver Aisha carregando algumas carnes e maçãs nas sacolas. — Quando tudo acabar, quero que você descanse um pouco, General.
O olhar sério da militar voltou ao seu rosto, o cabelo vermelho ao vento deixando tudo aquilo um pouco mais sombrio.
— Me acha incapaz de aguentar o que vem à frente, Grail?
— De forma alguma, Elesis. — Ele pegou sua xícara de café enquanto juntava alguns pertences — Porém, por aguentar demais, alguma hora você não conseguirá se mover, e nesse momento, irá acabar perecendo.
— Me chamando de incapaz.
— Somente a verdade de um senhor que está a muitos anos lutando. — O Alquimista olhou para a estrada, mais à frente do comércio. — General.
Elesis prendeu a sacola no cinto da armadura, em sua cintura e tirou a espada de suas costas.
— Aisha, guerreiros, os Demônios estão vindo! — O grito em plenos pulmões deixou pasmos — Comerciantes, saiam da cidade, agora!
— Sobreviva, General Elesis. — Essas foram as últimas palavras de Grail antes dele pegar sua sacola e correr, indo para longe dela.
Foi instantâneo. Todos começaram a correr enquanto a General tomava a linha de frente com Aisha.
— Por favor, entreguem isso em segurança — A Maga estava dando a ordem que Elesis não havia dado. Entregar a mercadoria que eles estavam carregando. Comidas, poções, tudo necessário.
Era aquilo o fim do passeio feliz que todos estavam tendo.
Aquele era o momento de terror de todos.
Os soldados que estavam segurando os demônios do lado de fora, ou pereceram, ou fugiram.
Elesis virou a tempo de ver Horatio acenando para ela, enquanto corria junto de Lucy. Todos ficariam bem contanto que ela matasse os demônios e não deixasse eles avançarem.
Elesis não teve tempo de adivinhar a estratégia insana daqueles seres enquanto corria em direção a um dos demônios com forma de leão e o cortava ao meio, fazendo sangue escorrer por toda sua espada e armadura.
Era aquilo. O começo do fim.
Elesis se virou a tempo de ver Aisha soltar uma magia de fogo e se afastou do alvo que ela havia escolhido.
Elas iriam ter que lutar para matar aqueles desgraçados.
A General respirou fundo e empunhou sua espada acima de sua cabeça. A magia fazendo a lâmina ficar maior.
Que todos tentassem, ela os mataria um a um e voltaria para onde estava ordenada!
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